segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Dia do Vaqueiro é comemorado em todo o Brasil



O dia 29 de Agosto entrou para o calendário das comemorações nacionais como dia do vaqueiro em 2008, quando a data foi instituída através da lei federal 11.797/08.
A atividade presente especialmente na região Nordeste, existe há muito tempo, mas só recentemente foi reconhecida como profissão. Em 2013 a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que regulamenta a profissão de vaqueiro no País.
De acordo com a legislação vaqueiro é o profissional que trata, maneja e conduz animais como bois, cavalos e outros de pastoreio.
A lei define ainda como papel desse profissional o treinamento de animais para eventos esportivos. Essa é uma das conquistas da categoria.
A figura do vaqueiro é icônica no Brasil. Para o Nordeste é indiscutivelmente, um símbolo de resistência e tradição. As homenagens aos vaqueiros acabam acontecendo ainda em outras datas.
Em Pernambuco, por exemplo, o dia estadual do vaqueiro é celebrado em 02 de Agosto. Já o terceiro domingo do mês de Julho é lembrado como dia do Vaqueiro Nordestino .

Vem aí a EXPOLAJES

Vem aí  EXPOLAJES.

IV Congresso Brasileiro de Recursos Genéticos: prazo para envio de trabalhos foi prorrogado para 09/09

Para isso, é preciso estar inscrito. Se você ainda não garantiu a sua participação no evento, inscreva-se agora e assegure a sua presença em minicursos e outros eventos paralelos.

O prazo para envio e submissão de trabalhos para o IV Congresso Brasileiro de Recursos Genéticos (CBRG) foi prorrogado para o dia 09 de setembro de 2016. Promovido bienalmente pela Sociedade Brasileira de Recursos Genéticos (SBRG), o evento que acontece este ano entre os dias 8 e 11 de novembro, em Curitiba, PR, é o principal fórum de discussão do avanço do conhecimento científico e de novas tecnologias para a conservação e uso de recursos genéticos. Vale lembrar que para apresentar trabalho no Congresso, é necessário estar inscrito.  A inscrição dá direito também à participação nos minicursos e na Feira Nacional de Guardiões da Agrobiodiversidade, que acontece paralelamente ao evento. Informações sobre inscrições e as normas para envio de trabalhos estão disponíveis no site: http://www.cbrg2016.com.br/

O IV CBRG conta com a parceria do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) e tem como tema central "Recursos genéticos no Brasil: a base para o desenvolvimento sustentável". O objetivo é reunir pesquisadores, professores, estudantes de graduação e pós-graduação, técnicos, extensionistas, agricultores, empresários, entre outros segmentos da sociedade, para discutir a conservação e o uso sustentável de recursos genéticos de plantas, animais e microrganismos.

A realização da Feira Nacional de Guardiões da Agrobiodiversidade paralelamente ao Congresso é uma iniciativa inédita desta quarta edição. Dentre as várias formas de conservação da agrobiodiversidade, destaque deve ser dado à conservação feita pelos agricultores, denominados guardiões porque conservam recursos genéticos por iniciativa própria. "O trabalho desenvolvido pelos guardiões da agrobiodiversidade representa uma imensurável prestação de serviço à sociedade, com benefícios para as atuais e futuras gerações", destaca o presidente da Sociedade Brasileira de Recursos Genéticos e pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Marcos Gimenes.
Por isso, a comissão organizadora do IV CBRG, reconhecendo a importância deste trabalho, incluiu pela primeira vez a Feira na programação do Congresso. O objetivo é valorizar e divulgar os trabalhos de conservação realizados pelos agricultores guardiões para a sociedade brasileira.

Além da Feira, acontece também paralelamente ao evento, o III Workshop de Curadores do Brasil.

Mosca-do-estábulo provoca morte de gado em cinco estados brasileiros

Criadores estimam prejuízos de mais de R$ 1 bilhão por ano.
Proliferação tem relação direta com resíduos de usinas de açúcar e álcool.

