segunda-feira, 21 de maio de 2018

FEBRE AFTOSA

Brasil já está trabalhando para ampliar sua área livre de febre aftosa sem a necessidade de vacinação, situação hoje restrita ao estado de Santa Catarina. Foi o que afirmou, neste domingo (20/5), o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, na 86ª sessão geral da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), em Paris, capital da França.
O evento marca a concessão do status sanitário de livre da doença, ainda com vacinação, para os Estados do Amazonas, Amapá, Roraima e parte do Pará. Com isso, a certificação de zona livre com imunização passa a ser estendida a todo o território nacional.
Em seu pronunciamento, Maggi destacou apenas a questão da aftosa, sem mencionar diretamente os embargos que a carne brasileira sofre atualmente. O ministro comentou que o país lançou em 2017 um plano com metas para os dez anos seguintes. O objetivo é manter as condições que sustentem a certificação atual ao mesmo tempo em que se amplia a zona livre sem a necessidade de vacinar o rebanho.
"Temos plena consciência da necessidade de fortalecer ainda mais nossas capacidades de prevenção, vigilância e de resposta a possíveis emergências que possam ocorrer. Serão necessários muito mais investimentos no serviço veterinário brasileiro. Seguiremos pelo caminho da ciência, da transparência e confiança nas valiosas orientações, diretrizes e normas da OIE", disse o ministro, que afirmou contar também com a parceria com o setor privado.

Maggi disse ainda que a conquista do status de livre de aftosa com vacinação em todo o território brasileiro é o encerramento de um ciclo. Representa o reconhecimento do sucesso de uma "longa e dura trajetória". Para ele, a melhora do status sanitário do rebanho foi fundamental para o Brasil deixar a condição de importador e passar a ser um dos maiores exportadores mundiais de carne.
O ministro lembrou que o combate à febre aftosa forma organizada no território brasileiro começou na década de 1960, período em que, segundo ele, o país vivia um "caos sanitário". E que, na década de 1990, as estratégias foram modificadas, com a criação do Plano Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA).
"Esse processo envolveu ainda aplicação de muitos recursos, investimentos na capacidade dos serviços veterinários oficiais, na vigilância e em campanhas de vacinação. É o cumprimento de uma etapa importante e um marco histórico do processo de erradicação da doença na América do Sul, e de valorização do patrimônio pecuário nacional e regional", avaliou Maggi.

O ministro da Agricultura ainda destacou a relevância da agropecuária para a economia brasileira. Segundo ele, só na pecuária, o Valor Bruto da Produção (VBP) foi de R$ 175,7 bilhões. No período, as exportações de carne bovina e suína cresceram 8,9%, somando US$ 15,5 bilhões.
"Ainda temos potencial para crescer muito mais no mercado internacional, pois exportamos somente uma parte da produção de bovinos e suínos", disse. "A evolução na condição sanitária do controle e erradicação da febre aftosa é grande responsável pela valorização dos nossos produtos pecuários nos mais diversos mercados", acrescentou.

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