sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Polo de inovação agropecuária liderado pela Embrapa terá investimento de R$ 1,5 milhão da Faperj

Foi assinado nessa quarta-feira (27/11), na Embrapa Solos (RJ), acordo de cooperação técnica para estruturação de uma rede de inovação tecnológica do agronegócio no Rio de Janeiro. A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do RJ (Secti) repassará, por meio de editais da Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), um total de R$ 1,5 milhão para a Embrapa investir no Polo Tecnológico de Inovação Agropecuária (PITec Agro), que entrará em funcionamento em 2020 na sede da Embrapa Solos, no bairro do Jardim Botânico.
Assinaram o acordo de cooperação o secretário de estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do RJ, Leonardo Rodrigues, o presidente da Embrapa, Celso Moretti, o presidente da Faperj, Jerson Lima Silva, e a chefe-geral da Embrapa Solos, Petula Nascimento.
O PITec Agro, que terá a participação efetiva dos três centros de pesquisa da Embrapa no Rio de Janeiro – Embrapa Solos, Embrapa Agrobiologia e Embrapa Agroindústria de Alimentos –,  tem o objetivo contribuir para o aprimoramento do ambiente de inovação tecnológica do setor, criando mais condições para que centros de pesquisa, empresas, startups e universidades interajam e proporcionem resultados mais rápidos e precisos para as demandas do setor produtivo, a partir dos ativos tecnológicos desenvolvidos pela pesquisa agropecuária.
O governo do Rio de Janeiro avalia que a iniciativa tem potencial para promover uma revolução digital para o agronegócio fluminense, fomentando a competitividade e potencializando o setor.
“A ideia é que este polo de inovação seja um centro de referência para a pesquisa e a inovação na agropecuária, juntando forças das unidades Embrapa, da Pesagro, das secretarias de Agricultura e de Ciência, Tecnologia e Inovação, para que sejam desenvolvidos aqui pesquisas e produtos que alavanquem a agricultura do estado do Rio de Janeiro”, disse o secretário Leonardo Rodrigues.
Celso Moretti exaltou a iniciativa da criação do polo, enfatizando que o Brasil precisa avançar muito em ações que gerem inovação no setor produtivo. “O Brasil ocupa hoje apenas a 28ª posição no ranking mundial de investimento em pesquisa e desenvolvimento, destinando 1,2% do seu PIB para este fim. Mesmo assim, está em 13º lugar na geração de conhecimento. Por outro lado, o País ocupa a 66ª posição entre os países mais inovadores. Ou seja, o Brasil está gerando conhecimento e isso não está sendo transformado em inovação. É preciso mudar esse quadro, por que sabemos que é a inovação que muda a realidade de uma cidade, de um estado, de uma região, de um país. Portanto, é extremamente importante essa iniciativa da criação do polo de inovação agropecuária, com o envolvimento dos nossos três centros de pesquisa no estado. E esse polo deverá ser uma porta de entrada para todo o sistema Embrapa, para todas as nossas unidades espalhadas pelo Brasil”.
O presidente da Faperj explicou que o apoio para a estruturação do polo tecnológico vem ao encontro de diversas ações que a fundação vem liderando por meio de editais na busca por promover a inovação. Uma delas é o programa Doutor Empreendedor, cujo principal objetivo é fomentar a aplicação de resultados de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação conduzidos por doutores residentes no estado do Rio de Janeiro em empreendimentos baseados em conhecimento científico e tecnológico.
“Mesmo com as atuais restrições orçamentárias, nossas universidades e institutos de pesquisa continuarão formando muitos doutores no estado. E o destino de doutores empreendedores serão locais como esse que está sendo criado na Embrapa. O Rio de Janeiro está sendo premiado em sediar essa iniciativa”, concluiu Jerson Lima Silva.

Fortalecimento de parcerias

A chefe da Embrapa Solos ressaltou que o sucesso da iniciativa depende da união de esforços de diversas instituições, públicas e privadas. “Estamos celebrando hoje o início do planejamento estratégico do PITEC Agro. Temos o apoio da presidência da Embrapa, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, da Faperj, da Secretaria de Agricultura e seus órgãos parceiros, como a Pesagro e a Emater-Rio, das universidades públicas e privadas, da Superintendência do Ministério da Agricultura, da Conab, do Incra, da iniciativa privada, todos com representantes aqui nessa solenidade. É a união de todos esses atores que fará a diferença junto ao setor produtivo do agro fluminense.”
“Uma das missões da Faperj é promover a inovação tecnológica. E essa inovação, com base na ciência e tecnologia, só pode ser feita com a articulação de vários setores, com o envolvimento de pesquisadores, empresas e investidores. A proposta da Embrapa de criar um polo de inovação para o setor agro é exatamente isso. Nós temos um potencial muito grande no Rio de Janeiro para crescimento, não só da agricultura, mas de toda cadeia produtiva do setor agro, uma cadeia moderna, que envolve blockchain, Internet das Coisas, robótica e automação. Em muitas dessas áreas a Faperj já financia pesquisas”, salientou o diretor de tecnologia da fundação, Maurício Guedes.

