quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Parque das Dunas: ação do MPRN pede recomposição de área degradada e demolição de casas em risco de desmoronamento




Em 2014 foram retiradas 17 casas, porém ainda restam duas casas em risco 

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) ajuizou uma ação civil pública (ACP) para que a Justiça determine ao Instituto do Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) tomar uma série de providências específicas e urgentes em face da necessidade de recomposição de área sujeita a desmoronamento no Parque das Dunas e de demolição de duas casas em perigo de desabamento que ficam próximas à encosta. 
 
A 45ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente argumenta que a área adjacente à encosta e a própria encosta encontra-se, atualmente, sem vegetação fixadora e em processo acelerado de erosão, com instabilidade de solo e risco de deslizamento. Do local, em 2014, já foram retiradas 17 casas, porém ainda restam duas casas ameaçadas de desmoronamento. 
 
Os pedidos englobam a demolição restante e a execução imediata de atividades previstas no Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) realizado pelo próprio Idema. O instituto, inclusive, acordou com o Ministério Público de dar início à recuperação da área em 2016 e concluir no final deste ano de 2018, mas nada realizou.
 
Providências urgentes
 
Entre as medidas requeridas pelo MPRN à Justiça está obrigar o Idema a realizar a demolição imediata de qualquer construção/edificação que esteja ou venha ser classificada como em área de risco nas proximidades das encostas da Unidade de Conservação Parque Estadual das Dunas do Natal (a peça cita a necessidade de demolição de duas edificações específicas) e realocar para fora da área de risco os moradores que atualmente residem nas casas ameaçadas, de forma a garantir que não fiquem desabrigados. A forma de realocação pode ser negociada diretamente entre o Idema e os moradores (com ou sem ajuda de outros órgãos/secretarias estaduais ou municipais). 

O MPRN ainda quer que após a demolição das casas e até a realocação definitiva dos moradores, o Idema custeie o valor de aluguel social, se for o caso, e/ou outra forma de auxílio mensal para aqueles que não possuam outro imóvel para residir. 

 
Outros pedidos na ação dizem respeito à remoção imediata dos resíduos sólidos e dos resíduos da construção civil da área; ao isolamento com cerca de arame farpado na área objeto do Plano de Recuperação da Área Degradada do parque; à preparação da área para plantio de mudas e condução da regeneração natural; à conclusão do plantio; à adoção de imediato, todas as medidas e obras necessárias à estabilização das encostas do interior da unidade de conservação e à implantação da cerca, para isolar, de imediato, a área de acesso à encosta (fixando placas informativas para evitar acesso das pessoas à área de deslizamento e para impedir o lançamento de resíduos nas encostas). 
Sociedade precisa se mobilizar pelo fim do veneno na comida

