sábado, 29 de abril de 2023

 

Os possíveis efeitos do El Niño forte previsto por cientistas para 2023

 

 


A última vez que o El Niño se formou foi em 2016 — e seus efeitos foram sentidos em todo o mundo.

Esse fenômeno climático contribuiu para o aumento recorde das temperaturas globais, a perda de florestas tropicais, o branqueamento de corais, a geração de incêndios florestais e o degelo polar.

Agora os cientistas acreditam que o fenômeno vai acontecer novamente — e alertam sobre a possibilidade de um El Niño forte se formar nos próximos meses. Além disso, está ocorrendo um aquecimento “acentuado e inesperado” dos oceanos — e, combinados, esses eventos poderiam levar as temperaturas globais a níveis recordes entre 2023 e 2024.

Mas o que sabemos sobre esse fenômeno e por que é preocupante?

Eventos extremos

O El Niño é um fenômeno climático natural — não causado pela atividade humana — do qual há referências desde, pelo menos, o final do século 19.

“El Niño é basicamente uma mudança na força e direção dos ventos alísios que sopram do leste para o oeste no Oceano Pacífico, o que faz com que a água quente encontrada na parte ocidental do Oceano Pacífico se mova para a região central e oriental do Pacífico”, explica Ángel Adames Corraliza, professor de ciências atmosféricas da Universidade de Wisconsin, nos EUA

 

 

Chuvas devem ficar abaixo do normal no RN no próximo trimestre

A tendência de ocorrência de chuvas para o próximo trimestre de 2023 (maio, junho e julho) é de volumes de chuva de normal a abaixo do normal no Rio Grande do Norte. O acumulado máximo no estado no período não deve ultrapassar 283,6 mm. 

Esse é o resultado da Reunião de Divulgação da Previsão Climática Sazonal, coordenada pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC/INPE. Ocorrida na tarde da última terça-feira(25) e contou com a participação de meteorologistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) e de centros de pesquisa meteorológica do Nordeste.

As análises do Sistema de Monitoramento registram a tendência de transição térmica nas águas do oceano Pacífico Tropical, saindo do fenômeno La Ñina (águas superficiais mais frias do que o normal), e já entrando no fenômeno de EL Niño (águas mais aquecidas do que o normal).

- “Essa mudança térmica na superfície do Oceano Pacífico ainda não condicionou uma mudança na circulação geral da atmosfera, mas os modelos matemáticos que projetam o comportamento do Oceano Pacífico indicam um estabelecimento completo do Fenômeno El Niño nos próximos meses, podendo influenciar numa diminuição da ocorrência das chuvas entre a segunda quinzena de maio e a primeira quinzena de junho de 2023, tanto no interior como no litoral do Estado”, explicou o chefe da unidade instrumental de Meteorologia da Emparn, Gilmar Bristot.

Previsão final de semana

A previsão é de chuvas para o último final de semana do mês de abril no RN. De acordo com o Sistema de Monitoramento a previsão é de ocorrência de chuvas em todas as regiões do Estado. “As chuvas do final de semana não devem causar transtornos para população mas são bem-vindas para o sertanejo”, comentou o meteorologista.


 

Sistema de gestão fundiária chega a 1 milhão de imóveis rurais certificados


Sistema de gestão fundiária (Sigef) chega a 1 milhão de imóveis rurais certificados

O total equivale a 262 milhões de hectares de terras georreferenciadas, correspondendo a mais de 30% do território brasileiro. Acervo/Incra

OSistema de Gestão Fundiária (Sigef) alcançou, na quinta-feira (27), uma marca histórica: 1 milhão de imóveis rurais certificados. O total equivale a 262 milhões de hectares de terras georreferenciadas, correspondendo a mais de 30% do território brasileiro.

O sistema foi desenvolvido pelo Incra e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) a fim de subsidiar a governança fundiária do território nacional. Por meio dele, o Incra faz a recepção, validação, organização, regularização e disponibilização das informações georreferenciadas de limites de imóveis rurais, públicos e privados.

A ferramenta permitiu a modernização no processo de reconhecimento da malha fundiária nacional. “Penso que conhecer nosso acervo fundiário é estratégico para o país, garante a segurança jurídica a toda a sociedade e contribui para o combate à grilagem de terras”, diz o diretor de Governança Fundiária do Incra, João Pedro Gonçalves.

História

Até 2013, o procedimento para certificação de imóveis rurais, prevista na Lei 10.267/2001, era totalmente analógico. Além de resultar no acúmulo de processos que ocupavam salas inteiras nas superintendências do Incra, a análise era demorada, podendo chegar a mais de um ano de espera.

Diante da exigência da certificação para transações imobiliárias envolvendo imóveis rurais, o MDA e o Incra iniciaram o trabalho para construção do sistema de certificação automatizada. Em 23 de novembro de 2013, entrou em vigor o Sistema de Gestão Fundiária.

“Não foi um sistema que ‘nasceu’ pronto. Foram necessários vários ajustes ao longo dos anos e até hoje continua em evolução”, diz a presidente do Comitê Nacional de Certificação do Incra, Quêidimar Guzzo. Ela destaca que o Sigef elevou a Certificação de Imóveis Rurais a um outro nível. “A ferramenta é reconhecida por diversas instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais.”

O acesso ao Sigef é feito por meio do endereço https://sigef.incra.gov.br/.

Serviços disponíveis

- Credenciamento de profissional apto(a) a requerer certificação;
- Autenticidade de usuários(as) do sistema com certificação digital, seguindo padrões da Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP-Brasil)[1];
- Recepção de dados georreferenciados padronizados, via internet;
- Validação rápida, impessoal, automatizada e precisa, de acordo com os parâmetros técnicos vigentes;
- Geração automática de peças técnicas (planta e memorial descritivo), com a possibilidade de verificação de autenticidade online;
- Gerência eletrônica de requerimentos relativos a parcelas: certificação, registro, desmembramento, remembramento, retificação e cancelamento;
- Possibilidade de inclusão de informações atualizadas do registro de imóveis (matrícula e proprietário) via internet, permitindo a efetiva sincronização entre os dados cadastrais e registrais;
- Gestão de contratos de serviços de georreferenciamento com a administração pública, com acesso para órgãos públicos, empresas, responsáveis técnicos(as) e fiscais;
- Pesquisa pública de parcelas certificadas, requerimentos e credenciados(as).

Agricultura e Pecuária

 

Mudanças climáticas provocam danos na caatinga brasileira

 

Uma constatação: a caatinga perdeu mais de 10% de vegetação nativa nos últimos 37 anos e quase 17% da água. Considerado o bioma menos conhecido do Brasil, devido à menor quantidade de estudos científicos e coleta de amostras, a Caatinga possui grande riqueza de ambientes e espécies, tratando-se do conjunto de ecossistemas semi-áridos mais biodiverso do mundo. O bioma ocupa pouco mais de 11% do território nacional, onde vivem 27 milhões de pessoas, englobando 10 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe, além do extremo leste do Maranhão e do norte de Minas Gerais.

Rica em biodiversidade, a Caatinga é um bioma 100% brasileiro que abriga cerca de 4 mil espécies de plantas, de acordo com a publicação Flora do Brasil (2021), coordenada pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Destas, cerca de 30% encontram-se sob alguma categoria de ameaça de extinção. Com relação às espécies da fauna, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estima que das 1.182 espécies catalogadas, 125 encontram-se em alguma categoria de ameaça de extinção.

A médica veterinária Flávia Miranda, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), explica que o combate à desertificação, processo de degradação ambiental que ocorre em áreas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, agravado por queimadas e desmatamento, com a retirada da vegetação nativa para a expansão de atividades agrícolas e pecuárias, colocam a biodiversidade em risco no bioma.

