sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Castanha de Caju de Serra do Mel é Patrimônio Cultural Imaterial do RN

 

Castanha de Caju de Serra do Mel torna-se Patrimônio Cultural Imaterial do RN

 

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovou, ainda em 2020, o projeto de lei que considera como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado a iguaria “Castanha de Caju da Serra do Mel“, proposta pelo deputado estadual Albert Dickson (PROS). A matéria foi aprovada por unanimidade dos presentes.

Para o deputado, é importante promover e proteger a memória e as manifestações culturais representadas, em todo o mundo, por monumentos, sítios históricos e paisagens culturais. “Mas não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo. Há muito mais, contido nas tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas, nas festas e em diversos outros aspectos e manifestações, transmitidos oral ou gestualmente, recriados coletivamente e modificados ao longo do tempo”, disse Albert na sua justificativa.

De acordo com o parlamentar, Serra do Mel é um dos destaques no Nordeste no quesito produção de castanha de caju. Esta iguaria é o “propulsor de sua economia desde a fundação”. “Do Caju tudo é aproveitado. Do pedúnculo, rico em vitamina C e vitamina B12, é possível a produção de outros subprodutos industrializados como: doce, polpa, cajuína, carne básica do caju, bife, paçoca, omelete, cuscuz, sopa, mel natural, rapadura, bolo, geleia, pastel, pão, biscoitinho, hambúrguer, licor, dentre outros. Já a castanha de caju é rica em proteínas, calorias, carboidratos, cálcio, fósforo e ferro”, completa.

“Essa diversificação, a partir de um único fruto, apresenta e garante a possibilidade para que os pequenos produtores rurais de castanha de caju da Serra do Mel acessem mercados além da venda in natura do pedúnculo para fábricas de suco”, diz o deputado.

Outra proposta de Albert Dickson aprovada pelo Legislativo proíbe a aplicação de multa por quebra de fidelidade nos pedidos de cancelamentos ou de alteração para plano mais vantajoso nos serviços de TV por assinatura, telefonia ou internet, enquanto perdurar a pandemia do coronavírus no RN. O descumprimento da Lei poderá acarretar o pagamento de multa de acordo com o Código de Defesa do Consumidor.

“A catastrófica pandemia do Coronavírus trará sérias consequências econômicas aos países. Muitos trabalhadores terão seus rendimentos diminuídos em razão desse vírus avassalador, modificando as condições na época da celebração dos respectivos contratos ou mudança de operadora para plano mais vantajoso, já que muitos cidadãos sofrerão grandes perdas financeiras”, relata o deputado. As duas matérias de iniciativa de Albert Dickson foram aprovadas por unanimidade.

Aprovado Modelo Impresso de GTA

 

CI
 

Aprovado modelo impresso de Guia de Trânsito Animal

O modelo deverá ser utilizado no momento em que não for possível o formato eletrônico
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O Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial da União os modelos impresso e eletrônicos que foram aprovados para a Guia de Trânsito Animal (GTA). A Instrução Normativa n°70 traz o documento que deve ser utilizado em todo o território nacional para o trânsito de animais vivos, ovos férteis e outros materiais de multiplicação animal, conforme legislação vigente.

O modelo deverá ser utilizado no momento em que não for possível o formato eletrônico e-GTA. As informações referentes à movimentação deverão ser inseridas na base de dados do Estado e enviadas à Base de Dados Única, na qual poderá ser consultada e atestada sua autenticidade. A atualização das informações cadastrais dos estabelecimentos de origem e destino é responsabilidade dos Órgãos Executores de Sanidade Agropecuária (OESA), devendo ser inseridas na Base nacional.

Para o trânsito de cães e gatos fica dispensado da exigência da GTA, mas os animais deverão estar acompanhados de atestado sanitário emitido por médico veterinário, devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina Veterinária, do Estado de origem dos animais, comprovando a saúde dos mesmos e o atendimento às medidas sanitárias definidas pelo serviço veterinário oficial e pelos órgãos de saúde pública, com destaque para a garantia de imunização antirrábica.