Alerta é de organizações e movimentos populares que lutam em defesa da redução de agrotóxicos no meio ambiente e nos alimentos para que o brasileiro não seja ainda mais envenenado
Adiado por duas semanas consecutivas e previsto para ser votado na primeira semana de dezembro, o Projeto de Lei (PL 6670/16), que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA) não conseguiu avançar na Comissão Especial que trata do assunto na Câmara dos Deputados.
Entidades que lutam pela redução de agrotóxicos no meio ambiente e nos alimentos temem que, por falta de quorum, para ser votado ainda nesta legislatura, a Câmara engavete o PL que proíbe o uso de produtos considerados extremamente tóxicos. O projeto prevê, ainda, crédito especial, isenção do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural para agricultores orgânicos e agroecológicos e a criação de zonas de uso restrito e até zonas livres de agrotóxicos.
Mesmo tendo votos suficientes para aprovação do PL na Comissão Especial, os parlamentares, ligados ao agronegócio e contra a medida, estão usando das regras regimentais para adiar a votação e deixar para o próximo ano. Isso significa que o PL terá de tramitar novamente por todas as comissões onde já foi analisado.
A indicação da deputada Tereza Cristina, presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, para o ministério da Agricultura, feita pessoalmente pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), indica que em 2019 as dificuldades para aprovação de um projeto como essa será muito mais difícil.
Tereza é uma defensora do agronegócio. E, Bolsonaro já se pronunciou tanto em defesa dos ruralistas quanto a favor ao Pacote do Veneno, o Projeto de Lei (PL 6299/02), que já está pronto para votação no plenário da Câmara. Esse PL facilita e amplia a liberação de novos pesticidas, mesmo sem aprovação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
O Brasil já é um país muito permissivo em relação ao uso de agrotóxicos, diz vice-presidenta da CUT, Carmen Foro. Segundo ela, enquanto no Brasil há 504 princípios ativos de agrotóxicos com uso permitido, na União Européia 70% deles são proibidos há mais de dez anos.
Para a Carmen Foro, que também agricultora familiar, toda a sociedade tem se unir na luta contra o uso de agrotóxicos no país, o maior consumidor mundial deste veneno.
“No Brasil é assustador o crescimento do uso dos agrotóxicos. Subiu de sete quilos por hectares para 15, envenenando o solo, o alimento, o ar, a água prejudicando vidas e o meio ambiente. E todos têm de estar unidos na luta pela aprovação do projeto que reduz o uso de veneno no campo”.
O secretário do Meio Ambiente da CUT, Daniel Gaio, concorda com Carmen e acrescenta “a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos pode representar uma forma de resistência importante e de garantias no tema da transição para um modelo de produção de alimentos sustentáveis, com melhores condições para agricultores, segurança alimentar e proteção do meio ambiente”.
"A continuação deste modelo de agricultura baseado na produção de commodites compromete a vida do planeta e das pessoas", Carmen Foro.
E defender os brasileiros e brasileiros é defender a aprovação da política nacional, afirma Daniel.
“Diante as ameaças aos temas socioambientais que vem acontecendo e da possibilidade de situação piorar no próximo governo, é fundamental avançarmos na discussão da PNARA ainda este ano. E é fundamental a participação da sociedade”, disse.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (Contraf-Brasil), Marcos Rochinski, concorda plenamente com o Daniel nos dois sentidos, tanto quanto a falta de esperança com o novo governo quanto na urgência do povo apoiar a causa.
"A sociedade brasileira tem que se mobilizar, exigir cada vez mais produto de qualidade e saudável, mostrando que não admite mais continuar consumindo produto envenenado", Marcos Rochinski.
Segundo ele, sem mobilização não há expectativa de que o Congresso Nacional melhore em relação a luta por menos veneno.
Por isso, diz o dirigente, é preciso que “a sociedade  fortaleça os mercados locais e a agricultura familiar, que produz mais de 75% dos alimentos consumidos no país”.
Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), Aristides Santos, a luta não pode ser só da sociedade organizada e sim de todos que consomem alimentos no país.
Segundo Aristides, a população pode e deve ajudar, porque a luta é de todos e todas.
“A luta dos movimentos sociais e dos parlamentares de esquerda e na defesa do meio ambiente e por uma alimentação saudável não serão suficientes”, afirma.
"Será preciso essa interação com a sociedade de vários segmentos sociais, a própria opinião pública e a mídia para fazer esta grande articulação para convencer os deputados aprovarem o PNARA, que na prática eliminaria o PL do veneno", Aristides Santos
PNARA
A Política Nacional de Redução do Agrotóxico propõe a redução gradual do uso de agrotóxicos no Brasil e vai possibilitar a transição de uma agricultura convencional para um modelo mais sustentável para o planeta, a população e mais justo para quem planta. O impacto da medida levaria a sociedade a repensar o modelo da agricultura brasileira.
Em lugar de grandes quantidades de químicos e concentração de terra para monocultura de commodities, como milho e soja, a medida incentiva uma agricultura que respeita quem produz e quem se alimenta, além de assegurar distribuição e acesso verdadeiramente democráticos.
“Este projeto traz para nós uma condição de caminhar na perspectiva de redução para que a gente possa ter uma agricultura cada vez mais saudável, para chegar na população brasileira com alimento sem veneno”, destacou Aristides.
A PNARA também prevê revalidação dos registros de agrotóxicos após 10 anos e, sucessivamente, a cada 15 anos após a primeira revalidação.
Não é de hoje que esta disputa de projeto de agricultura vem sendo travada no Congresso Nacional, mas a questão da liberação ou não dos agrotóxicos ou da proibição ou não do uso é uma discussão urgente e decisiva para uma vida mais saudável, um país menos doente.
Para a secretaria de Formação da CUT, Rosane Bertotti, que também é agricultora familiar, o modelo atual demonstra cada vez mais o desrespeito à vida e à saúde das pessoas e não tem nenhuma preocupação com qualidade e segurança da alimentação, diferente da Agricultura Familiar.
“A Agricultura Familiar é o meio de produção e sobrevivência, no qual nos preocupamos com a saúde, de quem vai produzir ou consumir”.
"Cuidamos da terra como um bem viver e somos sustentáveis, preservamos e respeitamos o meio ambiente e nossas riquezas", Rosane Bertotti
Segundo a dirigente, “para comermos com mais qualidade e com menos veneno na natureza precisamos defender um modelo de desenvolvimento sustentável junto com a agricultura familiar, sem exploração do trabalho, das riquezas naturais, do meio ambiente, da terra com um único objetivo: uma vida mais saudável”.
O veneno e os impactos na saúde
O Brasil consome 20% do agrotóxico mundial, sendo mais da metade herbicidas à base de glifosato - molécula que foi descrita como um provável causador de câncer humano pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS), já em março de 2015.
De acordo com a secretária de Saúde do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida da Silva, a contaminação por agrotóxicos pode ocasionar também tonturas, cólicas abdominais, náuseas, vômitos, dificuldades respiratórias, tremores, irritações na pele, nariz, garganta e olhos; convulsões, desmaios, coma e até mesmo a morte.
“As intoxicações crônicas — aquelas causadas pela exposição prolongada ao produto — podem gerar problemas graves, como paralisias, lesões cerebrais e hepáticas, tumores, alterações comportamentais, entre outros”, complementa Madalena.
Além disso, afirma a secretária, “em mulheres grávidas, podem levar ao aborto e a malformação congênita. Diante dessa constatação é inaceitável que o Brasil continue expondo a população ao adoecimento e morte”.
 “A saúde e a alimentação não são mercadorias, são diretos humanos e, portanto, uma luta de toda a sociedade”, concluiu.

