quinta-feira, 21 de julho de 2016

Produtores de algodão querem investir em pesquisas para controlar o bicudo

bicudoO bicudo é considerado a pior praga do algodão desde 1983, quando a espécie foi introduzida no Brasil, mais precisamente no estado de São Paulo. Segundo estimativas divulgadas no ano passado durante o 10º Congresso Brasileiro do Algodão, a presença do bicudo do algodoeiro vem causando perdas de R$ 1,7 bilhão por ano aos produtores. As larvas do bicudo ficam escondidas no interior dos botões florais, o que dificulta sua identificação e combate.
Eliminar o Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é atualmente o maior desafio dos cotonicultores do Brasil. Essa é a visão de um grupo de representantes dos produtores de algodão da Bahia. O grupo foi conhecer novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas pela Embrapa para o manejo do bicudo nas áreas de ecologia, semioquímicos e controle biológico com fungos.
 O manejo integrado de pragas foi uma das soluções apresentadas pelos pesquisadores Carmen Pires e Edison Sujji, do Laboratório de Ecologia e Biossegurança. No Laboratório de Bioecologia e Biossegurança, eles mostraram aos produtores de algodão um estudo intitulado “Bioecologia do bicudo na entressafra e distribuição espacial na paisagem agrícola”.
Os resultados trazem dados como preferência por alimentos alternativos ao algodão, períodos de dormência e reprodução e rotas de entrada e saída da praga em campo. “Neste momento, precisamos ter acesso a dados de fazendas com populações maiores de bicudo, para saber se a infestação pela praga está ligada à vegetação ou ao manejo”, explicou o pesquisador Edison Sujii.
Os produtores de algodão da Bahia também conheceram as pesquisas na área de ecologia química realizadas no Laboratório de Semioquímicos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. A pesquisadora Maria Carolina Blassioli de Moraes apresentou as pesquisas realizadas com os semioquímicos, que são substâncias produzidas por insetos e plantas que agem no comportamento dos insetos.
Os pesquisadores da Embrapa também já identificaram os compostos químicos que repelem o bicudo, para os quais estão sendo feitos testes de confirmação de eficácia. No Laboratório de Micologia de Invertebrados, os pesquisadores Marcos Faria e Rogério Lopes apresentaram alguns fungos que podem ser usados no controle biológico do bicudo-do-algodoeiro.

No caso específico do bicudo, o pesquisador explicou que o Metarhizium anisopliae tem se mostrado bastante eficaz, mas ressaltou que ainda é preciso desenvolver formas de produzi-lo em larga escala com baixos custos.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Banco do Nordeste: Instituição contrata R$ 5,4 bilhões com recursos do FNE no primeiro semestre

Foto: Reprodução
O Banco do Nordeste celebra nesta terça-feira (19) seus 64 anos e, segundo informação de sua assessoria de imprensa, a instituição também comemora que as contratações, por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), atingiram o montante de R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre de 2016, valor que representa crescimento de 7,3% em relação ao mesmo período de 2015.
Além do volume de investimentos, também houve aumento no número de contratações.
Ao todo, foram realizadas 270,9 mil operações de crédito, o que equivale a um acréscimo de 8,1%.
Os recursos beneficiaram 99,7% dos municípios da área de atuação do Banco do Nordeste, totalizando 1.984 municípios na região Nordeste e norte dos estados de MG e ES.
Entre os estados que obtiveram maior incremento no volume de volume de contratação, em comparação ao primeiro semestre de 2015, destacam-se ES (87,6%), PE (46,4%), MA (35,9%) e RN (27,9%).
Nas contratações por porte, o agrupamento Mini/Micro, Pequeno e Pequeno-Médio Produtor Rural e Empresa alcançaram R$ 3,4 bilhões de janeiro a junho de 2016.
O volume representa 62,9% dos recursos aplicados pelo FNE no período e aponta aumento de 4,6% se comparado ao mesmo semestre de 2015.
Nesse agrupamento, o porte Mini Produtor obteve um resultado superior em 9,9% em relação ao mesmo período de ano anterior.
Já para o porte Micro Empresa, comparativamente ao mesmo semestre do ano anterior, o incremento registrado foi de 6,2%.
Comparando os valores aplicados por setor no primeiro semestre do ano em relação a 2015, os destaques são para o Turismo (37,7%), Agricultura (36,9%), Indústria (16,2%) e Agroindústria (15,1%).


