sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Safra de Inverno Movimenta Procura por Sementes

 

Safra de inverno já movimenta procura por sementes

 

A movimentação pela procura por sementes para os cultivos de inverno já começou e o trigo deve continuar sendo a opção mais atrativa após alcançar a maior produção dos últimos 20 anos. Na última safra, a área de trigo cresceu 14,8% no Brasil com relação ao ano anterior, com uma produtividade 5,4% maior, resultando no maior volume de produção desde o ano 2000. O preço também favoreceu a triticultura com crescimento constante ao longo de 2020, fechando o ano próximo a R$ 70,00 a saca de 60kg.

De acordo com a Apassul (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas do RS), hoje já são mais de 89 mil hectares aprovados para a produção de sementes de trigo no Rio Grande do Sul (dados do SIGEF – Sistema de Gestão da Fiscalização do MAPA), um aumento de 18% em comparação à safra anterior. “Estes números demonstram o sentimento do produtor de sementes para incrementar o trigo no portfólio. Mesmo que nem toda a produção de sementes seja comercializada, certamente o mercado está aquecido, principalmente em função dos preços que tornam o trigo uma opção rentável além das vantagens no sistema de produção”, avalia o diretor administrativo da Apassul, Jean Cirino.

No Paraná, maior estado produtor do cereal nas últimas safras, os produtores aguardam a colheita da soja para decidir se investem no trigo ou optam pelo plantio tardio do milho safrinha. Mas segundo a Apasem (Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas) o setor já observa a antecipação pela procura de sementes de trigo: “Estamos vendo uma antecipação no mercado de sementes. A procura pelo trigo, que antes acontecia no mês de março, neste ano começou em janeiro”, conta o Diretor Executivo da Apasem, Jhony Möller. Ele acredita que o Paraná deverá repetir a área de trigo do ano passado, acima de um milhão de hectares.

Acompanhando o aumento nas cotações do trigo, o valor da semente também sofreu alteração: conforme números do Deral/PR, os preços recebidos pelo produtor de trigo no Paraná tiveram alta de 30,5% de janeiro a novembro de 2020, enquanto o preço da semente subiu 16% no mesmo período.

Para escolher a melhor semente, o pesquisador da Embrapa Trigo, Pedro Scheeren, recomenda que o produtor avalie as cultivares direto na propriedade, reservando uma área para experimentar algumas opções disponíveis no mercado, já que o desempenho das cultivares pode variar nas diferentes regiões produtoras. “Na escolha da cultivar é preciso observar primeiro suas características agronômicas e a resistência às doenças. Mas devemos considerar sempre onde e como será cultivada a variedade escolhida, desde o ambiente, clima e solo, até a capacidade de investimento na lavoura, bem como o potencial de rendimento esperado na área com o manejo planejado, sem esquecer da liquidez daquela cultivar no mercado regional” explica o pesquisador. Segundo ele, apesar do momento de preços em alta nos grãos, o produtor deve garantir o equilíbrio da lavoura, priorizando cultivares com melhor sanidade e uso eficiente de nutrientes, fatores que permitem economizar em fertilizantes e fungicidas, que representam os principais custos da lavoura.

Novo Bioinseticida da EMBRAPA Combate Pragas nas lavouras de Soja, Milho e Algodão

 

Novo bioinseticida da Embrapa combate pragas nas lavouras de soja, milho e algodão

O produto biológico é inofensivo ao trabalhadores, ao meio ambiente e aos demais insetos

Um pesticida composto por uma mistura inédita de dois isolados da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) é o mais novo bioproduto indicado para controlar a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, e a falsa-medideira, Chrysodeixis includens. O Acera - nome comercial - foi desenvolvido com tecnologia Embrapa e concebido em parceria com a Ballagro Agro Tecnologia, empresa que o comercializará. 

A Bacillus thuringiensis (Bt) é uma bactéria que produz proteínas com propriedades tóxicas específicas para insetos e que são inofensivas para humanos e outros vertebrados. Diferentemente de pesticidas químicos, é inócuo para o meio ambiente. O produto deve ser pulverizado sobre as folhas, e, ao comê-las, as lagartas são afetadas pela ação dessas proteínas. 

“A grande vantagem desse produto biológico à base de Bt é que ele não afeta o meio ambiente, não intoxica aplicadores, não mata os inimigos naturais das pragas e não polui rios e nascentes, contribuindo para a sustentabilidade”, destaca o pesquisador da Embrapa Fernando Hercos Valicente, desenvolvedor e responsável pela tecnologia na Empresa.

“O Acera foi registrado para o controle dessas duas espécies de lagarta e poderá ser usado em culturas como soja, milho, algodão e diversas outras”, complementa o pesquisador, ao revelar que os dois isolados de Bt usados como matéria-prima do bioproduto vieram da coleção da Embrapa Milho e Sorgo (MG).

Pragas resistentes

“A cada ano, por questões complexas diversas, observa-se um aumento da resistência das principais pragas controladas por cultivares transgênicas. Consequentemente, ocorre a ampliação do uso do controle químico em complemento aos transgênicos, na tentativa de reduzir perdas na produção agrícola. Tudo isso acarreta prejuízos econômicos, sociais e ambientais expressivos”, relata Valicente, ao explicar que por reunir duas cepas da bactéria Bt, com modos de ação distintos e complementares, o Acera dificulta o aparecimento de resistência das lagartas ao produto.