“Todo esse cenário provoca a perda de habitat para diversas espécies. É importante lembrar que a fauna da Caatinga é muito rica e interessante, com espécies endêmicas que são símbolo do nosso país, como o tatu-bola-do-nordeste (Tolypeutes tricinctus), além de répteis, aves e roedores”, frisa a pesquisadora. “O tatu-bola, espécie ameaçada de extinção, ocorre sobretudo na Caatinga, além de um pedacinho do Cerrado”, salienta a especialista, referindo-se ao animal escolhido como mascote da Copa do Mundo de Futebol de 2014. A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) e o ICMBio colocam o tatu-bola-do-nordeste como espécie ameaçada de extinção, com estado de conservação vulnerável.

Miranda, que é coordenadora científica do Programa de Conservação do Tatu-Bola pela Associação Caatinga, defende o fortalecimento de unidades de conservação para frear a perda de habitat dos animais. O Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, criado em 2017 e localizado no município de Buriti dos Montes (PI), é um exemplo desta atuação responsável. Além de manter condições adequadas para a proteção do tatu-bola, entre outras espécies, o parque possui cenários de grande beleza cênica e abriga sítios de gravuras rupestres consideradas de grande relevância antropológica.

Segundo levantamento realizado em 2022 pelo MapBiomas a partir da análise de imagens de satélite, a redução de áreas naturais na Caatinga superou os 6 milhões de hectares nos últimos 37 anos, representando 10,54% da área mapeada desde 1985. Neste período, a Caatinga perdeu mais de 160 mil hectares de superfície de água – um decréscimo de 16,75%. Com exceção de Sergipe, todos os estados da Caatinga tiveram redução de superfície de água.

De acordo com o Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima, cerca de 9% do bioma está coberto por unidades de conservação, sendo pouco mais de 2% por unidades de proteção integral (Parques, Reservas Biológicas e Estações Ecológicas), que são as mais restritas a atividades humanas.

sexta-feira, 28 de abril de 2023

 

Salário mínimo terá novo valor a partir de segunda-feira, 1º de maio.

O salário mínimo deverá ser reajustado a partir da próxima segunda feira, 1º de maio de 2023. O valor passaria de R$ 1.302 para R$ 1.320, o que representa um aumento real de 2,8%. O reajuste, no entanto, ainda depende da assinatura de um decreto por parte do presidente Lula.

O aumento do salário mínimo impacta não apenas nos contratos com carteira assinada, mas nas aposentadorias e benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Bolsa Família, seguro-desemprego e no abono salarial, por exemplo.

Desde 2019, o piso mínimo não tem aumento real. Mudanças nas regras, que passaram a desconsiderar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no cálculo, fizeram com que os ganhos do trabalhador não ficassem acima da inflação durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

 

Sanidade animal

Influenza aviária

A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é considerada uma doença de alto risco para aves quando causada por subtipos de vírus altamente patogênicos. Nestes casos, caracteriza-se como uma doença grave, de notificação obrigatória aos órgãos oficiais nacionais e internacionais de controle de saúde animal, acarretando em barreira sanitária para a comercialização de produtos avícolas no mercado interno e externo e em enorme prejuízo econômico para a avicultura comercial.

Até o momento, apenas os vírus com as hemaglutininas identificadas como H5 e H7 têm sido altamente patogênicos a galinhas e a algumas outras espécies de aves domésticas e aquáticas.

Portaria do Ministério da Agricultura e Pecuária de 29.03.2023

No dia 29 de março de 2023, o Ministério da Agricultura e Pecuária publicou no Diário Oficial da União a portaria nº 572, que estabelece, em todo o Brasil, medidas preventivas em função do risco de ingresso e de disseminação da influenza aviária de alta patogenicidade no país.

A portaria suspende, em todo território nacional, a realização de exposições, torneios, feiras e demais eventos com aglomeração de aves. Também fica suspensa a criação de aves ao ar livre, com acesso a piquetes sem telas na parte superior, em estabelecimentos registrados segundo a Instrução Normativa nº 56, de 4 de dezembro de 2007.

Para ler a portaria completa, clique aqui ou na imagem.

Notas técnicas e ofícios

Nota técnica da Embrapa Suínos e Aves sobre a influenza aviária, incluindo sua caracterização; a doença em humanos; formas de transmissão do vírus; controle; papel das aves silvestres e aves migratórias na transmissão de influenza aviária; notificação, monitoramento e vigilância; e a função da Embrapa (11.2022)
Nota de alerta - Influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) - Colômbia, despacho do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sobre ocorrência de casos de influenza aviária no mundo (11.2012)
Nota Técnica Nº 4/2017 do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com destaque às ações de intensificação das medidas de vigilância epidemiológica e de prevenção da influenza aviária (18.01.2017)
Ofício Nº 10/2017 do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sobre ocorrência de casos de influenza aviária no mundo (06.01.2017)
Ofício Nº 245/2016 do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sobre ocorrência de casos de influenza aviária no mundo (09.12.2016)
Nota Técnica SAR nº 001/2023 - Secretaria do Estado da Agricultura de Santa Catarina: Alerta máximo às medidas de biosseguridade para avicultura comercial e recomendação para a restrição temporária de acesso ao ambiente externo para aves criadas livres, a fim de proteger a saúde e segurança do plantel avícola catarinense (03/03/2023)

Live Influenza aviária - Orientações e impacto na avicultura de pequena escala

Perguntas mais frequentes

A gripe aviária é uma doença de aves domésticas e silvestres, causada pelo vírus de influenza A (IAV) altamente patogênico. O vírus Influenza A pode infectar aves e mamíferos, incluindo humanos, e é transmitido de forma eficaz através de aerossóis respiratórios, fezes e fluídos corporais, seja diretamente (proximidade hospedeiro-hospedeiro) ou indiretamente (água ou objetos contaminados). Nas aves domésticas a doença é caracterizada principalmente por alta mortalidade e problemas respiratórios tais como tosses, espirros, muco nas narinas e hemorragias nas partes desprovidas de penas e mucosas. Podem ocorrer sinais clínicos nervosos tais como o andar cambaleante das aves. Em aves em postura ocorre queda de produção de ovos.

Os vírus influenza tipo A são classificados em subtipos de acordo com as diferentes glicoproteínas de superfície do vírus hemaglutinina (HA) e neuraminidase (NA). Até agora, são conhecidos 18 subtipos diferentes de hemaglutinina (H1-H18) e 11 subtipos diferentes de neuraminidase (N1-N11), com apenas alguns desses subtipos circulando em humanos (gripe sazonal). Dependendo do hospedeiro de origem, os vírus da gripe A também podem ser classificados como gripe aviária, gripe suína, gripe humana etc., ou outros tipos de vírus da gripe animal. Quando os vírus da gripe animal infectam humanos, são chamados de infecções zoonóticas. As aves são suscetíveis a uma ampla variedade de cepas de vírus Influenza A dos subtipos H1–H16 e N1–N9. Existem também duas categorias de vírus influenza definidas por sua capacidade de infectar e causar doença e morte em aves domésticas: baixa patogenicidade e alta patogenicidade. Apenas alguns subtipos de IAVs (H5 e H7) têm capacidade para se tornar classificados como de alta patogenicidade (em inglês, HPAI - Highly Pathogenic Avian Influenza), embora outros subtipos como H9 possam causar doença com perdas significativas. Os IAVs podem ser classificados pela categoria e subtipo de patogenicidade (por exemplo, baixa patogenicidade H3N2 ou alta patogenicidade H5N1). Os vírus de alta patogenicidade H5 ou H7 são assim classificados a partir de um teste de virulência realizado em galinhas e está relacionado à capacidade do vírus de causar lesões severas e alta mortalidade nestas aves.

