sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Uma Nova Alternativa Para Financiamentos no Agronegócio

 

Uma alternativa diferente para os financiamentos do setor de agronegócio

 

Está surgindo uma nova opção de financiamento para o setor agrícola, popularmente conhecido como crowdfunding. Essa é uma modalidade de financiamento coletivo que vem se consolidando em diversos ramos empresariais, principalmente nas áreas ligadas à economia circular e criativa, sendo um dos principais financiadores de diversos empreendimentos na área de tecnologia. Então, por que não, também, no agro? Segundo Christian Bundt, Coordenador do Comitê de Economia e Tendências Empresariais do ISAE Escola de Negócios, a decisão de investir no agronegócio surgiu após muitas empresas do setor acessarem venture capitals, private equities e abrirem capital na bolsa de valores.

“O farm crowdfunding, crowdfarming ou financiamento coletivo para o agronegócio se aplica muito bem desde o pequeno ao médio produtor”, comenta. “É uma boa alternativa para a diversificação de investimentos, ainda mais com a taxa do Selic em 2% ao ano e menor que isso em muitos países do mundo”, aponta o especialista.

As experiências internacionais e brasileiras com crowdfarming ainda estão mais voltadas às pequenas propriedades, principalmente de olerícolas. Contudo, também existem experiências bem estruturadas e seguras de equity crowdfunding, como a Radix Investimentos, uma greentech florestal. “A Radix Investimentos é um caso de sucesso focado em financiamento coletivo de florestas. Ela oferece oportunidades a partir de R$500 para qualquer pessoa física que tenha desejo de investir no agronegócio. Além disso, a criação de animais também vem ganhando financiamento coletivo. Agora é a vez dos produtores de soja ou trigo pensarem nessa possibilidade”, completa Christian Bundt.

 

Em audiência com a CONTAG, INSS anuncia publicação de Portaria que altera forma de análise dos benefícios previdenciários

A Audiência Pública “Aumento do Número de Benefícios Negados pelo INSS”, convocada pela Frente Parlamentar da Agricultura Familiar e pela CONTAG, no começo de setembro desse ano, está rendendo alguns frutos. Nesta quarta-feira (02), foi realizada uma audiência no INSS, solicitada pelo deputado federal Vilson da FETAEMG (PSB-MG). O objetivo foi debater sobre o andamento dos encaminhamentos da então audiência pública que denunciou o aumento de benefícios negados pelo INSS.

A audiência de ontem (02) contou com a participação do deputado Vilson da FETAEMG, do presidente do INSS, Leonardo Rolim, do representante da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, Elvis Garcia, do diretor de Benefícios do INSS, Alessandro Roosevelt, de representante da Diretoria de Atendimento do INSS, Miguel Lago, e da secretária de Políticas Sociais da CONTAG, Edjane Rodrigues, e de sua assessoria.

Ainda na audiência pública de setembro, a CONTAG destacou que a fila única de processos vinha resultando no aumento de indeferimento indevido de benefícios e sugeriu que fosse alterada de fila única nacional para filas regionais, ou seja, que os processos de benefícios passassem a ser analisados na respectiva região onde foram protocolados. Na audiência de ontem, a Confederação foi informada que a referida Portaria que altera o formato de atendimento do INSS foi PUBLICADA, inclusive o INSS entregou a Portaria para a CONTAG em mãos (Portaria PRES/INSS n.º 1.182/2020). “Para nós, a publicação dessa Portaria já significa uma grande conquista das ações realizadas em nossa mobilização, pois atende uma das nossas principais demandas”, avalia Edjane Rodrigues.

Esta Portaria reestrutura toda a forma de atendimento do INSS, na medida em que amplia a competência das superintendências regionais e das gerências executivas do INSS para estruturar a melhor forma de atendimento dos segurados especiais. Clique AQUI para baixar a Portaria.

Mapeamento do Solo Favorece ao Produtor Rural

 

Mapeamento do solo favorece e incentiva atividades do produtor rural

Com dados e imagens de satélite, produtor rural poderá saber qual a melhor cultura em sua propriedade e explorar área de forma sustentável  


O solo é um recurso essencial à sobrevivência dos seres vivos, contribui para o desenvolvimento das plantas e para regulação do fluxo de água
Conhecer bem o solo é essencial para produtividade de qualquer cultivo porque dele vem todos os nutrientes que as plantas precisam para seu crescimento e desenvolvimento.