  A mosca-dos-estábulos prejudica criadores de gado de pelo menos cinco estados brasileiros. Os prejuízos são estimados em mais de R$ 1 bilhão por ano. A proliferação explosiva da mosca tem relação direta com os resíduos gerados pelas usinas de açúcar e álcool.
O comportamento dos animais é típico. Eles ficam aglomerados para esfregar o corpo uns nos outros. Os rabos não param. Essa tentativa de coçar as patas intensifica o ataque das moscas.
“Fica num tormento. Não tem sossego. É desse jeito, andando pra lá e pra cá, debaixo de árvore, se coçando”, diz Isaías Martins, administrador de fazenda.
Esse também é um tormento para os criadores. “A gente não sabe nem o que faz. Você vem aqui botar bezerro para mamar no meio do dia e não consegue. A mosca não deixa. Pica a gente, pica o bezerro. Fico com dó do gado. Isso é revoltante pra gente”, diz David Fred Tolói, produtor de leite.
A mosca-dos-estábulos, que tem o nome científico de stomoxys calcitrans, é muito parecida com a mosca doméstica. Mas esse inseto é hematófago, ou seja, alimenta-se de sangue. “É uma praga. Vê sangue, ela vem mesmo. Desse jeito eu nunca tinha visto”, completa Martins.
A mosca sempre existiu. Mas, com boa higiene e sem acúmulo de matéria orgânica, nunca foi grande incômodo. Porém, infestações maiores podem causar redução de até 50% na produção de leite e de 10% a 30% no ganho de peso dos animais.
O pecuarista José Quirino diz que os animais da propriedade estão emagrecendo. É o caso das novilhas, por exemplo. “Perdeu muito peso. Média de 30 quilos cada uma. Gado novo, gado sadio, pasto à vontade, só que não conseguia comer. Esses são dois touros caros. Eles enxugaram muito. Emagreceram muito. Sentiram muito as moscas”, lamenta.
Há dois anos, a fazenda de produção de leite no município de Planalto tinha 120 vacas de boa qualidade, estabuladas. Mas, o dono desistiu de brigar contra as moscas. Ele vendeu quase todos os animais e o sofrimento dos poucos que restaram é visível.
Uma das vacas tem ferida aberta pelas moscas. Ela estava prenha, mas perdeu o bezerro, como outras duas. “Não tem como proteger. Elas atacam. Onde estiver, elas tão atacando. Vem atrás do sangue”, explica Martins.
Como as moscas também atacam outros animais, a situação do chiqueiro é desoladora. Os animais ficam enfraquecidos e com feridas cobertas pelos insetos. Uma nuvem de moscas se mantém sobre a porca cheia de leitõezinhos para amamentar.
“O cachaço está quase morrendo e terá de ser sacrificado. Pesava 150 quilos. Hoje, nem sei quanto pesa. A mosca acabou com ele. Não come. A mosca não deixa ele comer", diz Martins.
O administrador da fazenda conta que o patrão dele até insistiu bastante com o leite. Só desativou o local quando viu a produção cair de 1,8 mil para 800 litros por dia. O tanque está à venda. A maior parte da terra acabou arrendada para o plantio de cana. Uma ironia, já que o problema da mosca tem relação com as lavouras que dominam a região, ou, mais exatamente, com a aplicação de vinhaça, um resíduo da produção de álcool nas usinas usado como ferti-irrigação.
“Hoje, a vinhaça tem uma legislação que atende à questão do meio ambiente. Não se imaginava que esse problema da vinhaça fosse atacar a questão das moscas. Às vezes, a quantidade está dentro da lei perante a parte do meio ambiente. Mas ainda é muito para a questão da mosca”, explica Bruno Pereira, veterinário da CATI.
O Plano de Aplicação de Vinhaça – PAV, criado pela Empresa de Controle Ambiental Paulista – CETESB prevê um limite máximo de 150 mil litros por hectare, que nem sempre é respeitado. “A gente vê com os produtores que existem pontos que ficam de 15 a 20 dias no mesmo lugar jogando vinhaça sem parar. Isso é errôneo. O principal que leva à mosca é o empoçamento da vinhaça”, alerta Pereira.
A produção de cada litro de álcool gera até 15 litros de vinhaça. Deslocar constantemente os equipamentos para distribuir bem a aplicação gera despesas adicionais para as usinas. “Agrega muito custo na cadeia produtiva. Então, a gente não sabe. É mais fácil se livrar da vinhaça rapidamente”, completa o agrônomo.
A mosca não era um grande problema no tempo da colheita manual da cana, com queimadas. Com a colheita mecanizada, a palhada passou a ficar no solo. É boa para o solo, mas também favorece a mosca por ser matéria orgânica. Combinada com a vinhaça jogada nos plantios, principalmente em quantidade excessiva, forma o que os técnicos chamam de uma mistura explosiva.
O ideal, além de controlar o volume de vinhaça, é escarificar o solo, incorporando a palha, para que o líquido se infiltre rapidamente, sem empoçar. Mas isso também custa dinheiro.
No amanhecer na propriedade do produtor de leite David Fred Tolói, com a temperatura abaixo dos 20ºC, as moscas não são problema. Mas durante o dia elas perturbam as vacas e derrubam a produção.
“Caiu 50% porque as vacas não vai pastar, fica amontoada o dia inteiro, batendo, tocando mosca. Toca para o pasto, ela não quer ir, com medo da mosca. Bastante vezes pensei em desistir, mas a gente tem que insistir. A gente estava aqui primeiro do que as usinas. A gente tá aqui de quando nasceu. A usina chegou há oito anos. Eles que tão culpado, não a gente”, diz Tolói.
Nos últimos anos os surtos da mosca se intensificaram no Brasil. Um levantamento da Embrapa indica que nos últimos três anos eles atingiram áreas dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O diretor técnico regional da Extensão Rural Paulista – CATI, diz que o problema ainda pode ser considerado recente.
“É um problema novo. Não se conhecia o ciclo da mosca com essa explosão depois do advento da vinhaça, das usinas sucroalcooleiras. Então, precisa de um tempo de estudo para isso”, diz Sidney Martins.
O gerente regional da CETESB não concorda. “Oito anos, realmente, é muito tempo. São problemas cíclicos. Todo mundo tem que ficar alerta. O problema é que não pode deixar baixar a guarda. O problema é recorrente”, diz José Benitez de Oliveira.
Só no último ano, problemas com resíduos das usinas levaram a 40 autuações por parte da CETESB em todo estado, incluindo outro tipo de material gerado na filtragem do caldo da cana. A chama torta de filtro é sólida, mas tem até 80% de umidade. Por isso, exige cuidados.
“O adequado é você fazer a compostagem desse material, que é um processo que demora 60 dias. Esses resíduos são revolvidos para possível aplicação na lavoura. A outra opção é a aplicação desses resíduos de forma imediata. Não havendo estocagem por muito tempo desse material”, explica Oliveira.
Nada do que se vê em um depósito, diz o técnico da CETESB. As plantas e cogumelos crescem à vontade em montes de torta, uma situação passível de advertência ou até multa.
Não muito longe do depósito, ocorrem outras situações favoráveis à proliferação das moscas. Há vazamentos em tubulações de vinhaça, canais de distribuição sujos, sem manutenção, com muita matéria orgânica úmida acumulada, ideal para a criação das larvas. “São situações pontuais que devem ser atacadas pela usina no dia-a-dia. Ela deve dispor de um sistema das pessoas verificarem isso”, diz Oliveira.
Segundo os técnicos, há prazos diferentes para a adequação das usinas. Existem as mais avançadas e as mais atrasadas no combate à mosca. Algumas buscam soluções localizadas, como a aplicação de produtos nas propriedades.
“A pulverização vai incidir sobre moscas adultas. A curto prazo, pode ser que ela resolva um pequeno surto. Mas não é uma medida economicamente viável, principalmente para quem produz leite, por questão de resíduo, ficar sempre pulverizando. O interessante é você controlar a reprodução dela”, diz veterinário.
Para isso, é necessária uma ação integrada. O Ministério Público na região abriu um inquérito sobre o assunto e tem convocado reuniões com todos os interessados. A ideia é chegar a um compromisso entre eles, o chamado Termo de Ajustamento de Conduta – TAC.
“Nós pretendemos, de uma forma mais definitiva possível, sanar esse problema. As partes envolvidas assumirem suas responsabilidades na resolução do problema. A gente conseguir de forma definitiva a longo prazo equacionar essa questão”, diz o promotor Felipe Ventura de Paula.
As duas usinas que atuam na região do noroeste paulista não atenderam aos pedidos de entrevista da reportagem. Estima-se que, multiplicados pelo Brasil, prejuízos para os produtores cheguem a mais de R$ 1 bilhão por ano.
A próxima reunião convocada pelo Ministério Público, para discutir o assunto, está marcada para o dia dois de setembro no fórum da cidade de Buritama.