A influenza aviária causada por vírus altamente patogênicos, ou qualquer vírus dos subtipos H5 ou H7, é uma doença de notificação obrigatória imediata aos órgãos oficiais de defesa sanitária animal do país. O diagnóstico oficial da doença deve ser comunicado a órgãos internacionais de controle de saúde animal e a países importadores. Portanto, surtos da doença causados por vírus altamente patogênicos acarretam em barreira sanitária para a comercialização de produtos avícolas no mercado interno e internacional e, portanto, em enorme prejuízo econômico para a avicultura comercial, podendo tornar-se uma ameaça também à saúde de pessoas. Essa medida é permitida, uma vez que produtos avícolas não tratados termicamente e oriundos de lotes que tiveram a doença, têm a capacidade de albergar e servir como fonte de transmissão para o vírus.

Existem vários subtipos diferentes de vírus de influenza, que variam quanto a sua patogenicidade nas diferentes espécies de aves. A influenza aviária não é diagnosticada como doença e não é notificável quando a infecção for diagnosticada como sendo causada por algum subtipo de vírus de baixa patogenicidade (influenza aviária de baixa patogenicidade -LPAI). Aves aquáticas (Anseriformes como patos, marrecos, gansos e cisnes) são hospedeiros naturais dos vírus de baixa patogenicidade da influenza aviária, com baixo efeito nocivo.

Os vírus de baixa patogenicidade normalmente não causam sinais clínicos em aves silvestres ou causam sinais clínicos leves em aves domésticas. Mesmo assim, quaisquer vírus LPAI demonstrado infectar e causar consequências graves em humanos também deve ser relatado e notificado. Contudo, qualquer infecção por vírus dos subtipos H5 e H7, mesmo quando diagnosticados em aves silvestres e sendo considerados como LPAI, é também notificável, mas não impõe barreiras comerciais à avicultura. A notificação dos vírus H5 e H7, mesmo em aves silvestres, é necessária como alerta de riscos para as aves domésticas, especialmente para a avicultura comercial por serem os subtipos de vírus mais associados à capacidade de se adaptarem e adquirirem alta patogenicidade em aves domésticas e em consequência podem causar surtos graves, com alta mortalidade de aves e perdas econômicas por barreiras sanitárias.

A doença foi diagnosticada pela primeira vez na Itália em 1878, como Praga Aviária. Em 1955 o vírus foi identificado como influenza A aviário.

O primeiro relato da influenza aviária ou "gripe do frango" foi de doença em galinhas, em 1918. A ocorrência da gripe aviária em humanos, causada pelos vírus H5N1, foi relatada pela primeira vez em 1997, em Hong Kong.

Por outro lado, a gripe sazonal em humanos é aquela causada por vírus influenza humano que acomete as pessoas periodicamente e que é prevenida pelas campanhas de vacinação anuais, sendo diferente da gripe causada pelos vírus aviários.

A primeira grande pandemia mundial de gripe humana foi relatada pela primeira vez em 1918 e causou elevadíssima mortalidade de pessoas no mundo todo.

O vírus de influenza aviária é de distribuição mundial em aves silvestres, mais tipicamente nas aves aquáticas. Nestas aves podem ser encontrados diferentes subtipos do vírus, entre os quais subtipos de vírus de baixa patogenicidade que circulam normalmente em aves silvestres. Os vírus H5 ou H7 que podem ser de baixa ou alta patogenicidade já foram relatados em inúmeros países.

A gripe aviária de alta patogenicidade (HPAI), desde a sua primeira identificação na China em 1996, apresentou múltiplas ondas de transmissão intercontinental da linhagem viral H5Nx Gs/GD. O HPAI resultou na morte e abate em massa de mais de 316 milhões de aves em todo o mundo entre 2005 e 2021, com picos em 2021, 2020 e 2016. Durante cada um dos anos de 2006, 2016, 2017 e 2021, mais de 50 países e territórios no mundo foram afetados pelo HPAI (África, América do Norte, Ásia, Austrália, Europa, Oriente Médio). Além disso, até agora, os humanos foram ocasionalmente infectados com subtipos H5N1 (cerca de 850 casos notificados, dos quais metade morreu), H7N9 (cerca de 1.500 casos notificados, dos quais cerca de 600 morreram), H5N6 (cerca de 80 casos notificados, dos quais cerca de 30 morreram), H9N2 (cerca de 75 casos notificados, dos quais 2 morreram) e casos foram relatados com subtipos H3N8, H7N4, H7N7 e H10N3 (HIGH PATHOGENICITY AVIAN INFLUENZA (hpai) – Situation Report (woah.org).

Regiões de maior risco de influenza são aquelas em que há predominância de íntima relação de contato entre galinhas comerciais e aves aquáticas domésticas e silvestres, como patos e marrecos, tanto nas áreas rurais como em centros urbanos onde são comuns feiras de comércio de aves vivas, que propiciam constante contato entre diferentes espécies de aves e humanos. Na Ásia, há o agravante desta interação ocorrer em áreas muito densamente povoadas, compondo um ambiente propício para a disseminação e evolução de novos vírus de influenza aviária.

Na disseminação de vírus de influenza há também o suíno como hospedeiro intermediário importante, principalmente em sistemas de produção mistos com contato entre galinhas, aves silvestres, gansos, patos, marrecos, entre outras aves, além de pessoas. Este modelo de produção e comercialização, com densa população animal mista e humana tem sido considerado um fator determinante do inesperado "pulo" do vírus aviário diretamente a humanos, ocorrido pela primeira vez com o sorotipo H5N1, sem a necessidade de passagem por hospedeiro intermediário, como o suíno, para infecção de humanos.

A gripe aviária é causada por um vírus classificado como orthomixovirus do grupo A, do tipo aviário. Há três grupos de vírus de influenza - A, B e C - e estes três grupos ocorrem em humanos. Apenas o grupo A infecta diferentes espécies animais e humanos. Mais usualmente os subtipos de vírus de influenza encontrados em uma determinada espécie se limitam a se manter circulando na mesma espécie. Desta forma, muitos dos vírus de influenza do grupo A são classificados como vírus do tipo humano, vírus de influenza de suínos, vírus de influenza equina e os vírus de influenza aviária. No entanto, alguns vírus circulando em determinada espécie podem adquirir a capacidade de infectar outra espécie. Por exemplo, vírus de aves silvestres podem eventualmente ser transmitidos a aves domésticas.

Casos frequentes ocorrem de vírus humanos infectando suínos e vírus de suínos em humanos. Os suínos não parecem ser capazes de transmitir eficazmente vírus puramente aviários. Por exemplo, estudos experimentais demonstraram que os suínos podem se infectar com o vírus H5N1 ou H7N9 aviário que tem causado mortalidade em humanos, mas, assim como humanos, os suínos não transmitem o vírus entre si nem a humanos. Contudo, se durante a infecção pelo vírus aviário o suíno estiver também infectado com vírus de influenza suína, os vírus aviários podem se combinar com vírus suíno durante a replicação conjunta dos diferentes vírus no animal, gerando novos vírus de influenza suína que contêm misturas de genes originados tanto de vírus aviário como suíno. Se o novo vírus gerado se adaptar ao suíno, adquirir capacidade de replicar, ser transmitido entre suínos e se estabelecer na população o novo vírus poderá se manter circulando e eventualmente vir a ser transmitido a humanos. Um exemplo foi a pandemia causada pelo vírus H1N1pand. O novo vírus H1N1 humano que causou a pandemia em 2008 e 2009 teve origem em vírus de influenza de suíno que continha genes de vírus aviários e que se manteve circulando em populações de suínos por um período indeterminado, até que o momento que foi transmitido e se adaptou em humanos.