O mapeamento de todos os tipos solos, reunidos em uma plataforma única do PronaSolos, lançada nesta quinta-feira(03) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), será um grande incentivo para os produtores rurais.

O pesquisador da Embrapa Solos e coordenador-geral do PronaSolos, José Carlos Polidoro, ressalta que com o levantamento, feito até com imagens de satélites, o produtor rural conhecerá cada tipo de solo de sua propriedade, o que será fundamental para a exploração de sua terra de forma sustentável, sem degradá-la, garantindo o seu patrimônio e das futuras gerações.

O agricultor poderá planejar a cultura que irá plantar como, por exemplo, arroz, soja, milho, banana e algodão. O mapeamento também indicará se o solo não é adequado para um determinado tipo de cultura. “É um ganho para o produtor. A maior riqueza do agricultor é a sua terra e o conhecimento do solo é fundamental para o seu planejamento agrícola”, avalia.

Polidoro ressalta ainda que o conhecimento detalhado e aprofundado dos solos irá possibilitar à agricultura brasileira ganhar mais competitividade e contribuir para o desenvolvimento do país. O mapeamento também apoiará a formulação de políticas públicas sobre conservação do solo, preservação de ecossistemas, uso sustentável dos recursos naturais e segurança alimentar.

“As escalas de conhecimento do nosso solo estão muito defasadas. Nós precisamos de informações mais detalhadas para tomar decisões mais acertadas a respeito do uso, manejo e conservação. Em conhecendo os solos, você pode definir o que é melhor para a agricultura”, completa Polidoro.

Os produtores rurais poderão tomar decisões mais acertadas, uma vez que, em geral, uma propriedade tem solos bastante diferentes, uns mais profundos, outros mais rasos, mais arenosos ou argilosos, onde a água drena mais facilmente, outros que permanecem mais úmidos por longo período.

“Quando o agricultor consegue saber antecipadamente o que plantar, onde plantar, quando plantar e como plantar, ele está muito próximo de ter uma produção sustentável. O conhecimento dos recursos de solos e seu adequado manejo são essenciais à sustentabilidade”, explica o pesquisador da Embrapa Solos, Silvio Bhering.

Para o pesquisador, conhecer o solo traz diversos benefícios para o produtor. Ele cita, por exemplo, a situação de uma propriedade rural tradicional, onde existem áreas de baixas, encostas e o topo dos morros. “Em cada um desses ambientes existem solos distintos, na profundidade, fertilidade e na capacidade de armazenar água. Identificadas as particularidades de cada um desses ambientes, o produtor pode utilizar sua propriedade da melhor forma, através da seleção dos melhores cultivos e períodos de plantio”.

Plantio direto

Pelo sistema do plantio direto, o agricultor utiliza processos que não revolvem totalmente a terra no momento da semeadura para não degradar o solo nem atingir o lençol freático. São utilizadas palhas para manter o solo úmido, reter nutrientes e atrair a presença de minhocas, que contribuem para aumentar a fertilidade.

O sistema de plantio direto está associado à agricultura conservacionista de forma a contribuir para conservação do solo e da água, aumento da eficiência da adubação, incremento do conteúdo de matéria orgânica do solo, aumento na relação benefício/custo, redução do consumo de energia fóssil e do uso de agrotóxicos, mitigação da emissão dos gases de efeito estufa e contribuição para o aumento da resiliência do solo.

O pesquisador Silvio Bhering explica que “o fundamento do sistema é a ausência de revolvimento do solo em sua cobertura permanente e na rotação de culturas. O plantio direto pressupõe a incorporação de matéria orgânica no solo e, consequentemente, amplia a possibilidade de maiores teores de água no solo”.

A técnica, considerada a primeira revolução das práticas agrícolas no Brasil, também diminui o uso de máquinas e tratores reduzindo, assim, a emissões de gases do efeito estufa na atmosfera. O plantio direto hoje é uma das principais tecnologias que integram o Plano da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC).

A fixação de carbono no solo é um dos resultados da técnica de plantio direto 

Cerrado

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, que se estende por pouco mais de 2 milhões de quilômetros quadrados e equivale a aproximadamente 22% território nacional. O Cerrado está presente em 11 estados brasileiros e no Distrito Federal. Isso sem contar os enclaves no Amapá, Roraima e Amazonas.

Um dos biomas mais ricos e antigos do planeta, com mais de 12 mil espécies de plantas catalogadas e mais de 2,5 mil espécies de animais, entre aves, mamíferos, répteis, anfíbios e peixes, o Cerrado é também considerado o berço das águas no Brasil, abrigando as nascentes das maiores bacias hidrográficas do país.