Sistema Mãe D’Água/Curemas só garante abastecimento até outubro

Rio Piranhas ainda com água (Foto: José Procópio)
Rio Piranhas ainda com água (Foto: José Procópio)
Uma equipe composta por representantes da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN), da Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (CAGEPA), da Agência Executiva de Gestão de Água da Paraíba (AESA) e do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) comprovou que ainda é possível continuar abastecendo as populações da Paraíba e Rio Grande do Norte com a liberação da água, por gravidade, a partir do sistema Mãe D’Água/Curemas. A equipe fez o levantamento técnico a partir da dúvida levantada pela Agência Nacional de Águas (ANA), durante reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica Piancó-Piranhas-Açu (CBH-PPA), realizada na sexta-feira, 15 de julho.
Esse abastecimento com liberação da água, por gravidade, para a calha da Bacia Piancó-Piranhas-Açu, no entanto, só poderá ser feito até final de setembro ou início de outubro deste ano. Esta é a previsão feita pelos técnicos, a partir da existência de uma lâmina d’água de 2,05 metros, acima da composta. Quando chegar a esse limite, não será mais possível a liberação de água pela comporta, por gravidade.
Para o presidente do Comitê, agrônomo José Procópio de Lucena, essa informação não justifica protelar as decisões técnicas e políticas da construção das adutoras para abastecimento de Caicó, principalmente a partir da Serra de Santana. “Também é preciso realizar um forte racionamento para economizar água e fazer reuso nas cidades, plano de contingência e divulgação pela CAERN e GAGEPA da crise hídrica, fiscalização forte na calha do rio para exigir irrigação zero e proibir qualquer uso perdulário nas cidades pelas empresas”, ressaltou Procópio.

Ele conclui as considerações a respeito do fato com uma ressalva: “água e solução técnica existem, infelizmente faltam vontade e ação políticas dos tomadores de decisões. Estou certo que só a pressão social, muita mobilização popular e unidade na luta podem evitar que 400 mil pessoas nos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte passem por um colapso de abastecimento d’Água”, assegura.

Semiárido



O Semiárido nordestino, tem como traço principal as frequentes secas que tanto podem ser caracterizadas pela ausência, escassez, alta variabilidade espacial e temporal das chuvas. Não é rara a sucessão de anos seguidos de seca.

As características do meio ambiente condicionam fortemente a sociedade regional, a sobreviver principalmente de atividades econômicas ligadas basicamente à agricultura e a pecuária. Estas se realizam sempre buscando o melhor aproveitamento possível das condições naturais desfavoráveis, ainda que apoiadas em base técnica frágil, utilizando na maior parte dos casos, tecnologias tradicionais.

Apesar da urbanização ocorrida nos últimos anos, a ocupação principal de sua força de trabalho é a agropecuária. A estrutura fundiária é extremamente concentrada, embora seja grande o número de pequenos estabelecimentos ou unidades de produção familiar.

Geoambientalmente além das vulnerabilidades climáticas do Semiárido, grande parte dos solos encontra-se degradada. Os recursos hídricos caminham para a insuficiência ou apresentam níveis elevados de poluição. A flora e a fauna vêm sofrendo a ação predatória do homem. E os frágeis ecossistemas regionais não estão sendo protegidos, ameaçando a sobrevivência de muitas espécies vegetais e animais e criando riscos à ocupação humana, inclusive associados a processos, em curso, de desertificação.