As normas estabelecidas por essa IN entrarão em vigor a partir de 01 de fevereiro de 2021. A legislação pode ser acessada na íntegra neste link.

Agricultura Com Energia Solar Pode Ajudar Clima

 


CI
 

Agricultura com energia solar pode ajudar clima

Estudo é feito nos Estados Unidos
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O desenvolvimento conjunto de terras para energia solar fotovoltaica e agricultura pode fornecer 20% da geração total de eletricidade nos Estados Unidos, com um investimento de menos de 1% do orçamento anual dos EUA. Foi isso que afirmou Sean Nealon, da Oregon State University. 

A instalação em larga escala de sistemas agrivoltaicos pode levar a uma redução anual de 330.000 toneladas de emissões de dióxido de carbono nos EUA, o equivalente a 75.000 carros off-road por ano, e à criação de mais de 100.000 empregos em comunidades rurais, com impacto mínimo no rendimento das colheitas, dizem os pesquisadores. 

“Os agrivoltaicos oferecem uma oportunidade rara para uma verdadeira sinergia - mais alimentos, mais energia, menor demanda de água, menores emissões de carbono e comunidades rurais mais prósperas”, disse Chad Higgins, professor associado do State College of Agricultural Sciences de Oregon e autor principal do artigo publicado na revista Sustainability. 

A agrivoltaica também se alinha com os objetivos do Green New Deal, um pacote de legislação federal que visa abordar as mudanças climáticas e as desigualdades econômicas, disse Higgins. 

 “A América rural, a agricultura em particular, pode ser a solução para muitas de nossas preocupações, seja energia renovável, mitigação dos impactos das  mudanças climáticas, alimentos sustentáveis ou boa gestão dos recursos hídricos”, disse Higgins. “Essa conexão está inexplorada principalmente porque não houve investimento suficiente nessas comunidades”. 

“O que propomos neste documento é possível. É tecnicamente possível. É politicamente possível. E geraria dinheiro após o investimento inicial. Este é o ponto-chave: devemos ver a agricultura como uma solução para problemas e não como uma causa de problemas”, conclui. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Cajueiro Passa a Contar com Zoneamento Agrícola de Risco Climático

 

Cajueiro passa a contar com Zoneamento Agrícola de Risco Climático

O objetivo é evitar que adversidades climáticas coincidam com as fases mais sensíveis da produção, que declinou a uma taxa de 5% ao ano na última década

 Caju - Viva o Semi Árido (Foto: Divulgação/FIDA)

Na Região Nordeste, a impoantância da cajucultura é ainda maior pois a demanda por mão de obra para a colheita coincide com o período de entressafra das culturas anuais de subsistência (Foto: Divulgação/FIDA)

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Uma das culturas agrícolas mais tradicionais do Brasil, o cajueiro passa a contar com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A ferramenta indica, por município, datas e períodos mais adequados para o plantio, levando em consideração o clima, tipo de solo e o ciclo de desenvolvimento. O objetivo é evitar que adversidades climáticas coincidam com as fases mais sensíveis da produção, a fim de minimizar as perdas agrícolas.

Para o ano-safra 2021/2022, o Zarc identificou os municípios aptos para o cultivo do cajueiro no Brasil e os períodos de plantio das mudas no campo em três níveis de risco (20%, 30% e 40%) e em conformidade com o tipo de solo (Tipo 1, Tipo 2 e Tipo 3).

Segundo o chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa e coordenador do Zarc Caju, Marlos Bezerra, embora a metodologia usada tenha sido a mesma de outras culturas, os parâmetros mudaram. Pela primeira vez, os pesquisadores utilizaram uma metodologia padrão para identificar as regiões aptas para o cultivo de caju, demonstrando a possibilidade de cultivo em novas áreas, como nos estados de Mato Grosso e Tocantins.