O conhecimento dos recursos do solo, distribuição e características proporcionou a utilização de cultivares mais adaptados, de sistemas de produção ajustados a essas condições de solos e clima, a rotação de culturas, o sistema de plantio direto e, mais recentemente, a Integração Lavoura, Pecuária e Floresta. “Os conhecimentos e tecnologias tornou o Cerrado uma potência agrícola”, enfatizou o pesquisador Silvio Bhering.

Plataforma tecnológica

Nesta quinta-feira (3), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou a plataforma digital do Programa Nacional do Brasil (PronaSolos) que reúne informações do solo brasileiro. Os dados podem ser acessados por pesquisadores, produtores rurais e pela população em geral, de forma gratuita.

A plataforma permite carregar na mesma imagem mapas de diferentes instituições, como por exemplo o mapa de aptidão agrícola do Matopiba, importante fronteira agrícola que compreende as regiões do Cerrado do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, junto com o mapa de hidrogeologia da região, fornecendo indicações das áreas com maior impacto do uso de irrigação. O conhecimento dos recursos de solos e seu adequado manejo são essenciais para a sustentabilidade da região.

A plataforma integra o Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos do Brasil (PronaSolos), que tem como objetivo mapear 8,2 milhões de quilômetros quadrados em escalas, como de 1:100.000, até 2048. Isso significa que cada um centímetro dos mapas, representa um quilômetro da área real. Atualmente, 5% do território nacional tem informações com este nível de detalhamento.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Novo Equipamento Facilita a Medição de Água no Solo

Novo equipamento facilita a medição da água infiltrada no solo

 

Trata-se de um novo permeâmetro – equipamento mais usado no mundo para avaliar a condução da água nos solos – capaz de fazer essa coleta digitalmente, por meio de um microcomputador de baixo custo. Com isso, reduz o tempo e os custos da avaliação de parâmetros hidráulicos, que permite conhecer o processo de absorção de água pela terra, ou seja, mais especificamente da infiltração e do fluxo de água no solo . O equipamento foi desenvolvido pelos pesquisadores da Embrapa Solos (RJ) e do Centro Brasileiro de Pesquisa Físicas (CBPF).

A medição da água infiltrada no solo é fundamental para otimizar a irrigação, diminuindo o desperdício de água e a erosão; e para estimar o desabamento de encostas, auxiliando na prevenção e na elaboração de alarmes mais eficazes e na avaliação do comportamento de terrenos para construção de estradas ou barragens.

Os equipamentos mais utilizados no mundo para avaliar a condução da água nos solos saturados são os permeâmetros de poço e, entre esses, um dos mais populares é o Permeâmetro de Guelph. Ele necessita de um profissional para fazer a coleta manual dos dados de fluxos de água, que possibilitam calcular a condutividade hidráulica do solo. “A parceria entre a Embrapa e o CBPF desenvolveu um novo permeâmetro que faz essa coleta automatizada. Com esse aparelho, o técnico, que ficava por horas anotando os valores de fluxos, é liberado para fazer outras avaliações e coletas, aumentando o rendimento e a eficiência do trabalho no meio rural. Além disso, o equipamento tem uma precisão de leitura de milímetros e um registro de tempo de décimos de segundo, o que aumenta a precisão dos dados coletados”, conta o pesquisador da Embrapa Solos Wenceslau Teixeira.

“Além de medir a variação do volume e do tempo de um modo mais preciso, registrar em um cartão de memória e transmitir esses dados para um celular, ou tablet (via Bluetooth), o sistema calcula a grandeza imediatamente. Caso ocorra alguma inconsistência nas medidas, é possível identificar no local e fazê-las novamente, sem necessidade de um novo, e custoso, deslocamento. O dispositivo simplifica a operação de medida, permitindo seu uso por operadores com menor treinamento, além de alertar para certos erros devido a variações bruscas da temperatura que não eram considerados no método tradicional”, revela Geraldo Cernicchiaro, do CBPF.

As instituições buscam agora um parceiro para produzir o equipamento em larga escala e inseri-lo no mercado.

 

Segunda Etapa de Vacinação Contra Aftosa é Prorrogada em 13 Estados.

 

Segunda etapa de vacinação contra a febre aftosa é prorrogada em 13 estados

Nesta etapa, são vacinados bovinos e bubalinos com até 2 anos de idade, na maioria dos estados brasileiros
A segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa, que inicialmente terminaria no dia 30 de novembro, foi prorrogada em 13 unidades federativas do Brasil. A ampliação do prazo, principalmente em função da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), foi avaliada e autorizada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).
 
