segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Travessia Sustentável-Artigo




Por Coriolano Xavier, Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM.

O Relatório Anual do FMI (Fundo Monetário Internacional), sobre a situação econômica de seus países-membros, saiu em novembro do ano passado e projeta para o Brasil uma tímida expansão do PIB (Produto Interno Bruto) nos próximos anos: 0,5% para 2017, 1,5% em 2018 e 2% em 2019. Não chega a ser novidade, pois o governo brasileiro já vinha acenando com uma redução nas expectativas de crescimento e passou a falar em 1% para 2017. O horizonte, enfim, é de uma recuperação bem gradual, passo a passo, contando com o ajuste fiscal e as reformas econômicas. Otimismo, só se a agenda das reformas ganhar velocidade, acelerando a recuperação.

Os dados do FMI recomendam atenção: projetam para o Brasil um déficit primário de 2,7% do PIB em 2016 e de 2,3% em 2017, com o país só retornando a um superávit primário em 2020. Ou seja, a tendência é permanecer uma política monetária apertada, até a volta das contas nacionais ao positivo. Enquanto isso, o agro vai bem: rota ascendente na média dos últimos anos, balança comercial a favor, previsão de safra recorde e avanços estruturais começando a andar. Os riscos, talvez, fiquem com a incerteza política do país, a desaceleração chinesa ou os efeitos de uma eventual onda protecionista, com Trump. Mas no geral o setor mostra ser uma ilha sustentável de sucesso na economia brasileira, até onde se pode ver.

Como então devem se comportar os gestores do agro, em meio a um ambiente macro econômico debilitado e tentando a recuperação?  Que atitudes competitivas pode o agronegócio enfatizar, diante dessas duas faces da moeda chamada Brasil? Que olhar estratégico privilegiar? Investir em inovação ou ampliação, para sair alavancado da crise, mais competitivo que o padrão do seu setor ou de competidores específicos?  Gerar mais eficiência na estrutura atual, aliviando a travessia com vantagens comparativas?  “Colocar na banguela” e aproveitar a inércia, pensando só em proteger-se?

Buscar a maior eficiência dos recursos claro que é importante em qualquer situação, mais ainda com incerteza macroeconômica. Prova disso, aliás, está no próprio agro, onde vemos setores se consolidando cada vez mais pela substituição dos ineficientes, do que pela chegada de novos empreendedores. Mas o mundo hoje é outro. Os ciclos de inovação estão cada vez mais curtos e perde-los significa, em geral, perder competitividade. Nosso agro é referência mundial em avanço tecnológico e manter essa posição requer atitude voltada à inovação. Dar passos à frente. Estar na dianteira em investimentos, tecnologias e capacitação das equipes.

No campo, no dia a dia da produção, isso tem a ver com aprimorar a gestão dos custos, vendo onde é possível cortar sem comprometer resultados de médio e longo prazo. Também focar na melhoria daqueles processos que impactam, diretamente, uns 70% do resultado final. E, se houver fluxo de caixa positivo, lembrar que agora pode ser a hora de investir, pois o reflexo deve ocorrer um ano depois ou mais, quando a expectativa é de uma macroeconomia mais favorável. O importante é ter uma visão clara do negócio, saber adaptá-lo e saber quando ousar. Até mesmo em tempos incertos.

Maggi cobra de outros países legislação mais ampla sobre preservação ambiental

Para ministro, esforços dos produtores brasileiros por agricultura sustentável deve ser reconhecido pelo mercado global


Ao representante da Nova Zelândia, pedido de apoio à candidatura (Mapa/Divulgação)

Em encontros bilaterais na Alemanha, o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) cobrou que os países tenham uma legislação mais ampla, como a brasileira, sobre o uso dos recursos naturais. Para Maggi, é preciso que o mundo reconheça os esforços dos produtores do Brasil para garantir uma produção sustentável. “Eu mesmo também sou produtor sustentável e sigo as normas ambientais.”
Maggi participou, nesta sexta-feira (20), de quatro reuniões bilaterais em Berlim, nas quais defendeu interesses comerciais brasileiros. As tratativas fazem partem da estratégia de aumentar a participação do país de 6,9% para 10%, em cinco anos, no comércio agrícola mundial.
Ao vice-ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Jochen Flasbarth, Maggi disse que “muito diferentemente do que é comentado fora do Brasil, a agricultura do país tem avançado muito nos últimos anos respeitando o meio ambiente”. Citou programas do ministério, como o ABC, voltado à produção de baixo carbono, que compreende, entre outras ações, a integração lavoura-pecuária-floresta e plantio direto na palha, experiência utilizada inclusive nas plantações de soja e milho.
“Temos corredores ecológicos interligando propriedades rurais, que preservam a biodiversidade vegetal e animal”, relatou. Os corredores ecológicos ou de biodiversidade unem fragmentos florestais ou mesmo de unidades de conservação que foram separados por interferência humana, como as estradas, a agricultura, a atividade madeireira.