Ministério da Agricultura fomentará criação de polos pelo Brasil

O PITEC Agro da Embrapa faz parte da estratégia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a criação de vários polos tecnológicos de inovação agropecuária, em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
O diretor de Inovação do Mapa, Luís Cláudio França, afirmou que o programa simboliza o comprometimento do Ministério da Agricultura de tornar o Brasil um grande exportador de inovação e tecnologia do setor. “O Brasil possui tecnologias de ponta no campo, mas ainda não exporta essa expertise para outros países. A ideia é identificar, em vários estados, locais com vocação tecnológica e proximidade com instituições universitárias para implantar esses polos.”

  
Embrapa Solos 

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Produtores têm até sábado para vacinar o rebanho contra a febre aftosa

Defesa Agropecuária

Em alguns estados, haverá prorrogação de 15 dias para a conclusão da vacinação


No próximo sábado (30), termina a segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa em 25 unidades da federação. A meta da campanha é imunizar mais de 100 milhões de bovinos e bubalinos.
Por causa de condições climáticas  como o excesso de chuvas e das queimadas que ocorreram em algumas regiões do país, haverá a prorrogação de 15 dias para que os produtores realizem a vacinação nos estados do Espírito Santo, Maranhão e alguns municípios de Mato Grosso do Sul (Aquidauana, Corumbá, Ladário, Miranda e Porto Murtinho).  Em outros estados, o processo corre dentro do previsto. 
“A etapa está transcorrendo dentro das expectativas. Estamos monitorando os dados e devemos, mais uma vez, ter um índice de cobertura vacinal acima de 98%”, diz a auditora fiscal federal agropecuária da Divisão de Febre Aftosa, Alba Said.
Os produtores de Santa Catarina e do Paraná não vacinam seus animais e apenas necessitam atualizar o cadastro de seus rebanhos (nascimentos, mortes e evolução de rebanho) eletronicamente ou pessoalmente junto às unidades veterinárias locais dos seus Estados.
A aplicação da vacina, a nota fiscal de compra e a declaração de vacinação são necessárias para a comercialização de produtos como carne e leite e para a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento que autoriza o produtor a circular com seus animais. A declaração de vacinação e a nota de compra do produto devem ser entregues no Serviço Veterinário Oficial do Estado.
Atualização
O Programa Nacional de Erradicação e Prevenção de Febre Aftosa (PNEFA) está em processo de atualização de suas diretrizes, e irá ficar em consulta pública até 16 de janeiro de 2020, para receber propostas de todos os envolvidos com o programa (produtores, transportadores, empresas, instituições públicas e privadas).


Antenor destaca pioneirismo do Programa Água Doce em evento realizado em Natal



Com o tema “O Papel dos Estados, Municípios e Comunidades na Gestão Compartilhada dos Sistemas de Dessalinização”, foi aberto na tarde desta quarta-feira o VIII Encontro Nacional de Formação do Programa Água Doce, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). O governador em exercício Antenor Roberto participou da abertura do evento, que acontece no hotel Praiamar até a próxima sexta-feira (29), e destacou a importância do projeto que está contribuindo consideravelmente para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros que moram em regiões de semiárido.
“Nossa palavra é de agradecimento. Minha alegria é imensa de estar aqui e poder conhecer representantes das comunidades, técnicos e gestores tão empenhados em levar dignidade às pessoas. O tema da água é um direito garantido pela nossa constituição e o programa possibilita que a água, esse bem tão necessário, chegue de maneira capilarizada às comunidades”, disse. Ele destacou o pioneirismo do sistema de dessalinização que possibilita transformar água salobra em água potável e afirmou que, quando criança, em Currais Novos, muitas vezes pensava se seria possível que a água salinizada fosse transformada em água própria para consumo humano.
Na fase atual do programa Água Doce, a experiência da dessalinização dialoga com a produção no sentido de garantir que agricultores familiares possam utilizar a água doce para o cultivo e também para criação de peixes, como tem ocorrido na cidade de São José do Seridó, onde ocorre a a primeira experiência de gestão compartilhada do sistema. “O que me chamou a atenção nesse programa pioneiro no Brasil é a capacitação das pessoas das comunidades, que estão aprendendo a utilizar o sistema. Por tudo isso é que eu parabenizo a todos vocês envolvidos nessa iniciativa linda, doce e revolucionária”, concluiu.
O diretor do Departamento de Recursos Hídricos e Revitalização das Bacias Hidrográficas, Renato Saraiva, representando o MDR, explicou que há dois anos os agentes do programa vêm trabalhando a integração do projeto com sistemas municipais, como Saúde e Educação, no sentido de garantir que a água potável seja direcionada, prioritariamente, para estudantes e pessoas atendidas em rede de saúde. “Também mantivemos nosso olhar voltado para a convivência do semiárido, e nessa integração, possibilitamos que as crianças aprendessem como funciona o sistema e ao mesmo tempo compreendessem mais sobre a convivência com o semiárido, que é o seu meio ambiente”, afirmou.
Renato informou que são utilizados critérios técnicos para definir os municípios que são contemplados com os sistema de dessalinização, e destacou o compromisso em garantir água de qualidade às comunidades, “A água é um bem público e um direito humano”. Em seguida, para surpresa da plateia, o engenheiro agrônomo João Júnior, de Cruz das Almas (BA), entrou no auditório tocando sanfona e cantando, ao mesmo tempo em que membros das 150 comunidades ali representadas entraram para ilustrar a abrangência do projeto. Ao todo, 300 cidades foram contemplados pelo Água Doce e, no Rio Grande do Norte, foram implantados 103 dessalinizadores, em 49 municípios.
O convênio firmado com o Governo do Rio Grande do Norte está investindo cerca de R$ 24 milhões na implantação de 103 dessalinizadores, beneficiando ao final em torno de 30 mil pessoas das comunidades mais vulneráveis aos impactos da mudança do clima no que diz respeito ao acesso à água. Um novo convênio com o Governo do Estado, por meio da Semarh, está prestes a ser assinado, no valor de R$ 32 milhões, para a instalação de 60 dessalinizadores movidos A energia solar e para a manutenção de todos os sistemas já implantados pelo PAD no RN.
Estavam presentes à abertura do encontro os secretários de estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, João Maria Cavalcanti (RN) e Deusdete Queiroga Filho (PB); de Agricultura Familiar, Júlio César Mendonça (MA); o diretor geral do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural, Francisco Guedes Alcoforado Filho (Emater-PI); e o prefeito de João Câmara, Manoel dos Santos Bernardo (representante dos municípios atendidos pelos programa).
Também foram convidados a compor a mesa de abertura a representante das comunidades atendidas pelos sistemas de dessalinização da comunidade Sítio Ligeiro, Serra Branca-PB), Edith Antônio; a diretora de tecnologias para programas de desenvolvimento sustentável e sociais da Secretaria de Tecnologia Aplicadas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), Maria Claudia Ferrari de Castro; o diretor geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS), José Rosilônio Magalhães de Araújo; o vice presidente da Associação Internacional de Dessalinização-IDA e diretor da Associação Latino Americana de Dessalinização – ALADYR, Alejandro Sturniolo; e a prefeita de São José do Seridó, Miúda Góes.