Caracterização da Região Semiárida
• Precipitações médias anuais iguais ou inferiores 800 mm.
• Insolação média de 2.800 h/ano.
• Temperaturas médias anuais 23 a 27 C.
• Regime de chuvas marcada pela irregularidade (espaço/tempo).
• Domínio do Ecossistema Caatinga (diversidade).
• Solos, maioria, areno-argilosos – pobres em MO.
• Cristalino – substrato dominante.
• Limitações pluviométricas e baixa retenção dos solos = rios temporários.
• Águas subterrâneas – bacias sedimentares ou cristalino, bacias sedimentares – boa vazão e qualidade.
• 57,53 % da área do NE e 40, 54 % da população do NE.
• 21,6 % do PIB do NE.

Características principais da realidade atual
• Pobreza, densidade, diversidade;
• Gado, algodão, lavouras alimentares;
• Agricultura familiar;
• Urbanização/retenção, economia sem produção;
• Escassez abastecimento humano.

Principais Desafios a Enfrentar
• Demográfico (12,4 hab/km² em 70 e 21,6 em 2000);
• Ambiental (diversidade, extrativismo, desertificação);
• Escassez de Água (acesso, demanda > oferta);
• Econômico (transição urbana, agropecuária);
• Institucional (coordenação);
• Educacional;
• Sócio-cultural e Político.


Quantidade de municípios do Semiárido na área de atuação da SUDENE

Estado Qtd. municípios na área de atuação da SUDENE Qtd. municípios dentro do Semiárido Qtd. municípios fora do Semiárido
Maranhão 217 0 (0,00%) 217 (100,00%)
Piauí 223 127 (56,95%) 96 (43,05%)
Ceará 184 150 (81,52%) 34 (18,48%)
R.G. do Norte
167 147 (88,02%) 20 (11,98%)
Paraíba
223 170 (76,23%) 53 (23,77%)
Pernambuco 185 122 (65,95%) 63 (34,05%)
Alagoas 102 38 (37,25%) 64 (62,75%)
Sergipe 75 29 (38,67%) 46 (61,33%)
Bahia 417 265 (63,55%) 152 (36,45%)
Minas Gerais 168 85 (50,60%) 83 (49,40%)
Espírito Santo 28 0 (0,00%) 28 (100,00%)
Total__________ 1.989 1.133 (56,96%) 856 (43,04%)
Clique sobre o nome do Estado para ter acesso a lista de municípios pertencentes ao Semiárido.


Legislação

Portaria MI nº 89 (16.03.2005 - Ministério da Integração Nacional)
Atualiza a relação dos municípios pertencentes à região Semiárida do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste - FNE.
Portaria Interministerial nº 1 (09.03.2005)
Atualiza os critérios que delimitam a região Semiárida do Nordeste.
Lei 7.827 (27.09.1989)
Regulamenta o art. 159, inciso I, alínea c, da Constituição Federal, institui o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte - FNO, o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste - FNE e o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste - FCO, e dá outras providências.

Produtores de algodão da BA conhecem tecnologias da Embrapa para fazer o manejo integrado do bicudo