Agricultores de perímetros irrigados também serão beneficiados com a MP que repactua dívidas

irrigação canosMais de 9,7 mil agricultores dos projetos irrigados geridos pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) foram incluídos no texto da Medida Provisória 733/16, que estabelece normas para a repactuação e liquidação das dívidas de produtores rurais com débitos já inscritos na Dívida Ativa da União (DAU).
Ainclusão dos irrigantes, cujos débitos com a tarifa K1 e a titulação de lotes ultrapassam os R$ 200 milhões, teve atuação determinantes da presidente da Codevasf, Kênia Marcelino, junto aos ministérios da Fazenda e da Integração Nacional, e ao Congresso Nacional. A MP foi aprovada semana passada em comissão mista no Congresso e segue para aprovação do plenário da Câmara de Deputados. Depois, será submetida ao plenário do Senado.
De acordo com levantamento feito pela Área de Gestão de Empreendimentos de Irrigação da Codevasf, o valor total de débitos vencidos até 31 de julho de 2016 referentes ao K1 chega a R$ 52,4 milhões e à titulação de lotes é de cerca de R$ 153,3 milhões, incluídos juros e multas, totalizando R$ 205,7 milhões. São mais de 9,7 mil irrigantes inadimplentes nos perímetros irrigados administrados pela empresa, tanto familiar quanto empresarial.

Governo federal discute Reservas da Biosfera

Paulo de Araújo/MMA
José Pedro (centro) preside o Conselho
Após oito anos, Comissão retoma os trabalhos e avalia a situação das áreas brasileiras reconhecidas pela Unesco por sua importância para o planeta.



O governo federal retomou as atividades da Comissão Brasileira do Programa Homem e Biosfera – Cobramab. Nessa quinta-feira (25/08), a Comissão se reuniu em Brasília, pela primeira vez em oito anos, para avaliar o histórico de ações realizadas e discutir desafios futuros, a partir de relatos sobre as sete Reservas da Biosfera nacionais.
Reservas da Biosfera (RBs) são áreas de ecossistemas terrestres e marinhos reconhecidas internacionalmente como importantes para a conservação da biodiversidade e para o desenvolvimento sustentável. Existem 669 Reservas da Biosfera, em 120 países. No Brasil, elas são: Mata Atlântica (a primeira a ser criada, em 1991), Amazônia Central, Caatinga, Cerrado, Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, Pantanal e Serra do Espinhaço.

A Comissão tem a finalidade de planejar, coordenar e supervisionar as atividades ligadas à participação brasileira no MaB – Programa Homem e Biosfera (Man and the Biosphere), criado como resultado da Conferência sobre a Biosfera, realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris, em setembro de 1968. É a instância que define as Reservas da Biosfera em todo o mundo.
As RBs são o principal instrumento do Programa MaB e compõem uma rede mundial de áreas voltadas à pesquisa cooperativa, conservação do patrimônio natural e cultural e promoção do desenvolvimento sustentável. Para tanto, devem ter dimensões suficientes, zoneamento apropriado, políticas e planos de ação definidos e um sistema de gestão que seja participativo, envolvendo os vários segmentos do governo e da sociedade.

ESFORÇOS
No Brasil, a Cobramab foi instituída pelo Decreto 74.685, de 14 de outubro de 1974, alterado pelo Decreto de 21 de setembro de 1999, e sua presidência cabe a um representante do Ministério do Meio Ambiente. A instância volta à ativa sob a liderança do secretário de Biodiversidade e Florestas, José Pedro de Oliveira Costa.
Para ele, a volta da Comissão representa o esforço para a melhoria e expansão do MaB no país, por meio do diálogo e da conexão entre os envolvidos. “É um impulso novo, um momento histórico apoiado com entusiasmo pelo ministro Sarney Filho”, afirmou.
“A retomada da COBRAMAB significa o fortalecimento da agenda de Reservas da Biosfera por parte do MMA”, avalia a diretora do Departamento de Áreas Protegidas do Ministério, Moara Giasson.
TÍTULOS AMEAÇADOS
No retorno aos trabalhos, coube à Comissão aprovar os Planos de Ação e a estrutura de gestão das Reservas da Biosfera do Cerrado e da Caatinga, cujos títulos estavam ameaçados, de acordo com a avaliação da Unesco para o Relatório de Revisão Periódica, instrumento enviado pelas RBs a cada dez anos.

“A Unesco solicitou o Plano de Ação e a definição clara do sistema do Conselho de Gestão de ambas”, explica a analista ambiental Daline Pereira. Segundo ela, a expectativa da Comissão é positiva. “Acreditamos que ao reportar adequadamente as informações solicitadas pela Unesco as pendências estarão sanadas e, com elas, o risco de perda dos títulos das duas reservas brasileiras”, diz. O prazo para envio dos documentos é até 30 de setembro.
A Comissão aprovou, também, moções de apoio à criação das unidades de conservação do Boqueirão da Onça-BA e à ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

PATRIMÔNIO NACIONAL
A Cobramab também se colocou a favor da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 504/10), que tramita no Congresso Nacional e inclui o Cerrado e a Caatinga entre os bens considerados Patrimônio Nacional. O título busca contribuir com a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida da população dos dois biomas.

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro e um dos biomas mais ameaçados do planeta. A Caatinga é o único exclusivamente brasileiro e foi reconhecido como uma das 37 grandes regiões naturais do mundo, ao lado da Amazônia e do Pantanal.

Atualmente, segundo a Constituição, são patrimônio nacional a Amazônia, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal e a Zona Costeira.

Além dos gestores do MMA, participaram da reunião da Cobramab representantes da Unesco, dos Ministérios da Educação; Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; Planejamento, Orçamento e Gestão; do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); das Confederações Nacional da Indústria (CNI) e Nacional da Agricultura (CNA); entidades ambientalistas e científicas e; da sociedade civil.


Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA): 




quinta-feira, 25 de agosto de 2016

SENAR NOTÍCIAS


Programa da Bovicocultura de Leite terá apoio de técnicos

Educadores do SENAR/RN ligados ao programa de Qualificação e Assistência Técnica Continuada para o Fortalecimento da Bovinocultura de Leite da Agricultura Familiar realizaram, na manhã desta quarta-feira (24), um encontro de preparação para atuar junto aos cinco polos beneficiados. São aproximadamente 400 famílias envolvidas no projeto lançado oficialmente no último dia 24 de julho. O trabalho deles começa em setembro.
Esses técnicos darão suporte ao trabalho dos supervisores que já estão em campo nos polos de Caicó, compreendendo, além do município do mesmo nome, Jardim do Seridó, Jucurutu e Serra Negra; Currais Novos, compreendendo Acari, Cruzeta, Currais Novos e Florânia; Angicos, compreendendo Afonso Bezerra, Angicos e Santana do Matos; Potengi, compreendendo Riachuelo, Lagoa de Velhos, São Paulo do Potengi e São Pedro e, finalmente, o Polo Oeste Potiguar, compreendendo Alexandria, Antônio Martins, Caraúbas, Apodi e Rafael Fernandes.
Além do gestor do programa, Diego Holanda, participaram do encontro aberto pela pedagoga Heloisa Melo, os educadores Guilherme Kramer (polo de Angicos); Marcela Maximiliana (Caicó); Emanuela Moura (Potengi); Iasson Júnior (Currais Novos);  Miguel Ferreira (Amgicos); Daniel Correia (Potengi); Jorge André (Potengi), tendo como supervisores Caio Galtieri e Kaled Salim, da Administração Regional, em Natal.

IFRN é 1° órgão a cumprir percentual mínimo de compras da agricultura familiar

PAA

Produtos serão comprados por meio da modalidade Compra Institucional do Programa de Aquisição de Alimentos.



Brasília – O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) é o primeiro órgão da União a cumprir integralmente o decreto que determina o percentual mínimo de 30% de aquisições de alimentos da agricultura familiar para a administração pública federal. A compra dos produtos será feita por meio da modalidade Compra Institucional do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
No total, serão investidos R$ 624,8 mil na compra de hortifrúti, lácteos, ovos, panificados e polpas de frutas para atender os refeitórios dos 20 campi do IFRN. Esse valor correspondente a 31,7% do orçamento do instituto para aquisição de alimentos no ano de 2016.
Podem participar da chamada pública agricultores familiares, cooperativas, associações que possuem Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). O programa movimenta o comércio local, reduz a pobreza no campo e incentiva a oferta de alimentos mais saudáveis e de qualidade diretamente do campo. Os interessados em fornecer os gêneros alimentícios deverão apresentar os documentos de habilitação e proposta de venda até o dia 31 deste mês.
“Temos o primeiro órgão da administração pública federal a atender integralmente o decreto. Essa compra demonstra que a modalidade é viável e, principalmente, importante para a agricultura familiar e para as instituições”, destacou o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), Caio Rocha.
Segundo Flávia Roberta Monteiro, nutricionista do IFRN, a instituição espera ampliar, com os recursos destinados para o PAA, a aquisição de alimentos da agricultura familiar. “Já comprávamos estes produtos pelo Pnae [Programa Nacional de Alimentação Escolar]. O PAA veio fortalecer esta aquisição. Para 2017, temos como objetivo efetuar novamente este processo, sempre tentando aperfeiçoar e fortalecer esta modalidade de compra”, afirmou.
O limite de venda por agricultor familiar (DAP pessoa física) é de R$ 20 mil por ano, por órgão comprador, independente se já forneceu a outras modalidades do PAA ou do Pnae. Já o limite para cooperativas ou associações é de R$ 6 milhões por DAP Jurídica, também por órgão comprador.