“Já há gente produzindo nessas áreas, mas, com o Zarc, essa atividade passa a contar com uma validade técnico-científica”, explica Bezerra, de acordo com o divulgado pela Embrapa.

Conforme nota técnica, para a elaboração do zoneamento, é preciso que os pomares de baixa produtividade sejam substituídos e que espaços abandonados possam ser recuperados.

“Deve haver seleção de áreas com maior aptidão para a cultura, bem como o plantio de material genético de qualidade de cajueiro-anão, utilizando manejo adequado de solo e das plantas, de maneira que os novos pomares apresentem boa produtividade e possa proporcionar o aproveitamento integral do fruto”, diz a nota.

As portarias com o zoneamento da cultura em vários estados foram publicadas no Diário Oficial da União do dia 17 de dezembro.

Pequenos agricultores

O cajueiro é uma cultura que envolve cerca de 170 mil produtores em mais de 53 mil propriedades no Brasil, sendo 70% pequenos agricultores com áreas inferiores a 20 hectares. Estima-se que a atividade gere em torno de 250 mil empregos diretos e indiretos.

Na Região Nordeste, sua importância é ainda maior pois a demanda por mão de obra para a colheita coincide com o período de entressafra das culturas anuais de subsistência, ou seja, o segundo semestre do ano.

De acordo com levantamento da Embrapa, a produção brasileira anual de caju declinou a uma taxa de 4,96% nos últimos dez anos. Entre 2012 e 2018, houve uma redução da área colhida de cerca de 20%, em função da deficiência hídrica causada por uma estiagem histórica no Nordeste.

Dejetos Suinos Podem ser Transformados em Energia, Fertilizante...

 

Dejetos suínos podem ser transformados em energia, fertilizante e água através de uma nova tecnologia

 

O Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura, o Sistrates, é um projeto desenvolvido pela Embrapa com apoio da Master Agroindustrial como instituição interveniente e a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped) como instituição de apoio. A tecnologia tem sido aperfeiçoada por meio de projetos de pesquisa da Embrapa como o Processo biotecnológico em sistemas de tratamento de efluentes na suinocultura – SISTRATES e o projeto Avaliação nutricional do fosfato extraído de efluentes da suinocultura.

É um sistema de tratamento de dejetos suínos inova ao combinar processos biológicos e químicos para remover conjuntamente carbono, nitrogênio e fósforo, gerando água que pode ser reutilizada, energia elétrica e fósforo fertilizante. Instalado na Granja Master (SC), o Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura (Sistrates) é o resultado de pesquisas iniciadas em 2010 pela Embrapa Suínos e Aves (SC).

Outro diferencial é que o processo pode ser aplicado de maneira modular e adicional, de acordo com as necessidades de tratamento e as condições da propriedade. “Esse projeto tem como foco o tratamento dos dejetos suínos para utilização em grandes sistemas de produção. E funciona a partir de um conjunto de sistemas modulares resultando em um efluente final de excelente qualidade”, explica o pesquisador da Embrapa Airton Kunz, líder do projeto.

Os efluentes da suinocultura, resultantes de uma produção intensiva, são um grande desafio para as propriedades, especialmente porque muitas não possuem área agrícola para utilizá-los como biofertilizante. Ao serem descartados, os resíduos apresentam um elevado potencial poluidor para o meio ambiente.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Farelo de Mamona Pode Ser Usado na Alimentação de Ruminantes

 

O farelo de mamona pode ser usado na alimentação de pequenos ruminantes

 

A mamona mostra mais um potencial de utilização: como fonte de alimentação animal. Um de seus coprodutos, o farelo de mamona, é usado em pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para nutrição de cabras leiteiras. As pesquisas mostram que o uso do farelo no composto da dieta de cabras leiteiras pode garantir produção média de até um litro e meio de leite por dia.