Transmissão entre animais: O contato das aves domésticas com as silvestres é um dos determinantes para ocorrência de surtos da doença na avicultura comercial ou doméstica. Além do risco de introdução do vírus por aves migratórias, outras formas de introdução e disseminação devem ser consideradas e incluem especialmente riscos decorrentes da movimentação de aves, criações de múltiplas espécies e contato com aves aquáticas migratórias.

As aves selvagens migratórias, especialmente as aves aquáticas, são o hospedeiro natural e reservatório dos vírus da gripe aviária. Dentro de seus tratos respiratórios e intestinais, eles podem transportar diferentes cepas de vírus da gripe aviária. Dependendo da cepa do vírus e da espécie de ave, o vírus pode ser inofensivo ou fatal para a ave selvagem. Quando as aves apresentam pouco ou nenhum sintoma do vírus, isso permite que elas espalhem o vírus entre países vizinhos ou a longas distâncias, ao longo de suas rotas migratórias. As aves selvagens também desempenham um papel importante na evolução e manutenção dos vírus da gripe aviária durante as estações baixas.

O vírus de influenza pode ser viável por longos períodos, especialmente em locais frios (baixas temperaturas), em fezes infectadas e na água. Em patos, a excreção ocorre nas fezes por cerca de 30 dias após a infecção. Águas de lagos e lagoas frequentadas por patos migratórios têm sido consideradas importantes fontes de contaminação e reinfecção de aves.

As formas de transmissão são o contato direto com secreções de aves infectadas, especialmente fezes, ração, secreções respiratórias das aves infectadas, água, ovos quebrados ou carcaças de animais mortos, o que inclui o contato de aves domésticas com aves aquáticas e migratórias que sejam portadoras de vírus.

A disseminação de surtos muitas vezes é causada também por equipamentos, veículos e roupas contaminadas e trânsito de pessoas em áreas com a doença.

Outras fontes de transmissão:

  • Transmissão vertical (via matriz ao ovo) não parece ocorrer
  • Vírus pode estar presente na casca do ovo até 3 a 4 dias após infecção das aves
  • Vírus já foi detectado no sêmen de galos

Transmissão da ave para humanos: as infecções humanas com vírus da gripe aviária, embora raras, foram relatadas. As infecções humanas são adquiridas principalmente através do contato direto com animais infectados ou ambientes contaminados, mas não resultam na transmissão eficiente desses vírus entre as pessoas. O principal fator de risco para infecção humana parece ser a exposição direta ou indireta a animais infectados ou ambientes contaminados, como mercados de aves vivas. Abate, depenagem, manuseio de carcaças de aves infectadas e preparação de aves para consumo também são fatores de risco.

 

Os diferentes subtipos de vírus de influenza são mais comumente encontrados em aves aquáticas da ordem Anatiformes, família Anatidae, subfamílias Anserinae e Anatinae, tais como patos, cisnes, gansos, marrecos, irerê. Os marrecos, como o marreco de Pequim (Anas platyrhynchos) e os patos silvestres são as principais espécies nas quais há maior ocorrência de infecção pelos inúmeros subtipos diferentes de vírus de influenza aviária.

O vírus é também comum em aves da ordem Charadriiformes, que incluem mais de 350 espécies, distribuídas por todo o mundo. A maioria dos seus membros vive nas zonas costeiras e litorâneas. Exemplos importantes são as gaivotas, maçaricos, vira-pedras, perdizes, trinta-réis, batuíras, jaçanã. Os vírus de influenza aviária são encontrados menos frequentemente em periquitos, papagaios, tecelões, cacatuas, tendilhões, ratitas (avestruzes) e falcão.

As aves silvestres, principalmente as aves aquáticas tais como pato, marreco, ganso, maçaricos, gaivotas, garças, tecelões, pardelas e cisne entre outras aves das ordens Anseriforme e Charadriforme, são o reservatório natural do vírus de influenza. Ou seja, estas aves podem ser portadoras do vírus e excretar o vírus pelas fezes, mas podem não desenvolver quaisquer sintomas da doença.

As aves domésticas terrestres, tais como galinhas e perus, não são consideradas reservatórios dos vírus de influenza, mas são sensíveis à infecção por vírus transmitido por aves silvestres. Os patos domésticos e codornas têm tido papel importante como hospedeiros intermediários e reservatórios para a transmissão dos vírus de aves silvestres para galinhas e perus. Na China, os patos domésticos têm sido associados como as principais espécies nas quais vírus de aves silvestres se disseminam, sendo então transmitidos a galinhas e gerando um ecossistema favorável para a movimentação do vírus de seus hospedeiros naturais para hospedeiros suscetíveis à doença.

Além das aves silvestres ou domésticas, o vírus da influenza aviária pode ser esporadicamente encontrado em espécies de mamíferos marinhos como focas, baleias e martas. Em agosto de 2022, houve a notificação do primeiro caso de infecção pelo vírus da gripe aviária H5N1 de alta patogenicidade em um urso preto e, além disso, o vírus H5N1 asiático também foi isolado de felinos (como tigres, gato doméstico e leopardos), suínos e cachorros.

No ciclo natural do vírus ocorre primeiramente a transmissão viral entre as aves silvestres e destas para as aves domésticas e, eventualmente, das aves para os suínos e dos suínos para humanos e de humanos para suínos. Eventualmente, sob condições bastante peculiares, pode ocorrer a transmissão do vírus aviário de aves domésticas ou de produção diretamente para o ser humano envolvido no manejo das aves.

Nos suínos podem ocorrer combinações de genes dos vírus aviários com genes dos vírus que estejam circulando na população suína. Dependendo da adaptação dos novos vírus aos suínos pode haver transmissão do vírus do suíno para o homem e do homem para o suíno.

Em 1997 em Hong Kong foi descrito o primeiro caso de transmissão de um vírus aviário altamente patogênico, do subtipo H5N1, diretamente das aves ao homem. Este "pulo" do vírus aviário diretamente a humanos se repetiu na Ásia e na Europa nos anos seguintes, onde alguns subtipos de vírus aviários adaptaram-se e se disseminaram em aves domésticas tais como marrecos, patos, codornas, gansos e galinhas e foram transmitidos destas aves para o homem. Desde então o mundo vem convivendo com uma aparente rápida evolução dos vírus de influenza e casos de novos vírus aviários de origem na Ásia, tais como H9N2, H7N3, H5N6 e o H7N9, vem ocorrendo em humanos com variados graus de gravidade da doença e mortalidade.

O aumento no número de casos humanos relatados de infecção por influenza aviária A(H5N6) pode refletir a circulação contínua do vírus nas aves, e um sistema de vigilância e capacidade de diagnóstico reforçados como resultado direto da resposta à pandemia de COVID-19. A ameaça zoonótica permanece elevada devido à disseminação do vírus entre as aves. No entanto, o risco global de pandemia associado a A(H5) não mudou significativamente em relação aos anos anteriores. A OMS recomenda que os Estados-Membros permaneçam vigilantes e considerem medidas de mitigação para reduzir a exposição humana a aves potencialmente infectadas para reduzir o risco de infecção zoonótica adicional.

O principal sintoma da doença causada por subtipos de vírus altamente patogênicos, H5 ou H7, é a morte súbita, muito acima da mortalidade normal de aves no lote, podendo ser superior a 60% ou de até de 80 a 100% das aves dependendo da patogenicidade do vírus. Nesse caso, consulte um veterinário para fazer a análise clínica e a necropsia das aves. Em caso de mortes muito rápidas, as aves podem não apresentar sintoma da doença.