Ascom/MDSA
Merenda escolar: uma revolução para os agricultores familiares

O PNAE possibilita que milhares de estudantes da rede pública tenha acesso a alimentação de qualidade | Foto: Ana Lira
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é uma das iniciativas do Governo Federal mais bem vistas pelos agricultores e agricultoras familiares do país. Vários estudos apontam para diversos avanços no meio rural em função desta iniciativa, mas nem por isso os atores sociais envolvidos deixam de apresentar críticas visando seu aprimoramento. A principal preocupação atual é o risco de retrocessos com a entrada de Michel Temer (PMDB) na presidência e suas ações em curso. A extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, a nomeação dos novos ministros da Educação e da Agricultura, este um expoente do agronegócio no Brasil, o ex-senador Blairo Maggi também conhecido como Rei da Soja, e diversos cortes e flexibilizações trabalhistas, são sinais nesse sentido.
Com o PNAE todos os alunos da educação básica matriculados em escolas públicas, filantrópicas e em entidades comunitárias conveniadas, são atendidos com recursos financeiros da União por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O Programa foi implantado em 1955 com objetivo de contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem e melhoramento do rendimento escolar dos alunos, assim como a formação de hábitos alimentares saudáveis. A partir de 2009, com a Lei nº 11.947, 30% do valor foram direcionados à compra direta de produtos da agricultura familiar. Os valores repassados a cada dia por aluno variam de R$ 0,30 do ensino fundamental, médio, jovens e adultos, a R$ 1,00 para creches e ensino integral. A sociedade acompanha e fiscaliza por meio de Conselhos, do Tribunal de Contas e do Ministério Público, dentre outras instituições.
Em 2015 o FNDE repassou R$ 3,5 bilhões para beneficiar 42,6 milhões de estudantes da educação básica, jovens e adultos. Ou seja, R$ 1,14 bilhão deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar – um avanço notável comparando-se com valores de 1955, ano de sua criação quando foram atendidos 137 municípios e fornecidas refeições somente a 85 mil crianças. Com a nova lei, conquista dos movimentos e agricultores, sobretudo por meio do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), foi possível aumentar os recursos destinados à agricultura familiar (de R$ 9.000,00 para R$ 20.000,00 ao ano, por agricultor), dentre outros avanços no novo marco institucional. O FNDE informou, por meio da sua assessoria, que não houve mudanças nos normativos que regem o PNAE desde 2015.
Se antes as crianças se alimentavam com enlatados cheios de conservantes e comidas processadas, sobretudo por causa do poder das grandes indústrias de alimentos, que sempre dominaram o setor com produtos altamente calóricos e muito menos nutritivos, hoje é possível ver no prato delas frutas, hortaliças, verduras, dentre outros produtos saudáveis, inclusive regionais, que se perderam nos hábitos locais. Merendeiras são estimuladas a aproveitar melhor os alimentos, graças à capacitação promovida por organizações locais, e o meio ambiente é conservado de forma mais sustentável.
Segurança Alimentar
De acordo com Maria Emília Pacheco, presidenta do Consea, a proposta do PNAE está ancorada na visão de direitos ao relacionar saúde, alimentação, direito dos agricultores e ecologia, incorporando questões estruturais e culturais do sistema alimentar. “Em 2013, 84% dos municípios compraram diretamente da agricultura familiar e de suas organizações, e 56% atenderam o percentual de compra mínima de 30%. Cerca de 28% compraram menos do que 30% e 16% dos municípios ainda não compraram da agricultura familiar. Essa informação mostra-nos um processo evolutivo da democratização do acesso ao mercado institucional”, afirmou Pacheco.
De acordo com o estudo realizado em 2010 pelo FNDE em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), as regiões sul e sudeste lideram o ranking de compra da agricultura familiar. No sul, mais de 50% dos municípios compram, enquanto no norte apenas 15%. Os principais desafios são a falta de DAP¹ das organizações (557), dificuldade de logística (1.094), falta de informação (701), etc. As hortaliças, legumes e verduras, seguidas das frutas, lideram as compras.
Maria Emília Pacheco, presidenta do Consea. Foto: Eduardo Sá
“As vendas de produtos agroecológicos ou orgânicos oriundos da agricultura familiar deveriam ser livres da exigência da garantia da conformidade orgânica através da certificação por auditoria ou dos Sistemas Participativos de Garantia. É necessário também garantir um diferencial de transferência de recursos do FNDE para que as prefeituras exerçam a prioridade da compra desses produtos”, ressaltou Pacheco.
Para ela, a capilaridade das escolas mostra o enorme potencial do PNAE para disseminar na sociedade os princípios da promoção da alimentação adequada e saudável, e nos convoca a continuar enfrentando os enormes desafios para a sua universalização. “Práticas de manejo são estimuladas, resgatam-se conhecimentos tradicionais e práticas alimentares, e ainda retiram-se da invisibilidade os sujeitos com suas identidades, responsáveis pela conservação da biodiversidade”, concluiu.
A última Pesquisa de Orçamentos Familiares realizada pelo IBGE (POF 2008-2009), com dados sobre consumo individual, mostra que apenas 10 frutas correspondem a 91% do total das frutas consumidas pela população. Portanto, o PNAE também contribui para a diversificação da produção com alimentos típicos regionais e, consequentemente, para a soberania alimentar e preservação dos biomas.
Agricultura familiar e alimentação saudável
Maria Leia Borges dos Reis, de 47 anos, da comunidade Buritizal dos Reis, município de Morros, no Maranhão, trabalha desde jovem com um sistema agroflorestal no seu quintal. Tem várias plantas típicas, como açu, juçara, sapucaia, bacuri, coco babaçu, dentre outras. No PNAE trabalha especificamente com plantas medicinais e hortaliças, mas produz também defensivos naturais, cria galinhas e tem de tudo um pouco.
“Tenho muito prazer na agricultura familiar, me traz mais saúde e inspiração. Esse incentivo é uma honra, uma causa muito forte com muitos desafios, mas dali tiramos nosso sustento. O PNAE influenciou na produção e renda da família, porque antes só plantávamos para o consumo. Conseguimos até comprar um veículo para levar os produtos que antes estragavam pela distância”, disse.
Dona Leia, da comunidade Buritizal dos Reis, município de Morros, no Maranhão. Foto: Arquivo Tijupá
Segundo a agricultora, os alunos recebem muito bem a merenda porque já sabem que é de qualidade e não tem veneno, e as merendeiras já adquiriram a mesma consciência. “No começo o poder público dificultou muito sem dar prioridade aos pequenos produtores. Se não tivéssemos acompanhamento dos técnicos da ONG Tijupá não teríamos conseguido. Fizemos uma feira na praça São Bernardo para provar, já que não quiseram ir a zona rural ver a produção. Com o PNAE garantimos nossa renda e alimentação de qualidade para nós e aos alunos, com alimentos livre de agrotóxicos e mais saborosos. Mas falta organização do poder público, que muitas vezes atrasa o pagamento”, criticou.
Região Sul como referência
Algumas organizações e movimentos da agricultura familiar na região sul conquistaram espaços importantes no mercado de alimentos agroecológicos e orgânicos. É o caso da Rede Ecovida de Agroecologia, que desde 1998 conecta produtores, técnicos e consumidores no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Organizada em 28 núcleos, articula cerca de 4,5 mil famílias na região e promove mais de 200 feiras ecológicas. Atua em diversos campos da promoção da alimentação saudável, inclusive na merenda escolar.
Quase 2.800 famílias da Rede são cadastradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e entregam comida agroecológica e orgânica ao PNAE, observou José Antônio Marfil, da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (AOPA), do Paraná. Segundo ele, o debate no âmbito escolar sobre a alimentação causou também um questionamento sobre a qualidade da comida. Merendeiras, agricultoras, cozinheiras, nutricionistas, diretoras e secretárias discutindo o tema foi um grande avanço nesse sentido. E com a Lei os agricultores e suas organizações passaram a cobrar dos governos o direito de vender seus alimentos nas chamadas públicas.
“Aquela conversa de que a agricultura familiar, em especial agroecológica e orgânica, nunca iria conseguir por comida no prato ou nas escolas é mentira. Tanto é que a AOPA fechou em 2010 um contrato de R$ 69 mil para o PNAE, e em 2015 outro de R$ 4,6 milhões. Pulamos da entrega semanal com média de 500 kg de produto para 25 toneladas produzidas por agricultores agroecológicos. A Lei colocou o agricultor familiar como grande fornecedor do produto limpo e mostrou que é possível”, afirmou.
Feira Agroecológica realizada pela AOPA. Foto: Arquivo Marfil Agroecológicos.
Nesse processo as entregas da AOPA ao PNAE só aumentaram: passaram de 60 agricultores para 1.500. A diversificação da produção acompanhou esse ritmo: de 35 produtos pulou para 95 itens. As cozinhas para a preparação do alimento saudável, por sua vez, saltaram de 5 para 25, a maioria delas coordenadas por jovens e mulheres. São muitos reflexos dessas iniciativas nos territórios: geração de renda, aumento da autoestima, valorização dos jovens e mulheres, diminuição do êxodo rural, etc.