GESTÃO DE RISCOS

Governo libera 100% do orçamento para o seguro rural em 2019

Subvenção ao prêmio do seguro rural chegará a R$ 440 milhões este ano
Por:
     
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informa nesta quarta-feira (28) que foi liberada a parcela que faltava para execução integral do orçamento previsto, para 2019, do Programa de Subvenção do Seguro Rural (PSR), totalizando R$ 440 milhões.

Em março deste ano, o orçamento foi contingenciado em R$ 70 milhões, o que reduziu a disponibilidade inicial para R$ 370 milhões. No final do mês de outubro, houve o desbloqueio de R$ 50 milhões, e agora foram liberados os R$ 20 milhões restantes.
Com esse orçamento de 2019, será possível atender em torno de 100 mil apólices, 58% a mais que no ano anterior, quando os produtores tiveram acesso à subvenção em 63.241 apólices.
Para o diretor do Departamento de Gestão de Riscos da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, Pedro Loyola, o governo federal tem dado sinais consistentes de que o seguro rural será um dos principais instrumentos da política agrícola nos próximos anos.

“A execução de 100% do orçamento previsto na Lei Orçamentária deve ser comemorada por todo o setor, pois isso não acontecia desde 2013. Isso demonstra o comprometimento com as políticas de gestão de riscos agropecuários”, disse. 
“Para o próximo ano, está previsto o recurso de R$ 1 bilhão para o PSR, que depende ainda de aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2020, em tramitação no Congresso Nacional”, complementa. O valor previsto para 2020 será o maior para subvenção desde a criação do programa, em 2004. 

O que é o seguro rural ?
O produtor rural adquire uma apólice de seguro para a lavoura/atividade com o auxílio financeiro do governo federal. Em caso de quebra da safra por causa de evento climático adverso (seca ou excesso de chuvas, por exemplo) ou variação de preços, as obrigações financeiras do produtor serão pagas pela seguradora.

Com esse mecanismo, o produtor consegue taxas de juros mais baixas, já que o risco de ficar inadimplente cai. O seguro minimiza ainda as chances de um possível socorro financeiro governamental e renegociação de dívidas após a safra.

Um fertilizante natural próprio para uso com orgânicos amplia produção em 20%

fertilizante natural
Trata-se de um fertilizante natural, solúvel, composto por múltiplos nutrientes e registrado na União Europeia como produto autorizado para culturas orgânicas, chamado Polihalita. Com o novo fertilizante, a produção de alfafa, milho e capim braquiarão, monitorada em experimentos da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), teve um incremento médio de 20% após o uso da Polihalita, segundo o pesquisador Alberto Bernardi, da Embrapa.
Ele explica que o fertilizante mais tradicional usado por produtores brasileiros é o cloreto de potássio. O Brasil importa 95% do potássio que utiliza e há uma relação de dependência de grandes fornecedores. Já a Polihalita é composta por uma mistura de sulfato de potássio, cálcio e magnésio. “É como uma rocha moída”, disse Alberto.
O fertilizante é feito na Inglaterra e a dependência externa será mantida. “Mas é uma alternativa e com vantagens”, afirmou. No caso do capim, a aplicação da Polihalita foi observada no sistema ILP (Integração Lavoura-Pecuária). É uma área em que são praticadas, simultaneamente, a criação de gado e o plantio agrícola.