Safra pode repetir recorde com 238,4 milhões de toneladas

3º Levantamento

Dados da Conab apontam para colheita de grãos próxima à obtida em 2016/2017

Plantio de soja
Plantio de soja

O 3º Levantamento da safra de grãos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que o país deverá colher 238,4 milhões de toneladas, o que representa aumento de 10,6 milhões de t ou de 4,6% em relação à safra passada. Os principais produtos responsáveis pelo resultado são soja, milho, arroz e algodão, as maiores culturas do país, que juntas correspondem a 95% da produção total.
Caso a estimativa se confirme, praticamente, se repetirá o resultado recorde da safra 2016/2017, de 238,8 milhões de toneladas. O estudo foi divulgado nesta terça-feira (11) e identificou que as condições climáticas apresentadas até agora, em todas as regiões produtoras de grãos, estão influenciando positivamente a produtividade. Quanto à área plantada, deverá alcançar 62,5 milhões de hectares, com aumento de 1,2% em relação à temporada anterior, correspondendo a mais 756,3 mil hectares. O que explica este acréscimo é o aumento de área para as culturas do algodão e da soja.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz deAraujo, observou que o desempenho já poderia ser esperado, tendo em vista o aumento na contratação de crédito neste ano, assim como, da venda de fertilizantes. “Se você pegar uma série um pouco mais longa, verá que nunca se vendeu tanto fertilizante quanto nesses cinco primeiros meses (do Plano Agrícola e Pecuário, desde julho) comparando aos mesmos meses de anos anteriores”.
As expectativas para a Safra 2018/19 indicam que a produção de soja deve chegar a 120,1 milhões de t. Com relação à área plantada dessa cultura, a tendência é de crescimento de 1,8%. No caso do milho, deve atingir 91,1 milhões de t. O milho plantado na primeira safra apresenta produção pontual para atendimento a demandas internas. O foco do produtor neste momento deo plantio é a soja. A área plantada de milho nesta safra atingiu 5,1 milhões de hectares, representando incremento de 0,8%.
Com relação ao algodão, o produto deve atingir 2,4 milhões de t de pluma, com acréscimo de 17,8% sobre a safra anterior. O desempenho das cotações da pluma, tanto no mercado interno quanto externo, estimulou os produtores nacionais a investirem fortemente na lavoura. Além desses produtos, o boletim destaca ainda a produção do amendoim, o girassol e a mamona.

Perspectivas para o agronegócio brasileiro em 2019

Agronegócio brasileiro é um exemplo para o mundo e um setor que sempre nos enche de orgulho

O agronegócio brasileiro é um exemplo para o mundo e um setor que sempre nos enche de orgulho. O setor contribui muito para a economia brasileira e ajuda a equilibrar nossas inúmeras deficiências de produtividade, eficiência e gestão. Isso, claro, não é nenhuma novidade. Mesmo assim, a cada final de ano quando tento enxergar o que esperar para o ano seguinte – mesmo que de maneira ainda pouco profunda e baseado somente em projeções e que os dados de 2018 ainda não estejam fechados - e analiso alguns números do ano que finaliza, fico espantado com a capacidade que o agronegócio tem de se superar período a período.

O Brasil possui uma demanda interna alta para a maioria das culturas e dos vários tipos de carnes produzidas aqui, no entanto, são nossos parceiros comerciais espalhados pelo mundo e que nos geram ainda mais esperança de possibilidade de crescimento e estimulam a busca continuada por aumento de produtividade. Temos parceiros importantes como a União Europeia, os países árabes, a Argentina, além dos principais, que são China e Estados Unidos. Só para se ter uma ideia, 49% das exportações brasileiras vão para os cinco maiores parceiros comerciais. O ano de 2017 registrou aumento de 23,2% nos embarques internacionais em relação ao ano anterior. Quase 40% do frango produzido por aqui foi destinado aos países árabes. Os Estados Unidos aumentaram em 16% as suas compras no ano passado somando quase US$27 bilhões e a tendência de alta provavelmente se confirmará visto o crescimento esperado para a economia americana. O FMI – Fundo Monetário Internacional, projeta alta de 2,7% para o PIB dos Estados Unidos em 2018. No caso da China a expectativa é ainda melhor. Em 2017, houve alta de 35,1% somando US$47,5 bilhões. A perspectivas de crescimento para o PIB chinês é de 6,8%. Um dos principais produtos comprados do Brasil pela China é a soja. O Brasil já é o maior exportador de soja do mundo e o segundo maior produtor perdendo apenas para os Estados Unidos. Para a soja a perspectiva é ainda melhor por conta do conflito comercial entre EUA e China que já dura alguns meses e deve persistir por mais um tempo.

Por outro lado existem algumas preocupações, como no caso das exportações de carne suína para a Rússia e das sobretaxas impostas pela China para a carne de frango brasileira. O plantel de animais será dado pela dinâmica do cenário internacional somada a demanda do setor interno.

Em relação a preços, a média se manteve acima do preço mínimo para a maioria das culturas muito devido ao clima e à greve dos caminhoneiros. Além desses fatores, houve também a incerteza política dos últimos meses o que gerou instabilidade nas expectativas.