“O PNAE trouxe uma perspectiva de vida, o jovem hoje pode pensar em casar porque antes não tinha renda. Trabalhar, produzir, vender na alimentação escolar, e criaram-se outros canais de comercialização. É um grande avanço para toda a população, tanto para agricultores como para os consumidores, que são as crianças. É uma revolução que está servindo de exemplo para vários países. Uma lei que funciona e temos que manter, apesar de ter muita gente querendo derrubar”, defendeu.
Juventude e Agroindústria
A realidade da agricultora Amanda Beng Marfil, de 27 anos, moradora de Bocaiúva do Sul, no Paraná, é igual à de muitas que entregam alimentos ao PNAE. Relata que enfrentou muitas barreiras, sobretudo para acessar a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). Mas desde 2010 trabalha numa agroindústria produzindo pães, tortas, cucas, bolachas, doces de frutas e molho de tomate. Hoje vende em feiras, eventos dentro e fora de sua propriedade e entrega em pequenas lojas e restaurantes, além de acessar outras políticas.
“Só assim consegui continuar trabalhando com agroecologia, e tendo uma renda exclusivamente do campo. É uma realidade de várias outras agroindústrias da região, então foi um grande passo na autonomia dessas pessoas. E fazendo parte desses programas fica mais fácil o acesso aos financiamentos através do Pronaf, então é uma forma também de ter condições de investir na propriedade, empreender, crescer, se profissionalizar, porque haverá esse retorno”, afirmou.
Mas o teto estabelecido na Lei é questionado por muitos agricultores, porque se para um camponês ganhar R$ 20 mil ao ano em alfaces é vantajoso, por exemplo, aos que trabalham com produtos processados, cujo custo de produção é muito maior, não é tão lucrativo. “Evoluiu muito na questão da tomada de preço, mas é sempre aquém do que comercializamos numa feira ou lojas. Oura questão é que acessamos apenas 30% da verba que vem do governo federal, e a agricultura familiar e agroecológica tem condições de produzir muito mais. Temos de entender que as nossas crianças precisam comer alimentos cada vez melhores”, destacou.
Uma dificuldade que vem sendo superada na região sul mas ainda é problemática noutras regiões, é a adequação dos cardápios às realidades locais. Muitas vezes os alimentos listados pelas nutricionistas não estão na localidade, então a Rede Ecovida vem promovendo cursos de capacitação para estreitar esses laços e melhorar a qualidade dos alimentos. “No início era um cardápio muito fixo e não se entendia sazonalidade nem tinha muitos alimentos regionais. Mas hoje alinhamos um cardápio de acordo com as plantações e resgatamos alimentos que não eram mais utilizados no dia a dia das pessoas. Em relação à logística de entrega, se a gente está organizado, faz parte de uma cooperativa ou associação, fica mais fácil crescer. É muito difícil fazer a entrega nos espaços de comercialização de alimentos, então quando centralizamos esse processo se viabiliza ”, observou.
Dentro da Rede são estabelecidas muitas parcerias entre os agricultores e organizações para reduzir o custo de produção, já que legalizar e manter uma agroindústria é muito caro, e se alinhar às rigorosas leis vigentes também não é simples. A inadequação das atuais normas sanitárias ao modo de produção de base artesanal e familiar é uma das principais barreiras ao acesso da agricultura familiar ao PNAE, chegando a impedir que ovos, galinha caipira, derivados de leite, polpas de frutas e pescado, por exemplo, sejam incluídos nesses mercados. Por isso boa parte do tomate para fazer o molho da jovem agricultora é fornecida por um parceiro, que pega parte desse produto final para revender. “Conseguimos construir várias parcerias entre as agroindústrias e os agricultores que plantam as verduras, assim é uma forma de você agregar valor ao produto, não perder o excedente e diversificar a sua lista de produtos para venda”, disse.
Críticas dos assessores técnicos
Conversando com profissionais que desenvolvem esses projetos nos territórios, percebemos são vistas muitas dificuldades em comum. Dentre elas, a burocracia e a dependência dos agricultores familiares a determinados atores do poder público local. Se o prefeito ou os diretores do colégio não se identificam com a política, por exemplo, vários entraves são estabelecidos na relação com o agricultor e no repasse dos 30% das verbas. A logística de entrega, o preço dos alimentos e o teto anual são outros pontos questionados.
“Amplo setor jurídico dos municípios e estados não compreende que o preço não é um pregão. A burocracia e o entendimento do poder jurídico de como fazer uma chamada é um problema, assim como dificuldades em relação a secretarias ou nutricionistas em entender que é importante colocar no cardápio produtos da sua região e não de outro estado”, destacou Marfil.
Produtos da agroindústria da jovem agricultora. Foto: Arquivo MArfil Agroecológicos
Muitos governos estaduais e municipais não investem recursos para aumentar o montante repassado pela União, o que na visão dos técnicos acaba ficando insuficiente para atender às necessidades dos agricultores. O valor per capita estabelecido diariamente para cada aluno é muito pouco, criticam, e por isso muitas vezes os agentes políticos responsáveis acabam optando pelo produto convencional e não orgânico. “Abastecemos vinte escolas por semana, é um trabalho grande mas aprendemos a fazer. E outra questão é a assistência técnica (Ater) e pesquisa, infelizmente na área da produção agroecológica praticamente não existe. Começamos a discutir a necessidade de programas que fazem isso, já temos programas a nível nacional de Ater e pesquisa. Estão ocorrendo alguns avanços, mas temos muito a caminhar”, apontou o técnico.
A ausência de controle social é outro ponto muito importante, no sentido da falta de participação da sociedade e de informação para monitoramento das execuções. De acordo com Carlos Pereira, da ONG Tijupá, do Maranhão, poucos Conselhos de Alimentação Escolar (CAES), que são compostos por pais, professoras, merendeiras e administrações municipais, funcionam. “Estão realizando audiências para receber propostas aos editais, isso é muito bom porque conseguimos reduzir a entrada de elementos estranhos. Dá uma transparência maior e elimina fraudes. Assim pessoas que não são agricultoras mas têm DAP podem ser reveladas, e melhora o controle social. Nas audiências os agricultores participam para fazer uma amostra dos seus produtos”, afirmou.
A articulação das organizações de apoio aos agricultores com os diversos gestores também é fundamental. Sem a incidência de associações, cooperativas e ONGs, dentre outras entidades, é quase impossível acessar e gerenciar a política. “Os prefeitos e secretários muitas vezes argumentam que não tem agricultura no município. Conseguimos derrubar esse argumento colocando feiras agroecológicas. Para eles, é muito interessante ficar com esses 30% nos seus esquemas. Vimos que além da secretaria de educação, que é a executora, é preciso aproximar a secretaria de agricultura, o pessoal da saúde e as CPLs (Comissões Permanentes de Licitações), que vão elaborar os editais. O PNAE tem uma legislação à parte para agricultura familiar na licitação, e muitos gestores não entendem isso e acaba saindo do que está na norma”, concluiu.
Muitas escolas ainda não têm infraestrutura adequada para o preparo de alimentos, e estudos mostram que algumas sequer possuem água. Segundo dados do Censo Escolar 2007, das quase 200 mil escolas públicas de educação básica existentes no Brasil, 1.789 não possuem qualquer tipo de abastecimento de água. No que se refere ao saneamento básico, quase 15 mil delas não possuem infraestrutura adequada. São questões que não podem ser vistas como bloqueios para tornar o programa inoperante.
Críticas à burocracia
O principal instrumento que identifica e qualifica os agricultores familiares e também suas organizações em forma de pessoa jurídica para acessar as políticas públicas é a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). O acesso a esse documento é muito criticado por todos os segmentos que atuam nessa área, sobretudo os jovens e mulheres.
Amanda Marfil promovendo um lanche agroecológico. Foto: Marfil Agroecológicos
“Muitas vezes é a Emater que emite a DAP, e há um déficit de funcionários nesses estabelecimentos. Para fazer a minha demorei quase um ano, porque não acreditavam que eu como mulher e jovem precisava, achavam que eu podia entregar a produção junto ao meu pai. Mas eu queria a minha autonomia, o direito de como agricultora ter a minha condição de venda. Temos de ser muito persistentes para conseguir acessar essas coisas. A partir do momento que você está dentro é muito mais fácil, mas para entrar ainda é um processo muito difícil”, criticou a jovem agricultora Amanda Marfil.
De acordo com assessoria da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário da Casa Civil da Presidência da República, a DAP pode ser emitida para pessoa física e jurídica e é feita por órgãos autorizados pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), que pode ser um escritório de Ater ou os próprios sindicatos de trabalhadores rurais. O número de DAPs ativas por ano aumentou de pouco mais de um milhão para mais de cinco milhões nos últimos onze anos, informou.
“Existem mais de 28 mil agentes emissores de DAP em todo o País. Caso o sindicato ou associação mais próxima do agricultor ainda não emita o documento, o produtor familiar precisa pedir ao estabelecimento que entre em contato com o MDA. A emissão da DAP é totalmente gratuita, e tem validade de três anos. Para obtê-la, é necessário apresentar carteira de identidade e CPF – no caso de pessoas casadas, o cônjuge também deve apresentar os documentos; possuir área rural de até quadro módulos fiscais; ter como principal fonte de renda as atividades da exploração da propriedade e possuir renda bruta anual de até R$ 360 mil”, informou o órgão.