Por esses motivos, o cientista acredita que o uso de novos inseticidas microbiológicos é uma importante alternativa para o controle da lagarta-falsa-medideira e da lagarta-do-cartucho, especialmente para os cultivos de milho, soja e algodão, nos quais o ataque da praga é mais expressivo. “Os bioinseticidas também contribuem para a sustentabilidade dos cultivos. Pela sua especificidade biológica, atacam somente os insetos-alvo, promovem maior equilíbrio da biodiversidade em comparação aos químicos, favorecendo a manutenção de inimigos naturais no campo”, explica o cientista. Os inimigos naturais são insetos que ajudam a controlar as pragas, e quando é empregado o controle químico na lavoura, eles também são afetados.

Defensivos biológicos

Em 2020, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) registrou 95 defensivos de baixo impacto. Esse é o maior número de registros de produtos desse perfil em um mesmo ano. 

Os biopesticidas são  importantes ferramentas para tornar a agricultura brasileira ainda mais sustentável. 

Atualmente, soma-se um total de 411 produtos de baixo impacto disponíveis para os produtores.

Caixa Aumenta em 20% Oferta do Crédito Rural

 

CI
 
PRIMEIRO SEMESTRE

Caixa aumenta em 20% oferta de crédito rural no primeiro semestre

Valor representa crescimento de 20% em relação ao ano agrícola anterior

A Caixa Econômica Federal ampliou para R$ 6,5 bilhões o volume de crédito rural disponível para o primeiro semestre. O valor representa crescimento de 20% em relação ao ano agrícola anterior.

Entre as modalidades contempladas nas linhas de crédito rural do banco, estão o financiamento da safra verão 2021/2022 e empréstimos para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e para investimentos no campo.

Segundo a Caixa, as principais culturas financiadas serão soja, milho, algodão, arroz, feijão, mandioca e café, bem como atividades pecuárias.

A linha para a safra verão 2021/2022 permite ao produtor de grãos antecipar o custeio do plantio e da colheita. Os financiamentos permitirão o planejamento melhor da aquisição de insumos, antes do início da safra.

Com prazo de até 15 anos de pagamento e carência de até três anos, as linhas de investimento financiam a compra de máquinas e equipamentos novos, de animais, formação ou recuperação de pastos e construção de cercas e demais instalações, como galpões e currais. A modalidade também inclui empréstimo para a construção de armazéns e de sistemas de irrigação.

Com juros a partir de 2,75% ao ano, variando conforme o empreendimento, as linhas do Pronaf financiam a aquisição de insumos e o pagamento de serviços por pequenos produtores. O Pronamp tem uma linha de custeio, para cobrir os gastos da produção agrícola, e uma linha de investimento, para financiar melhorias nas propriedades ou compra de máquinas.

Desde 2013, a Caixa atua na concessão de crédito rural. Em oito anos, o banco emprestou R$ 44 bilhões a 52 mil empreendimentos rurais.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Cientistas Aprimoram Uso de Drones Para Acompanhar Gado no Pasto

Cientistas aprimoram o uso de drones com câmeras inclinadas para acompanhar gado no pasto

 

O manejo de fazendas de gado de corte em sistema de produção extensivo é desafiador, especialmente considerando que muitas fazendas possuem grandes áreas com difícil acesso terrestre e insuficiente infraestrutura de comunicação. Nessas condições, o monitoramento do solo a cavalo é prática comum. A alternativa da inspeção aérea do rebanho requer voos tripulados, caros e sujeitos a alguns riscos.

Foi tentando reduzir os custos e o desempenho do trabalho que pesquisadores da Embrapa estão testando o uso de imagens oblíquas como novidade. A parte prática do trabalho foi realizada nos sistemas extensivo, intensivo e de integração Lavoura-Pecuária (ILP) na fazenda Canchim, sede da Embrapa Pecuária Sudeste. O trabalho também prevê a coleta de dados em áreas com árvores e arbustos. Segundo Patrícia Santos, da Embrapa Pecuária Sudeste, uma das autoras do estudo, árvores, arbustos ou até a altura da pastagem podem dificultar a captação de imagens. “O animal fica escondido embaixo da planta, atrapalhando a contagem. Para gerar um modelo que corrija isso, seriam necessárias várias imagens em áreas com árvores e com plantas arbustivas diferentes e de formas heterogêneas. Qualquer coisa que possa cobrir a imagem, até mesmo a altura de um capim, deve ser considerada. Por exemplo, a pastagem muito alta pode esconder um bezerro”, explica. São muitas as variáveis que a máquina precisa aprender para que a contagem do gado seja a mais precisa possível.

Essas imagens oblíquas e tecnologias de aprendizado profundo (deep learning), como as redes neurais computacionais, chamadas convolucionais, têm se revelado promissoras para a detecção e contagem de gado no pasto por meio de drones. É o primeiro estudo explorando a viabilidade do uso de imagens oblíquas para monitoramento de gado.

A aplicação de algoritmos de inteligência artificial ao processamento digital de imagens e os avanços dessas tecnologias vêm mostrando a viabilidade desse monitoramento por meio das aeronaves não tripuladas. “Entretanto, o uso prático ainda é um desafio, devido às características particulares dessa aplicação, como a necessidade de rastrear alvos móveis e as extensas áreas que precisam ser cobertas na maioria dos casos”, alertam os pesquisadores Jayme Garcia Arnal Barbedo e Luciano Vieira Koenigkan, da Embrapa Informática Agropecuária (SP), e Patrícia Menezes Santos, da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), autores do artigo.