Enfim, existem boas perspectivas para o agronegócio brasileiro em 2019 tanto no cenário internacional como no ambiente doméstico.
O Brasil tem muito a se beneficiar com a política comercial de Trump nos EUA, principalmente, em relação à China e também ao México e outras áreas como a União Europeia. 
Fica também a torcida para que o novo presidente eleito tenha a leitura correta sobre esse setor e que a nossa política comercial nos possibilite novos parceiros e o aumento de nossas exportações e da nossa produtividade. 


Cartilha de Boas Práticas na Gestação de Suínos é lançada pelo Mapa

Objetivo é a sensibilização, capacitação e sustentabilidade da cadeia produtiva
     
O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou nesta terça-feira (11), em Brasília, a cartilha digital de Boas Práticas na Produção de Suínos voltada para a Gestação Coletiva. Também serão apresentadas as conclusões recebidas na consulta pública sobre boas práticas na produção comercial de suínos.

Esta publicação é a primeira de uma série de materiais técnicos para estimular as boas práticas de produção junto à cadeia de suínos. O objetivo das ações é apoiar o produtor para uma atitude proativa com relação ao bem estar na gestação e maternidade das matrizes.

O material é fruto da parceria entre o Mapa e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). Segundo a chefe de Divisão de Bem Estar Animal e Equideocultura do ministério, Liziè Buss, a publicação de materiais técnicos informativos para a cadeia é fundamental para facilitar a disseminação de conhecimentos e adoção de melhores práticas. A estratégia atende aos objetivos da Área de Boas Práticas e Bem-estar Animal (BEA), que são a sensibilização, capacitação e sustentabilidade da cadeia produtiva.

Liziè lembra que no mundo todo existe uma forte movimentação acerca do BEA. “Desde 2013, a União Europeia proíbe o alojamento de fêmeas em gaiolas na totalidade do período gestacional. Outros países também possuem orientações sobre este tema: Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, e África do Sul”. “Em outubro deste ano, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) publicou o capítulo internacional para boas práticas na produção de suínos. E o Brasil, como signatário e um dos maiores players na produção e exportação de suínos, deve fomentar a adoção destas práticas”, completa a especialista. 

Ovos

Ovos: reposições retraídas e preços estáveis

Preço da caixa de ovos brancos manteve a mesma base
     
Na segunda-feira, (10) início da segunda semana do melhor período do mês de dezembro para comercialização do produto, o preço da caixa de ovos brancos manteve a mesma base: foi comercializado pelo mínimo de R$60,00 ao máximo de R$62,00; a caixa de ovos vermelhos também manteve a diferença de R$3,00 em relação à de ovos brancos e foi comercializada por valor que variou de R$60,00 até R$65,00.

Segundo a Jox Assessoria Agropecuária o mercado esteve mais retraído nesta abertura da semana após as últimas altas. Com isso, as reposições aconteceram calmamente e as ofertas existentes estiveram acima das necessidades. Por encontrar o consumidor ainda capitalizado pelo recebimento da primeira parcela do 13º e o pagamento do salário, o mercado ainda aguarda com expectativa maior giro na saída da mercadoria. 

De toda forma, mesmo com excedentes, é possível que os produtores continuem buscando melhores condições de comercialização. Afinal, o valor médio diário (R$61,00) ainda se encontra abaixo do recebido no mesmo período do último triênio: R$64,00 em 2017, R$78,00 em 2016 e R$64,00 em 2015.

Uma cultivar de arroz própria para cultivo em vários estados do nordeste

arroz vermelhoÉ o arroz vermelho desenvolvida, pela primeira vez, no Brasil através dos pesquisadores da Embrapa. A cultivar de arroz vermelho BRS 901, a primeira obtida a partir de cruzamento artificial no País é uma nova variedade indicada para cultivo nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Trata-se de uma opção para atender a nichos de mercado, podendo compor pratos típicos da Região Nordeste e receitas da alta gastronomia.
A produção de arroz vermelho no Brasil concentra-se nos estados da Paraíba, maior produtor, e Rio Grande do Norte, mas ele é encontrado como cultura de subsistência no Ceará, Pernambuco, Minas Gerais e Espírito Santo, onde ainda é cultivado utilizando-se técnicas tradicionais. A produção desse arroz no País, em anos de safras normais, sem escassez de chuvas, é de cerca de dez mil toneladas, um terço do que era produzido há 50 anos.
O arroz vermelho tem também despertado o interesse de produtores do Sul e Sudeste, que utilizam alto padrão tecnológico em suas lavouras, e também de uma parcela de consumidores dos centros urbanos que buscam novas opções gastronômicas.
As cultivares utilizadas nas lavouras de hoje foram selecionadas ao longo do tempo pelos próprios produtores e apresentam porte alto, folhas longas e são decumbentes (inclinadas). As plantas também mostram baixo potencial produtivo, alta suscetibilidade ao acamamento e baixo rendimento de grãos inteiros.
O desenvolvimento da nova cultivar visou à redução da altura da planta e ao aumento da produtividade de grãos e do porcentual de grãos inteiros após o beneficiamento. O trabalho de pesquisa começou com a caracterização e o estabelecimento de uma coleção de acessos com potencial para melhoramento genético.
“Essa é a primeira cultivar de arroz vermelho melhorada disponibilizada para pequenos agricultores nordestinos que plantam ainda as mesmas cultivares introduzidas no período da colonização. É mais produtiva e possui maior resistência ao acamamento de plantas do que as cultivares tradicionais plantadas, além de maior rendimento de grãos inteiros por ocasião do beneficiamento”, explica o pesquisador da Embrapa Meio-Norte (PI) José Almeida Pereira, que com Orlando Peixoto de Morais, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão (GO) falecido em 2017, liderou a equipe responsável pelo processo de criação e desenvolvimento da nova cultivar.
A variedade BRS 901 é indicada para cultivo nos sistemas convencional e orgânico, nas condições de várzea nordestina. Em relação à umidade, ela requer um solo encharcado e com lâmina d’água de cerca de 5 cm a 20 cm de altura, dependendo da fase de desenvolvimento das plantas.