Alberto explica que a Polihalita pode substituir parcialmente o cloreto de potássio. Embora seja um pouco mais cara, a relação custo-benefício compensa. O fertilizante já é vendido no Brasil e tem sido testado em soja, café, hortaliças e fruteiras

Recomendações para evitar os riscos durante o uso na aplicação de defensivos agrícolas


Aplicacao_agrot_Estudos sobre técnicas de aplicação de agrotóxicos demonstram que 50% dos produtos que são aplicados em plantas não atingem adequadamente os alvos intencionados. Um dos cuidados na aplicação de defensivos é a correta calibração dos pulverizadores.
O objetivo da calibração dos pulverizadores é colocar a quantidade correta do agrotóxico no alvo, ou seja, no local onde ocorre o ataque das pragas e doenças. Se houver uma deposição eficiente, o controle será mais efetivo e o número de aplicações poderá ser reduzido.
O pesquisador Aldemir Chaim, da Embrapa Meio Ambiente, Unidade localizada em Jaguariúna, São Paulo, diz que a calibração correta dos pulverizadores permite evitar o desperdício dos fungicidas e inseticidas. Com isso, além do defensivo atingir seu alvo corretamente, terá uma ação mais eficiente.
O produtor, por sua vez, passa a utilizar uma quantidade menor do produto, representando mais economia para o seu bolso e mais eficiência para a aplicação dos agrotóxicos. Outra vantagem do método é a redução dos prejuízos que os produtos químicos causam ao meio ambiente.
Depois da pulverização, de acordo com Aldemir Chaim, é possível verificar se a pulverização está chegando ao seu alvo. A observação da deposição pode ser realizada com uso de cartões amarelos que contêm uma substância específica, um corante que aparece em cor azul quando entra em contato com a água. Esses cartões estão comercialmente disponíveis no mercado.
É assim que, depois da pulverização, o produtor consegue saber que partes da planta estão recebendo o produto, e mesmo se a planta está recebendo mais agrotóxico do que o necessário.

Estratégia de nutrição para fêmeas ovinas traz impactos produtivos

Adilson Nóbrega - Participantes do Dia de Campo acompanham demonstração de aferição de escore corporal em ovinos
Participantes do Dia de Campo acompanham demonstração de aferição de escore corporal em ovinos
Uma estratégia de nutrição adequada para as fêmeas pode trazer impactos na produção de ovinos. As matrizes em gestação ou lactação são consideradas uma das categorias animais mais exigentes em termos de alimentação e o cuidado em termos de manejo nutricional pode influenciar diretamente na condição das crias e na produção de cordeiros.
Nesta quarta-feira passada, resultados de pesquisas sobre estratégia nutricional para fêmeas ovinas na Caatinga foram apresentados a estudantes de universidades e cursos técnicos profissionalizantes em um Dia de Campo na Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral, CE). Foi apresentada uma proposta de planejamento para nutrição em um ciclo que vai de setembro de um ano até setembro do ano posterior.
“Esta estratégia começa com estação de monta no início do período seco, para termos início da gestação ainda no período seco. Você coloca o terço final da gestação no período chuvoso e os cordeiros, que vão ser criados para depois serem desmamados, poderão aproveitar bem o período de chuvas, numa época em que a Caatinga tem mais diversidade de plantas e melhor oferta forrageira”, explicou o médico veterinário Marcos Cláudio Rogério, pesquisador de Nutrição Animal da Embrapa Caprinos e Ovinos.
Em experimentos realizados no campo experimental da Embrapa em Sobral (CE) e em propriedades rurais, as estratégias de acompanhamento nutricional das ovelhas mostraram resultados de impacto para sistemas de produção. Em um testes com diferentes níveis de suplementação (à base de milho, farelo de soja, torta de algodão e componentes minerais) com ovinos da raça Morada Nova, por exemplo, a frequência de partos gemelares (gestações de gêmeos) passou de 12% para 78%, conforme o percentual do suplemento na dieta foi variando.
As estratégias usadas nestes experimentos compõem o que é chamado de programação fetal na nutrição de matrizes: a estratégia que é aplicada com as fêmeas, mas que traz resposta para os cordeiros. “Se o animal, ao parto, tem escore corporal muito baixo, eu vou levar muito mais tempo e ter maior custo alimentar para recuperar”, reforçou a zootecnista Luciana Guedes, pesquisadora visitante da Embrapa Caprinos e Ovinos.
No Dia de Campo, os participantes tiveram informações técnicas sobre manejo nutricional para fêmeas ovinas, manejo reprodutivo e manejo da Caatinga para fins pastoris, além de conhecerem a aplicação da técnica microhistológica. Utilizada pela equipe da Embrapa Caprinos e Ovinos desde 2013, ela pode auxiliar na identificação mais precisa da composição da dieta dos animais em pasto.
Baseada nas análises de fezes de animais e de plantas coletadas na área de pastejo, a microhistologia pode identificar quais são as espécies forrageiras mais consumidas, permitindo, inclusive, uma determinação mais precisa de acordo com a categoria animal (entre elas, as fêmeas gestantes ou lactantes). “90% das espécies da Caatinga podem participar da dieta de caprinos e ovinos, mas é importante definir estratégias de nutrição mais adequadas, com um planejamento nutricional desde a gestação”, afirmou o zootecnista Wanderson Carvalho, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI), que desenvolveu pesquisa de pós-graduação com uso da técnica na Embrapa Caprinos e Ovinos. Ele dividiu com a zootecnista Andreza Andrade, pós-graduanda em Zootecnia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) a apresentação da estação.
Relação com manejos reprodutivo e de pastagens
Além das informações mais específicas sobre nutrição, os participantes do Dia de Campo visitaram estações em que viram resultados de pesquisas sobre manejo reprodutivo e manejo de pastagens e puderam observar relações diretas destas temáticas com o desempenho nutricional.
Os critérios zootécnicos e genéticos para seleção de reprodutores e fêmeas foram apresentados pelo médico veterinário Alexandre Monteiro e pelo zootecnista Kleibe Moraes, respectivamente analista e pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos. Eles reforçaram, porém, que a nutrição adequada também é fundamental para um melhor desempenho em termos de reprodução.
Alexandre demonstrou resultados do acompanhamento a uma propriedade rural cearense, que possuía carência em termos de organização e planejamento. Com as orientações da Embrapa, a taxa de gestação (prenhez positiva) chegou a subir de 28% para 85%, mas voltou a cair posteriormente. “Voltou para o estágio inicial porque eles não tinham reserva alimentar suficiente”, destacou ele.
Na outra estação, o zootecnista Éden Fernandes e o engenheiro agrônomo Roberto Cláudio Pompeu, respectivamente analista e pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, mostraram alternativas de uso sustentável do pasto da Caatinga, aplicáveis a partir dos meses de setembro, para regularizar oferta de forragem e garantir melhor qualidade nutricional.
O Dia de Campo teve participação de estudantes de Zootecnia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), de medicina veterinária do Centro Universitário Uninta e de cursos técnicos profissionalizantes das escolas Guilherme Teles Gouveia, de Granja (CE) e Francisca Neylita Carne
Embrapa Caprinos e Ovinos 