Porém, para ser utilizado como fonte de alimentação animal, o farelo precisa passar por processos de destoxificação para remover ou inativar substâncias tóxicas, como a ricina, que podem causar riscos à saúde dos animais. A Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral-CE) apresenta o uso do hidróxido de sódio (soda cáustica) para destoxificar o farelo da mamona.

No caso do Nordeste, região que concentra 93% do rebanho nacional de caprinos, o farelo destoxificado tem mostrado potencial de nutrientes para substituir o farelo de soja, evitando a importação deste produto e reduzindo custos para os produtores rurais locais. O aproveitamento do farelo promove a integração entre as cadeias produtivas da caprinocultura leiteira e da mamona, relevantes para a economia da região. Trata-se de uma metodologia simples, que o pequeno produtor pode adotar. O incentivo do Governo Federal à cadeia do biodiesel traz a possibilidade de aproveitamento potencial de toneladas de material de resíduo da mamona.

Economia Global Deve Crescer 4% Depois de Encolher 4,3% Ano Passado

 

Economia global deve crescer 4% em 2021 depois de encolher 4,3% no ano passado

Agência Brasil 

A economia global deve crescer 4% em 2021 depois de encolher 4,3% em 2020, disse o Banco Mundial nesta terça(5), embora tenha alertado que o aumento das infecções por covid-19 e atrasos na distribuição das vacinas podem limitar a recuperação para apenas 1,6% neste ano.

A previsão semestral do Banco Mundial mostrou que o colapso na atividade devido à pandemia do novo coronavírus foi ligeiramente menos grave do que o previsto anteriormente, mas a recuperação também estava mais moderada e ainda sujeita a consideráveis riscos negativos.

- "A perspectiva de curto prazo permanece altamente incerta", disse o Banco em um comunicado. "Um cenário negativo em que as infecções continuem a aumentar e o lançamento de uma vacina seja adiado pode limitar a expansão global a 1,6% em 2021."

Com o controle bem-sucedido da pandemia e um processo de vacinação mais rápido, o crescimento global pode acelerar para quase 5%, disse o banco em seu último relatório de Perspectivas Econômicas Globais.

Mais de 85 milhões de pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus e quase 1,85 milhão morreram desde que os primeiros casos foram identificados na China, em dezembro de 2019.

A pandemia deve ter efeitos adversos duradouros na economia global, agravando uma desaceleração já projetada antes do início do surto, e o mundo pode enfrentar uma "década de decepções com o crescimento" a menos que reformas abrangentes sejam implementadas, disse o Banco Mundial.

Crédito Rural Para 2020 /21 Chega a 125 bilhões em Seis Meses

 

Contratação de crédito rural para safra 2020/2021 chega a R$ 125 bilhões em seis meses

O valor representa alta de 18% entre julho e dezembro de 2020, em comparação ao mesmo período da safra anterior

De julho a dezembro de 2020, a contratação de crédito rural para a safra 2020/2021 teve expansão de 18%, atingindo R$ R$ 125,3 bilhões, em relação ao mesmo período da safra anterior.

De acordo com o Balanço de Financiamento Agropecuário da Safra 2020/2021, o destaque é o crédito para investimento, que somou R$ 39,57 bilhões (alta de 44%). Os financiamentos de custeio alcançaram R$ 67,86 bilhões (+12%), de comercialização, R$ 10,67 bilhões (recuo de 9%) e de industrialização, R$ 7,18 bilhões (+ 2%).

Do total das contratações de crédito de investimento, R$ 8,9 bilhões (10%) foram contratados por pequenos produtores (Pronaf) e R$ 1,59 bilhão (11%) pelos médios produtores (Pronamp). Os demais produtores responderam por R$ 29,07 bilhões (62%).