Nas condições do Nordeste brasileiro, onde foi testada, o ciclo da cultivar é, em média, de 124 dias contados a partir da semeadura. Ou seja, de 15 a 21 dias mais tardio do que o das cultivares Vermelho Tradicional e Cáqui Vermelho, respectivamente, utilizadas como testemunhas. A BRS 901 também se destaca pela menor altura de planta em relação às duas testemunhas utilizadas nos experimentos.

Pesquisa desenvolve mandioca com mais amido para a indústria

A indústria baiana de farinha e fécula de mandioca contará a partir de agora com uma nova variedade de mandioca capaz de fornecer muito mais amido. Desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e com a fecularia Bahiamido, a BRS Novo Horizonte é capaz de apresentar até 33% de amido extraível, índice superior ao das variedades usadas no mercado, cujo melhor desempenho alcança até 28%. O resultado é uma produtividade de 8,66 toneladas de amido por hectare, bem superior à obtida por outras variedades (veja tabela abaixo). O novo material é destinado às microrregiões baianas de Valença, Jequié e Santo Antônio de Jesus.
“O ponto principal é o acúmulo de amido. A nova variedade consegue entrar com uma renda muito alta na indústria, tanto que a gente obteve 33% na extração. São índices que nem no Paraná [maior região produtora de amido do país] se atinge”, frisa Manoel Oliveira, encarregado de desenvolvimento agronômico da Bahiamido.
A produtividade da nova mandioca também impressionou pesquisadores. Nos testes, foram colhidas 27,5 toneladas de raízes por hectare, em média, enquanto as concorrentes locais oscilaram entre 12,1 e 17,8 t/ha.

Amido fácil de ser retirado

O pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) Eder Oliveira explica que o sucesso da BRS Novo Horizonte não se deve somente ao teor de amido, mas também à facilidade de sua extração. “A quantidade superior obtida pela Bahiamido se deve, muito provavelmente, à presença de um amido mais extraível na raiz. Às vezes há até muito amido, mas ele está tão aderido à fibra que a eficiência do processo de extração não é tão elevada. E, aparentemente, a Novo Horizonte tem uma eficiência de extração alta, por isso, o rendimento de amido tem sido bastante interessante. E é isso que a indústria quer: carregar menos água e ter materiais com mais amido o que, de certa forma, influencia muito no custo de produção”, detalha.
Outra vantagem é que a nova mandioca possui casca de cor clara. Isso facilita a extração de amido sem traços escuros, o que aumenta a qualidade do produto para a indústria de alimentos que utiliza o amido nativo, como a indústria de fécula para tapioca. “Para nós, industrialmente, é fantástico”, afirma Manoel Oliveira.
O elevado teor de matéria seca nas raízes, aproximadamente 36,98%, também aumenta a eficiência industrial na extração de amido, utilizado pela Bahiamido na fabricação de fécula, amido modificado, tapioca, farinha, polvilhos doce e azedo.

Duas décadas de pesquisa

O lançamento da variedade deve impactar na já elevada produção local de mandioca. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Laje, município que sedia a fecularia, foi o principal produtor baiano de mandioca em 2016, com 3.778 hectares de área colhida e produção de 61.507 toneladas. Somente na Bahiamido, cerca de 650 dos 1.500 hectares estão plantados com quatro variedades da Embrapa: BRS Formosa, BRS Kiriris, BRS Poti Branca e, mais recentemente, a BRS Nova Horizonte.
As pesquisas que levaram ao lançamento da variedade tiveram início em 1998, quando o Programa de Melhoramento Genético da Mandioca era liderado pela pesquisadora Wania Fukuda, hoje aposentada. “Resgatamos alguns clones, começamos a fazer avaliações nas fazendas da Bahiamido e percebemos que esse era um material com potencial competitivo em relação aos materiais locais”, recorda o pesquisador Eder Oliveira.
Depois de 17 ensaios competitivos realizados entre 2011 e 2016, a variedade BRS Novo Horizonte demonstrou características agronômicas superiores em relação às principais doenças da parte aérea (antracnose, mancha parda, mancha branca e queima das folhas) e de raízes (podridão radicular). O porte reto, com algumas ramificações acima de 1,50 m de altura, confere aptidão ao cultivo mecanizado, maior adensamento de plantas e ampla cobertura do solo, de forma a reduzir a ocorrência de plantas daninhas.
 