Sintomas da gripe aviária em galinhas são:

  • Tosse, espirros, muco nasal
  • Queda de postura, na produção de ovos e/ou alterações nas cascas dos ovos; Hemorragias, nas pernas e as vezes nos músculos
  • Edema (inchaço) nas juntas das pernas; inchaço da crista e barbela, com cor roxa-azulada ou vermelho escuro
  • Falta de coordenação motora (sintomas nervosos)
  • Diarreia e desidratação

Lesões (necropsia das aves):

  • Muco excessivo ou hemorragia da traqueia
  • Edema subcutâneo na região da cabeça e pescoço, inchaço da cabeça, olhos, crista, barbela e juntas das pernas
  • Coloração roxa das penas, cristas e barbelas
  • Hemorragias musculares
  • Petéquias (pontos hemorrágicos) no peito, gordura abdominal e interior da carcaça
  • Severa congestão dos rins, às vezes com depósitos de uratos
  • Hemorragias e degeneração dos ovários
  • Hemorragias na mucosa do pró-ventrículo principalmente na junção com a moela
  • Focos de hemorragias na mucosa do intestino

As lesões em perus são similares a lesões em galinhas, mas podem não ser tão severas. Patos infectados com vírus de influenza altamente patogênico e que excretam o vírus podem não apresentar lesões nem sintomas.

Ao primeiro sinal da doença, procure o médico veterinário para fazer a análise clínica das aves. Comunique a suspeita ao Serviço Veterinário Oficial da região, que fará o trabalho de investigação e, se a suspeita for confirmada, desencadeará todas as medidas cabíveis.

Não vacine as aves, pois no Brasil não há ocorrência da doença e não há vacinas licenciadas no país.

Não misturar aves de espécies diferentes no mesmo aviário, principalmente galinhas e frangos com aves aquáticas tais como patos, marrecos, gansos ou aves silvestres. Na avicultura comercial, utilize apenas aves de linhagens comerciais, mesmo se forem aves caipiras ou de criações de subsistência. Cercar os galpões com tela é uma medida fundamental para impedir a entrada e contato direto com aves de vida silvestre.

Evitar contato de galinhas com outras aves, especialmente outras espécies de aves domésticas, aves silvestres ou aves migratórias. Se houver uma propriedade avícola com suspeita de influenza, não visite a propriedade.

Adquirir aves somente de plantéis certificados ou registrados junto ao MAPA e não comprar aves ilegalmente e nem transportar aves sem autorização oficial de trânsito animal.

Por conterem um genoma de RNA, os vírus de influenza estão sujeitos a mutações frequentes, uma vez que não possuem a capacidade de corrigir o processo de cópia do RNA durante a replicação do genoma viral para formação de nova partícula vírica. Estas mutações frequentes causam alta variabilidade dos vírus de influenza e, em consequência, os problemas com a incompleta proteção conferida pelas vacinas e pela variabilidade na patogenicidade dos diferentes vírus.

Os vírus de influenza A muito frequentemente podem intercambiar genes, principalmente em aves, gerando novos vírus e este processo de combinações de genes tem um impacto importante na biologia e evolução dos vírus na natureza e na complexidade quanto ao custo e efetividade de programas de vacinação. Devido à dinâmica evolução dos vírus de influenza é necessária a contínua revisão de cepas vacinais a serem utilizadas para vacinação.

Várias vacinas para humanos, suínos e aves estão continuamente em desenvolvimento mundialmente para que forneçam adequada proteção contra novos vírus. Entretanto, a vacinação de aves contra influenza aviária não é permitida no Brasil, uma vez que o país tem se mantido livre da doença.

O México e Itália, por exemplo, utilizaram vacinas para conter surtos da doença em plantéis de galinhas comerciais causados por vírus H5 e H7 altamente patogênicos. Vacinas para o vírus H5N1 têm sido utilizadas na Ásia na tentativa de controle do vírus. Contudo, a vacinação não foi capaz de conter totalmente o vírus H5N1 e focos da doença continuam sendo relatados mesmo em países que adotaram a vacinação, tais como a China. A vacinação das aves foi adotada principalmente para o vírus H5N1 asiático em países onde o vírus tem se mantido endêmico como estratégia de também minimizar os riscos do vírus como zoonose fatal a humanos.

Sim, é reconhecido esse risco, mas não é possível ter certeza pois há inúmeros fatores envolvidos e que são difíceis de dimensionar com precisão apenas com base nos dados existentes na América do Sul.

É essencial considerar que os riscos são grandes especialmente com comércio ilegal de aves. Há riscos ainda desconhecidos sobre as aves migratórias nas rotas de migração Norte-Sul e a propagação do vírus de influenza aviária do hemisfério Norte para o Sul. Países da Europa, Ásia e América do Norte mantêm programas extensos de monitoria de vírus em aves silvestres, mas estes programas têm um alto custo e não foram feitos intensivamente no hemisfério Sul.

Uma vez que os surtos na América do Norte e Latina tomaram uma extensão sem precedentes desde o final de 2014, torna-se mais evidente ainda a importância e urgência de monitoramento mais extenso de influenza aviária em aves silvestres aquáticas nas rotas migratórias que cursam o Brasil e em produções domésticas que não adotam procedimentos de biossegurança. A execução das monitorias de aves silvestres em estabelecimentos avícolas comerciais é de determinação e controle exclusivo do Programa Nacional de Sanidade Avícola do MAPA, sendo o diagnóstico realizado no laboratório oficial do MAPA para diagnóstico de influenza aviária.

A estratégia está definida por Portaria Ministerial sobre Diagnóstico e Controle de Influenza Aviária e Doença de Newcastle, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, prevendo todas as ações que devem ser tomadas pelos órgãos oficiais para conter focos da doença. A portaria define perímetros de contenção de focos, testes de diagnóstico a serem realizados, procedimentos de descarte de aves, de comercialização, abate etc.

O MAPA, além de ter estabelecido um Plano de Contingência, mantém programas de treinamento de técnicos da defesa sanitária animal sobre o diagnóstico da doença, procedimentos de controle e treinamentos de simulação de surtos. Os Serviços de Defesa Sanitária Animal, no âmbito federal e estadual, são responsáveis pela vigilância de fronteiras, portos, aeroportos e pelo recebimento de notificações de suspeitas. Apenas os Serviços Oficiais podem atuar na identificação e controle oficial de suspeitas de influenza.

Saber que o risco sempre existe e que se deve monitorar plantéis de aves comerciais e silvestres para identificar de imediato e eliminar qualquer foco da doença que possa ocorrer.

O vírus é facilmente inativado, mas pode resistir bem no ambiente por certo tempo, especialmente nas épocas de inverno de regiões mais frias do hemisfério norte, e em carcaças de frango congeladas. Por tanto, o comércio de aves e produtos avícolas deve ser muito bem controlado.

É essencial a adoção de medidas rigorosas de biossegurança das granjas e a adoção de boas práticas de produção, que reduzem os riscos de contato e entrada de aves ou materiais infectados nos variados sistemas de produção de aves.

Ficar em alerta e monitorar os relatos de disseminação do vírus em outros países é essencial para se prever os riscos da chegada do vírus.

Os casos de surtos em outros países demonstram que a prevenção depende em grande parte de monitoramento constante das aves: o MAPA e órgãos estaduais de Defesa Sanitária Animal executam as várias ações de defesa sanitária para controle de entrada de influenza, entre as quais:

  • Monitoria periódica de aves comerciais e migratórias
  • Quarentena de todas as aves importadas em instalações portuárias e de aeroportos com biossegurança adequada para contenção do vírus
  • Controle de trânsito de aves vivas no país: exigência de certificação de diagnóstico negativo de influenza aviária e doença de Newcastle
  • Controle de comércio de aves vivas
  • Treinamento de médicos veterinários no diagnóstico de suspeitas de casos, coleta e envio de material suspeito para o laboratório, metodologias de contenção de surtos, treinamentos simulados de ação sobre focos da doença

Nesse caso, lavar bem as mãos e corpo após contato com as aves. Somente o Serviço Veterinário Oficial pode confirmar se a suspeita é fundamentada. Também deve contatar os serviços de saúde oficiais (agricultura e saúde) do município para orientações.