Nesta etapa, são vacinados bovinos e bubalinos com até 2 anos de idade, na maioria dos estados brasileiros, conforme o Calendário Nacional de vacinação 2020.
 
Para os pecuaristas de Sergipe e do Distrito Federal, a prorrogação vale até a próxima sexta-feira (4). No estado de Mato Grosso, o novo prazo será até o dia 10 de dezembro e no Maranhão, até o dia 14. Já os estados de Piauí, Pernambuco, Espírito Santo, Alagoas, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte a ampliação do prazo vai até o dia 15 de dezembro. No estado do Ceará, a prorrogação vai até o dia 19. Por fim, produtores do Amapá e Paraíba terão até o dia 31 de dezembro para realizar a imunização.
 
As vacinas devem ser adquiridas nas revendas autorizadas e mantidas entre 2°C e 8°C, desde a aquisição até o momento da utilização – incluindo o transporte e a aplicação, já na fazenda. Devem ser usadas agulhas novas para aplicação da dose de 2 ml na tábua do pescoço de cada animal, preferindo as horas mais frescas do dia, para fazer a contenção adequada dos animais e a aplicação da vacina.
 
Além da vacinação, o produtor deve fazer a comprovação junto ao órgão de defesa sanitária animal de seu estado. A declaração da vacina pode ser entregue de forma online ou, quando não for possível, presencialmente nos postos designados pelo serviço veterinário estadual nos prazos estipulados.
 
Em caso de dúvidas, a orientação é para que procurem o órgão de defesa sanitária animal de seu estado.

Prazo Mínimo Para Contratos de Arrendamento Rural

 

Prazo mínimo para contratos de arrendamento rural

O Estatuto da Terra e seu regulamento tratam, dentre outras coisas, sobre os contratos de arrendamento rural que permitem o uso temporário da terra mediante o pagamento de determinada quantia.

A Lei estabelece o prazo mínimo de três anos nos contratos em que houver exploração de lavoura temporária (soja, milho, trigo, etc.) e nos casos de pecuária de pequeno e médio porte; o prazo mínimo será de cinco anos quando houver exploração de lavoura permanente (café, laranja, uva, etc.) ou de pecuária de grande porte ou ainda para extração de matérias primas de origem animal; o prazo mínimo será de sete anos em casos de exploração florestal (eucalipto, pinus, etc.).

Para todos os casos de parceria agrícola o prazo mínimo será de três anos.

A questão é saber se as partes contratantes podem alterar os prazos mínimos estabelecidos em lei, segundo os próprios interesses.

Muitas discussões foram travadas e a questão já foi tratada pelo Superior Tribunal de Justiça entendendo que o Estatuto da Terra tem por objetivo a proteção da parte mais vulnerável (em regra o arrendatário) e que também busca cumprir com a função social de equilibrar a exploração agropecuária, permitir a produção de alimentos e preservar a cadeia do agronegócio.

Assim é que o atual entendimento não permite a alteração dos prazos mínimos previstos em Lei, nem mesmo por mútuo acordo entre as partes envolvidas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Produção Agropecuária Dobrou no Brasil em 22 Anos

Com tecnologia e inovação, produção agropecuária dobrou no Brasil em 22 anos

O dado consta no livro “Uma Jornada Pelos Contrastes do Brasil: Cem anos do Censo Agropecuário”. A obra também aponta que, entre os censos de 2006 e 2017, a área agrícola com plantio direto aumentou 84,9%

Nos últimos 47 anos, a agropecuária cresceu em média 3,22% ao ano. Entre os censos de 2006 e 2017, a taxa de crescimento aproximou-se de 4,3%, superando Estados Unidos (1,9%), China (3,3%), Chile (3,1%) e Argentina (2,7%). De 1995 a 2017, o Valor Bruto da Produção dobrou, sendo que a tecnologia foi responsável por mais de 60% desse crescimento.

Esses são alguns dos dados do livro Uma Jornada Pelos Contrastes do Brasil: Cem anos do Censo Agropecuário, lançado nesta terça-feira (1º) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a participação de 64 pesquisadores de diversas instituições, o livro traz um diagnóstico atual da agropecuária brasileira a partir de uma análise histórica e de informações estatísticas coletadas pelo censo agropecuário, realizado no país desde 1920.