Parceria

A parceria com a Bahiamido foi importante para a validação das variedades da Embrapa. “A empresa faz a multiplicação em condições de campo, tem áreas bastante expressivas das nossas variedades e a ideia é que, em três ou quatro anos, já tenha substituído totalmente ou quase completamente a área”, prevê Oliveira, da Embrapa.
O cientista conta que a empresa costuma fornecer uma pequena quantidade de material como apoio inicial para os produtores interessados. “Naturalmente, os agricultores querem saber o que uma grande indústria está cultivando e que, possivelmente, pode ser utilizado por eles. O material empregado na indústria de amido certamente se dá bem na indústria de farinha, que também é bem forte na região”, analisa.
Para Manoel, a expectativa em relação à BRS Novo Horizonte, especificamente, é grande. “A nossa aposta é muito alta. Notamos que o futuro e a segurança do negócio estavam em novas variedades. Desenvolver e difundir esses materiais com a Embrapa foi fundamental para promovermos o crescimento do setor. A Bahiamido tem um papel importante de servir de modelo para os pequenos e médios agricultores da região, e estimulá-los a cultivar e fornecer matéria-prima para a própria Bahiamido, movimentando o mercado local, gerando emprego e renda”, explica.

A produtividade de cultivares

A produtividade média de raízes frescas da BRS Novo Horizonte foi de 27,50 toneladas por hectare (variando de 14,18 a 44,27 t./ha), o que significa uma superioridade de 14,18% e 95,36% em comparação com outras variedades da Embrapa e variedades locais, respectivamente. Já a produtividade média de amido foi de 8,96 toneladas por hectare (variação de 4,68 a 15,41 t./ha) sendo, portanto, superior em 22,45% e 117,66% quando comparada com outras variedades da Embrapa e variedades locais.
Nos testes realizados em Laje, a BRS Formosa mostrou-se superior em 37% e 44%, na produtividade de raízes e amido, respectivamente, em comparação com as variedades locais (superior em 61% e 60%, na produtividade de raízes e amido, respectivamente, considerando a média dos ensaios).
Já a produtividade média de raízes frescas conferiu à BRS Kiriris uma superioridade de 19,30% e 103,85% em comparação com outras variedades da Embrapa e variedades locais, respectivamente. A produtividade média de amido foi superior em 17,70% e 110,32%.
Em Cândido Sales, a BRS Poti Branca apresentou o maior número de manivas de 20 cm por planta (16,24), enquanto a Sergipe, a cultivar de mandioca mais plantada na região, produziu 10,51 manivas por planta – esse número de manivas de 20 cm por planta é importante por indicar aquelas que têm maior produção de material de plantio. Quanto à produtividade de raízes, a BRS Poti Branca produziu 19,44 toneladas por hectare, enquanto a testemunha Sergipe produziu 15,02.

Embrapa Mandioca e Fruticultura

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Eleições na APASA


VIGILÂNCIA >> IDIARN realiza ação de combate à peste suína no estado




Na última quarta-feira (05), o IDIARN realizou uma grande operação contra a Peste Suína Clássica, na região Oeste do estado. Através dos trabalhos de fiscalização volante no entorno da fronteira com o Ceará, foi identificado um caminhão transportando os animais oriundos daquele estado, sem documentação zoossanitária. Devido a focos da doença no estado vizinho, o transito de suínos está suspenso daquela região para os demais estados do país, fazendo com que ações como essa sejam intensificadas.
Foram eutanasiados 35 animais suínos, respeitando as normas sanitárias vigentes, com o descarte correto das carcaças, além da desinfecção de toda a propriedade e materiais utilizados na ação. O trabalho foi coordenado pela Diretoria de Defesa e Inspeção e Sanitária Animal- IDIARN, juntamente com a coordenação estadual de sanidade suína, equipes da sede e da Unidade Local de Saúde Animal e Vegetal - ULSAV de Mossoró. 
"O IDIARN tem como uma de suas funções, garantir a sanidade dos rebanhos do Rio Grande do Norte. Seguimos trabalhando com atenção e rapidez na fiscalização para manter a agropecuária do nosso Estado resguardado", afirmou o diretor geral do Idiarn, Camillo Collier.
A Peste Suína Clássica é uma doença altamente contagiosa, causada por um vírus, que acomete porcos e javalis, onde os animais infectados apresentam febre alta, lesões avermelhadas pelo corpo e uma elevada mortalidade.
“Ações como essa, garantem a integridade dos nossos rebanhos, ajudando a manter a doença fora do Rio Grande do Norte. Agradecemos as informações fornecidas pela população que tem papel fundamental na denúncia do trânsito clandestino de animais e seus produtos”, explicou o Diretor de Defesa e Inspeção Sanitária do IDIARN, Renato Dias.
Fonte: Idiarn Comunicação

Mudam as regras para produção de leite aos fornecedores das indústrias credenciadas pelo governo