Os cientistas investigaram, então, o uso de um ângulo inclinado da câmera do drone para aumentar a área coberta pelas imagens, de forma a minimizar problemas no rastreamento. A captura das imagens sob uma visão oblíqua, ao ampliar a cobertura, reduz o número de voos exigidos para a atividade, especialmente em áreas extensas, e diminui os efeitos prejudiciais do movimento dos animais e das mudanças nas condições ambientais. Estudos que empregam vants para o monitoramento de gado quase sempre usam imagens capturadas na posição perpendicular ao solo.

Resultados experimentais indicam que imagens oblíquas podem ser usadas com sucesso sob certas condições, mas têm limitações práticas e técnicas que devem ser observadas. Essas limitações referem-se às obstruções de visão, à determinação das bordas exatas da região considerada nas imagens, às distorções geométricas e de cores, entre outras. Investigações futuras devem incluir uma análise de custo-benefício para estimar vantagens potenciais das imagens oblíquas em comparação com as medidas necessárias para reduzir os obstáculos práticos.

 

Projeto-Piloto de Seguro Rural Recebe Agricultores do PRONAF

CI
 
RISCOS

Projeto-piloto de seguro rural recebe 10 mil agricultores do Pronaf

O projeto envolve cobertura para culturas de milho 1ª safra, soja, banana, maçã e uva
Por:

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulga nesta quinta-feira (28) os resultados do projeto-piloto de subvenção ao prêmio do seguro rural para operações enquadradas no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para as culturas de milho 1ª safra, soja, banana, maçã e uva. O projeto-piloto faz parte do Programa de Seguro Rural (PSR) de 2020.

O projeto, que teve como objetivo fomentar a contratação de seguro rural por agricultores familiares, teve a adesão de oito seguradoras que comercializaram apólices em 11 estados. No total, foram aplicados R$ 36,6 milhões em subvenção ao prêmio, o que propiciou a contratação de 10.446 apólices, totalizando uma área segurada de 277 mil hectares e um valor segurado de R$ 881 milhões.

Para incentivar a contratação do seguro, foram definidos percentuais de subvenção ao prêmio diferenciados, acima daqueles já praticados no Programa. No caso das frutas, o percentual de subvenção de 40% foi elevado para 60%. Para o milho e a soja, cujos percentuais podem variar entre 20% e 30%, foi fixado em 55%. Além disso, foi destacado um orçamento específico de R$ 50 milhões para o projeto-piloto.

“Os resultados alcançados foram positivos, identificamos que 70% dos produtores nunca haviam participado do PSR. Provavelmente, muitos deles contrataram o seguro rural pela primeira vez. Além disso, tivemos a atuação da maioria das seguradoras, o que demonstra o interesse do mercado em atender esse perfil de risco, composto por áreas e valores segurados menores que os observados usualmente no Programa”, explica Pedro Loyola, diretor do Departamento de Gestão de Riscos do Mapa. 

As contratações se concentraram nos estados do Paraná (45%), Rio Grande do Sul (35%) e Santa Catarina (13%). Ocorreram também nos estados do Mato Grosso do Sul, de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, do Mato Grosso, Pará, de Roraima e do Tocantins.

Pontos principais do projeto-piloto

Orçamento disponibilizado: R$ 40 milhões (milho 1ª safra/soja) + R$ 10 milhões (banana/maçã/uva)
Abrangência: nacional.
Atividades: milho 1ª safra, soja, banana, maçã e uva.
Percentual de subvenção ao prêmio diferenciado (fixo): milho 1ª safra/soja (55%) e banana/maçã/uva (60%)
Tipo de cobertura: multirrisco (milho 1ª safra/soja)
Nível mínimo de cobertura da produtividade esperada: 70% (milho 1ª safra/soja)

Contratação

O produtor interessado em contratar o seguro rural deve procurar um corretor ou uma instituição financeira que comercialize apólice de seguro rural. Atualmente, 14 seguradoras estão habilitadas para operar no PSR. O seguro rural é destinado aos produtores pessoa física ou jurídica, independentemente de acesso ao crédito rural. 

A subvenção econômica concedida pelo Ministério da Agricultura pode ser pleiteada por qualquer pessoa física ou jurídica que cultive ou produza espécies contempladas pelo Programa. Para os grãos em geral, o percentual de subvenção ao prêmio varia entre 20% e 40%, a depender da cultura e tipo de cobertura contratada. No caso das frutas, olerícolas, cana-de-açúcar e demais modalidades (florestas, pecuário e aquícola), o percentual de subvenção ao prêmio será fixo em 40%.

 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

 

CI
 
RECORDE

Arroba bovina supera R$300 e tem novo recorde, mas desempenho interno da carne preocupa

Baixa oferta de animais prontos para o abate e demanda externa aquecida

O preço do boi gordo superou a marca de 300 reais por arroba, apontou o indicador Cepea/B3 nesta segunda-feira, novo recorde da série histórica iniciada em 1994, motivado pela baixa oferta de animais prontos para o abate e demanda externa aquecida, mas o fraco desempenho nas cotações da carne no mercado interno preocupa, disseram analistas.

Na última sexta-feira, o índice já havia encerrado janeiro com alta de 12,24% na variação mensal, a 299,85 reais por arroba. Agora, a cotação chegou a 301 reais, avanço de 9,97% em relação ao mês anterior e um salto de 53,4% no comparativo anual.

Analistas previam, em reportagem publicada pela Reuters em novembro, que os preços do boi gordo se aproximavam dos 300 reais, o que indicaria aperto para as margens dos frigoríficos que negociam a carne no mercado doméstico.