Em relação aos programas de investimento, com recursos do BNDES e administrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a contratação ocorreu da seguinte forma: R$ 6,66 bilhões do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota); R$ 1,45 bilhão do Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA); R$ 1,43 bilhão do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro); R$ 637 milhões do Programa de Incentivo à Irrigação e à Produção em Ambiente Protegido (Moderinfra) e R$ 1,18 bilhão do Programa de Modernização da Agricultura e Conservação dos Recursos Naturais (Moderagro).

Sobre as contratações de custeio, os pequenos produtores responderam por R$ 10,3 bilhões (16%) e os médios produtores, R$ 15 bilhões (7%). A maior parte foi contratada por demais produtores, R$ 42,49 bilhões, um crescimento de 14%.

O diretor do Departamento de Crédito e Informação, da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wilson Vaz de Araújo, destaca que os financiamentos agropecuários feitos a partir de recursos da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) totalizam R$ 14,5 bilhões, aos quais se somam os valores referentes às aquisições de CPR’s e às operações com agroindústrias.

Segundo ele, a LCA continua sendo uma importante contribuição para o funding do crédito rural, pois não resulta em ônus para os cofres públicos. A LCA é um título de renda fixa privado. Os recursos investidos na LCA são usados para financiar o agronegócio.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Dicas de manejo Melhora a Criação de Caprinos e Ovinos

 

Dicas de manejo para melhorar e fortalecer a criação de caprinos e ovinos

 

Apesar de ser uma atividade comum e muito usada no semiárido brasileiro, a criação familiar de caprinos e ovinos tem uma produtividade baixa. Para reverter esse quadro, o trabalho cooperativo pode ser uma boa opção para o produtor dessa região. Para enfrentar dificuldades na produção, como a seca, os pesquisadores da Embrapa Semiárido vêm pesquisando, em conjunto com os produtores rurais, novos métodos de manejo do rebanho que não onerem o produtor e que tragam resultados positivos.

Para o pesquisador Tadeu Voltolini, a preservação dos cabritos recém-nascidos é a primeira preocupação do sistema de criação. Ao invés de permitir que os animais jovens saiam para a caatinga acompanhando suas mães, o produtor os mantém em um cercado, garantindo que não gastem energia nesse deslocamento ou se machuquem em campo aberto. De acordo com o pesquisador, essa simples medida já é suficiente para mudar o panorama da produção.

Formar reservas de alimento para os animais e captar água da chuva de forma estratégica são outras medidas que podem aumentar significativamente a produção. Para fortalecer as reservas hídricas e alimentícias, a união dos produtores, por meio de associações ou cooperativas, é essencial. “Nós entendemos que o trabalho cooperativo na produção animal é um dos pontos essenciais”, ressalta o pesquisador Tadeu Voltolini.

Hortas Comunitárias e Fazendas Verticais Em Áreas Urbanas

 

Hortas comunitárias e fazendas verticais são alternativas para agricultura em áreas urbanas

Com orientação e suporte da Embrapa, iniciativas valorizam plantio orgânico e incentivam comunidades carentes a cultivar hortaliças
Produção de hortaliças em fazenda vertical (crédito foto Italo Guedes) (3).jpg

As fazendas verticais ajudam no cultivo de hortas criadas em pequenos espaços urbanos

Eliminar terrenos baldios em áreas urbanas, produzir e fornecer hortaliças para o consumo de escolas e famílias e melhorar a qualidade da alimentação da comunidade são algumas das vantagens da implantação de hortas comunitárias nas cidades.

Instaladas em lotes vagos que muitas vezes são utilizados como depósitos de entulho e se transformam em focos de doenças, a produção das hortas comunitárias abastece famílias que moram perto destes terrenos. Na maioria dos casos, a produção é feita a partir dos princípios de agricultura orgânica.

Há 15 anos, em uma área pública de cinco mil metros quadrados, a terra vermelha deu lugar a hortaliças e árvores frutíferas, tornando-se o que é considerada hoje a maior horta urbana do Distrito Federal – o Instituto Horta Girassol. A coordenadora do projeto, Hosana Alves, conta que tudo começou em agosto de 2005, quando aconteceu um surto de hantavirose na região. “A comunidade ficou muito preocupada porque tinha um lixão. Todos se mobilizaram e pedimos a ajuda da administração regional, que limpou o local”, lembra.