O Plano de Contingência para Influenza estabelecido pelo MAPA prevê as ações exercidas por veterinários do serviço oficial do estado, município ou federal. A eles compete supervisionar:

  • Uso de máscaras de proteção para evitar respirar o vírus excretado pelas aves nas secreções nasais, oculares, fezes, assim como a poeira do ambiente contaminado
  • Eliminar rapidamente as aves infectadas - enterrar as aves e cama e desinfetar completamente os aviários. As aves infectadas devem ser eliminadas na propriedade e, por tanto, não podem ser levadas ao abatedouro
  • O transporte de aves com influenza não é permitido na legislação de controle de focos da doença e o controle de suspeitas da doença deve ser supervisionado pelos Serviços Oficiais de Defesa Sanitária Animal
  • Evitar contato entre lotes doentes e os não infectados

A influenza aviária é considerada exótica na avicultura doméstica no Brasil e não há ainda recomendação de vacinação, sendo o controle baseado na eliminação dos lotes de aves doentes e em áreas de risco e erradicação da doença.

Não há registros de infecção de pessoas por vírus aviários no Brasil. No entanto, a situação mundial do vírus da gripe aviária A(H5) difere da realidade brasileira. Desde a última avaliação de risco em 30 de agosto de 2022, um caso humano de infecção pelo vírus influenza A (H5N6) foi relatado na China.

Mesmo com essa notificação, a avaliação geral do risco permanece inalterada, ou seja, o risco de contaminação humana é muito baixo, pois a influenza aviária não foi diagnosticada em aves domésticas no Brasil. Além disso, não há evidências que sugiram que o A(H5), A(H7N9) ou outros vírus da gripe aviária possam ser transmitidos a humanos através da carne ou ovos devidamente preparados. A maioria dos casos humanos foram infecções esporádicas expostas ao vírus A(H5) através do contato com aves infectadas ou ambientes contaminados, incluindo mercados de aves vivas. Alguns casos humanos de influenza A(H5N1) foram associados ao consumo de pratos feitos com sangue de aves cru e contaminados. O controle da circulação dos vírus da gripe aviária em aves é essencial para reduzir o risco de infecção humana. Portanto, os riscos de contaminação humana são maiores em regiões do mundo onde o vírus não é controlado e onde já tenham ocorrido registros de vírus aviários capazes de infectar diretamente humanos. A Ásia, norte da África e Oriente Médio são as regiões no mundo onde ocorreram mais casos humanos devido ao contato direto de pessoas com aves infectadas com alguns dos poucos subtipos de vírus capazes de infectar humanos.

A contaminação humana ocorre por contato direto com secreções de aves infectadas - especialmente feiras de aves vivas, fezes de aves, sangue, aves mortas.

Não. Alguns subtipos de vírus aviários adquiriram a capacidade de infectar humanos, mas nem todos os casos já confirmados de infecção humana causaram doença grave.

Os subtipos de vírus de influenza aviária já diagnosticados em humanos são:

  • H3N8: O primeiro caso de infecção humana pelo vírus da gripe aviária A(H3N8) foi notificado em abril de 2022 à OMS. Até o momento (novembro/20222), um total de 2 casos confirmados laboratorialmente de infecção humana pelo vírus influenza A(H3N8) sem morte foram relatados à OMS na região do Pacífico Ocidental. Outras investigações epidemiológicas e virológicas deste evento estão em andamento. As informações epidemiológicas e virológicas disponíveis atualmente são limitadas, mas sugerem que este vírus da gripe aviária A(H3N8) não adquiriu a capacidade de transmissão sustentada entre humanos, portanto, o risco em nível nacional, regional e internacional de propagação da doença entre humanos é avaliado como baixo. O subtipo viral da gripe aviária A(H3N8) é comumente detectado globalmente em animais e representa um dos subtipos mais encontrados em aves selvagens, causando mínimo ou nenhum sinal de doença em aves domésticas ou aves selvagens.
     
  • H5N1: Os primeiros casos de doença grave e mortalidade de pessoas infectadas por um vírus de influenza aviária foram relatados em Hong Kong em 1997 e foram causados por um vírus asiático do subtipo H5N1. Alguns anos depois, a partir do final de 2003 e 2004, novos casos de doença grave, com mortalidade de mais de 60% das pessoas infectadas pelo vírus H5N1 se disseminaram em diferentes regiões do sudeste da Ásia. A doença em humanos tem sido resultado de contato direto com aves infectadas com o vírus asiático H5N1 altamente patogênico e até hoje não houve confirmação ou evidências epidemiológicas e virológicas que o vírus influenza A(H5) adquiriram a capacidade de transmissão sustentada entre humanos, portanto, a probabilidade é baixa de transmissão direta entre pessoas. Alguns casos esporádicos foram relatados e podem ter sido resultado de contato direto com pessoas doentes em fase aguda com excreção de altos títulos de vírus. Mas a transmissão entre pessoas não foi resultado da adaptação do vírus e o H5N1 ainda não adquiriu capacidade de replicação no trato respiratório superior para transmissão por tosses, espirros e secreções, a exemplo da forma que ocorre normalmente na transmissão dos vírus de influenza humana e que ocorrem sazonalmente em humanos.
     
  • H7N7 e H7N3: causaram doença com sintomas brandos, tais como conjuntivite.
     
  • H7N4: até novembro/2022, apenas um caso confirmado laboratorialmente de infecção humana pelo vírus influenza A(H7N4) foi relatado à OMS. Este caso foi relatado na China em 14 de fevereiro de 2018.
     
  • H9N2: Um vírus H9N2 de baixa patogenicidade em aves causou doença leve em Hong Kong, inicialmente em 1999, depois em 2003, e novos casos foram relatados pela OMS em Bangladesh em 2011 e Hong Kong em 2015. Um total de 78 casos de infecção humana com influenza aviária A(H9N2), incluindo duas mortes (ambas com condições subjacentes), foram relatados à OMS na região do Pacífico Ocidental desde dezembro de 2015. Destes, 76 foram relatados na China e dois foram relatados do Camboja.
     
  • H5N6: A primeira detecção de um vírus H5N6 fatal em humanos ocorreu na China em abril 2014. A infecção humana foi relatada novamente em dezembro 2014 e fevereiro de 2015. Até o momento (novembro/2022), foram notificados um total de 82 casos confirmados laboratorialmente de infecção humana pelo vírus influenza A(H5N6), incluindo 33 mortes, foram relatados à OMS na região do Pacífico Ocidental desde 2014.
     
  • H10N8: Em aves domésticas e silvestres. Em humanos ocorreram três casos de doença grave, com duas mortes na China (2013-2014). Este vírus aviário se originou pela combinação com genes internos de vírus H9N2. Análise feita por pesquisadores quanto à evolução de vírus H10 no Sul da China identificou ter havido vírus precursor do subtipo H10N8 que ocorria em patos e eventualmente se adaptou a galinhas, rearranjando com genes de um vírus H9N2 que também circulava em galinhas.
     
  • H10N3: Dois casos foram relatados em humanos, todos na China e o último aconteceu em junho de 2022. A extensão da circulação e epidemiologia desse subtipo viral em aves não é clara. Vírus H10N3 com diferentes características genéticas foram detectados anteriormente em aves migratórias e em outras aves selvagens desde a década de 1970. Onde quer que o vírus H10N3 circule nas populações de aves, podem ser esperados casos esporádicos de infecção em humanos.
     