A diretora da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel, disse que a carne bovina está indo bem no mercado externo, mas alertou que essa alta no preço do animal é perigosa do ponto de vista do consumo interno —considerando que cerca de 70% da proteína produzida é consumida no país.

“O preço da carne descolou do boi”, disse a especialista. Se por um lado os frigoríficos conseguem remunerações elevadas com compradores internacionais, impulsionadas pelo câmbio, no Brasil o enfraquecimento do poder de compra da população em meio à pandemia e o fim do auxílio emergencial travam o avanço das cotações da proteína.

Levantamento da Scot Consultoria divulgado em boletim nesta segunda-feira indica que, no acumulado da última semana, o preço médio de 22 cortes analisados no atacado caíram 0,3%. Desde o início do ano o valor dos cortes subiu, em média, apenas 1,8%.

A cotação dos cortes de traseiro, de maior valor agregado, caiu 0,6% na semana passada, e a dos cortes dianteiros subiu somente 0,4%.

“Estamos em um ciclo de alta de preços da arroba e a expectativa é de mercado firme, mesmo em que pesem as sazonalidades da safra... mas o que assombra muito é o mercado interno”, disse o diretor da Scot, Alcides Torres.

Segundo ele, a dúvida sobre até quanto o consumidor conseguirá pagar pela carne é o que se contrapõe ao cenário de preços em alta do boi, apertando as margens dos frigoríficos.

“Para a economia voltar à atividade precisaríamos ter resolvido o problema da pandemia, ter a vacina (para todos), e estamos patinando nessa questão... o desemprego ainda atrapalha mais”, ressaltou.

Quanto à oferta de gado, ele disse que janeiro normalmente é um mês em que poucos pecuaristas estão vendendo boiadas “nas praças pecuárias”, então “precisamos ver como será fevereiro”.

Um fator que ajuda a encarecer o valor cobrado pelos pecuaristas é o aumento de custos com animais de reposição.

Os pesquisadores do Cepea destacaram em nota que os animais de reposição (bezerro nelore, de 8 a 12 meses), também foram negociados em patamares recordes em janeiro.

“Neste caso, o impulso vem do maior aumento do abate de fêmeas entre 2018 e 2019 e da forte demanda por reposição, devido à aquecida procura externa pela carne brasileira ao longo de 2020”, disse o instituto.

O indicador do bezerro calculado pelo Cepea chegou a tocar 2.811,77 reais por cabeça na última semana.

EXPORTAÇÃO
As exportações brasileiras de carne bovina fecharam 2020 com recorde e superaram pela primeira vez 2 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), impulsionadas por uma firme demanda da China, país que ainda sente déficit de proteína animal em função de um surto de peste suína africana desde 2018.

Para este ano, a expectativa é de que o recorde seja renovado, com 2,14 milhões de toneladas, prevê a associação.

O diretor da Scot Consultoria disse que, apesar do forte movimento de renovação do plantel suíno na China, as exportações de carne bovina do Brasil só para os chineses podem crescer entre 3% e 5% em 2021.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Novidade na gastromia tradicional: Buchada e a Dobradinha vão chegar prontas nos mercados

 

Novidade na gastronomia tradicional: agora a buchada e a dobradinha vão chegar prontas para venda em supermercados

 

Buchada e dobradinha são pratos bastante apreciados na Região Nordeste e também no Sudeste, onde chefs de cozinha as utilizam como pratos exóticos. “No entanto, mesmo entre os nordestinos mais jovens o consumo tem diminuído em função do preparo ser muito trabalhoso”, afirma a pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) Lisiane Dorneles.  “Diante disso, faz-se necessário incentivar o consumo e o desenvolvimento de produtos elaborados com vísceras, a partir de técnicas que facilitem o preparo, bem como a oferta de porções que sejam condizentes com as necessidades dos consumidores e que ofereçam garantia da qualidade higiênico-sanitária”, conclui a pesquisadora.

Para atender essa necessidade, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) desenvolveram um método para padronizar o preparo de buchada e dobradinha, pratos derivados de carne ovina típicos da Região Nordeste, garantindo o controle higiênico-sanitário dos produtos e aumentando do seu tempo de conservação.  A equipe chegou a uma formulação de preparo que possibilita a disponibilização desses alimentos pré-prontos nos mercados do Nordeste e Sudeste, onde identificaram existir uma demanda maior de consumidores. A metodologia está disponível em um comunicado técnico e será repassada a profissionais de abatedouros, frigoríficos e agroindústrias a partir de capacitações ao longo deste ano.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) Lisiane Dorneles, o aproveitamento das vísceras e órgãos dos ovinos agrega valor ao negócio e ajuda a reduzir o desperdício de matéria-prima, uma vez que o foco dos produtores é a carcaça (o animal abatido sem sangue, vísceras, órgãos internos e cabeça). “Na maioria das vezes esse material é tratado como resíduo industrial, sem valor comercial e causa problemas ambientais”, explica.

A funcionária pública Francisca Maria Pitombeira, acostumada a preparar as duas receitas, confirma que são simples, mas dão um certo trabalho e a maior dificuldade é fazer a limpeza das vísceras. “Essa etapa é fundamental para uma buchada e uma panelada de qualidade. Ela deve ser muito bem feita com a retirada total da gordura. Depois adicionando um bom tempero tradicional com sal, colorau, alho, cebola pimenta do reino e cebolinha e boa dosagem de amor fica perfeito”, ensina.