A partir de então, para evitar que o lixo voltasse a se acumular no local, a horta foi criada. Inicialmente, a plantação era pequena e, hoje, o Instituto Horta Girassol tem um projeto chamado Comunidade que Sustenta Agricultura (CSA), que funciona em parceria com produtores orgânicos e membros da comunidade. Os produtos colhidos são fornecidos aos participantes que ajudam com contribuição financeira para o espaço. Toda semana, após a colheita, eles recebem uma cesta de verduras, frutas e legumes em casa.

Outra experiência é a Horta Comunitária do Guará, criada em 2017, por meio da revitalização de um espaço público abandonado nos fundos da unidade básica de Saúde, na QE 38, no Guará II, também no Distrito Federal. Um grupo pequeno de voluntários se reuniu para limpar o mato, fazer a capina, os canteiros e começou a plantar.

“A iniciativa, além da produção de alimentação orgânica e saudável, sem agrotóxicos, promove o alívio de stress, bem-estar, segurança alimentar, terapia e educação ambiental e sustentabilidade”, destaca a engenheira ambiental Dahiana Ribeiro.

Atualmente, a horta conta com cerca de 200 voluntários que a cada 15 dias se reúnem para plantar, cuidar dos canteiros e fazer a colheita nos encontros comunitários, realizados sempre aos sábados pela manhã. Muitos voluntários visitam a horta em busca de conhecimentos para replicar o modelo em seus bairros. Outros, para estudos acadêmicos e há aqueles que querem frequentar as oficinas de produção de sabão líquido e em barra.

A Horta Comunitária também conta com um Centro de Educação Ambiental, onde as crianças participam de brincadeiras e têm contato com legumes, verduras e frutas, aprendendo e se familiarizando com os alimentos produzidos: tomate, couve, beterraba, alface, jiló, repolho, quiabo e outros. Os encontros envolvem plantio de hortaliças, oficinas, discussão de temas, lanches comunitários, colheita e distribuição de cestas aos voluntários, e doação para entidades sociais como creches e igrejas.

Orientação ao produtor rural

A horta comunitária do Núcleo Rural Pipiripau, em Planaltina (DF), reconstruída pela comunidade neste ano, produz hortaliças como alface, salsinha, hortelã, couve e alecrim. Com o objetivo de incentivar a comunidade a ter seu próprio plantio orgânico, a horta comunitária distribui mudas para a comunidade e orienta a população no plantio e produção.

A farmacêutica Bábilla Nunes de Souza destaca que a proposta é estimular a produção de orgânicos na comunidade. “Vamos continuar produzindo e distribuindo as hortaliças, mas como é uma zona rural todo mundo tem pedaço de terra. Nossa ideia é não deixar a população tão dependente da horta”, comentou.

Além de incentivar o cultivo de alimentos naturais, o projeto cultiva plantas medicinais para produção de xaropes caseiros para comunidade.

Fazendas verticais

As fazendas verticais também ajudam no cultivo de hortas criadas em pequenos espaços urbanos. A Embrapa Hortaliças (DF), em parceria com uma empresa privada, desenvolveu pesquisas para produção de hortaliças em fazendas verticais.

O modelo de cultivo feito por prateleiras verticais permite aproveitar o espaço em ambientes fechados, com iluminação artificial com painéis de LED, controle de temperatura, concentração de CO2, entre outras variedades.

As fazendas verticais ficam mais próximas dos consumidores e os custos com logística e transporte diminuem, evitando perdas de produtos. A agricultura em ambiente fechado utiliza áreas urbanas, em geral, galpões, armazéns abandonados, toldos de prédios localizados muitas vezes em locais com disponibilidade muito pequena de alimentos frescos e saudáveis, com alta eficiência no uso de insumos já que é um sistema de produção sem solo.