MAPA
ordenha de leiteAs mudanças foram publicadas no Diário Oficial da União, nas Instruções Normativas (INs) 76 e 77 . Na IN 78, são definidos os critérios a serem seguidos nas provas de produção. As Normas entram em vigor em 180 dias, quando serão revogadas as Instruções 51/2002, 22/2009, 62/2011, 07/2016 e 31/2019.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) fixou as novas regras para a produção de leite no país, especificando os padrões de identidade e qualidade do leite cru refrigerado, do pasteurizado e do tipo A.
A IN 76 trata das características e da qualidade do produto na indústria. Na IN 77, são definidos critérios para obtenção de leite de qualidade e seguro ao consumidor e que englobam desde a organização da propriedade, suas instalações e equipamentos, até a formação e capacitação dos responsáveis pelas tarefas cotidianas, o controle sistemático de mastites, da brucelose e da tuberculose.
Em relação à identidade e qualidade, no caso do leite cru refrigerado foi mantida a contagem bacteriana máxima de 300 mil unidades por ml e 500 mil células somáticas por ml.. O produto não deve apresentar substâncias estranhas à sua composição, como agentes inibidores do crescimento microbiano, neutralizantes da acidez nem resíduos de produtos de uso veterinário.
Segundo a responsável pelo Programa Nacional de Qualidade do Leite no Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), Mayara Souza Pinto, “as normas têm como objetivo atualizar os critérios de produção e seleção de leite de qualidade, com foco nas boas práticas agropecuárias e na educação sanitária”.
Com o novo regramento, os produtores poderão intensificar o controle na obtenção de leite, aplicando ferramentas de gestão de qualidade nas propriedades, incluindo manejo sanitário, refrigeração e estocagem, qualidade da água, uso racional de medicamentos veterinários, adoção de boas práticas de bem estar animal.
A Rede Brasileira de Laboratórios da Qualidade do Leite (RBQL), credenciada junto ao Mapa e responsável pela análise do produto comercializado cru em todo o país passará também a oferecer capacitação ao pessoal responsável pela captação nos estabelecimentos industriais, o que propiciará a recepção com contagem bacteriana baixa e o consequente aumento do rendimento industrial e da qualidade do leite e de seus derivados.

Na avaliação de Mayara Souza, “a implementação das normas permitirá avanço significativo nos índices de qualidade, o aumento da produtividade leiteira, a oferta de alimentos mais seguros à população e a queda de barreiras comerciais para exportação”. Os estados e municípios que não dispuserem de legislação específica e equivalente sobre qualidade deverão adotar essas normas como referência nos serviços de inspeção estaduais e municipais.

Assentados de nove estados se graduam em História pelo Pronera na Paraíba


 
Na noite de 6 de dezembro, 34 filhos de agricultores assentados e quilombolas de nove estados brasileiros receberam, no auditório da Reitoria da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, o diploma de ensino superior em uma solenidade de colação de grau que emocionou os convidados e a comunidade acadêmica.
 
Eles fazem parte da terceira turma do curso de licenciatura em História para Educadores da Reforma Agrária, iniciado em 2014 e promovido pelo Incra por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) com termo de execução descentralizada firmado com a UFPB, com acompanhamento da superintendência do instituto no estado.
 
O curso reuniu alunos de assentamentos da reforma agrária e de comunidades quilombolas da Paraíba e de outros oito estados: Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Rondônia.
 
Comemoração

Para comemorar a conquista do grau superior, após a solenidade de colação de grau, a turma promoveu festa na sede social do Sindicato dos Bancários da Paraíba, também em João Pessoa, com direito a muita comida, música e apresentações culturais.
 
A coordenadora pedagógica da turma, Priscilla Gontijo Leite, destacou que o curso foi avaliado pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) do Ministério da Educação (MEC) em 2017 e que alcançou a nota quatro em uma escala que vai até cinco, colocando a licenciatura em uma posição de destaque na UFPB.
A turma também tem um Coeficiente de Rendimento Acadêmico (CRA) que chega a ser superior ao de turmas do curso extensivo regular de História da UFPB, segundo a professora.
 
"A turma do Pronera enriqueceu a vida da universidade. Eles se integraram bem com alunos de outros cursos e ocupam dois cargos na direção do Centro Acadêmico dos estudantes de História", disse Priscilla.
 
Para o coordenador do curso e membro da Comissão Pedagógica Nacional (CPN) do Pronera, José Jonas Duarte da Costa, que coordenou as outras duas turmas do curso de licenciatura em História para Educadores da Reforma Agrária na UFPB, "o curso é um orgulho para o Departamento de História".
 
Pronera
 
"O Pronera mudou as universidades brasileiras. O programa rompeu as cercas do latifúndio das universidades para o camponês, para o quilombola e para o índio", afirmou Jonas Duarte, acrescentando que a criação do Pronera também contribuiu para as discussões sobre a adoção de cotas para o ingresso nas instituições públicas de ensino superior.
 
"Saber é poder. Quando o camponês ocupa a universidade ele alcança o poder de conquistar algo novo", disse Dilei Aparecida Schiochet, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que discursou em nome dos representantes de movimentos sociais do campo presentes na Colação de Grau.
 