Claudio Bezerra - Produtores de algodão da Bahia visitam a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Produtores de algodão da Bahia visitam a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Produtores querem investir em pesquisas para controlar o bicudo-do-algodoeiro
Eliminar o Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é atualmente o maior desafio dos cotonicultores do Brasil. Essa é a visão de um grupo de representantes dos produtores de algodão da Bahia, que visitou esta semana a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF). Eles vieram acompanhados dos presidentes da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA), Celestino Zanela; da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), Júlio Cézar Busato; e da Fundação Bahia, Ademar Antônio Marçal e foram recebidos pelo chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral, e pelo chefe-geral da Embrapa Algodão, Sebastião Barbosa.
A visita teve como objetivo principal conhecer in loco as novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas pela Embrapa para o manejo do bicudo nas áreas de ecologia, semioquímicos e controle biológico com fungos.
O bicudo é considerado a pior praga do algodão desde 1983, quando a espécie foi introduzida no Brasil, mais precisamente no estado de São Paulo. Segundo estimativas divulgadas no ano passado durante o 10º Congresso Brasileiro do Algodão, a presença do bicudo do algodoeiro vem causando perdas de R$ 1,7 bilhão por ano aos produtores. As larvas do bicudo ficam escondidas no interior dos botões florais, o que dificulta sua identificação e combate.
O manejo integrado de pragas foi uma das soluções apresentadas pelos pesquisadores Carmen Pires e Edison Sujji, do Laboratório de Ecologia e Biossegurança. No Laboratório de Bioecologia e Biossegurança, eles mostraram aos produtores de algodão um estudo intitulado "Bioecologia do bicudo na entressafra e distribuição espacial na paisagem agrícola".
A pesquisa mapeou áreas de ocorrência do bicudo em períodos de entressafra, com o objetivo de identificar o padrão de dispersão do bicudo na paisagem agrícola, tanto em áreas de plantio quanto em áreas de vegetação no entorno.
Os resultados trazem dados como preferência por alimentos alternativos ao algodão, períodos de dormência e reprodução e rotas de entrada e saída da praga em campo. "Neste momento, precisamos ter acesso a dados de fazendas com populações maiores de bicudo, para saber se a infestação pela praga está ligada à vegetação ou ao manejo", explicou o pesquisador Edison Sujii.
"É preciso trabalhar com a população de bicudo na entressafra e concentrar o controle das áreas que estão favorecendo a permanência do inseto-praga", complementou a pesquisadora Carmen Pires.
Ecologia química é alternativa para combate ao bicudo
Os produtores de algodão da Bahia também conheceram as pesquisas na área de ecologia química realizadas no Laboratório de Semioquímicos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. A pesquisadora Maria Carolina Blassioli de Moraes apresentou as pesquisas realizadas com os semioquímicos, que são substâncias produzidas por insetos e plantas que agem no comportamento dos insetos.
O foco foi o estudo dos chamados feromônios de agregação, que permitem que os insetos sejam atraídos uns pelos outros ao descobrirem uma nova fonte de alimento. No caso do bicudo-do-algodoreiro, os pesquisadores descobriram que o feromônio perdia a eficiência quando o algodoeiro chegava ao estágio reprodutivo, mas que a mistura do feromônio de agregação com alguns voláteis do algodoeiro conseguia aumentar a captura de insetos em armadilhas. "A próxima etapa é sintetizar esses compostos em larga escala para oferecer esta alternativa aos produtores", explicou a pesquisadora Carolina Blassioli, ressaltando que a Embrapa já está em negociação com uma empresa interessada na produção dos compostos. Após essa etapa, será possível criar armadilhas mais eficientes para a captura do bicudo.
Os pesquisadores da Embrapa também já identificaram os compostos químicos que repelem o bicudo, para os quais estão sendo feitos testes de confirmação de eficácia.
Nos últimos anos, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Embrapa duas patentes de tecnologias que vão ajudar os produtores brasileiros a se livrar de insetos-praga: uma contra o percevejo-do-colmo do arroz (em 2016) e outra contra os percevejos da soja (2013). Ambos os métodos utilizam semioquímicos para eliminar as pragas, dispensando o uso de defensivos químicos.
Pastilhas com fungos prometem eliminar o bicudo
No Laboratório de Micologia de Invertebrados, os pesquisadores Marcos Faria e Rogério Lopes apresentaram alguns fungos que podem ser usados no controle biológico do bicudo-do-algodoeiro.