>> Acesse aqui o livro

A publicação foi organizada pelos pesquisadores José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho (diretor de Programa do Mapa) e José Garcia Gasques (coordenador-geral de Políticas e Informações do Mapa), que dividiram as análises em cinco temas: produção e renda, produtividade e inovação, agricultura familiar, políticas públicas e sustentabilidade produtiva.

No lançamento virtual do livro, a ministra Tereza Cristina reforçou que os dados serão fundamentais para o planejamento da agropecuária do futuro. "Precisamos de inteligência estratégica para crescer, planejar o futuro da nossa bem-sucedida agropecuária brasileira".

Ela destacou os desafios apontados pelo livro, como facilitar o acesso de pequenos e médios produtores ao crédito rural e ampliação da oferta da assistência técnica aos agricultores familiares. "Precisamos perseguir para que o crédito rural seja cada vez mais inclusivo e que traga cada vez mais rena, benefícios para aqueles que estão no campo. A assistência técnica, ainda não conseguimos sair do patamar de 17%.Precisamos atingir um percentual cada vez maior de assistência técnica, principalmente no Nordeste, onde é essencial inclui-la nas políticas públicas".

O presidente do Ipea, Carlos von Doellinger, ressaltou a participação cada vez maior do setor na economia brasileira. Segundo ele, estimativas do instituto apontam que as cadeias produtivas do agro (produção, armazenagem, comercialização e etc) podem chegar a 25% do PIB. "O agro é que vai fazer o futuro do Brasil, está mostrando serviço e é onde estão nossas vantagens competitivas e que estamos sabendo aproveitar".

>> Veja o lançamento do livro

Já a presidente do IBGE, Susana Guerra, destacou o comprometimento da instituição com a realização dos censos agropecuários, fundamentais para orientar as políticas agrícolas. "Essa é a missão do IBGE, retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento da sua realidade e exercício da cidadania que se mostra com muita clareza no caso do Censo Agropecuário. As dimensões sociais, econômicas e ambientais da produção agropecuária brasileira são apresentadas para sociedade para serem analisadas em uma única fonte de dados".

Tecnologia e produtividade

Um dos capítulos do livro mostra como a tecnologia transformou a agropecuária brasileira em um modelo de sucesso e alavancou o Brasil, de importador de alimentos, a um dos principais players no cenário agrícola mundial.

Em 1995-1996, a tecnologia respondia por 50,6% do total da produção do agro, ao lado de 31,3% do uso da mão de obra e 18,1%, da terra. Em 2006, esse percentual passou para 56,8% e, em 2017, saltou para 60,6%.

"O setor caminha muito rápido. A agricultura está se especializando em produtos de alto valor agregado e de inovação tecnológica", destacou José Garcia Gasques, citando como exemplo o desenvolvimento de variedades de sementes mais adaptadas aos diferentes tipos de solo e clima do país.

No lançamento do livro, José Eustáquio Vieira Filho destacou outros dados que demonstram a evolução da agropecuária. "Em 1920, contabilizaram-se 648 mil estabelecimentos. De outro, em 2017, havia em torno de 5 milhões de estabelecimentos produtivos. Nesse período, a área de produção subiu de 175 milhões para cerca de 351 milhões de hectares. A população ocupada mais do que dobrou, chegando a 15 milhões de pessoas empregadas no campo".

>> Veja mais fotos do lançamento

A mudança na frota de tratores é outro indicador da modernização do setor. A oferta de máquinas agrícolas cresceu no país junto com o avanço da soja e do milho a partir da década de 1960, com o surgimento de variedades dos grãos mais adaptadas ao clima e condições do país.

“A mecanização, mensurada em tratores por hectare, cresceu significativamente entre 1970 e 2017, de 4,88 tratores por mil hectares, na primeira data, para 17,08 tratores por mil hectares, no segundo período, demonstrando um vigoroso processo de mecanização do campo brasileiro”, afirmam os autores do capítulo 10.

Com adoção de máquinas e práticas mais modernas, o produtor rural também viu sua renda bruta crescer e os custos reduzirem. Os pesquisadores apontam que o desafio agora é a difusão das soluções inovadoras para todos os produtores rurais do país, de pequeno, médio e grande porte.

Sustentabilidade

No quesito sustentabilidade, o livro traz uma análise sobre a adoção do Sistema Plantio Direto (SPD) no país. O plantio direto é uma alternativa tecnológica para aumentar a produtividade agrícola e minimizar a emissão dos gases de efeito estufa. No plantio direto, é mantida a cobertura permanente do solo com resíduos vegetais (palhada) ou plantas vivas por mais tempo possível, as culturas são diversificadas ampliando a biodiversidade, uso de insumos de forma precisa e controle do tráfego de máquinas e equipamentos agrícolas.