Projeto promove benefícios da adubação verde para a agricultura familiar

Sandra Brito - Colheita do adubo verde, cratília
Colheita do adubo verde, cratília
Leguminosas perenes e diferentes técnicas de compostagem favorecem a fertilidade do solo e potencializam o aumento da oferta de nutrientes para sistemas produtivos de base agroecológica.
Esta técnica é uma boa opção para o agricultor familiar, pois, para ele, o custo do adubo químico pode ser caro. Segundo o pesquisador Walter José Rodrigues Matrangolo, da Embrapa Milho e Sorgo, a adubação verde promove a melhoria das qualidades físico-químicas e biológicas do solo a partir da ciclagem de nutrientes já presentes no solo e no ar atmosférico. Com a deposição da fitomassa das leguminosas o solo fica protegido da radiação solar intensa e perde menos água. A decomposição das folhas também libera os nutrientes necessários para o crescimento das plantas comerciais.
Geralmente as leguminosas mais conhecidas pelos agricultores, para a produção de fitomassa para adubação verde são as mucunas, as crotalárias (Crotalaria juncea e Crotalaria spectabilis), feijão-de-porco e feijão-guandu, entre outras.
“Estas plantas possuem elevado teor de nitrogênio em seu tecido foliar, proveniente da fixação biológica de nitrogênio, além de outros nutrientes essenciais, que, após corte, deposição e decomposição sobre o solo, serão absorvidos pelas culturas comerciais. O milho e o feijão, por exemplo, que têm raízes menos profundas, são beneficiados, porque o sistema radicular profundo das leguminosas resgata nutrientes que estariam inacessíveis para eles”, diz Walter.
“Leguminosas perenes, como a cratília (Cratylia argentea) e a gliricídia (Gliricidia sepium), permitem que a oferta de adubo verde ocorra de três a quatro épocas do ano, contribuindo, assim, para uma oferta constante de proteção de solo e dos nutrientes contidos em suas folhas”, explica o pesquisador, Walter Matrangolo, da Embrapa Milho e Sorgo.
Ele nos conta como escolher a melhor leguminosa e como fazer o consórcio com as culturas comerciais. “Uma das dificuldades do uso da técnica de adubação verde está na disponibilidade de sementes. É importante que o agricultor multiplique essas plantas em áreas destinadas para a produção de suas sementes.
Assim poderá utilizá-las ao longo dos anos. Outro cuidado é formar um banco de sementes comunitários com vizinhos para possibilitar a troca e a garantia de disponibilidade das sementes, no caso de algum deles perder seu estoque.”
“Observamos também que, em geral, o agricultor familiar dispõe de pouca terra e não tem irrigação. Por isso, cultivar os adubos verdes durante o período chuvoso concorre com as plantas comerciais como milho, feijão, mandioca, abóbora ou hortaliças” diz Matrangolo.
“Uma alternativa para diminuir esta concorrência é cultivar a leguminosa perene em faixas laterais, chamado cultivo em alamedas ou aleias, próximas à área de cultivo comercial. Desta forma, o agricultor poderá fazer o corte periodicamente, aguardando as rebrotas para aportar mais folhas para adubação verde ao longo do ano. Após fazer o corte das leguminosas, é feita a deposição de folhas sobre o solo”.
Capacitação de agricultores da Bacia do Ribeirão Jequitibá
Para aprender como produzir o adubo verde e seus benefícios para o solo foi realizado o curso “Compostagem e adubação verde”, em 6 de novembro, na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas-MG. Além deste treinamento, foram realizados outros três módulos entre os meses de setembro e outubro, na Embrapa e na Fazenda Santa Rita, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). As atividades foram coordenadas pelo pesquisador Walter José Rodrigues Matrangolo.
Participaram agricultores familiares da Bacia Hidrográfica do Ribeirão Jequitibá, provenientes das comunidades Estiva, Horta Comunitária Cidade de Deus, Horta Comunitária Montreal/Canadá, Escola Técnica Municipal de Sete Lagoas e de Matosinhos. Também compareceram representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Turismo de Sete Lagoas (Semadetur).
O curso integrou atividades do Projeto Hidroambiental de Difusão de Sistemas Agroecológicos em Propriedades Rurais na Bacia Hidrográfica do Ribeirão Jequitibá. Os municípios da bacia hidrográfica do Ribeirão Jequitibá são Capim Branco, Funilândia, Jequitibá, Prudente de Morais e Sete Lagoas. O projeto busca contribuir para a popularização de práticas e processos agroecológicos de produção.
“O Ribeirão Jequitibá é afluente do Rio das Velhas e é um dos principais contribuintes do Rio São Francisco. O projeto é coordenado pela Embrapa Milho e Sorgo e Epamig, com recursos financeiros oriundos da cobrança pelos recursos hídricos na Bacia do Rio das Velhas”, explica Walter.
As agricultoras Maria dos Passos Nascimento, da Cidade de Deus, e Cília Geralda Coelho da Silva, da Horta Comunitária Montreal/Canadá, participam de visitas técnicas e cursos desde maio de 2019. “A adubação verde melhora a qualidade do solo e a absorção de nitrogênio. Aprendemos também como fazer melhor o controle biológico de pragas. E como trabalhar com os produtos naturais para diminuir a perda de hortaliças e, assim, aumentar o lucro”, diz Cília.