Para a engenheira de alimentos e professora da UVA Ana Sancha Malveira, a carne ovina, apesar de muito nutritiva e saborosa, ainda é desperdiçada. “Quando o brasileiro perceber o ouro que é essa carne, ele vai dar um salto de qualidade de vida muito grande”, acredita. Como nordestina e consumidora desses pratos tradicionais desde a infância, Malveira afirma que os resultados alcançados pelo projeto podem colocar a carne ovina no patamar que ela merece e mostrar seu valor às outras regiões do País.

A buchada e a dobradinha são pratos elaborados de forma artesanal, o que aumenta as possibilidades de contaminação microbiana. Por isso, atenção especial foi dada ao desenvolvimento de técnicas que tornem esses alimentos mais seguros para o consumidor final. A zootecnista Jaine de Sousa Santos, que faz parte da equipe do projeto, explica que os resultados das pesquisas mostraram que as vísceras submetidas ao processo de limpeza, utilizando água fervente com ácido acético apresentaram redução do número de coliformes totais e termotolerantes, além de redução da presença de Staphylococcus aureus (perigosa bactéria causadora de diversas infeções em seres humanos) quando comparadas com as vísceras que não receberam nenhum tipo de tratamento. “A contagem desses microrganismos é um indicador da eficiência da limpeza nas etapas de fabricação, da temperatura de conservação e da vida útil dos alimentos”, afirma.

A equipe de pesquisa utilizou ácido acético e água aquecida nos procedimentos de limpeza da matéria-prima, em temperaturas que variavam entre 55°C e 90°C.  Os resultados mais satisfatórios ocorreram com a temperatura de 65°C aplicada nos estômagos (para produção da buchada) e 80°C utilizada nos intestinos (para a confecção da dobradinha).

As más condições de higiene nos processos de abate, principalmente na etapa de evisceração, facilitam a disseminação de micro-organismos causadores de doenças e aumentam as perdas econômicas decorrentes da contaminação das vísceras e por reduzir ainda mais o tempo de prateleira dos produtos. Daí a importância de oferecer capacitação, inclusive sobre boas práticas de fabricação, para os trabalhadores dos frigoríficos e abatedouros.

A pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Élen Nalério explica que apesar de não existir o hábito de consumo desses pratos na Região Sul do Brasil, os frigoríficos que abatem ovinos têm interesse nas capacitações porque podem agregar valor às vísceras, produzindo buchada e dobradinha para vender aos mercados do Sudeste. “Identificamos na Região Sudeste um público consumidor potencial caso os produtos estejam disponíveis em estabelecimentos inspecionados, como supermercados”, explica a pesquisadora.

MAPA Cria Grupo de Trabalho Para Elaboração de Agenda Para Agricultura Sustentável

 

Mapa cria grupo de trabalho para elaboração de agenda para agricultura sustentável

Representantes de secretarias e unidades vinculadas ao Mapa farão parte do grupo

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) criou um Grupo de Trabalho para elaboração da Agenda Estratégica para a Agricultura Sustentável, conforme Portaria 26, publicada nesta segunda-feira (1º).

Caberá ao grupo de trabalho propor medidas e ações para o desenvolvimento da sustentabilidade da agropecuária, como indicadores de avaliação e monitoramento, recomendações e cenários para o alcance de metas.

“Tendo em vista as diversas agendas que ocorrerão ao longo de 2021 que tratam do setor agropecuário no tocante à alimentação, saúde e ao meio ambiente, torna-se fundamental a estruturação de uma agenda estratégica de posicionamento do Ministério da Agricultura no tocante ao desenvolvimento sustentável do setor. Dando sequência aos documentos das Diretrizes para o Desenvolvimento Sustentável da agropecuária brasileira, publicado em janeiro de 2020, a proposta é aprofundar essas diretrizes”, ressalta o assessor de Assuntos Socioambientais do Mapa, João Adrien.  

O grupo será composto por representantes das secretarias e vinculadas do Mapa. Setor privado, academia e outros órgãos públicos e privados serão convidados a contribuir com a iniciativa.

Nova Lei do Agro Facilita o Acesso do Setor aos Investimentos do Exterior

 

CI
 
EXTERIOR

Nova lei do agro facilita acesso do setor aos investimentos do exterior

Mudança pode liberar recursos da ordem de R$ 5 bilhões por ano para o agronegócio
Por:

Estima-se que a mudança pode liberar recursos da ordem de R$ 5 bilhões por ano para o agronegócio, ampliando o acesso de produtores e agroindústrias ao crédito principalmente do exterior

Se por um lado 2020 foi um ano marcado por muitos desafios para diversos setores, para o agro certamente será um ano de muitos recordes que ficará para a história. Produtores, agroindústrias, startups e AgTechs que nos últimos anos investiram fortemente em inovação, conseguiram superar os imprevistos e foi um dos poucos segmentos que absorveu os impactos da crise financeira e avançou. E se tudo andou bem até agora, com a sanção da Lei 13.986/2020, que trata sobre as medidas para crédito e financiamento de dívidas de produtores rurais, 2021 pode ser um ano ainda mais próspero para o setor.

A Nova Lei do Agro é um grande passo para desburocratização do crédito agrícola, um marco para o setor rural brasileiro, modernizando e ampliando o acesso ao financiamento e ainda expandindo os recursos e reduzindo taxas de juros. Com as mudanças, o mercado de crédito agrícola ficou ainda mais aquecido com as alterações principalmente sobre as Cédulas de Produto Rural (CPR).