A coleção da Embrapa conta com aproximadamente 1.300 isolados de fungos, que são utilizados para estudos básicos e aplicados. Segundo Marcos Faria, existem mais de 30 empresas no mundo produzindo fungos para controlar de diversas pragas agrícolas.
No caso específico do bicudo, o pesquisador explicou que o Metarhizium anisopliae tem se mostrado bastante eficaz, mas ressaltou que ainda é preciso desenvolver formas de produzi-lo em larga escala com baixos custos.
Uma das propostas apresentadas pelos pesquisadores para tornar o uso de fungos contra insetos-praga economicamente viável é a produção de pastilhas biodegradáveis, os chamados "pellets", para o bicudo-do-algodoeiro. A pastilha seria uma mistura de feromônio para atrair o adulto do bicudo e fungos específicos que, em contato com o inseto, causariam a sua morte. "O inseto se contamina, volta para o campo e contamina outros indivíduos da mesma espécie", explicou Rogério.
O pesquisador disse que já foi feita a seleção de isolados de fungos virulentos ao bicudo. As próximas etapas da pesquisa são selecionar as doses de feromônios que devem ser inseridas nos pellets, o material para incorporação do fungo, realizar estudos com os pellets formulados e bicudos em casas de vegetação e finalizar a pesquisa com os testes em campo.
"Quando o produto estiver pronto, vamos definir qual será a melhor estratégia de utilização nas lavouras e incorporá-la aos programas de manejo já adotados pelos agricultores", finalizou Rogério.
Plataforma de insetos da Embrapa guarda exemplares de bicudo para pesquisa
A parte final da visita dos produtores de algodão foi a visita à Plataforma de Criação de Insetos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, onde são guardados cerca de três mil lagartas e 2.400 insetos utilizados em pesquisas.
A plataforma guarda cinco tipos de percevejo e ainda exemplares de Spodoptera frugiperda (Lagarta do cartucho), Anticarsia germmatalis (Lagarta-da-soja), Aedes aegypti (Mosquito da dengue), Culex (Pernilongo) e Anthonomus grandis (Bicudo-do-algodoeiro).
Os técnicos Isabella Grisi e Hélio Santos explicaram que os insetos são recolhidos no campo, colocados em quarentena e só então trazidos para a plataforma, onde se reproduzem e são alimentados com dieta artificial. "A cada dois anos, buscamos novos insetos no campo para melhorar a genética da população", contou Isabella.
Projeto apresentado pela Embrapa prevê resultados num período entre três e cinco anos
A Embrapa apresentará à Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA), a pedido da própria associação, proposta intitulada "Desenvolvimento e validação de estratégias inovadoras de controle do bicudo-do-algodoeiro". Os produtores de algodão deverão investir cerca de R$ 3 milhões no projeto, e, como contrapartida, a Embrapa alocará o dobro desse valor, ou seja, R$ 6 milhões.
A proposta está estruturada em oito linhas de ação que serão desenvolvidas de forma paralela ao longo dos três primeiros anos e uma ação (drone + sensor de voláteis para detecção do bicudo no campo) cujo produto será gerado entre em até cinco anos.
Os resultados esperados incluem novas tecnologias de controle do bicudo, que poderão ser aplicadas isoladamente ou de forma integrada. São elas: Monitoramento inteligente; Pastilha para o bicudo; Cápsula protetora de fungos; Estudos de ecologia populacional e dispersão da praga e plantas hospedeiras; Entendimento da flutuação populacional do bicudo; Avaliação da resistência de inseticidas; e Produção comercial de parasitoide.
O projeto será coordenador pelo pesquisador da Embrapa Algodão José Ednilson Miranda em cooperação com pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Embrapa Informática Agropecuária, Embrapa Agrossilvipastoril, Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Cerrados. Também são parceiras do projeto duas empresas de produção de fungos e parasitoides do Brasil (BUG e Isca) e três instituições americanas (Clemson University, USDA e Texas A&M).
"Eliminar o bicudo é o grande desafio do setor agrário brasileiro. Por isso, os produtores precisam botar a mão do bolso e investir em pesquisas que pensem em todas as possibilidades de controle para reduzir a população do bicudo a níveis aceitáveis", afirmou o presidente da Fundação Bahia, Ademar Antônio Marçal. "O investimento em pesquisa é o começo de todas as nossas necessidades", disse.
Segundo Marçal, atualmente os produtores de algodão chegam a fazer até 40 aplicações de inseticida por safra para conter o bicudo. Cerca de R$ 1.000 são gastos por hectare para fazer a aplicação do produto, sem contar o custo de aplicação. O Chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral, ressaltou que tanto o apoio financeiro quanto o institucional são muito importantes para que a Embrapa continue levando seus resultados aos produtores.