Maria dos Passos conta que produzem cebolinha, alface e outras hortaliças folhosas e leguminosas. “Cada um tem uma forma própria de escoar o produto. Temos um colega que vai para a feira do bairro Boa Vista. Mas a maioria vende de porta em porta”. A entrega semanal de cestas com hortaliças na casa do consumidor tem sido uma prática recente de comercialização.

Embrapa Milho e Sorgo

quarta-feira, 27 de novembro de 2019


Maior Cajueiro do Mundo abriga o menor lagarto das Américas


O lagarto-de-folhiço mede aproximadamente 22 milímetros de comprimento

Foi encontrado, recentemente, no Cajueiro de Pirangi, o menor lagarto das Américas: o lagarto-de-folhiço (Coleodactylus natalensis Freire). Esse minúsculo réptil, que mede aproximadamente de 22 milímetros de comprimento, foi visto por funcionários do Cajueiro que faziam a manutenção rotineira de limpeza e poda da árvore. O animal, que está na lista de espécies ameaçadas de extinção, foi descoberto no Parque das Dunas pela professora Eliza Maria Xavier Freire, em 1999, durante pesquisa acadêmica na Unidade de Conservação.
O fato inédito no Cajueiro de Pirangi foi comunicado à professora Eliza para que pudessem ser feitos estudos sobre a espécie. Esse pequeno lagarto é endêmico de remanescente de Mata Atlântica do RN, e é somente encontrado aqui no estado. O animal vive entre o folhiço, que constitui a serrapilheira do substrato da mata.
Segundo a gestora do Cajueiro de Pirangi, Marígia Madje, apesar das características externas indicarem que se tratava de um lagarto-de-folhiço, não se poderia comprovar antes de uma análise mais criteriosa de um especialista. “Os estudos realmente comprovaram que é o mesmo lagarto descoberto no Parque das Dunas, e nós não poderíamos consultar outro pesquisador, além da professora Eliza, por ser a autora desse grande feito no Estado do Rio Grande do Norte, quando fez a descoberta no Parque das Dunas há 20 anos”, afirmou.
A doutora em Zoologia, na área de Herpetologia e professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) há 30 anos, fala sobre a descoberta do lagarto no Cajueiro de Pirangi. “A espécie não chegou de repente no Maior Cajueiro do Mundo, ela já estava aqui. Originalmente ela estava distribuída ao longo da Mata Atlântica, e essa mata foi sendo fragmentada ao longo do tempo. Os locais que mantiveram o sombreamento da floresta, o folhiço abundante no chão com alimento e uma umidade mais alta, são os lugares preferidos dessa espécie. O Cajueiro fazia parte dessa área florestada original ao longo da Costa Potiguar, se isolou e manteve uma população de Coleodactylus”, explicou a professora Eliza.
Segundo a especialista, o fato do Cajueiro de Pirangi abrigar o menor lagarto das Américas, é sem dúvida, é uma notícia positiva. “Como minha pesquisa há 20 anos foi realizada no Parque das Dunas e nos anos seguintes a espécie só tinha sido vista por lá, era considerada endêmica do Parque, mas atualmente a espécie é endêmica de remanescentes florestais do Estado do Rio Grande do Norte. Isso é atribuído ao isolamento, à fragmentação da floresta, que vai deixando algumas áreas relevantes que possuem as exigências do animal”, disse.
A semelhança da vegetação entre o Parque das Dunas e o Cajueiro de Pirangi é um fator em comum para a existência do lagarto. A vegetação do cajueiro que fez parte da paisagem da Mata Atlântica, a sombra da árvore, o folhiço no chão que possui umidade e o alimento para o animal são as condições favoráveis para a existência da espécie. A preferência do ambiente é o folhiço sombreado de área florestada, composição identificada em todos os locais em que ele foi visto no Rio Grande do Norte.
A primeira coleta do Coleodactylus natalensis no Cajueiro foi realizada por João Leocádio, Otoniel Miranda e Micaela Carbonni, integrantes que atuam no Cajueiro de Pirangi. “O fato de ter sido encontrado pela equipe é algo importante, pois o saber popular os levou a terem essa sensibilização, esse cuidado na observância durante a rotina do trabalho também. Alguns profissionais têm um olhar acadêmico, mas é importante saber que as pessoas comuns, sem esse olhar acadêmico, as vivências, os saberes locais, são fundamentais para a sociedade. É de extrema necessidade inserir a população no processo de conservação ambiental”, afirmou a professora Eliza.
A gestora do local considera que, “mesmo sem saber, eles nos ensinam sobre atenção. Eles poderiam está somente fazendo o trabalho de limpeza e poda da árvore, mas eles se sentem responsáveis e parte de tudo isso. A atual gestão do cajueiro inicia um processo de integrar a comunidade, de fortalecer a relação com a sociedade, de fazer desse ponto turístico, um local de pesquisa e que nossa equipe se sinta pertencente. O foco não é apenas o visitante turista, mas queremos muito mais”, finalizou a gestora do Cajueiro, Marígia Madje.
De acordo com a professora Eliza Freire, a partir de agora o Cajueiro tem um atrativo a mais, porém, fica o alerta da preservação do local. A área de mata não pode ser pisoteada, mas deve manter a visitação e trilhas fora do folhiço, como já acontece atualmente. “É importante divulgarmos um fato como este para ressaltarmos a importância de se preservar o local para que tenhamos mais informações sobre nossa biodiversidade e possamos lutar pela adoção de políticas públicas e ações estratégicas voltadas à conservação”, ressaltou.
O Lagartinho-de-folhiço
Um dos menores lagartos da América do Sul, da família dos Sphaerodactylidae, é uma espécie endêmica remanescente da Mata Atlântica potiguar. Medindo em média 22 milímetros de comprimento, a espécie recebeu o nome científico de Coleodactylus natalensis e foi catalogada em 1999, pela professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Eliza Maria Xavier Freire, quando utilizou o Parque das Dunas como laboratório vivo para seus estudos. O Coleodactylus natalensis já foi encontrado no Parque das Dunas, Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, Parque Estadual Mata da Pipa (PEMP) e Mata do Jiqui.
Cajueiro de Pirangi