Na pauta com o Paraguai, medida que prejudica denominação da cachaça (Mapa/Divulgação)

O ministro também destacou que 41% da energia produzida no Brasil é renovável, enquanto a média mundial é de 13,5%. “Nossos esforços precisam ser reconhecidos pelos mercados importadores.” O governo brasileiro espera que esse reconhecimento se traduza em preferência de seus produtos agrícolas nas decisões de compra no exterior.
Blairo disse entender que a agricultura verde deve ser seguida por todos os países produtores, a fim de não penalizar quem produz de maneira sustentável. Lembrou que a legislação brasileira exige, por exemplo, a preservação de margens de rios, que representam de 20% a até 80% de determinadas propriedades rurais. “Os outros países devem ter leis também mais amplas sobre o uso dos recursos naturais”.
O vice-ministro do Meio Ambiente alemão declarou ao ministro que seu país pretende “ter uma colaboração bem intensa com o Brasil”. Maggi o convidou para uma visita e disse que faria questão de acompanhá-lo por uma viagem ao interior do país.
Codex Alimentarius
Ao diretor-geral do Ministério da Agricultura da Nova Zelândia, Martyn Dunne, Maggi salientou que são duas nações amigas com possibilidades de ampliar mercado. O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, que integra a equipe do ministro na viagem, observou que a empresa poderia ser uma grande parceira da Nova Zelândia. “Temos coisas complementares e podemos fazer cooperação científica”, assinalou Lopes.
Blairo ficou de visitar o país e pediu apoio à candidatura do coordenador de Assuntos Multilaterais do Departamento de Negociações Não Tarifárias da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Guilherme Antonio da Costa Junior, à presidência da Comissão do Codex Alimentarius.
A eleição ocorrerá durante a 40ª Reunião da Comissão do Codex Alimentarius, prevista para o período de 3 a 7 de julho deste ano, em Genebra (Suíça). O Codex é formado por 187 países e é referência internacional para a solução de disputas sobre inocuidade alime ntar e proteção da saúde do consumidor.
Ao ministro da Agricultura da Lituânia, Bronius Markauskas, Maggi pediu apoio na habilitação de frigoríficos de Rondônia, Tocantins e Distrito Federal junto à União Uuropeia para exportação de carne bovina.
Blairo, que terá reunião neste domingo (22) com os ministros da Agricultura do G-20, em Berlim, viajou acompanhado, além do presidente da Embrapa, do secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Silva, e do assessor para Meio Ambiente, João Campari.

Em reunião com o ministro da Agricultura e Pecuária do Paraguai, Juan Carlos Baruja, Maggi reforçou o interesse em ampliar a cooperação na área de tecnologia e solicitou a revogação de uma medida do país sobre bebidas, que prejudica o reconhecimento da denominação da cachaça como bebida genuinamente brasileira.

Arca de Noé moderna tem banco de semen na Embrapa


raça pé duroMais recentemente, novos animais vêm sendo incorporados à Arca de Noé da Embrapa, que está cada vez mais diversificada e tecnológica. Sêmen, embriões e DNA são conservados em criobancos, congelados em nitrogênio líquido a temperaturas abaixo de zero, que mantêm a integridade biológica do material genético conservado a longo prazo. O Banco Genético da Embrapa é um espaço moderno e tecnológico, inaugurado em 2014, e apresenta as condições ideais de segurança para a salvaguarda de todo esse material genético.
A Embrapa investe na conservação de recursos genéticos animais desde 1983. O objetivo é preservar raças de animais domésticos de interesse para a pecuária, conhecidas como localmente adaptadas, pois se desenvolveram no Brasil a partir de animais trazidos pelos colonizadores logo após o descobrimento. São, portanto, verdadeiros tesouros genéticos, pois possuem características de rusticidade e adaptabilidade adquiridas ao longo dos séculos, com grande potencial de uso em programas de melhoramento genético, a partir de cruzamentos com raças comerciais.
A conservação de raças localmente adaptadas é uma das prioridades da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), que mantém uma comissão permanente para fortalecer a conservação e uso sustentável de recursos genéticos de plantas, animais e microrganismos em nível mundial. O pesquisador da Embrapa Arthur Mariante é o ponto focal da região que compreende os países da América Latina e Caribe nessa comissão desde 2007. Ao longo desses anos, ele vem trabalhando para estreitar a parceria entre os países dessa região, com base nas quatro grandes linhas de atuação propostas pelo FAO em relação a recursos genéticos animais: conservação, utilização sustentável, caracterização e capacitação.

Para evitar a perda desse material genético importante e insubstituível, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia coordena ações de conservação in situ (no local de origem dos animais) e ex situ in vivo (quando os animais são criados fora do habitat no qual a raça se desenvolveu), em parceria com outras unidades da Embrapa em todas as regiões brasileiras, além de universidades, empresas estaduais de pesquisa, associações de criadores e produtores particulares.