Entre os censos agropecuários de 2006 e 2017, a área total com plantio direto passou de 17,9 milhões para 33,1 milhões de hectares (crescimento de 84,9%). Quanto aos estabelecimentos rurais com SPD, a expansão foi de 9,2%, de 506,7 mil para 553,4 mil.

O crescimento da área com o sistema foi percebido principalmente no Centro-Oeste, Sul e Sudeste. “A evolução da adoção do plantio direto entre os dois censos agropecuários está associada à maior proporção de lavouras temporárias; e ao maior acesso aos insumos de produção, crédito e assistência técnica”, diz trecho do capítulo 28. Os autores do capítulo sugerem maior acesso dos produtores ao financiamento rural e assistência técnica para o avanço do plantio direto.

 

Cuidados Com as Éguas no Período da Reprodução

 

Cuidados com as éguas no período da reprodução

 

Além da alimentação, há outros fatores que contribuem, para que o criador tenha éguas produtivas, saudáveis e potros também saudáveis. Para isso, é importante ficar atento à nutrição das éguas no período reprodutivo. Além disso, outros cuidados devem ser seguidos, como: tipo de acasalamento a ser realizado (natural, inseminação artificial ou transferência de embriões); o cio da égua (indução de cio, programa de luz e sincronização de cio); programa de vacinação; controle de parasitas do rebanho; qualidade das pastagens e o estado físico dos animais.

As éguas precisam ser assistidas de perto durante toda a fase de reprodução, que se inicia antes mesmo do período de monta. No caso das éguas há quatro principais fases da geração de um potro: matrizes vazias; início de gestação; final de gestação e lactação. “O desenvolvimento do embrião e o crescimento fetal necessitam de nutrientes adicionais a partir do quinto mês de gestação, o que faz com que desde a fase vazia até o momento da monta as éguas sejam tratadas como animais em manutenção”, reforça a médica veterinária e supervisora técnica de equinos da Guabi, Claudia Ceola.

O programa de alimentação indicado para as matrizes até o terço inicial da prenhez é uma boa pastagem, sal mineral à vontade e uma ração balanceada com 12% de proteína bruta para suprir suas necessidades diárias e garantir um estado físico moderado no período do cio na estação de monta. “Éguas muito magras ou muito obesas podem ter a ovulação comprometida e não conseguirem emprenhar, além disso o tipo de volumoso a ser fornecido deve ser avaliado, pois tanto a silagem de milho como os fenos pré-secados apresentam grandes quantidades de micotoxinas que podem comprometer a fertilidade das éguas, podendo até resultar na reabsorção dos embriões e ocasionar aborto”, completa a veterinária.

A partir do oitavo mês de gestação devem ser acrescidos gradualmente os valores de proteína bruta, minerais, vitaminas e energia providos na alimentação da matriz. É nesta etapa em que o feto mais se desenvolve e cresce, podendo chegar a ganhar até 500 gramas por dia. “Caso a suplementação não comece no momento sugerido, o desenvolvimento do potro pode ser comprometido. Portanto, é importante trocar a ração para uma que contenha pelo menos 15% de proteína bruta, por ser o nutriente mais importante para o crescimento do feto”, conta Claudia. Essa suplementação deve se manter até o quarto mês de lactação, porque os aminoácidos presentes em rações com mais proteína bruta e energia digestível também garantem uma boa produção de leite para a matriz.

Mesmo com a suplementação é fundamental garantir que a égua não ganhe sobrepeso e continue gastando energia e praticando exercícios regularmente. “Como no período gestativo a égua sofre uma diminuição do espaço intrauterino, é de extrema importância que seu estado físico seja moderado. O sobrepeso nos últimos meses da gestação pode comprometer sua saúde e do potro”, alerta a veterinária.

O período final da gestação também exige, independente da qualidade do volumoso ofertado, a ingestão de cerca de 80 a 100 gramas por dia de sal mineral balanceado que contenham cálcio, cobre, zinco, ferro, selênio, potássio, magnésio, cloro e vitaminas A, D e E.

“A égua em lactação é a categoria animal que requer mais proteína, lisina, cálcio, fósforo e todos os demais minerais. Dentre a espécie equina, é a segunda categoria animal que mais precisa de energia para realizar suas funções, só perdendo para cavalos atletas em trabalhos muito intensos”, conclui Claudia.