Cebola e cenoura registram queda dos preços no atacado

Isso é o que mostra levantamento feito pela Conab nas principais Ceasas do país
A cebola e a cenoura foram os produtos com maior queda de preço nas principais centrais de abastecimento do país no mês de junho. É o que revela o 7º Boletim Prohort de Comercialização de Hortigranjeiros nas Ceasas em 2016, divulgado nesta terça-feira (19) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A entrada da safra de cebola do Nordeste e do Centro-Oeste impulsionou os valores para baixo. No caso da cenoura, a queda de preços começou em março/abril e continuou em junho nas principais Ceasas brasileiras. Esse movimento descendente ficou entre 19,71% no Rio de Janeiro e 43,28% em Vitória.
 
Na contramão das duas hortaliças, a alface foi comercializada em São Paulo/SP com aumento de 106,55%, provocado pelas chuvas e geadas de junho nos municípios do estado. Como parte da alface produzida no Rio de Janeiro acabou sendo comercializada em SP, os preços no mercado carioca apresentaram alta de 26,60%. Em Curitiba, o preço aumentou 64,54% em relação a maio, devido ao frio intenso no Paraná.
Batata e tomate tiveram movimentos de preços não uniformes.
Frutas
Os preços das frutas não apresentaram tendência de alta ou baixa dominante. A exceção foi o mamão, que teve queda de preços em todas as Ceasas analisadas, com índices variando entre 26,37% e 72,53%.
A melancia, por sua vez, apresentou tendência de queda de preços em seis dos oito mercados pesquisados. A oferta da banana e da laranja começou a cair e tende a diminuir nos próximos meses, provocando uma moderada elevação nos preços.
A maçã também teve redução na oferta e consequente alta de preços, mas a tendência deve se inverter nos próximos meses com a entrada das safras da Região Sul.
O levantamento é feito mensalmente nos mercados atacadistas, por meio do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), executado pela Conab. Para análise do comportamento dos preços em junho foram considerados os principais entrepostos dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Ceará, Pernambuco e Paraná.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Acordo aumenta exportações em R$ 250 milhões por ano

Comércio Exterior

A intenção do governo é que os exportadores brasileiros se beneficiem do acordo comercial com a União Europeia ainda no início do segundo semestre


 Foi estabelecido o aumento das quotas de importação de açúcar e de carnes
Foi estabelecido o aumento das quotas de importação de açúcar e de carnes

O Brasil poderá exportar R$ 250 milhões a mais por ano para a União Europeia (UE). Acordo assinado na Organização Mundial do Comércio (OMC) na semana passada permite a ampliação das vendas de alguns produtos agrícolas e animais para o bloco econômico.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o Brasil confia que as novas condições acordadas serão implementadas o mais rápido possível. De acordo com o comunicado, a intenção do governo é que os exportadores brasileiros se beneficiem do acordo comercial ainda no início do segundo semestre.
As negociações duraram três anos e foram iniciadas após a entrada da Croácia na UE, em julho de 2013. O acordo estabelece o aumento das quotas de importação de açúcar e de carnes de frango e de peru que entram no bloco econômico com tarifa reduzida.
No caso do setor sucroalcooleiro, além de elevar a quota de importação com tarifa reduzida em 114 mil toneladas de açúcar por ano, o Brasil poderá exportar o produto com tarifas mais baixas que as atuais por sete anos. O acordo será incorporado às listas de compromissos da União Europeia na OMC e não poderá ser alterado sem nova negociação.
De acordo com o Itamaraty, as novas cotas de importação com tarifa reduzida foram negociadas com base nas exportações do Brasil para a Croácia antes de o país ingressar na União Europeia. Com a adesão do país, que se tornou o 28º membro da UE, as tarifas de importação foram elevadas para se ajustarem às aplicadas no restante do bloco, o que prejudica as vendas brasileiras para o exterior.
Fonte: Portal Brasil,