Especialistas acreditam que mercado de leite brasileiro deve se recuperar este ano

Os números de 2016 só serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 17 de março, mas a expectativa é que a produção de leite no Brasil sofra a maior queda em 55 anos, desde que os índices passaram a ser registrados. "Embora a captação formal de leite no terceiro trimestre do ano passado tenha apresentado uma recuperação de 12,1% em relação ao trimestre anterior, o volume total captado teve uma quebra de 4,9% quando comparado ao mesmo período de 2015", informa o pesquisador da Embrapa Gado de Leite João César Resende.
Os dados iniciais sugerem que a recuperação tenha se mantido no último trimestre, mas o País deve fechar 2016 com uma produção pouco acima dos 23 bilhões de litros, uma retração acima de 3% em relação a 2015 e há entre os analistas quem aposte em um índice de 4%. Os dois últimos anos não foram bons para o setor. Desde 2014, quando o Brasil registrou o maior volume de produção de leite sob inspeção (24,7 bilhões de litros), os índices vêm retrocedendo. Em 2015, a queda foi de 2,8% (figura 1).

Figura 1: Produção de leite sob inspeção no Brasil (bilhões de litros):
Fonte: IBGE, adaptado pela Embrapa (2016: Estimativa Embrapa Gado de Leite).

Ano de extremos

Um dos fatores que favoreceu o menor volume produzido foi o preço internacional do leite. Nos leilões da plataforma Global Dairy Trade (GDT), a tonelada do leite em pó chegou a ser vendida em julho por US$ 2,062.00, preço muito abaixo da média, segundo analistas. Isso favoreceu a importação de leite da Argentina e do Uruguai. "Importamos o equivalente a 8% da nossa captação de leite no ano que passou", explica o também pesquisador da Embrapa Gado de Leite Glauco Rodrigues Carvalho. Em dezembro, o leilão da GDT já estava pagando pela tonelada do leite em pó US$ 3, 568.00. A expectativa de Carvalho é que essa seja a média dos preços internacionais ao longo de 2017, reduzindo a competitividade das importações, possibilitando uma recuperação da produção doméstica.
Outro fator que prejudicou o setor foi a quebra de safra do milho. Enquanto a safra do grão em 2014/2015 foi de 84,3 milhões de toneladas, no período de 2015/2016 houve uma queda de 21% (66,5 milhões de toneladas). Isso encareceu a alimentação concentrada do rebanho, aumentando os custos para o produtor. "Vivemos fatos extremos em 2016, o que demonstrou a desorganização e a fragilidade da cadeia produtiva do leite no Brasil", argumenta Carvalho. O reflexo dessa fragilidade se deu, principalmente, nos preços pagos ao produtor. O ano começou com preços muito baixos, com o pecuarista recebendo R$ 1,06/litro. A média do primeiro semestre ficou abaixo de R$ 1,20.
A consequência foi a queda da atividade industrial, com as indústrias chegando a conviver com uma capacidade ociosa em torno de 40%. Para ampliar a captação do produto, a reação foi aumentar os preços, cuja média no segundo semestre foi de R$ 1,49/litro. Carvalho informa que o pico ocorreu em agosto (R$ 1,69), mas teve leite sendo comprado de alguns produtores por mais R$ 2,00/litro. "Com uma amplitude tão grande de preços, fica difícil para qualquer setor se planejar", afirma o pesquisador.
Apesar de um ano de tão grandes variações, desde 2010, o valor pago ao produtor tem mantido uma certa regularidade, como mostra a Figura 2. A produção total do Brasil (leite inspecionado mais leite informal) apresenta uma curva ascendente enquanto os preços caem, o que, segundo Resende, demonstra o potencial da atividade: "A longo prazo, a queda dos preços pagos ao produtor reflete a diminuição dos custos de produção que ocorreu no período. Temos um setor produtivo mais eficiente, que se modernizou tecnologicamente. E os preços para o consumidor também acompanham a tendência de queda. Se não houvesse essa modernização, estaríamos pagando hoje mais de R$ 4,00 pelo litro de leite".
Figura 2: Evolução da produção e dos preços pagos aos produtores no Brasil (1975/2016):
Fonte: IBGE e IEA (Organização: Embrapa Gado de Leite).