  • H7N9: Até o momento, um total de 1.568 infecções humanas confirmadas em laboratório pelo vírus da gripe aviária A(H7N9), incluindo 616 casos fatais (CFR: 39%), foram relatados à OMS desde o início de 2013. O último caso de infecção humana com a gripe aviária A(H7N9) relatado à OMS na região do Pacífico Ocidental foi em 2019.
    Das 1.568 infecções humanas com influenza aviária A(H7N9), 33 relataram mutações no gene da hemaglutinina indicando uma mudança para alta patogenicidade em aves. Esses 33 casos eram de Taiwan, China (um caso tinha histórico de viagem para Guangdong), Guangxi, Guangdong, Hunan, Shaanxi, Hebei, Henan, Fujian, Yunnan e Mongólia Interior. Nenhum aumento da transmissibilidade ou virulência do vírus em casos humanos foram detectados relacionados ao vírus HPAI A (H7N9). A OMS continua a avaliar a situação epidemiológica e realizará outras avaliações de risco conforme novas informações se tornam disponíveis. O número e a distribuição geográfica de infecções humanas com vírus da gripe aviária A(H7N9) na quinta onda epidêmica (1 de outubro de 2016 a 30 de setembro de 2017) foram maiores do que as ondas anteriores e as ondas subsequentes.
    Outros casos humanos esporádicos de infecção pelo vírus da gripe aviária A(H7N9) são esperados em áreas afetadas e possivelmente vizinhas. Caso humanos de áreas afetadas viagem internacionalmente, sua infecção pode ser detectada em outro país durante ou após a chegada. No entanto, se isso ocorrer, a disseminação no nível da comunidade é considerada improvável, pois o vírus não tem a capacidade de se transmitir facilmente entre humanos. Até o momento, não há evidências de transmissão sustentada de humano para humano do vírus da gripe aviária A (H7N9). Infecções humanas com o vírus A(H7N9) são incomuns e precisam ser monitoradas de perto para identificar mudanças no vírus e no comportamento de transmissão para humanos, pois isso pode ter sérios impactos na saúde pública.

 A denominação usada para os vírus de influenza apenas identifica o subtipo de vírus, mas não indica que seja um vírus capaz de infectar humanos. Vírus de um mesmo subtipo podem ser bastante diferentes entre si e podem ser geneticamente distintos dependendo da região em que ocorrem, espécies hospedeiras e período do ano. Embora pequenos grupos de infecções por vírus A(H5) tenham sido relatados anteriormente, incluindo aqueles envolvendo profissionais de saúde, as evidências epidemiológicas e virológicas atuais sugerem que os vírus influenza A(H5) não adquiriram a capacidade de transmissão sustentada entre humanos, portanto, a probabilidade é baixa.

Caso os indivíduos infectados das áreas afetadas viagem internacionalmente, sua infecção pode ser detectada em outro país durante a viagem ou após a chegada. Se isso ocorrer, a disseminação adicional no nível da comunidade é considerada improvável, pois as evidências sugerem que esses vírus não adquiriram a capacidade de se transmitir facilmente entre humanos.

O vírus H7N9, que até 2015 causou infecções humanas na Ásia, tem causado grande preocupação aos órgãos internacionais de saúde, pois há indicações de que este vírus seja facilmente transmitido de aves a humanos. Outra preocupação e alerta são as evidências de que os vírus asiáticos H5N1, H9N2 e H7N9 circulando na Ásia vêm se combinando a outros vírus que circulam na região e podem eventualmente ser transmitidos a outras regiões do mundo.

Essa situação de contínuo surgimento de novos vírus e a contínua evolução do H5N1 asiático chama a atenção para a extrema importância de monitoramento constantemente de vírus de influenza circulando em populações de aves domésticas e silvestres, e análises de riscos de novos vírus com potencial de zoonose (infecção humana por agente infeccioso de origem animal).

De acordo com relatórios da OMS, os vírus de influenza aviária A(H5N1) e A(H7N9) permanecem como os dois vírus de influenza com potencial pandêmico, uma vez que continuam a circular amplamente em populações de aves domésticas e para os quais os humanos não terão imunidade protetora. [https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/influenza-(avian-and-other-zoonotic, acesso 10/11/2022).

A OMS já vem trabalhando na definição de quais vírus H7N9 poderão compor uma vacina humana em caso de uma pandemia.

É essencial, portanto, o controle de todo e qualquer surto de influenza aviária em aves domésticas, mesmo quando causados por vírus de baixa patogenicidade em galinhas, uma vez que já foi demonstrado que vírus dos subtipos H5 ou H7 de baixa patogenicidade para aves podem se adaptar e mutar rapidamente em poucos meses e adquirir alta patogenicidade se for permitida a sua circulação na população de aves. Os vírus circulando em aves e que adquirirem maior patogenicidade para aves domésticas, além dos enormes prejuízos para a avicultura, aumentam os riscos de surgimento e evolução de novos vírus com potencial de infectar humanos. Reconhecer e rapidamente eliminar focos da doença em aves é a melhor estratégia de controle de influenza aviária na avicultura. O controle da disseminação da doença em aves também reduz os riscos de contaminação de humanos por meio do contato com aves infectadas.

Orientações de prevenção

Links e telefones úteis

Links

 

Telefones

  • 0800 704-1995
    Equipe especializada do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para assuntos de influenza aviária. Ligação gratuita.
     
  • 0800 644-6645
    Contato com o Ministério da Saúde para informes de notificações ou dúvidas referentes à saúde humana. Ligação gratuita.
     
  • 0800 643-9300
    Contato com a Cidasc para suspeitas de doenças de notificação obrigatória. Ligação gratuita.