Superação das adversidades no Seridó é destaque no Globo Rural


EMATER/ASSECOM

Desenvolvido no Sítio Mirador, propriedade de Maurício Romualdo dos Santos distante 7km do centro de Currais Novos, o projeto agrossilvipastoril é um modelo exitoso para a região do Seridó. Ele chegou a atrair até mesmo o interesse do programa rural da TV Globo, que enviou o repórter e apresentador Nélson Araújo para conhecer a experiência na última terça-feira, 12.
Até agosto de 2015, seu Maurício, de 59 anos, possuía apenas uma ovelha em seus 25 hectares de terra e sua renda mensal era de R$ 80,00. O sítio sofria com a erosão acentuada e a família padecia com a falta de perspectivas de mudanças e de qualquer alternativa econômica para uma área tão pouco promissora.
Onze meses se passaram e a situação hoje é bem diferente. Graças à Assistência Técnica da EMATER foi possível enxergar uma luz no fim do túnel. Seu Maurício, que só tinha uma ovelha, sonhava com um rebanho e com melhores condições para sua família. Com a orientação prestada pelos extensionistas da EMATER, Nilton Oliveira e Maria Elina Carvalho, seu Maurício multiplicou sua produção e passou a ver a terra com outros olhos.
Seu Maurício teve acesso ao crédito e obteve R$ 4.000,00 (quatro mil reais) junto ao Banco do Nordeste; com a soma, adquiriu 08 animais que geraram o atual rebanho de 50 cabeças.
O projeto agrossilvipastoril proposto pela EMATER nas terras de seu Maurício conta com 20 tecnologias e técnicas simples e de baixo custo que foram sistematizadas e integradas, e que fizeram a diferença na vida do produtor. Prova de que com pouco, muito pode ser feito.
Entre as tecnologias aplicada estão: raleamento e rebaixamento da caatinga, que permitem aos animais de pequeno porte alimentarem-se na área; renques feitos com os restos da poda; barramentos e enleiramento para evitar a erosão do solo e permitir a retenção da matéria orgânica; barragem subterrânea e poço para obtenção de água, dentre outras.
Com um reprodutor emprestado de outro criador por um ano foi possível fazer um melhoramento genético do pequeno rebanho. Uma área da propriedade foi destinada à produção de um banco de proteína, e além da criação de galinhas, há um pomar de caju e manga.
Para atrair o interesse do jovem Adriel, filho do Sr. Maurício, para as atividades do campo, engenhosamente Nilton o presenteou com uma ovelha, dando-lhe a responsabilidade pelo animal. Adriel pegou gosto pela coisa e hoje é pastor do rebanho do pai. Sua ovelha já deu três crias e em breve Adriel poderá ser um jovem Pronafiano.
Para além da melhoria das condições de produção, segundo Elina e Nilton, o projeto tem como objetivo criar a consciência ecológica diante da terra sertaneja que, apesar de apresentar grandes adversidades, é uma terra rica se for bem trabalhada, bastando apenas entrar em harmonia com ela.
Para seu Maurício, a presença constante dos técnicos da EMATER foi essencial para o êxito do projeto no Sítio Mirador. “Eles estão sempre aqui”, diz seu Maurício, por isso há confiança em fazer o que eles orientam.
“É engajamento total, de corpo e alma, no que fazemos. Ver os resultados da nossa dedicação e da aceitação da nossa presença pelo produtor é a melhor coisa, é saber que estamos no caminho certo” dizem os extensionistas sobre a sua melhor obra.
Seu Maurício, sua esposa Mariquinha e o caçula Adriel estampam alegria quando posam para a foto, aguardando ansiosos que a sua história corra o mundo, pela TV, e que outros como eles possam ver a vida melhorar.
Visita da diretoria da Emater
No último sábado, 09, a diretora geral da EMATER, Cátia Lopes, realizou visita ao Sítio Mirador e conheceu a experiência exitosa do trabalho conjunto entre os extensionistas e seu Maurício.
A diretora esteve também na Comunidade Trangola, onde conheceu projeto de revitalização de solos degradados e visitou alguns agricultores familiares assistidos pela EMATER na região.
Quem são os técnicos
Nilton Oliveira tem 58 anos de vida e 37 de Emater, onde atua como assistente de extensão rural. Maria Elina Carvalho tem 40 anos e há 8 trabalha na Emater, como assistente social e analista de extensão rural. Ambos acompanham seu Maurício desde agosto de 2015.
Nilton e Elina também prestam assistência a agricultores familiares da Comunidade Trangola, onde a EMATER atua em várias frentes, sobretudo no uso de tecnologias de combate à erosão.