Os alunos ingressaram no curso por meio de um processo seletivo diferenciado - como acontece com os demais cursos do Pronera - e receberam gratuitamente alojamento e alimentação no Restaurante Universitário da UFPB. A universidade e o Governo da Paraíba também contribuíram com o deslocamento dos estudantes para congressos e outras atividades extraclasse.
 
Luta e superação

As histórias de dois dos quatro alunos da Bahia que integravam a turma ilustram bem as dificuldades que muitos deles tiveram que enfrentar para concluir o curso superior. Sem condições financeiras, as famílias dos dois não puderam vir a João Pessoa para assistir à colação de grau dos filhos.
 
Fábio Santos da Conceição, 24 anos, do assentamento Margarida Alves, no município de Ituberá (BA), enfrentou as críticas de familiares e amigos quando decidiu continuar o curso após seu pai ser diagnosticado com câncer. "Diziam que eu não era um bom filho por abandonar meu pai doente. Tive dúvidas, mas meu pai me incentivou a vir", contou, com lágrimas nos olhos. "Eu vim, e não me arrependo. Minha maior motivação foi a minha família".
 
"Uma vez, minha mãe, que trabalhava como zeladora, tirou o dinheiro do aluguel para pagar uma passagem para eu voltar para estudar outro período na universidade", disse Fábio da Conceição, que é o 11º filho de uma família de 13 filhos e o primeiro a conseguir um diploma universitário.
 
Ele acreditava que por ser pobre, negro e filho de agricultores analfabetos, a universidade era um sonho impossível. Agora, com o diploma na mão, Fábio da Conceição tem novos sonhos, como o de ensinar em uma escola de Ensino Médio de um assentamento vizinho ao seu. "Quero servir de exemplo, de inspiração. Quero incentivar os jovens a buscar a educação", afirmou.
 
"Quase desisti"

Elenilda Conceição Nascimento, 32 anos, do assentamento Bom Jesus, no município de Igrapiúna (BA), engravidou duas vezes durante o curso. Na segunda gravidez, que teve complicações, foi abandonada pelo companheiro e pensou em desistir. Com o incentivo e a ajuda financeira de alguns dos 11 irmãos e de uma bolsa destinada a universitários quilombolas, Elenilda se tornou a primeira agricultora com curso superior no assentamento onde vive com seus três filhos e a mãe.
 
"Meus pais são analfabetos, mas sempre incentivaram os filhos a estudar. A gente ia para a escola com comida ou sem comida", contou Elenilda, que só conseguiu entrar aos dez anos na escola, a oito quilômetros de caminhada da casa de taipa onde a família morava antes de ser assentada pelo Incra.
 
Dos 15 aos 21 anos, quando engravidou do primeiro filho, Elenilda trabalhou como empregada doméstica. Para cursar o Ensino Médio, concluído em 2010, fazia um percurso de 30 quilômetros até a escola em cima de um caminhão. "Às vezes o caminhão quebrava e a gente tinha que fazer o resto do caminho para casa a pé", disse.
 
"Nunca pensei que pudesse fazer um curso superior. Na minha vida nunca tive nada com facilidade, mas sempre dei valor às oportunidades. Quero fazer de tudo para que meus filhos estudem também", afirmou Elenilda.
 
Pedagogia da alternância

Podem participar dos cursos ofertados pelo Pronera jovens e adultos dos projetos de assentamento criados e reconhecidos pelo Incra, quilombolas e trabalhadores acampados cadastrados na autarquia, além de beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNFC). No caso da Educação de Jovens e Adultos (EJA) nas modalidades de alfabetização e escolaridade/Ensino Fundamental, também podem participar os trabalhadores rurais acampados e cadastrados pelo Incra.
 
O curso é baseado na pedagogia da alternância, com a carga horária dividida em tempo-escola, com aulas presenciais, e tempo-comunidade, com atividades práticas e produção de pesquisas nas comunidades às quais os alunos pertencem, proporcionando a estes a oportunidade de estudar e produzir, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da zona rural.
 
20 anos do Pronera

O Pronera, que comemorou duas décadas de existência em 16 de abril deste ano, beneficiou, ao longo de 20 anos, mais de 186 mil alunos nas modalidades da Educação de Jovens e Adultos (EJA), ensino médio técnico, superior e pós-graduação, em mais de mil municípios do país. Nesse período, foram ofertados cerca de 500 cursos em parceria com 94 instituições de ensino.
 
Na Paraíba, o Pronera iniciou suas atividades em 1999 e já formou 3.676 alunos em 27 cursos. Em meados do próximo ano, 11 alunos da segunda turma do curso de Licenciatura em Pedagogia para Educadores da Reforma Agrária também devem concluir a graduação.
 
Também foram oferecidos no estado cursos de EJA, nas modalidades de alfabetização e escolarização dos anos iniciais; cursos técnicos profissionalizantes nas áreas de Agropecuária, Zootecnia, Agroindústria e Enfermagem; cursos normais de nível médio (Magistério); cursos de graduação - Licenciatura em História, Ciências Agrárias e Pedagogia; e cursos de pós-graduação em residência agrária.
 
Assessoria de Comunicação Social do Incra/PB