Tendências favoráveis para o mercado interno

Carvalho afirma que, para este ano, espera-se um volume de produção superior aos registrados em 2015 e 2016, mas sem excesso de oferta. "Será um ano de recuperação de safra, já que a relação preço do leite e insumo, na média, tende a ser melhor". O milho, vilão do aumento dos custos de concentrado em 2016, tende a ter preços mais amigáveis. A expectativa é que a safra 2016/2017 do grão gire em torno de 84 milhões de toneladas. A previsão somente para a safra de inverno é de 56 milhões de toneladas. O pesquisador espera que a safra de grãos no Brasil, capitaneada pela soja, seja recorde este ano.
Como já foi dito, os preços internacionais do leite tendem a subir, dificultando as importações, o que favorece o cenário interno. A tendência de aumento dos preços internacionais se ancora principalmente na desaceleração da produção na Europa e na queda recente da oferta na Oceania e na América Latina. A manutenção da cotação do dólar em patamares mais elevados também é um estímulo à produção interna, aumentando a competitividade relativa da exportação em relação à importação.
"Do ponto de vista do consumo interno, a tendência também é de melhora gradual", aponta Carvalho. "A despeito do frágil cenário político e econômico nacional, os indicadores têm melhorado e as perspectivas são de que inflação, taxa de juros e PIB caminhem no sentido de estimular o consumo, promovendo uma retomada do crescimento econômico, ainda que modesto", conclui.
O pesquisador destaca que, independentemente das oscilações conjunturais, existem transformações importantes acontecendo na cadeia produtiva do leite no Brasil. Entre elas, cita:
- Melhoria na gestão das propriedades;
- Maior especialização do rebanho brasileiro (dados de 2015 do IBGE mostram uma queda de 5,5% do número de vacas leiteiras, o que significa que os animais de pior genética estão sendo descartados);
- Maior velocidade na adoção de tecnologias, que geram ganhos de produtividade (algumas microrregiões brasileiras apresentam produtividade comparável a países de primeiro mundo);
- Menor custo de produção de milho e soja do mundo.
"Esses elementos, somados ao clima propício, à disponibilidade de terras, à relativa abundância de água e ao potencial de consumo de uma população continental tornam a pecuária de leite brasileira uma das atividades agrícolas de maior potencial", afirma Carvalho. Mas ele lembra que produzir leite exige gestão, dedicação e tecnologia, como em todas as atividades econômicas. "Os que conseguem unir essas características são os empreendedores que irão continuar tendo sucesso na atividade, garantindo uma boa remuneração e uma produção cada vez mais sustentável economicamente", finaliza.

Clone de cajueiro Embrapa 51 se destaca em meio à estiagem no Nordeste

O clone de cajueiro-anão Embrapa 51 vem obtendo resultados bastante promissores entre produtores do município de Severiano Melo (RN). Nos últimos anos, apesar da severa estiagem registrada da região, os pomares do cajueiro registraram uma produtividade média de cerca de mil kg de castanha por hectare. Um diferencial do cajueiro é a resistência à seca e à resinose (Lasiodiplodia theobromae), uma das principais doenças que afeta a espécie.  Além disso, o clone produz durante oito meses, enquanto que para os demais cajueiros a colheita é concentrada em quatro meses do ano.

O engenheiro agrônomo e produtor Antônio Tertulino explica que com a produção mais distribuída ao longo do ano o produtor consegue oferecer caju no mercado aproveitando o preço da safra e da entressafra. Ele salienta que o cajueiro tem se comportado bem no período de seca e que espera uma melhor produtividade (1,8 mil kg por hectare ) em anos com chuvas dentro da média histórica. Tertulino diz, ainda, que os produtores da região estão aproveitando melhor o pedúnculo, com a instalação de fábricas de suco na região. "Há seis anos, o principal produto aqui da região era a castanha, mas agora o caju é mais lucrativo", conta.

Edvaldo Rodrigues de Oliveira produz cajueiro em uma área de 200 hectares e está muito satisfeito com a produtividade alcançada com o clone. "Ele diminui a produção, mas não para. É uma excelente planta em relação aos outros.  Resistente à mosca branca e a seca. É o que melhor se adaptou à nossa região", diz

O clone Embrapa 51 foi lançado pela Embrapa Agroindústria Tropical para plantio comercial em cultivo de sequeiro no Semiárido. Além de ser resistente à resinose (Lasiodiplodia theobromae), uma das principais doenças que afeta a espécie, nos últimos anos a cultivar tem se mostrado bastante resistente à estiagem. Outra vantagem é que a safra ocorre quase sem interrupções por até dez meses, porque as etapas de desenvolvimento do fruto ocorrem simultaneamente.

O clone apresenta como características plantas de porte baixo, com altura média de 3,5m no sexto ano de idade. No quinto ano, sua produtividade média é de 1.510 kg de castanha por hectare. Dependendo da localidade, a safra varia entre julho e novembro.
Dia de campo
Em novembro, a Unidade promoveu um dia de campo naquela município em que reuniu mais de setenta produtores e técnicos. O evento contou com a parceria da Secretaria Especial do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Na ocasião, oito pesquisadores da Embrapa abordaram assuntos como manejo de pomares, fitossanidade, colheita e pós-colheita.

Presidente da Embrapa destaca o turismo rural como gerador de renda e riqueza no campo