Cajueiro de Pirangi fica na praia de Pirangi do Norte, em Parnamirim, cidade da Grande Natal, e cobre uma área de aproximadamente 8.500 metros quadrados, com um perímetro de aproximadamente 500 metros. O Cajueiro é aberto todos os dias da semana, das 7h30 às 17h30. A entrada custa R$8,00. Crianças, de sete a 12 anos, pagam meia entrada, assim como estudantes e professores, portando carteira comprobatória


Cultura de cobertura traz economia de custos

Os agricultores geralmente plantam culturas de cobertura no outono e as matam na primavera
     
Os cientistas do Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS) descobriram uma estratégia de economia de custos para os produtores de algodão no Alabama que usam plantas de cobertura. As culturas de cobertura estão ganhando popularidade porque suprimem as ervas daninhas e ajudam o solo a reter umidade e nutrientes. 

Os agricultores geralmente plantam culturas de cobertura no outono e as matam na primavera achatando-as com um rolo, pulverizando-as com herbicidas, ou ambas. Depois de matar a cultura de cobertura, os cultivadores plantam uma "cultura comercial" (isto é, cultivada apenas para fins lucrativos) no mesmo campo.
Os produtores de algodão do Alabama costumam usar o centeio como uma cobertura, matando-o quando começa a produzir sementes. Então, os agricultores esperam, às vezes até 3 semanas, antes de plantar o algodão. Isso dá tempo ao centeio para morrer, para que ele não concorra com o algodão por umidade e nutrientes do solo. Mas também significa duas etapas de um trator: uma para matar o centeio e outra para plantar o algodão. 

O engenheiro agrônomo da ARS, Ted Kornecki, queria ver se os agricultores poderiam economizar em custos de mão-de-obra e combustível, fazendo apenas uma passagem de um trator equipado com um rolo, uma semeadora e um pulverizador de herbicida. "Pode ser uma estratégia que vale a pena considerar, agora ou no futuro, dados os custos crescentes de combustível e mão-de-obra", diz Kornecki, do Laboratório Nacional de Dinâmica do Solo da ARS, em Auburn, Alabama.
Em seus estudos, Kornecki e seus colegas plantaram uma cobertura de centeio no outono e o mataram na primavera. Em seguida, plantaram algodão com o método de duas passagens ou o novo método de uma passagem. Durante 3 anos, eles compararam o número, vigor e produtividade de sementes de algodão de plantas de algodão. Eles também calcularam os custos de combustível e mão de obra do trator para cada passagem de um trator.  