A CPR é o principal título de financiamento dentro do sistema de crédito agrícola oficial. A sua popularidade e versatilidade – agora aumentada com as medidas de desburocratização nova lei – permitem que elas continuem a ser o título mais popular, também para o financiamento em mercado de capitais privado. Isso porque se adequa muito bem para servir de lastro para emissão de outros títulos dela derivados, como a CRA ou a CIR, por exemplo, que, agora, teriam mais atratividade para o investidor estrangeiro pela possibilidade de emissão com variação cambial e registro no exterior.

Segundo a economista, doutora em agronegócios e sócia-fundadora da boutique financeira Pinheiro Machado, Claudine Saldanha Cesar Pinheiro Machado, a mudança trouxe uma série de alterações na CPR, com o objetivo de desburocratizar o instrumento, aumentando, assim, a sua utilização como título de base para a estruturação do mercado financeiro agrícola no Brasil.

Ao mesmo tempo, a Nova Lei admite que a CPR possa ter qualquer garantia prevista na legislação – não apenas as garantias reais -, além de permitir que o produtor informe quais dos bens móveis e imóveis dados em garantia são considerados essenciais para a sua atividade, de forma a preservá-los. Tudo isso leva a crer que a Nova Lei do Agro poderá desestimular o mercado a ofertar garantias reais em favor de outras formas menos onerosas para o produtor, como seguros, fianças, avais e as duas novas formas de garantias introduzidas pela lei: o Fundo Garantidor Solidário e o Patrimônio Rural em Afetação.

Ainda segundo Pinheiro Machado, tudo isso é muito bom para o produtor e para o mercado de capitais, dado que há uma tendência de se exigir sobre garantias reais nas CPRs, o que amarra o produtor e engessa o mercado. “Essa revolução das garantias pode, sem sombra de dúvida, liberar muito valor no agronegócio brasileiro, que antes estava preso em sobre garantias. Estima-se que ela possa liberar recursos da ordem de R$ 5 bilhões por ano para o agronegócio”, diz.

A especialista também destaca que já há notícias de que o governo estuda lançar um título mais abrangente do que a CPR, a Cédula de Crédito do Agronegócio (CCA). A principal diferença seria a de que, enquanto a emissão da CPR é restrita aos produtores e aos agentes de primeira industrialização, como frigoríficos, por exemplo, a CCA poderia ser emitida por toda a cadeia produtiva do agronegócio, incluindo indústrias, revendas, transportadoras, traders, entre outros.

Segundo ela, isso tornaria a CCA extremamente atraente não só para financiar investimentos diretos, mas, também, para lastrear a estruturação de derivativos, que teriam, certamente, grande apelo no mercado financeiro internacional. “Esse título teria um potencial enorme de captação em todos os elos da cadeia do agronegócio. Acreditamos que poderia bater na casa do trilhão, inclusive porque a expectativa do mercado é a de que esse novo título seja mais adequado à classificação como “título verde”, que possui um mercado cativo de mais de US$ 1 trilhão”, destaca a especialista da Pinheiro Machado.

Benefícios na prática

De modo geral, a principal mudança da Nova Lei do Agro para os produtores, no aspecto de crédito, foi a criação de mecanismos de financiamento privado, via mercado de capitais, com incentivo ao investimento estrangeiro no agronegócio brasileiro. Esses mecanismos e instrumentos gerarão competitividade no mercado de crédito agrícola e darão maior poder de negociação aos produtores.

De modo particular, então, podemos elencar cinco principais mudanças: 1) a possibilidade de emissão de CPR também para subprodutos e derivados (antes era só para produtos), 2) A possibilidade de emissão de títulos do agronegócio com variação cambial e registrá-los no exterior, 3) a possibilidade de liquidação de garantia real por investidor estrangeiro, 4) o Patrimônio Rural em Afetação e 5) o Fundo Garantidor Solidário.

Mais mudanças

A Nova do Lei do Agro traz uma série de outras mudanças visando a desburocratização do setor, especialmente no que se refere à emissão de títulos do agronegócio. Dentre as inúmeras inovações nesse sentido, destacam-se a possibilidade de emissão de CPR eletrônica, com assinatura digital ou biométrica, a eliminação da necessidade de seu registro no Cartório de Imóveis, além da criação da figura das registradoras, autorizadas pelo Banco Central, para depósito das CPRs. “Tudo isso facilitará, e muito, a emissão e circulação dos títulos. Alguns entraves ainda permanecem no tocante a estruturação das garantias, mas como dito acima, a expectativa do mercado é a de as CPRs, de agora em diante, venham a receber outras formas de lastro que não necessariamente os imobiliários, que são os mais burocráticos de se registrar, pela necessidade de averbação em registro de imóveis”, salienta a economista.

A Nova Lei do Agro permite ainda a emissão de títulos em dólar em bolsas estrangeiras. Isso torna os investimentos acessíveis principalmente aos pequenos e médios produtores. A especialista destaca que essa alteração, verdadeiramente revolucionária, beneficia-os em dois pontos fundamentais: reduz o risco cambial e reduz os custos administrativos de emissão.

Com relação ao risco cambial, normalmente, o produtor emitia um título e tinha que fazer uma operação de hedge paralela para se proteger do risco de oscilação cambial, porque raramente existe um seguro disponível para esse tipo de operação. Essas operações de hedge, via de regra, são caras e complexas de serem estruturadas. Com a emissão em dólares, no caso de o produtor comprar insumos em dólares e/ou exportar sua produção, esse risco fica praticamente eliminado, diminuindo em muito os custos da operação.