presidente da embrapaO artigo é do Presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, apresenta as razões pelas quais é importante o investimento em turismo rural. Nesse sentido descreve o presidente: O turismo é responsável por um em cada onze empregos e por cerca de 10% do PIB global, desempenhando importante papel nos países em desenvolvimento como gerador de riqueza e inclusão social.  Estima-se que até 2030 cerca de 1.8 bilhão de turistas estarão circulando pelo mundo anualmente, mais da metade deles em economias emergentes.  Neste cenário, o turismo rural tenderá a ganhar destaque em função do apelo que a natureza exerce sobre uma sociedade cada vez mais urbanizada, porém preocupada com o meio ambiente.  A Europa é exemplo dessa tendência.  Quem já viajou pelo interior da Itália, França, Espanha e Portugal percebe de imediato o impacto que a integração entre agricultura, cultura, gastronomia e turismo promove nas economias locais, viabilizando imensa gama de novos negócios, emprego e renda, além da preservação das tradições, dos costumes locais e da paisagem rural.
No Chile, o Valle do Colchagua, no sopé da Cordilheira dos Andes, distante 150 km da capital Santiago, é exemplo. Aquela região agrícola concentra importantes vinhedos e incorporou de vez o turismo em sua economia. Além da produção de vinho, da cultura preservada e das belas paisagens que unem mar e montanhas, a região atrai grande número de turistas, que podem desfrutar os vinhos e a culinária locais, além de passeios e aventuras.  No Brasil há exemplo semelhante no Vale dos Vinhedos, baseado no legado histórico e gastronômico dos imigrantes italianos, que chegaram à Serra Gaúcha ainda no século 19.  Ali, a integração entre agricultura e turismo funciona como estímulo para a economia regional, favorecida pela hospitalidade de seus moradores e pelas belas paisagens rurais, além da infraestrutura turística de qualidade.
Mas o Brasil pode ainda mais. Formado pela integração das raças europeias, indígenas e negra, nosso país é um “fervedouro cultural” que fascina o mundo por aspectos como a música, a religião, o folclore, as festividades populares e a diversidade culinária.  Com uma extensa superfície de terra contínua, imensa riqueza hidrográfica, uma das mais longas costas tropicais do planeta – com centenas de praias paradisíacas, ampla gama de condições climáticas, de temperadas a tropicais − e a mais rica biodiversidade terrestre do planeta, o Brasil conta com paisagens e ambientes únicos.   Por isso não é exagero nenhum considerar o nosso país privilegiado para o desenvolvimento de uma possante indústria turística.
Como atividade baseada em recurso natural, cultural ou em ambos, o turismo é uma indústria de imenso impacto potencial para o mundo rural brasileiro. E a culinária e os alimentos tipicamente brasileiros poderão se integrar cada vez mais ao turismo, respondendo à busca por sabores e aromas típicos, por experiências sensoriais únicas e memoráveis, pela autenticidade dos produtores artesanais e das práticas e hábitos tradicionais.  Nossa agricultura tem tudo para se integrar à onda do multiculturalismo, que vem sendo impulsionada pela globalização, pela internet e pela expansão do turismo internacional.  Assim, alimentos e bebidas antes considerados exóticos ganham o gosto do consumidor, como é o caso do açaí, do pão de queijo, do churrasco e da caipirinha, hoje apreciados em muitos lugares do mundo.
Para que possamos fortalecer o turismo como alternativa de desenvolvimento rural associado à cultura e à gastronomia, será necessário ampliar o conhecimento da imensa diversidade do que se produz e se consome em diferentes partes do país, à semelhança do que fez a França. Em seu Inventário do Patrimônio Culinário, de 1989, os franceses investiram no conhecimento dos seus produtos culinários, dando um passo essencial para o seu reconhecimento como patrimônio cultural.  Se inventário similar for realizado no Brasil, teremos mais elementos para fortalecer a imagem dos nossos alimentos e da nossa gastronomia como produtos turísticos diferenciados, atendendo às necessidades de uma indústria turística cada vez mais dinâmica, competitiva e exigente.
A Embrapa, atenta a essas tendências, vem desenvolvendo um conjunto de projetos e ações que valorizam e dinamizam a produção de alimentos locais e regionais, com um olhar atento para a sinergia agricultura-turismo. Um exemplo é o programa Rota do Cordeiro, originado no Ceará, para profissionalização das cadeias produtivas da ovinocultura e da caprinocultura, com foco na sustentabilidade da produção, na regularização e na padronização da oferta de produtos diferenciados e na promoção do consumo. Em parceria com o BNDES, a Embrapa desenvolve um amplo programa de incentivo à diversificação, especialização e exploração da multifuncionalidade das áreas rurais, com grande potencial de impacto na oferta de produtos diferenciados, na gastronomia e no turismo.

Temos à frente o enorme desafio de organizar o rico leque de saberes, sabores e aromas que marcam a nossa culinária, definem a nossa identidade e conformam produtos turísticos em grande demanda. A agricultura, que projetou o Brasil como grande exportador de alimentos, poderá contribuir também para difundir para o mundo a cultura alimentar brasileira e suas possibilidades gastronômicas, com geração de renda e riqueza no campo.

Debates para o Fórum Mundial da Água começam em fevereiro

Pessoas do mundo todo podem contribuir para organização e discussões do evento por meio da plataforma online Sua Voz.