 RN ESTUDA VIABILIDADE ECONÔMICA DE TRANSFORMAR ÁGUA DO MAR EM POTÁVEL



A estiagem prolongada pelo quinto ano consecutivo preocupa todo o Nordeste brasileiro. No Rio Grande do Norte não é diferente. Mas, é em meio a esse cenário que surge a esperança. Os dessalinizadores de água do mar podem ser a solução para transformar a água salgada (do oceano) em potável, e assim abastecer grande parte dos municípios potiguares – que são castigados pela seca. 

A medida já está sendo estudada desde o ano passado pela Secretaria do Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), pelo Instituto de Gestão de Águas do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn) e outros órgãos. De acordo com o titular da Semarh, Mairton França, o projeto é viável tecnicamente e já tem uma concepção pronta, mas é preciso avaliar a viabilidade econômica para o Estado. 

A tecnologia já é aplicada em Israel. “A concepção está pronta. Mas, é preciso a regulamentação da lei que prevê o uso do percentual de 3% de energia eólica e solar para a dessalinização. Temos que definir procedimentos. Sabemos que é viável tecnicamente, só estamos avaliando se é viável economicamente”, afirmou Mairton. 

Mairton conta que o Estado vem analisando o projeto desde o ano passado. Macau seria o município por onde se deve começar o trabalho. A cidade, que possui aproximadamente 25 mil habitantes, está localizada numa ilha, banhada pelo desaguar do rio Piranhas/Açu e o oceano Atlântico. Apesar de ser banhada por água, embora salgada, é uma das várias que sofrem com a estiagem.

“Esse projeto é de máxima importância para o Estado, no entanto não é a principal prioridade hoje porque estamos em calamidade e pela questão financeira – porque precisamos de recursos e o Governo Federal está um pouco fechado”, ressaltou o secretário. 

Em contraponto a isso, por conta da reutilização da água salgada, Israel tem se destacado. O país sofria severa seca quando, em meados de 2007, através de incentivo do governo, quatro usinas dessalinizadoras foram instaladas. O país recicla 86% de seu esgoto doméstico e 55% deste é aplicado na agricultura. De fato, um exemplo, tanto é que em novembro de 2015 representantes da Semarh e Igarn foram a Israel conhecer de perto o que pode salvar os potiguares da seca. 