Em segundo lugar, normalmente há um custo administrativo grande para os investidores estrangeiros entrarem no mercado brasileiro. Há uma série de regras a serem cumpridas e a legislação brasileira é bastante rígida em casos de descumprimento, podendo mesmo configurar crime a atuação irregular de fundos e investidores no mercado nacional. “Assim, a novidade permite que os títulos sejam emitidos em dólar e circulados no exterior, eliminando quase totalmente os custos e entraves associados à entrada do investidor estrangeiro no mercado brasileiro”, destaca a especialista.

É de suma importância ter em mente, contudo, que essa redução dos custos da operação de emissão de títulos, trazidos pela nova lei, não se traduzirá em maior crédito automaticamente. Isso porque o volume de recursos disponível internacionalmente é imenso, mas os projetos individuais são muito pequenos, muitas vezes não justificando os custos de operação para os grandes intermediários financeiros, como os bancos de varejo, por exemplo.

“O grande desafio do mercado financeiro agro é justamente desenvolver engenharia financeira capaz de agrupar pequenos e médios produtores de forma a dar escala para os projetos e, assim, conseguir atrair o interesse dos financiadores. E esse é, precisamente, o trabalho das boutiques financeiras especializadas no agronegócio”, finaliza Claudine.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Projeto Piloto de Seguro Rural

 

Gestão de Riscos

Mais de 10 mil agricultores familiares participam de projeto-piloto de seguro rural

O projeto envolve cobertura para culturas de milho 1ª safra, soja, banana, maçã e uva dentro do Pronaf

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulga nesta quinta-feira (28) os resultados do projeto-piloto de subvenção ao prêmio do seguro rural para operações enquadradas no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para as culturas de milho 1ª safra, soja, banana, maçã e uva. O projeto-piloto faz parte do Programa de Seguro Rural (PSR) de 2020.

O projeto, que teve como objetivo fomentar a contratação de seguro rural por agricultores familiares, teve a adesão de oito seguradoras que comercializaram apólices em 11 estados. No total, foram aplicados R$ 36,6 milhões em subvenção ao prêmio, o que propiciou a contratação de 10.446 apólices, totalizando uma área segurada de 277 mil hectares e um valor segurado de R$ 881 milhões.

Para incentivar a contratação do seguro, foram definidos percentuais de subvenção ao prêmio diferenciados, acima daqueles já praticados no Programa. No caso das frutas, o percentual de subvenção de 40% foi elevado para 60%. Para o milho e a soja, cujos percentuais podem variar entre 20% e 30%, foi fixado em 55%. Além disso, foi destacado um orçamento específico de R$ 50 milhões para o projeto-piloto.

“Os resultados alcançados foram positivos, identificamos que 70% dos produtores nunca haviam participado do PSR. Provavelmente, muitos deles contrataram o seguro rural pela primeira vez. Além disso, tivemos a atuação da maioria das seguradoras, o que demonstra o interesse do mercado em atender esse perfil de risco, composto por áreas e valores segurados menores que os observados usualmente no Programa”, explica Pedro Loyola, diretor do Departamento de Gestão de Riscos do Mapa. 


As contratações se concentraram nos estados do Paraná (45%), Rio Grande do Sul (35%) e Santa Catarina (13%). Ocorreram também nos estados do Mato Grosso do Sul, de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, do Mato Grosso, Pará, de Roraima e do Tocantins.

>> Acesse aqui o relatório completo do projeto-piloto

Pontos principais do projeto-piloto

  • Orçamento disponibilizado: R$ 40 milhões (milho 1ª safra/soja) + R$ 10 milhões (banana/maçã/uva)
  • Abrangência: nacional.
  • Atividades: milho 1ª safra, soja, banana, maçã e uva.
  • Percentual de subvenção ao prêmio diferenciado (fixo): milho 1ª safra/soja (55%) e banana/maçã/uva (60%)
  • Tipo de cobertura: multirrisco (milho 1ª safra/soja)
  • Nível mínimo de cobertura da produtividade esperada: 70% (milho 1ª safra/soja)

Contratação

O produtor interessado em contratar o seguro rural deve procurar um corretor ou uma instituição financeira que comercialize apólice de seguro rural. Atualmente, 14 seguradoras estão habilitadas para operar no PSR. O seguro rural é destinado aos produtores pessoa física ou jurídica, independentemente de acesso ao crédito rural. 

A subvenção econômica concedida pelo Ministério da Agricultura pode ser pleiteada por qualquer pessoa física ou jurídica que cultive ou produza espécies contempladas pelo Programa. Para os grãos em geral, o percentual de subvenção ao prêmio varia entre 20% e 40%, a depender da cultura e tipo de cobertura contratada. No caso das frutas, olerícolas, cana-de-açúcar e demais modalidades (florestas, pecuário e aquícola), o percentual de subvenção ao prêmio será fixo em 40%.

Nutrição de Qualidade Melhora a produção de Ovos de Galinhas

 

Uma nutrição de qualidade melhora a produção de ovos das galinhas poedeiras

 

Um dos pilares que sustenta o desempenho ideal das galinhas poedeiras é a nutrição, que hoje representa em torno de 70% dos custos de produção.  “É importante que o criador ofereça uma nutrição adequada e realize um manejo eficiente, para que não comprometa a qualidade e nem a quantidade de produção do plantel. Sem estes dois fatores alinhados, o criador corre risco ter redução de qualidade até a parada da produção de ovos”, alerta Letícia Lopes da Rocha, coordenadora de produtos e trade marketing da Guabi Nutrição e Saúde Animal.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as expectativas para 2021 são otimistas e estão apostando no aumento de consumo/per capita/ ano, podendo alcançar 47 quilos de frango e com produção de 14,5 milhões de toneladas. Com o cenário promissor, principalmente com a esperança da vacina próxima e com a retoma de alguns setores, o produtor pretende investir mais na produção de suas galinhas poedeiras para atender a demanda de mercado.