A partir de fevereiro, pessoas do mundo todo já podem participar do 8º Fórum Mundial da Água, cujo tema será Compartilhando Água, e contribuir para preparar o evento, que acontece em março de 2018 em Brasília. Iniciativa inédita do Comitê Diretivo Internacional do Fórum, a plataforma Sua Voz foi criada para favorecer o amplo debate sobre os temas centrais do evento e estará disponível no site do 8º Fórum Mundial da Água.
A ferramenta permite que cidadãos de qualquer lugar do planeta compartilhem ideias, experiências e soluções e façam sugestões que poderão ser incluídas no encontro mundial. Os diálogos vão acontecer em salas de discussões com seis diferentes temas: clima, desenvolvimento, ecossistemas, finanças, pessoas e urbano.
Os participantes terão a oportunidade de expressar suas opiniões e contribuições para enriquecer os debates sobre os rumos da gestão da água no mundo em três rodadas de discussões que vão durar oito semanas cada.  A primeira etapa começa em fevereiro, em data a ser divulgada, e vai até abril, seguida por uma votação mundial para identificar as questões mais relevantes a respeito da água. As discussões online são coordenadas pela Agência Nacional de Águas (ANA), coorganizadora do 8º Fórum, em coordenação com a Secretaria Executiva e demais instâncias de organização do Fórum.
TEMÁTICAS
Cada sala temática vai contar com três ou quatro moderadores, sendo ao menos um brasileiro. Na temática do clima serão abordadas segurança hídrica e mudanças climáticas. Quando o tema for pessoas, as discussões serão em torno de saneamento e saúde. A água no contexto do desenvolvimento sustentável estará em pauta na sala sobre desenvolvimento. No tema urbano, a gestão integrada da água e dos resíduos urbanos conduzirá os debates. Na sala sobre ecossistemas, os fios condutores serão a qualidade da água, a subsistência de ecossistemas e a biodiversidade. O tema finanças vai discutir o financiamento para segurança hídrica.
A plataforma Sua Voz estará disponível em português e inglês e contará também com tradução para mais 90 idiomas de modo a facilitar a participação de pessoas da maioria dos países do mundo. O objetivo é fazer do Fórum Mundial da Água 2018 um evento plural e democrático, em alinhamento com o tema da próxima edição: “Compartilhando Água”.
SOBRE O FÓRUM
Tradicionalmente o Fórum conta com a participação dos principais especialistas, gestores e organizações envolvidas com a questão da água no planeta. Com a plataforma Sua Voz, o Comitê Diretivo Internacional do Fórum  pretende trazer para o evento as contribuições de toda a sociedade, inclusive das vozes não ouvidas usualmente, já que a água está presente na vida de todos.
O Fórum Mundial da Água acontece a cada três anos com os objetivos de aumentar a importância da água na agenda política dos governos e promover o aprofundamento das discussões, troca de experiências e formulação de propostas concretas para os desafios relacionados aos recursos hídricos.
A organização do 8º Fórum é realizada pelo governo federal, pelo Governo do Distrito Federal e pelo Conselho Mundial da Água. As edições anteriores do Fórum Mundial da Água aconteceram em Marrakech, Marrocos (1997); Haia, Holanda (2000); Quioto, Shiga e Osaka, Japão (2003); Cidade do México, México (2006); Istambul, Turquia (2009); Marselha, França (2012); e Daegu e Gyeongbuk, Coreia do Sul (2015).

*Assessoria de Comunicação Social da Agência Nacional de Águas (Ascom/ANA): 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

São Bento do Trairí recebe Caravana Ecológica do Idema

ASCOM/IDEMA
São Bento do Trairí recebe Caravana Ecológica do IDEMA

Seguindo a agenda de atividades de conscientização ecológica do Idema, a equipe de Educação Ambiental do órgão estadual desembarca com a Caravana Ecológica no município de São Bento do Trairi.  As atividades iniciaram na terça-feira (17) e vão até hoje quinta (19) na praça central do município. A caravana  possui uma ampla programação que contribui para as mudanças de comportamentos, hábitos e atitudes quanto à responsabilidade ambiental da população e gestores.
Nesta edição do projeto, o Idema tem como um dos principais objetivos, auxiliar o município no planejamento do saneamento básico. Para isso, os educadores ambientais sensibilizam os moradores sobre as questões ambientais e também apresentam estratégias para que o próprio município desenvolva projetos neste âmbito.
Além disso, a Caravana conta com palestras sobre plantas medicinais, óleo saturado e geração de renda, oficinas de produção de material de limpeza doméstica e sabonetes à base de ervas e as já tradicionais tendas, com oficina de artes, minibiblioteca, teatro sobre reciclagem, espaço ciência, reutilização de materiais recicláveis e exibição de filmes.
A equipe da Caravana Ecológica conta com 27 profissionais e, nos últimos dois anos, o projeto atendeu mais de 8 mil pessoas de diferentes cidades do estado, promovendo atividades e incentivando a responsabilidade ambiental.

