sexta-feira, 24 de julho de 2015

Embrapa realiza oficina de comunicação para público do Plano Brasil Sem Miséria

Maria Clara Guaraldo - Manoel Rogério, o agricultor cuja propriedade foi visitada pelo público da oficina
Manoel Rogério, o agricultor cuja propriedade foi visitada pelo público da oficina
Com o objetivo de aumentar a participação e o envolvimento das comunidades rurais na elaboração e divulgação de informações sobre o Plano Brasil Sem Miséria nos territórios da cidadania, a Embrapa, em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), realizou a primeira oficina Comunicação e Convivência com o Semiárido, em Igaci (AL), Território Agreste Alagoano, de 13 a 15 de julho. 
 
Com público diversificado, envolvendo pesquisadores, educadores e jornalistas da Embrapa, agricultores familiares, técnicos da Emater-AL e comunicadores de organizações não-governamentais, a oficina  reuniu mais de 50 participantes. Também estiveram presentes rádios parceiras do Prosa Rural (o programa de rádio da Embrapa) como a Sertãozinho FM, de Major Isidoro (AL), que transmite o programa desde 2004.
 
"As oficinas de comunicação favorecem a socialização de experiências e o intercâmbio de conhecimentos entre a pesquisa, a extensão e a agricultura familiar", destaca o pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), Fernando Fleury Curado e responsável pela implementação dos projetos de inclusão produtiva rural no território Agreste Alagoano. Para ele, os processos de comunicação contribuem a articulação da Embrapa em rede com outras instituições que também desenvolvem tecnologias importantes para o Semiárido.
 
Durante o evento, o público participou de uma oficina radiofônica e outra de fotografia. Como produto final, os participantes produziram programas de rádio sobre agricultura no Semiárido e imagens fotográficas captadas durante visita a uma propriedade rural, onde estão sendo desenvolvidos projetos do PBSM sob a liderança da Embrapa Tabuleiros Costeiros. Também foram realizados debates sobre Comunicação Comunitária e Convivência com o Semiárido.
 
Além das oficinas, os participantes conheceram o Projeto Minibibliotecas, coordenado pela Embrapa Informação Tecnológica, a Agência de Notícias do Território Alto Oeste Potiguar, coordenada pela Embrapa Agroindústria Tropical, e as ações de Comunicação para o Desenvolvimento, coordenadas pelo Departamento de Transferência de Tecnologia. 
 
"Encontrei nessa oficina uma forma de me comunicar na minha comunidade. Coordeno um projeto que até então não é reconhecido. Acredito que agora tenho condições de ir à rádio comunitária e divulgá-lo no município e na própria comunidade", destacou Ivaniza da Silva Leite, da comunidade Cajá dos Negros, de Batalha (AL). Ela é quilombola e coordena o projeto Mesa Brasil de distribuição de alimentos do Sesc.
 
Verônica Santos Gomes, de São José da Tapera (AL), destaca que o curso trouxe aprendizados sobre como divulgar melhor os produtos e melhorar sua comercialização. Técnica agropecuária, ela diz acreditar na comunicação como instrumento capaz de melhorar o grau de conhecimento das comunidades atendidas pelo PBSM. "Creio que é possível realizar um trabalho em rede para o intercâmbio de conhecimentos e experiências".
 
Para a coordenadora de Comunicação da ASA, Fernanda Cruz, a parceria ASA/Embrapa pode contribuir significativamente para processos de mobilização social no Semiárido. "A relação da Embrapa com a ASA é antiga, mas no campo da comunicação é algo novo e bem significativo quando pensamos na formação e na comunicação para mobilização social. Um segundo elemento que eu destacaria é que à medida que somos procurados pela Embrapa para realizarmos conjuntamente essa oficina, demonstra que estamos no caminho certo com relação à comunicação que estamos construindo e estabelecendo no Semiárido. Precisamos de oportunidades como essa para chegar a mais pessoas, levando o significado da comunicação para nossa luta no campo". 
 
Visita ao Projeto PBSM 
 
Uma das atividades da oficina foi visitar a propriedade de Manoel Rogério dos Santos, em Igaci (AL). O agricultor cria ovelhas e galinhas, planta feijão, milho, palma forrageira e gliricídia. Com a palma produz ração para os animais no período da estiagem. Manoel também recebeu uma cisterna de 16 litros de água para consumo da família. A expectativa agora, com a nova fase do PBSM, é pela chegada da cisterna calçadão, utilizada na produção.
 
"Percebi que é mais negócio criar ovelhas do que vacas, porque elas resistem mais à estiagem, aceitam melhor a gliricídia como ração e consomem menos água", destacou. 
 
Manoel também falou sobre a importância do diagnóstico participativo, uma das estratégias do PBSM para implementação dos projetos de inclusão produtiva rural. "No mapa, com o desenho, a gente percebe com clareza a diferença do antes e do depois", explica. Ele lembrou ainda que, a partir do plano, pôde diversificar ainda mais sua produção. 
 
Ações de capacitação e divulgação
 
As oficinas de comunicação comunitária integram o projeto Ações de Capacitação e de Divulgação de Informações tecnológicas para apoio à inclusão produtiva rural no PBSM, coordenado pela Embrapa Informação Tecnológica (Brasília, DF). Contam com a parceria da Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza, CE), Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral, CE)e Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG).
 
O projeto é executado em três dimensões - educação, comunicação e produção de materiais informativos. Já foram capacitados 410 profissionais, sendo 100 radialistas em oficinas para rádios comunitárias; 40 em oficina de comunicação e 270 educadores e extensionistas, em ações de educação e de mediação para uso do kit de Minibibiliotecas. Todas as ações são realizadas em parceria com as Unidades do Nordeste e a Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG).
 
Também este ano, as Unidades do Nordeste e de Minas Gerais iniciaram os chamados projetos transversais do PBSM, que têm como objetivos a instalação de cisternas de produção nas residências, ampliando o acesso à água para agricultura familiar, o aumento da renda com a criação de pequenos animais e a produção de manivas-semente de mandioca. 
 
Integração
 
É nesse contexto que as ações de comunicação comunitária passaram a integrar, a partir deste ano, os projetos transversais da Embrapa no PBSM em Alagoas e Sergipe, como já vem ocorrendo no Território Alto Oeste Potiguar (RN), que iniciou em 2014 experiência-piloto coordenada pela Embrapa Agroindústria Tropical. Extensionistas, radialistas, blogueiros, mediadores do Projeto Minibiblotecas, lideranças comunitárias, dentre outros, receberam capacitação e participam da produção e gravação de programas de rádio, vídeos, matérias para sites e blogs, retratando as realidades locais e os desafios para o desenvolvimento dos projetos do PBSM no Alto Oeste Potiguar. 
  
Embrapa Informação Tecnológica

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