É importante que o ambiente da granja forneça temperaturas dentro da zona de conforto dos animais e que não ocorra variações térmicas bruscas para garantir o bem-estar e o estímulo ao consumo de alimento. O ideal é que as galinhas em período de postura recebam entre 14 e 15 horas de luz por dia e tenham livre e amplo acesso a água fresca. Para um desempenho saudável, a galinha precisa receber uma dieta que atenda suas exigências nutricionais, mas há pontos importantes que os produtores devem ficar mais atentos, como:

Cálcio – Os minerais de maneira em geral são essenciais para uma nutrição balanceada e consequentemente uma produtividade eficiente. No caso das aves de postura, o cálcio tem uma grande importância por estar relacionado com a formação da casca.  Portanto para obter uma produção efetiva e de qualidade na casca, os níveis de cálcio da dieta devem ser em torno de 3,25 a 3,75%.

Proteína – Ao contrário do que muitos pensam, uma dieta com altos níveis proteicos não irá trazer nenhuma vantagem na produtividade das aves. “O indicado é que seja fornecida uma quantidade adequada de proteína na dieta, que geralmente é em torno de 16 a 17%. Níveis excessivos de proteína, além de elevar seu custo, irá afetar negativamente o metabolismo das aves por aumentar não só o índice calórico alimentar como a excreção de ácido úrico.  E para ter este acréscimo na excreta de ácido úrico, as aves precisam ingerir mais água o que gera o amolecimento de suas fezes”, comenta Letícia.

Outra dica que a especialista traz é a criação livre de galinhas “O cage-free ou ainda o free-range que estão cada vez mais comuns por garantir o bem-estar do animal e valorizar o preço do produto. Nestes modelos de criação geralmente é realizada a complementação da dieta com folhagens, legumes, sementes e grãos variados, que resultam em produto diferenciado e muitas vezes em uma coloração da gema mais alaranjada devido à presença de carotenoides em muitos desses alimentos.

“Antigamente eram utilizados pigmentantes artificiais nas rações para alcançar a coloração de gema desejada. Mas, hoje, já existem rações que possuem em sua formulação substâncias que agem como pigmentantes naturais e que ajudam a entregar uma coloração de gema diferenciada”, finaliza Letícia.

Controle dfa Verminose em Ovinos

 

CI
 
PECUÁRIA

Controle da verminose em ovinos vai além da vermifugação

O controle da verminose nos ovinos nem sempre é simples
Por:

O controle da verminose nos ovinos nem sempre é simples, mas algumas medidas podem ser eficazes na prevenção e redução dos casos na propriedade.

Ovinos e caprinos são susceptíveis aos vermes em todas as suas fases de produção. A verminose é um problema grave e muitos produtores acabam desistindo da atividade por conta dos prejuízos. De acordo com a pesquisadora Simone Niciura, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos – SP), isso acontece porque é o problema sanitário mais frequente nas criações. “Quando não é controlada, ocorrem altas taxas de mortalidade nos rebanhos, principalmente dos cordeiros ou de raças mais sensíveis ou menos adaptadas aos trópicos. Além disso, há perdas produtivas, causadas pela diminuição no ganho de peso e no crescimento dos animais e queda na produção”, explica a pesquisadora.

O controle é ineficaz, na maioria dos casos, porque a estratégia utilizada é baseada sobretudo no tratamento com vermífugos. No entanto, com o passar do tempo, os vermes adaptam-se e tornam-se resistentes, principalmente pelo uso frequente e inadequado desses produtos.

Diferentes medidas podem ser utilizadas pelos ovinocultores para reduzir os casos de verminose na fazenda. O uso de ovinos mais resistentes é uma opção. “Esses animais toleram maior carga parasitária e não apresentam as mesmas perdas produtivas observadas nos ovinos mais sensíveis aos vermes. Isso pode ser obtido pela identificação e seleção de animais mais resistentes (e descarte de ovinos mais sensíveis), assim como pelo uso de raças mais resistentes na criação de animais puros ou para os cruzamentos”, conta Simone.

Outra maneira é a redução da contaminação das pastagens por meio da roçada para exposição dos parasitas ao sol, aumento do intervalo de tempo até a utilização do pasto novamente e, ainda, uso da pastagem para criação de outra espécie animal antes da nova introdução de ovinos. 

A nutrição também é importante. O produtor precisa fornecer alimentação adequada à necessidade de cada categoria. Animais com dieta precária ficam mais vulneráveis ao agravamento dos sintomas causados pela verminose.

A pesquisadora recomenda que os pecuaristas tenham cautela e façam a vermifugação apenas dos ovinos que realmente precisam ser tratados, ao invés de tratar todo o rebanho indiscriminadamente. Segundo ela, além disso, para que os vermífugos continuem a funcionar por um período maior, antes que os vermes desenvolvam resistência, deve-se utilizá-los de maneira correta. É essencial a identificação dos animais e o controle dos ovinos vermifugados. A dose do anti-helmíntico depende do peso e da indicação do fabricante, seguindo as recomendações da bula. O ideal é que o produtor tenha uma balança na propriedade para evitar super ou subdosagem. Dessa forma, a resistência no rebanho pode ser adiada e as perdas produtivas reduzidas.