Cientistas confirmam: árvore no campo significa menos doenças na lavoura
Está
confirmado através de estudos que o componente florestal reduz a
sobrevivência de patógenos no solo e a intensidade de doenças foliares.
Isso quer dizer que os sistemas integrados de produção agropecuária
(SIPA), também conhecidos como integração lavoura-pecuária-floresta
(ILPF), contribuem com a redução de doenças de plantas nas lavouras de
grãos, tanto nas raízes quanto na parte aérea das plantas. Pesquisas
desenvolvidas pela Embrapa, em parceria com a Universidade Federal do
Paraná (UFPR) e conduzidas em um experimento de longa duração do
Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), concluíram que é possível, nas
áreas manejadas com ILPF, reduzir a quantidade de agrotóxicos
necessários para controle de doenças, pois o componente florestal é um
fator importante na redução da sobrevivência de patógenos no solo, bem
como reduz a intensidade de doenças foliares.
Os estudos foram desenvolvidos pelo engenheiro-agrônomo Alexandre Dinnys Roese, da Embrapa Agropecuária Oeste, em parceria com Erica Camila Zielinski e Louise Larissa May De Mio, ambas do Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Roese explica que o estudo foi direcionado tanto a doenças causadas por fungos que sobrevivem no solo quanto às foliares, cujos patógenos sobrevivem nos restos culturais e plantas voluntárias, podendo ser dispersos pelo ar, como é o caso das ferrugens.
Entre os avanços proporcionados por essa pesquisa, se destacam as contribuições relacionadas ao comportamento de doenças do solo nas lavouras de soja e milho e de doenças foliares nas lavouras de soja, milho e aveia. Essa pesquisa, especificamente, contribui com o ODS nº 12, que se propõe a assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis, por meio do alcance da Meta 4, que estabelece que até 2020, seja alcançado o manejo ambientalmente adequado dos químicos e de todos os resíduos, ao longo de todo o ciclo de vida desses produtos.
O chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste, Walder Antonio Nunes, chama a atenção para o fato de que essa descoberta científica contribui com melhorias dos sistemas de produção agropecuária. “O uso da ILPF reduz a utilização de produtos químicos, resultado que está alinhado às diretrizes estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015,” lembra.
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