Farelo de Algodão Deve ter Produção Menor

 

CI
 
CENÁRIO 2021

Farelo de algodão deve ter produção menor

Por outro lado a demanda deve ser firme
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O farelo de algodão é um concentrado proteico muito consumido no Brasil, principalmente em confinamentos de gado de corte. A Scot Consultoria divulgou as projeções para o farelo de algodão para 2021. Projetando preço e disponibilidade o insumo pode ser alternativa para diminuir os custos com a dieta dos animais, ainda mais com a valorização do milho e farelo de soja.

Em janeiro de 2020, a tonelada de farelo de soja custava R$1.370,88, atualmente está cotada em R$2.737,79, alta de 99,7%. Essas altas puxaram os preços do farelo de algodão para cima, devido à maior demanda. Em janeiro a tonelada estava em média R$ 700 com 28% de proteína bruta e em novembro cerca de R$ 1.700.

Para a safra 2020/2021, a consultoria aponta que a expectativa é de que a produção nacional de caroço de algodão (produto que origina o farelo) seja de 4,09 milhões de toneladas, 6,3% menor que no ciclo anterior. Para safra de soja 2020/21, na reta final de plantio, a estimativa é de que a produção seja 8,1% maior em relação à safra anterior, sendo que boa parte dessa safra já foi comercializada e a demanda continua firme. “Isso deve sustentar os preços, mantendo a demanda por ingredientes alternativos, como o farelo de algodão”, destaca a carta insumos.

Outro fator observado é que o poder de compra do pecuarista, em relação ao farelo de algodão, vem caindo. Em janeiro deste ano eram necessárias 4,15 arrobas de boi gordo para a compra de uma tonelada de farelo de algodão, considerando o produto com 28% de proteína. Atualmente, são necessárias 6,23 arrobas de boi gordo, queda de 50,2% no poder de compra. “Com o poder de compra menor, o pecuarista tem de analisar o custo-benefício da estratégia, principalmente devido ao maior teor de proteína presente no farelo de soja em relação ao de algodão e, de acordo com a região e projeto, buscar alternativas”, diz o estudo.

Com boa parte da soja 2020/21 vendida e a boa demanda, os preços tendem a se manter firmes, assim como os do farelo. Associadas à menor expectativa de produção de algodão e à manutenção de bons preços para o boi gordo, a demanda e as cotações dos coprodutos de algodão devem seguir firmes.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Produtos Agropecuários Respondem por 21% das Exportações Brasileiras

 

Produtos agropecuários respondem por 21% da movimentação dos portos brasileiros

As informações estão no Boletim Logístico, divulgado esta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento

A participação dos produtos agropecuários na movimentação de cargas nos portos brasileiros passou de 16% em 2019 para 21% em 2020, apesar das medidas de enfrentamento da pandemia de Covid-19. Até o mês passado, a circulação de produtos agropecuários chegou a 175 milhões de toneladas. Os dados se referem aos primeiros dez meses dos dois anos. Nesse período, a movimentação total de cargas nos portos brasileiros foi de 850 milhões de toneladas. Essa quantidade é 3,7% maior do que a registrada no mesmo período do ano passado.

As informações formam as análises compiladas no Boletim Logístico, divulgado esta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O estudo foi feito com base em dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) até o terceiro trimestre de 2020.

O Brasil possui 34 portos públicos e 147 terminais de uso privado (TUP), responsáveis pela movimentação marítima e fluvial de 80% das mercadorias consumidas diariamente. De toda a movimentação, 65,5% são realizadas nos TUP’s e 34,5% nos portos organizados.

Os dados do Boletim Logístico revelam o impacto dos produtos agrícolas nas exportações brasileiras. Até o mês passado, o setor registrou um superávit na balança comercial de US$ 75,5 bilhões: US$ 85,8 bilhões (exportações) e US$ 10,4 bilhões (importações). Segundo o Ministério da Economia, em outubro, as exportações brasileiras atingiriam US$ 210,7 bilhões, sendo que a participação do agronegócio chegaria a metade desse total.

No setor agropecuário, o complexo soja tem o maior valor acumulado de todas as cadeias - 39,2% do total -, seguido pelas carnes com 16,4%. Confira aqui a íntegra do Boletim Logístico.