Literatura recomendada

  • Alexander D.J. An overview of the epidemiology of avian influenza. Vaccine. Jul 26;25(30):5637-44. 2007
  • Bi, Yuhai, et al. "Dominant subtype switch in avian influenza viruses during 2016–2019 in China." Nature communications 11.1. 1-12, 2020
  • Capua I, Marangon S. The avian influenza epidemic in Italy, 1999-2000: a review. Avian Pathology 29: 289-294. 2000.
  • Centers for Disease Control and Prevention. Avian influenza A virus infections in humans. Atlanta, GA: Centers for Disease Control and Prevention, 2017.
  • Convention on the Conservation of Migratory Species of Wild Animals Northern Winter 2021- 2022 statement in response to die-offs of wild birds in UNESCO and Ramsar Sites: https://www.cms.int/sites/default/files/uploads/avian_influenza_0.pdf
  • DENNIS NORMILE. Bird flu virus's promiscuity raises red flags. SCIENCE 13 Mar 2015 Vol 347, Issue 6227 p. 1188 DOI: 10.1126/science.347.6227.1188
  • Dugan V.G., Chen R., Spiro D.J., Sengamalay N., Zaborsky J., et al. The evolutionary genetics and emergence of Avian Influenza viruses in wild birds. PLoS Pathog 4(5): e1000076. doi:10.1371/journal.ppat.1000076. 2008.
  • Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) Global Avian Influenza Viruses with Zoonotic Potential situation update, (acesso 10/11/2022): https://www.fao.org/animal-health/situation-updates/global-aiv-with-zoonotic-potential/en
  • Francis ME, King ML, Kelvin AA. Back to the Future for Influenza Preimmunity-Looking Back at Influenza Virus History to Infer the Outcome of Future Infections. Viruses. Jan 30;11(2):122, 2019
  • Fourment M., Holmes E.C. Avian influenza virus exhibits distinct evolutionary dynamics in wild birds and poultry. BMC Evolutionary Biology 15:120. doi:10.1186/s12862-015-0410-5. 2015.
  • Hulse-Post D. J., Sturm-Ramirez K. M., Humberd J. Seiler P., Govorkova E. A., Krauss S., C. Scholtissek C., Puthavathana P., Buranathai C., Nguyen T. D., Long H. T.,. Naipospos T.S.P., Chen H., Ellis T. M., Guan ., Peiris J.S.M., Webster R.G. Role of domestic ducks in the propagation and biological evolution of highly pathogenic H5N1 influenza viruses in Asia_ PNAS 102 (30):10682-10687. 2005.
  • Ito T., Kawaoka Y. Host range barrier of influenza A virus. Veterinary Microbiology 74: 71-75. 2000.
  • Ito T., Goto H., Yamamoto E., Tanaka H., Takeushi M., Kuwayama M., Kawaoka Y., Otsuki K. Generation of a highly pathogenic avian influenza A virus from an avirulent field isolate by passaging in chickens. Journal of Virology 75(9): 4439-4442. 2001.
  • Joint WOAH-FAO Scientific Network on Animal Influenza (OFFLU) situation updates and statements on avian influenza: https://www.offlu.org/
  • Krauss S., Obert C.A., Franks J., Walker D., Jones K., et al. Influenza in migratory birds and evidence of limited intercontinental virus exchange. PLoS Pathog 3(11):e167. doi:10.1371/journal.ppat.0030167. 2007.
  • Li KS, Guan Y, Wang J, et al. Genesis of a highly pathogenic and potentially pandemic H5N1 influenza virus in eastern Asia. Nature. 430: 209–213, 2004.
  • Lu L, Lycett S.J., Brown A.J.L. Reassortment patterns of avian influenza virus internal segments among different subtypes. BMC Evolutionary Biology, 14:16 doi:10.1186/1471-2148-14-16. 2014
  • Ma C., Lam T.T., Chai Y., Wang J., Fan X., Hong W., Zhang Y., Li L., Liu Y., Smith D.K., Webby R.J., Joseph S.M. , Peiris J.S.M., Zhu H., Yi Guan Y. Emergence and evolution of H10 subtype influenza viruses in poultry in China. Journal of Virology 89(7):3534-41.doi:10.1128/JVI.03167-14. 2015
  • Meng Z, Han R, Hu Y, Yuan Z, Jiang S, Zhang X, Xu J. Possible pandemic threat from new reassortment of influenza A(H7N9) virus in China. Euro Surveillance,;19(6):20699. 2014. http://www.eurosurveillance.org/ViewArticle.aspx?ArticleId=20699
  • Mostafa A, Abdelwhab EM, Mettenleiter TC, Pleschka S. Zoonotic Potential of Influenza A Viruses: A Comprehensive Overview. Viruses. Sep 13;10(9):497, 2018
  • Munster V.J., Baas C., Lexmond P., Waldenstrom J., Wallensten A., et al. Spatial, temporal, and species variation in prevalence of influenza A viruses in wild migratory birds. PLoS Pathogens 3(5): e61. doi:10.1371/journal.ppat.0030061.2007.
  • Olsen B., Munster V.J., Wallensten A., Waldenstrom J., Osterhaus A.D.M.E., Fouchier R.A.M. Global patterns of Influenza A virus in wild birds. Science 312:384. DOI: 10.1126/science.1122438. 2006.
  • Olson S.H., Parmley J., Soos C., Gilbert M., Latorre-Margalef N., et al. Sampling strategies and biodiversity of Influenza A subtypes in wild birds. PLoS ONE 9(3): e90826. doi:10.1371/journal.pone.0090826. 2014.
  • Peacock, T (homas) P., et al. "A global perspective on H9N2 avian influenza virus." Viruses 11.7. 620, 2019
  • Perkins L.E., Swayne D.E. Comparative susceptibility of selected avian and mammalian species to a Hong Kong-origin H5N1 high-pathogenicity avian influenza virus. Avian Diseases 47(3): 956-967. 2003.
  • Perez D.R., Lim W., Seiler J.P., Yi G., Peiris M., Shortridge K.F., Webster R.G. Role of quail in the interspecies transmission of H9 influenza A viruses: Molecular changes on HA that correspond to adaptation from ducks to chickens. Journal of Virology 77(5): 3148-3156. 2003.
  • Schrauwen E.J.A., Fouchier R.A.M. Host adaptation and transmission of influenza A viruses in mammals. Emerging Microbes and Infections 3, e9; doi:10.1038/emi.2014.9. 2014.
  • Senne D.A. Avian influenza in North and South America, the Caribbean, and Australia, 2006-2008. Avian Diseases (1 Suppl):179-86. 2010
  • Spackman E, McCracken KG, Winker K, Swayne DE. H7N3 Avian Influenza virus found in a South American wild duck is related to the Chilean 2002 poultry outbreak, contains genes from equine and North American wild bird lineages, and is adapted to domestic turkeys. Journal of Virology, 80(15):7760-7764.. doi:10.1128/JVI.00445-06. 2006.
  • Subbarao E.K., London W., Murphy B.R. A single amino acid in the PB2 gene of influenza A virus is a determinant of host range. Journal of Virology, 67:1761-1764. 1993.
  • Tharakaraman K., Jayaraman A., Raman R., Viswanathan K., Stebbins N.W., Johnson D., Shriver Z., Sasisekharan V., Sasisekharan R. Glycan receptor binding of the Influenza A virus H7N9 hemagglutinin. Cell 153(7), 1486-1493. 2013.
  • Tong S., Zhu X., Li Y., et al. New world bats harbor diverse Influenza A viruses. PLoS Pathogens 9(10):e1003657. doi:10.1371/journal.ppat.1003657. 2013.
  • Verhagen, Josanne H., Ron AM Fouchier, and Nicola Lewis. "Highly pathogenic avian influenza viruses at the wild–domestic bird interface in europe: Future directions for research and surveillance." Viruses 13.2. 212, 2021
  • Webster, R.G., Bean W.J., Gorman O.T., Chambers T.M., and Kawaoka Y. Evolution and ecology of influenza A viruses. Microbiol. Rev. 56:152-179. 1992.
  • Zhang H, Hale BG, Xu K, et al. Viral and host factors required for avian H5N1 influenza A virus replication in mammalian cells. Viruses. 5: 1431–1446, 2013.
  • Zhang, Yaping, et al. "Pandemic threat posed by H3N2 avian influenza virus." Science China Life Sciences 64.11. 1984-1987, 2021
  • Zhou, N.N., Senne D.A., Landgraf J.S., Swenson S.L., Erickson G., Rossow K., Liu L., Yoon K.J., Krauss S., Webster R.G. Genetic reassortment of avian, swine, and human influenza A viruses in American pigs. Journal of Virology, 73:8851-8856. 1999.
  • WHO (acesso 09/11/2022). http://www.who.int/mediacentre/factsheets/avian_influenza/en/
  • WHO (acesso 09/11/2022). https://www.who.int/emergencies/disease-outbreak-news/item/2022-E000111 e https://www.who.int/docs/default-source/wpro---documents/emergency/surveillance/avian-influenza/ai_20221104.pdf?sfvrsn=5f006f99_106
  • World Organisation for Animal Health (WOAH) updates on avian influenza in animals (types H5 and H7) (acesso 09/11/2022): https://www.woah.org/en/disease/avian-influenza/#ui-id-6 https://www.woah.org/app/uploads/2021/03/low-pathogenic-avian-influenza-viruses-allsubtypesinfection-with.pdf https://www.woah.org/app/uploads/2022/07/hpai-situation-report-20220707.pdf

Embrapa Suínos e Aves

Rodovia BR-153, Km 110, Distrito de Tamanduá Caixa Postal: 321 CEP: 89715-899 - Concórdia - SC
Fone: (49) 3441-0400 - Fax: (49) 3441-0497 | SAC