O que torna o vento forte é a sua constância



O consumo de hortifrutis vem crescendo, como mostram pesquisas do Ministério da Saúde. Mais da metade dos brasileiros (56%) têm índice de massa corporal acima do ideal, pelos padrões da Organização Mundial da Saúde. E cerca de 40% estão dispostos a mudar para uma alimentação saudável, segundo análises da consultoria Nielsen. São três fatos em alguma medida correlacionados e significam um impulso para se buscar dietas melhor balanceadas, abrindo espaço para frutas, legumes e verduras (FLV).

Para melhor conectar os produtores de hortifruti nessa tendência, o setor bem que poderia adotar atitudes mais ousadas de marketing e comunicação com o consumidor. Hoje, 70% do abastecimento alimentar ocorre em supermercados. São 89 mil lojas em todo o Brasil e 27 milhões de pessoas circulando por elas, diariamente. Por que não pensar nesses milhares de pontos como uma frente promocional de parcerias entre campo e supermercadistas?
Por exemplo: por que não transformar os milhares de lojas em uma rede de informação alimentar sobre frutas, legumes e verduras? Por que não educar o consumidor aproveitando seu crescente interesse por esses produtos? Por que não ajudar as pessoas a entender melhor sua contribuição para a nutrição, a saúde e o bem-estar? Por que não ajudar as mães a ensinar as crianças a gostar de legumes e verduras?

Meios para fazer isso há vários: do design de embalagens e rótulos ao marketing pela internet e criação de conteúdos via redes sociais, de olho principalmente nos celulares. Ou então degustação em lojas, quiosques educativos, gôndolas temáticas e até videoaula ensinando novos preparos de FLVs, formando verdadeiros “horti chefs” dentro das famílias. Por que não?  Marketing educativo no mais amplo sentido, e ainda agregando valor aos produtos.
Vamos imaginar um dos exemplos acima: o design de embalagens. Pesquisa recente feita no mercado alimentar, entrevistando mais de 1.200 pessoas em 12 capitais, mostrou que 72% afirmaram ter conhecido produtos orgânicos por meio de informações em embalagem. Ou seja, bandeja, rótulo, selo, caixa, cinta, saquinho, sacola etc. Sim, embalagem funciona como canal informativo, embora precise ser criativa e objetiva para ter eficácia de apelo.

Nesse jogo, é essencial criar uma marca para dar vida à percepção das pessoas sobre o produto, construindo assim uma imagem e um sentimento de confiança no consumidor. Além disso, estudar e negociar com os supermercadistas as possibilidades para explorar a marca na comunicação visual do supermercado ou então em suas mídias promocionais, como jornais de oferta, site e ações de internet. Enfim, discutir a interface da marca dentro do canal.
Aqui no Brasil, já compramos uva da Califórnia (“California Raisin”) e peras do Estado de Washington (“USA Pears”). Aquela maçã miudinha e azeda, no passado descartada para a indústria, tornou-se sucesso nacional ao ganhar embalagem com design, marca e comunicação com personagem de história em quadrinhos. E o abacate virou alimento funcional, com direito ao selo “Amo Abacate”. Exemplos de estratégia e agressividade em marketing para hortifrutis.

Não precisa se assustar com o tamanho do desafio, pois essa ativação de marketing pode ser feita de modo coletivo, por produtores de uma região, produto, associação ou cooperativa. Questão de avaliar oportunidades e modelo de negócio, buscando apoio especializado se necessário. Se o poder-de-fogo do produtor for menor e de alcance mais local, em marketing vale muito um provérbio da sabedoria chinesa: “O que torna o verto forte é a sua constância”. 

Mapa e Sebrae fazem parceria para promover assistência técnica no AgroNordeste

AgroNordeste

Objetivo é capacitar os pequenos agricultores da região

 

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) firmaram nesta terça-feira (26) uma parceria para a participação do Sebrae no Programa AgroNordeste, plano de ação para impulsionar o desenvolvimento econômico e social da região.
Entre as ações do Sebrae no programa AgroNordeste estão a assistência técnica gerencial, a capacitação empresarial para jovens no campo, a transferência de tecnologia para produtores e a participação de produtores em feiras, eventos e rodadas de negócios. O valor que será investido pelo Sebrae e parceiros no programa é de R$ 88,8 milhões.
Segundo a ministra Tereza Cristina, a parceria com o Sebrae vai ajudar a capacitar os pequenos produtores, reduzindo as diferenças entre a pequena agricultura e a agricultura industrial. “O nosso desafio é fazer dar certo, é fazer com que esse programa chegue lá e dê renda ao produtor. Para que quando a gente termine essa primeira fase, a gente possa dizer que as pessoas saíram da pobreza e o jovem voltou para o campo”, disse a ministra, na assinatura do convênio.
Ela agradeceu a parceria com o Sebrae e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), da estrutura da CNA, que também firmou convênio com o Ministério. “Sem essa parceria, o Mapa sozinho demoraria muito mais tempo e não conseguiríamos fazer tudo”, disse.
O presidente do Sebrae, Carlos Melles, reforçou a confiança no convênio. “Vamos ajudar o Mapa a ajudar o Brasil a melhorar”, disse.
O AgroNordeste, que vai desenvolver a capacidade produtiva dos pequenos agricultores e criadores do Nordeste e do Norte de Minas Gerais, será implantado no biênio 2019/2020 em 230 municípios dos nove estados do Nordeste, além de Minas Gerais, divididos em 12 territórios, com uma população rural de 1,7 milhão de pessoas.