IDIARN Prorroga a Segunda Etapa da Vacinação Contra a Aftosa

 

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE INSTITUTO DE DEFESA E INSPEÇÃO AGROPECUÁRIA DO RN

 

                             NOTA 
O Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do RN (IDIARN), prorrogou o período da segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa. A orientação veio por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atendendo ao pleito dos Estados do Brasil.
Com a prorrogação, o produtor potiguar terá até o dia 15 de dezembro para adquirir a vacina e até 15 de janeiro para declarar o rebanho e ganhando mais tempo para imunizar seus animais. Nesta etapa, a vacinação é obrigatória apenas para os animais de 0 a 24 meses. 
Destacamos que o produtor cadastrado junto ao IDIARN deve adquirir a vacina em uma das lojas autorizadas. Após isso, vacinar os animais e declarar o rebanho até o prazo estendido de 15 de janeiro em um dos escritórios do próprio IDIARN, EMATER ou Secretarias Municipais de Agricultura.
Todos juntos contra a Febre Aftosa!

Assessoria de Imprensa Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do RN

Leite de Cabras tem Anticorpos Contra o Câncer

 CI

 
CAPRINOS

Leite de cabra tem anticorpos contra câncer

Apenas um animal produz diariamente anti-VEGF para o tratamento de 60 pacientes
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Uma pesquisa realizada por cientistas do Núcleo de Biologia Experimental da Universidade de Fortaleza (Unifor) pode revolucionar o tratamento de vários tipos de câncer. E a solução pode vir de um animal muito comum no Nordeste: as cabras. 

Atualmente grande parte dos insumos usados no tratamento da doença são importados, como o anticorpo anti-VEGF, por exemplo, utilizado para o tratamento de diversos tipos de câncer (pulmão, ovários e cólon). Pois o mesmo anticorpo foi encontrado no leite de caprinos transgênicos, estudados desde 2010 como forma de diminuir a mortalidade infantil e a diarreia no semiárido do país. As pesquisas se expandiram para o desenvolvimento de biofármacos para o tratamento de outras doenças, como a doença de Gaucher, doenças autoimunes, leucemias, linfomas entre outras. 

O estudo é coordenado pelos pesquisadores Saul Gaudêncio, Kaio Tavares e Leonardo Tondello. Eles descobriram que a concentração do anticorpo no leite de cabras é alta. Apenas um animal transgênico produz diariamente anti-VEGF suficiente para o tratamento de até 60 pacientes

No Brasil, um frasco contendo 400 mg do biofármaco custa até 7 mil reais. Os caprinos estão produzindo em média 3,8 gramas do anticorpo por litro de leite, o que corresponde a 9,5 frascos / litro de leite. “Dessa forma, a produção do medicamento surge como uma nova alternativa para o tratamento da doença, já que a produção do medicamento no leite caprino é consideravelmente mais barata em comparação a outras plataformas de produção”, explica Tondello.

Além disso o anti-VEGF encontrado no leite de caprinos transgênicos possui estrutura semelhante aos anticorpos humanos. Isso significa que tem baixo potencial de ser rejeitado pelo organismo humano. “Vários produtos que estão no mercado causam certo grau de rejeição, ocasionando algum grau de reação imune nos pacientes. Mesmo assim, são comercializados porque o efeito terapêutico deles compensa”, afirma Tondello. 

Os cientistas avaliaram que em uma comparação com o anticorpo comercial Avastin, mais usado no tratamento do câncer, o produzido no leite é ainda mais semelhante à imunoglobulina humana do que o próprio Avastin. 

Os estudos também analisaram a eficácia e a atividade do anticorpo com testes pré-clínicos in vivo em camundongos com câncer de pulmão. Os animais que foram tratados com o anti-VEGF produzido no leite de caprinos transgênicos tiveram uma redução bastante significativa no tamanho dos tumores. Os estudos também resultaram na elaboração de protocolo de purificação cujo processo traz resultados acima de 70%, o que significa alta eficiência. Como o anti-VEGF é obtido a partir do leite do caprino, o anticorpo precisa ser purificado, já que eventualmente será aplicado na corrente sanguínea, pela via endovenosa. Neste caso, é necessário que o anticorpo esteja totalmente purificado. 

A Unifor é pioneira no país na produção de biofármacos por meio de plataforma animal, utilizando a clonagem por transferência nuclear de células somáticas com células transgênicas como meio para estabelecer um sistema de expressão em leite de cabra.  Em maio de 2019, nasceram os primeiros caprinos geneticamente modificados destinados à produção do anti-VEGF. As cabras, produzidas e geradas na universidade, permitiram uma produção em maior escala do biofármaco.