A pesquisa, iniciada em abril deste ano, está sendo feita no Laboratório da Embrapa Hortaliças, uma estrutura contendo um contêiner e três ambientes em agricultura controlada aproveitando o espaço vertical. “É mais uma proposta para somar o setor com produção de hortaliças e frutos frescos de alta qualidade nutricional no ambiente urbano. É um sistema que aproxima a produção de alimentos dos centros urbanos e atrai jovens para o cultivo de alimentos”, explicou o pesquisador da Embrapa, Ítalo Guedes.

Os experimentos avaliam qual é o melhor sistema de cultivo sem solo, a partir de duas possibilidades de manejo da nutrição e da irrigação (fertirrigação) das hortaliças: hidroponia e aeroponia. Na hidroponia, os nutrientes minerais estão dissolvidos na água, enquanto na aeropina é fornecida sob pressão de um equipamento tipo nebulizador que joga a névoa da solução diretamente na raiz.

A técnica permite economia de 95% no uso de água e um aumento na produtividade. “Na primeira etapa da pesquisa cultivamos alface, rúcula, salsa, coentro e manjericão. Conseguimos produzir com alta produtividade e diminuímos o cultivo das culturas em até 10 dias, economizando água e nutrientes”, comemora o pesquisador.

Os experimentos com morangos, tomates e pimentões já começaram, mas ainda é necessário acertar a luminosidade, tempo de exposição dos frutos à luz e a nutrição das plantas. A expectativa dos pesquisadores é produzir as hortaliças e frutos em um prazo menor que o cultivo em campo aberto.


domingo, 3 de janeiro de 2021

Criadores de Porcos Terão que Cumprir Regras de Bem-Estar Animal

 

Criadores de porcos terão que cumprir regras de bem-estar animal

 

As regras estabelecidas pelo Governo Federal vão beneficiar mais de 42 milhões de porcos do criatório nacional. A Proteção Animal Mundial, organização não-governamental que atua em prol do bem-estar animal, celebra a primeira normativa nacional para a criação de suínos no país. Assinada pelo Ministério da Agricultura, as regras irão beneficiar mais de 42 milhões de porcos criados no Brasil, acabando com práticas cruéis como a castração sem anestesia, o corte de orelhas e a gestação em gaiolas.

“A normativa é o resultado de um trabalho árduo, com muitas reuniões e discussões com todos os envolvidos na cadeia de produção. As novas regras não contemplam todas as mudanças que queremos, mas reconhecemos que são um marco para o bem-estar dos milhões de animais criados no Brasil”, explica José Rodolfo Ciocca, gerente de agropecuária sustentável na Proteção Animal Mundial.

A partir de agora, todos os produtores brasileiros deverão seguir as regras da instrução normativa nº 113. Algumas das mudanças positivas para os animais são:

Obrigatoriedade de enriquecimento ambiental para todos os animais, para que os porcos possam expressar seus comportamentos naturais

Proibição de procedimentos de mutilação como corte da orelha e dentes, e o corte de cauda não poderá ser usado como prática de rotina

Recomendação para castração por vacina (imunocastração) e castração cirúrgica somente com anestesia e analgesia (até 2030)

Limite do número de animais alojados em um ambiente (densidade), evitando galpões lotados

Garantia de que os animais tenham acesso a luz natural

Os projetos de reforma, ampliação ou construção de instalações deverão adotar um sistema de criação em grupos para porcas mãe em gestação e machos reprodutores

“Entendemos que os prazos dados pelo governo aos produtores são longos, mas acreditamos que, com a participação das empresas e o apoio dos consumidores, o Brasil tem a chance de fazer uma mudança sem precedentes pelos animais, de forma sustentável e em um prazo adequado”, explica Ciocca.

sábado, 2 de janeiro de 2021

MAPA DIGITALIZA MAIS DE 80 SERVIÇOS PARA O PRODUTOR RURAL

 

Mapa digitaliza mais de 80 serviços e gera economia para o produtor rural

A redução de custos para os produtores é estimada em R$ 43 milhões ao ano. A meta para 2021 é ter mais 77 serviços transformados em digitais
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Com o objetivo de apoiar os produtores rurais e manter a produtividade, especialmente durante a pandemia causada pelo Novo Coronavírus, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) agilizou a transformação de diferentes serviços ao cidadão, que antes eram realizados de forma presencial, para a forma eletrônica.