Diante da atual situação hídrica não só do RN, mas do Nordeste, e as previsões climáticas negativas ao excesso de chuvas, o projeto de dessalinização da água salgada torna­se uma das principais alternativas para combater a seca. 

Em conversa com o jornal MOSSORÓ HOJE, o secretário Mairton afirmou que os níveis dos reservatórios continuam em situação preocupante. A barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, a maior do Estado, chega pela primeira vez na história a marcar 17% de sua capacidade total, que é de 2,4 bilhões de metros cúbicos de água. Já o açude Itans, em Caicó, só terá água para abastecimento até fevereiro de 2017. O reservatório está com apenas 5% de sua capacidade total, que é de 81,7 milhões de metros cúbicos. As regiões Seridó e Alto Oeste são as que mais estão sofrendo com a seca.


BLOG SERTÃO RN:

Asbraer grava programas sobre experiências exitosas de ATER no interior do RN


EMATER/ASSECOM

Nas últimas segunda e terça-feira (22 e 23) a Emater-RN recebeu a visita do jornalista e assessor de comunicação da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), Ramon Paiva. A instituição tem sede em Brasília-DF. O jornalista veio conhecer algumas ações realizadas pela Emater no interior do Estado.
A visita teve como objetivo a gravação de vídeos sobre algumas das experiências exitosas de extensão rural mantidas pela Emater nos municípios de Bom Jesus, Brejinho, Jaçanã, Monte das Gameleiras e Currais Novos. Os vídeos serão veiculados no programa Momento Inovação, exibido pela TV NBR às quartas-feiras, nos horários: 09h10, 12h10, 18h10 e 20h10.

Cientista apresenta, em Praga, nova proposta de rota para obtenção de etanol 2G

Camila Florêncio - Pesquisadora propõe coquetel enzimático para obtenção do etanol 2G
Pesquisadora propõe coquetel enzimático para obtenção do etanol 2G
A pesquisadora Cristiane Sanchez Farinas vai apresentar em Praga, capital da República Checa, um estudo que propõe uma rota simplificada para a obtenção de etanol de segunda geração, mais rápido e menos oneroso. A pesquisa é um dos trabalhos que a cientista vai expor no 22º Congresso Internacional de Engenharia Química (CHISA 2016), que será realizado de 27 a 31 de agosto.
Apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) com recursos de cerca de R$ 300 mil, o estudo resultou em um coquetel enzimático mais eficiente na sacarificação de biomassa lignocelulósica e produção de etanol ao experimentar o cultivo misto de dois fungos, o Trichoderma reesei e Arpergillus oryzae. O processo demonstrou uma diferença significativa em termos de glicose liberada durante a reação de hidrólise quando comparado ao cultivo individual de fungos.
"Os níveis de glicose liberados na hidrólise do bagaço de cana-de-açúcar utilizando o coquetel enzimático, obtido a partir do cultivo misto, resultaram em um ganho de cerca de 50%, comparado com o melhor cultivo individual, que foi com o fungo Arpergillus niger", afirma a pesquisadora.
Para o processo de conversão de biomassa a etanol, a pesquisa usou enzimas produzidas in-house, na hidrólise, em vez de comerciais. Ou seja, foram usadas enzimas do meio fermentado integral de fungos filamentosos cultivados por fermentação em estado sólido (FES).
De acordo com a pesquisadora, foram avaliadas a seleção e validação das condições de cultivo para maximizar a produção de enzimas usando diretamente o bagaço de cana-de-açúcar pré-tratado por explosão a vapor (BEX) como substrato da FES por diferentes fungos cultivados de forma isolada e em co-cultivo, incluindo o estudo da utilização de farelo de trigo e lactose como indutores na produção de enzimas.
Cristiane explica que ao utilizar o meio integral da FES é possível eliminar até três etapas do processo, que são a extração, a filtração e a centrifugação, oferecendo vantagens em termos de redução de custos do processo, além de evitar a geração de efluentes.
"Espera-se, com este projeto, o levantamento de informações que contribuam efetivamente para gerar os avanços tecnológicos necessários para o aumento da eficiência do uso da biomassa vegetal como fonte de energia renovável", acrescenta a pesquisadora.
Segundo Cristiane, a obtenção do etanol a partir de materiais lignocelulósicos pela rota bioquímica ainda apresenta alguns obstáculos técnicos para a utilização de todo o potencial produtivo, como a recalcitrância – dificuldade de degradação da biomassa - e a inacessibilidade da biomassa lignocelulósica, o alto custo das enzimas,  além da necessidade de se encontrar microrganismos capazes de fermentar eficientemente esses açúcares.
Por isso, a rota simplificada é vista pela pesquisadora como um avanço tecnológico necessário para aumentar a eficiência do uso da biomassa vegetal como fonte de energia renovável.
Orientada por Cristiane Sanchez Farinas, a pesquisa que propõe a simplificação do processo de conversão de biomassa a etanol, por meio da integração da produção de enzimas in-house foi apresentada pela estudante de engenharia química Larissa Maehara, ao programa de pós-graduação em engenharia química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) para obtenção do título de mestrado, em 2016.
Além dessa pesquisa, Cristiane ainda vai apresentar um estudo para melhorar a solubilização de fosfato natural, utilizando a combinação de rota mecânica com biológica.
Para a pesquisadora, apresentar trabalhos em eventos internacionais é uma oportunidade de mostrar à comunidade científica o que é desenvolvido pela Embrapa, além de permitir novas colaborações e interações.
CHISA
O CHISA é um dos principais eventos da Federação Europeia de Engenharia Química. O objetivo é proporcionar aos engenheiros, cientistas, pesquisadores, técnicos, estudantes, entre outros interessados, uma plataforma para apresentação dos últimos resultados de pesquisa, um intercâmbio de ideias, oportunidades de novos contatos, além de se estabelecer como palco de novas colaborações.
Para esta edição são esperados mais de 1500 trabalhos, que devem ser apresentados por cerca de 1000 participantes. O CHISA teve início em 1962, sendo que a partir de 1972 passou a ser realizado em Praga. Paralelo ao CHISA, será realizado a 19ª Conferência sobre Integração de Processos, Modelagem e Otimização de Economia de Energia e Redução da Poluição (PRES 2016)

Embrapa Instrumentação