Projeto com produção de alimentos vai alcançar cinco países da África

Magda Cruciol - Os caprinos também vão integrar o projeto de produção de alimentos na África
Os caprinos também vão integrar o projeto de produção de alimentos na África
Um amplo projeto de transferência de tecnologias na área de produção integrada de alimentos será implantado a partir deste ano, pela Embrapa Meio-Norte, em cinco países da África, alcançando milhares de pessoas. O projeto tem um orçamento de quase 700 mil dólares, e será financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates, o "Department for International Development "(DFID), do Reino Unido, a Embrapa, e o "Forum for Agricultural Research in Africa" (FARA).
Com duração de  três anos, a ação, que será desenvolvida em Uganda, Camarões, Etiópia, Gana e Tanzânia, prevê criação de peixes, frangos, gado de leite, caprinos, ovinos, alimentos biofortificados, como batata-doce e macaxeira, fruteiras e hortaliças. O sistema integrado prevê também a instalação de carneiros hidráulicos, que são pequenas bombas artesanais que  permitem  irrigação com pouca despesa de energia elétrica e combustível.
O trabalho vai reunir agricultores, universidades e instituições de pesquisa em pelo menos 150 unidades demonstrativas, segundo o pesquisador César Nogueira, líder do projeto. Os técnicos africanos serão capacitados no Brasil. Novos treinamentos e os monitoramentos sobre as tecnologias implantadas serão feitos também com o uso de ferramentas on-line e visitas às unidades demonstrativas.
A largada do projeto será em fevereiro, com uma reunião, em Brasília, entre os técnicos brasileiros e africanos. Estão previstos pelo menos dois encontros entre eles, no "Mktplace Fórum África/Brasil" e na "Assembleia Geral do FARA e Africa Agricultural Science Week (AASW)", para a apresentação das inovações e dos resultados alcançados.
Os pesquisadores Carlos César Pereira Nogueira, Adriana Mello de Araújo, Geraldo Magela Cortes Carvalho, Janaina Mitsue Kimpara, José Oscar Lustosa Oliveira Júnior, Luiz Carlos Guilherme e o analista Marcos Jacob de Oliveira Almeida, todos da Embrapa Meio-Norte, são os técnicos brasileiros que participarão do projeto.
O sucesso das tecnologias desenvolvidas pela Embrapa nos últimos cinco anos, por meio do programa "Agricultural Innovation MKTPlace", em países africanos, levou o Brasil a integrar agora o "M-BoSs: Building on the successes of the Marketplace". Esse programa é que vai garantir o projeto "Redução da Pobreza e Segurança Alimentar na África", liderado pela Embrapa Meio-Norte.     

BOLSISTAS - Emater e Funcitern divulgam lista de classificados para entrevistas

ASSECOM/EMATER

A Emater-RN e a Funcitern publicam hoje a lista de candidatos aprovados para a segunda fase do processo seletivo de bolsistas de extensão.
Os candidatos selecionados serão convocados para apresentação de documentos solicitados no edital e para entrevistas, que ocorrerão entre os dias 20 e 30 de janeiro de 2017, no escritório estadual da Emater-RN (Centro Administrativo do Estado).
Os aprovados terão acesso às informações sobre data e horário de comparecimento ao acessarem seu perfil no site selecao.emater.rn.gov.br, digitando login e senha. Os candidatos cujos nomes não aparecem na relação também podem conferir seu extrato, acessando o mesmo sistema.
O resultado dessa última etapa será divulgado nos sites da Emater-RN e Funcitern no dia 2 de fevereiro, a partir das 14h. Entre os dias 2 e 4 de fevereiro, será aberto período para recursos. O resultado pós-recurso será divulgado no dia 6 de fevereiro. As contratações estão previstas para iniciarem no dia 7 de fevereiro e durarão 24 meses.
Entre os cargos oferecidos, estão os de auxiliar administrativo, técnico agrícola (agropecuária ou agroecologia), técnico em informática – estes de nível médio; bacharel em Direito, administrador, arquiteto, assistente social, médico veterinário, engenheiro de pesca, nutricionista, publicitário, jornalista, entre outros de nível superior. Dependendo do cargo escolhido, as atividades serão realizadas em Natal ou no interior do Estado. 

Conheça o trator movido a ‘esterco’



Conheça o trator movido a ‘esterco’


Em uma granja de galinhas de postura e gado de corte de Santa Helena, no Oeste do Paraná, uma novidade tem atraído o olhar dos curiosos. Desde o fim de dezembro a fazenda usa um trator no qual não vai diesel, gasolina ou qualquer outro combustível líquido. Em vez de tanque, a máquina tem cilindros, pois é movida a gás. Mas tem mais um detalhe: não é qualquer gás. O motor do protótipo T6.140, da multinacional New Holland, utiliza biometano como fonte de energia. Trata-se de um gás extraído da fermentação de matéria orgânica – no caso dessa propriedade paranaense, de dejetos de bovinos e de aves.