Desde o início de março deste ano, foram transformados em digitais 50 serviços públicos, com atendimento completamente virtual por meio do portal Gov.BR. Desde janeiro do ano passado, o Mapa já digitalizou 81 serviços, em parceria com a Secretaria de Governo Digital do Ministério da Economia.

De acordo com a Secretaria-Executiva do Mapa, os serviços digitais já beneficiaram mais de meio milhão de pessoas e empresas, com uma redução de custos para esse público estimada em R$ 43 milhões ao ano e para o poder público em R$ 117 milhões ao ano.

Segundo Glauber Pereira, Coordenador do Escritório de Processos do Mapa, o Ministério vem aperfeiçoando os serviços digitais com o Plano Digital, em parceria com a Secretaria de Governo Digital do Ministério da Economia.

“Com a pandemia, intensificamos a digitalização de serviços, em um ano e meio transformamos 81 serviços digitais, alguns migraram para o digital e outros nasceram digital. A meta para 2021 é ter mais 77 serviços transformados em digitais”. 

Facilidades

Na área de Defesa Agropecuária, mais de 20 serviços migraram para o digital, como o e-Sisbravet, ferramenta eletrônica para modernização da gestão da vigilância das doenças dos animais, o Sigep e o sistema de gerenciamento de estudos epidemiológicos.

Também foram digitalizados o serviço de habilitação de médicos veterinários da iniciativa privada para atuação no Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal e o pedido de habilitação de laticínios e cooperativas de leite no Programa Mais Leite Saudável.

Em abril deste ano, foi disponibilizado o serviço para solicitação de transferência do benefício Garantia-Safra por ausência ou impedimento do titular. Em julho, o Mapa lançou o serviço automatizado para requerimento de defesa de beneficiários bloqueados no Garantia-Safra, destinado aos agricultores familiares que aderiram ao Programa Garantia-Safra e tiveram a concessão do benefício bloqueada por não atenderem os critérios exigidos para sua inscrição

O Mapa também disponibilizou um serviço, totalmente digital, para obtenção de crédito por meio do Terra Brasil - Programa Nacional de Crédito Fundiário, para facilitar e agilizar o acesso ao crédito rural para aquisição de terras e infraestruturas básicas e produtivas.

Na área da pesca, foi automatizado o pedido de registro para pescador amador e a habilitação de embarcações pesqueiras para fornecimento de matéria-prima para o processamento industrial de produtos da pesca destinados à União Europeia. Também foi instituído o SINAU online, sistema que permite solicitar a cessão de uso do espaço físico em corpos d'água de domínio da União para fins de aquicultura por meio de uma plataforma online. 

Desde novembro, o cadastro de viticultores, vitivinicultores e vinicultores de todo país passou a ser feito através do Sistema de Informação de Vinhos e Bebidas (Sivibe). O sistema permite o envio pelos produtores das declarações sobre áreas cultivadas, quantidade produzida na safra por variedade e a destinação desta produção. O objetivo é gerar importantes estatísticas e levantamentos do setor vitícola nacional, promovendo e dando notoriedade à importância econômica e social deste setor.

Também foram lançados aplicativos para facilitar o acesso a informações e serviços, além de outras novidades na área de tecnologia, como a plataforma ID Agro, que vai permitir o registro oficial de tratores e equipamentos agrícolas, sem custo para o produtor rural.