A promessa da empresa que desenvolveu a máquina é de uma redução de até 40% nos gastos com combustível. Mas esses dados foram obtidos com base em testes na Europa. Por isso, a fabricante decidiu trazer o veículo para algumas propriedades rurais brasileiras para tirar a prova. “Na Europa os tratores têm usos diferenciados, como no transporte de grãos, puxando carretas nas estradas [etc]. Sabemos que o uso no Brasil em algumas circunstâncias pode ser mais intenso. Estamos coletando aqui todos os dados para fazer uma avaliação detalhada para aprimorarmos o produto”, diz Nilson Righi, gerente de marketing de produto da New Holland.
A propriedade da família de André Haacke, em Santa Helena, não foi escolhida para começar os testes aqui do Brasil por acaso. Há quatro anos, eles trabalham em um projeto de biodigestores para o aproveitamento do biogás na geração de energia elétrica e como combustível de parte dos carros. Eles já investiram cerca de R$ 750 mil na estrutura automatizada que coleta os dejetos e processa o gás. “Antes tinha a questão do meio ambiente e dos vizinhos que reclamavam bastante do cheiro forte. Com o biodigestor, fizemos de um problema uma solução”, relata.
No entanto, como ressalta o diretor presidente do CIBiogas (projeto vinculado à Itaipu), Rodrigo Regis de Almeida Galvão, ainda há entraves que precisam ser melhorados para incentivar projetos de biodigestores no meio rural. Na avaliação dele, somente o Paraná, que é um dos grandes produtores mundiais de aves e suínos, teria hoje a capacidade para fabricar 8,7 bilhões de metros cúbicos por ano de biogás. Ele estima, porém, que o estado produza atualmente menos de 5% desse potencial. “Ainda temos entraves tributários e precisamos de um planejamento energético nacional que envolva o biogás”, diz.
Informações técnicas
O trator tem capacidade para armazenar 300 litros de metano comprimido. O veículo economiza até 40% em combustível e emite 80% menos gás carbônico do que o modelo a diesel. Um dos grandes desafios da fabricante é melhorar a autonomia. Enquanto com um tanque de diesel é possível trabalhar por cerca de dez horas, com o gás o tempo máximo de trabalho chega a cinco horas.

Testes
O T6.140 é um protótipo, ou seja, não é um veículo comercial. Foram produzidas apenas quatro unidades: uma está na Europa, uma na Oceania, uma na América do Norte e outra no Brasil. Na Europa, os testes ocorrem desde 2013. Lá inclusive já há uma segunda versão do trator a biometano, com motor desenvolvido especificamente para máquina agrícola. O T6.140 possui um motor veicular adaptado. Não há ainda previsão de lançamento comercial no Brasil, mas assim que for lançado na Europa, se houver demanda aqui, é possível começar a fabricação da máquina em aproximadamente seis meses.
Nos próximos dias, o trator movido a ‘esterco’ será exposto no Show Rural, em Cascavel. Depois, a máquina será levada para uma fazenda com biodigestores na região de Castro, no Paraná, onde fica a uma das maiores bacias leiteira do Brasil.
* O jornalista viajou a convite da New Holland.

Governo de Pernambuco renova isenção de ICMS sobre milho



Governo de Pernambuco renova isenção de ICMS sobre milho


O governo de Pernambuco prorrogou a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre as operações internas do milho em grão, fornecido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ou pelo Ceasa, até dezembro deste ano. A medida representa um abatimento de, ao menos, 18% no valor final do produto. O benefício foi instituído pelo decreto nº 44.037 de 2017, publicado no Diário Oficial do Estado do último sábado. 
A isenção é concedida desde 2012, devido à estiagem que dura seis anos. “A renovação da isenção do ICMS para o milho destinado aos pequenos produtores é uma forma de baratear o preço do produto e amenizar o prejuízo financeiro no período da seca”, explica o diretor de Tributação e Orientação da Secretaria da Fazenda do Estado, Manoel Vasconcelos.
Em 2016, Pernambuco comprou 5.437 toneladas de milho da Conab. O preço médio de uma saca de 60 quilos vendida no balcão é de R$ 52,42. O presidente da Sociedade Nordestina dos Criadores (SNC), Emanuel Rocha, afirma que a isenção é positiva, pois o milho na Conab fica mais barato do que o milho vendido no mercado. “O milho é um dos principais elementos da alimentação do gado. No mercado, a saca custa em torno de R$ 70. É um benefício para os agropecuaristas que se encontram em situação difícil. Além da falta de água, você tem o alto custo de produção”, explica. 
SECA
Com a seca, a produção de leite em Pernambuco caiu de 2 milhões de litros por dia para 1,4 milhão de litros por dia. Em 2012, no pico da estiagem, o número era de 700 mil litros por dia. O rebanho, que era de 2,5 milhões de cabeças, em 2012, sofreu uma perda drástica e passou para 1.893.393 milhão de cabeças. A grande mortalidade registrada em 2012 ocorreu devido à falta de alimento. O número se mantém estável desde 2014, segundo a Secretaria de Agricultura do Estado.
Mesmo com a ajuda do governo, os produtores ainda temem os efeitos da estiagem e da concorrência acirrada do mercado. “A maior região produtora de leite no Estado é o Agreste, que está sofrendo com a falta de água. Outra coisa que preocupa a bacia leiteira é a queda no preço do leite. Antes, custava por volta de R$ 1,50. Hoje, alguns produtores vendem por R$ 1,10. Alguns estados do Centro-Oeste e do Sudeste estão colocando produtos no Estado”, afirma Emanuel. “Nos próximos dias, nós vamos procurar o governo do Estado para pedir ajuda. Nós pensamos em pedir a taxação dos produtos vindos de outros estados, para proteger a atividade leiteira em Pernambuco. O Ceará já faz isso. Não podemos perder outra atividade econômica”, complementa o presidente da SNC.