EMPARN marca presença no IV Dia D em Taperoá/PB


ASSECOM/EMPARN


Convidada pelos organizadores do IV Dia “D” da Fazenda Carnaúba, de Manelito Dantas, em Taperoá/PB, realizado de sexta-feira até o último domingo - 15 a 17, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), marcou presença com a apresentação do estande institucional e participação de pesquisadores nas atividades sobre a palma forrageira irrigada sob o comando do Diretor-Presidente Alexandre de Medeiros Wanderley.
Participaram do evento centenas de produtores de vários estados da região Nordeste. O estande da EMPARN recebeu um grande número de visitantes, sendo bastante demandada a distribuição de cartilhas e folders com as tecnologias trabalhadas pela empresa de pesquisa.
O material levado pela EMPARN despertou interesse pelos documentos relacionados com o manejo da palma forrageira irrigada, utilização de cactáceas nativas na alimentação de ruminantes, cultivo e manejo do sorgo, milho, girassol e gergelim, entre outras. As amostras de sementes das cultivares desenvolvidas pela empresa de pesquisa e distribuídas gratuitamente, como sorgo, feijão, milho e gergelim, foram disputadas pelos produtores.

Produtores de algodão da BA conhecem tecnologias da Embrapa para fazer o manejo integrado do bicudo

Claudio Bezerra - Produtores de algodão da Bahia visitam a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Produtores de algodão da Bahia visitam a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Produtores querem investir em pesquisas para controlar o bicudo-do-algodoeiro
Eliminar o Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é atualmente o maior desafio dos cotonicultores do Brasil. Essa é a visão de um grupo de representantes dos produtores de algodão da Bahia, que visitou ontem (13/07) a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF). Eles vieram acompanhados dos presidentes da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA), Celestino Zanela; da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), Júlio Cézar Busato; e da Fundação Bahia, Ademar Antônio Marçal e foram recebidos pelo chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral, e pelo chefe-geral da Embrapa Algodão, Sebastião Barbosa.
A visita teve como objetivo principal conhecer in loco as novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas pela Embrapa para o manejo do bicudo nas áreas de ecologia, semioquímicos e controle biológico com fungos.
O bicudo é considerado a pior praga do algodão desde 1983, quando a espécie foi introduzida no Brasil, mais precisamente no estado de São Paulo. Segundo estimativas divulgadas no ano passado durante o 10º Congresso Brasileiro do Algodão, a presença do bicudo do algodoeiro vem causando perdas de R$ 1,7 bilhão por ano aos produtores. As larvas do bicudo ficam escondidas no interior dos botões florais, o que dificulta sua identificação e combate.
O manejo integrado de pragas foi uma das soluções apresentadas pelos pesquisadores Carmen Pires e Edison Sujji, do Laboratório de Ecologia e Biossegurança. No Laboratório de Bioecologia e Biossegurança, eles mostraram aos produtores de algodão um estudo intitulado "Bioecologia do bicudo na entressafra e distribuição espacial na paisagem agrícola".
A pesquisa mapeou áreas de ocorrência do bicudo em períodos de entressafra, com o objetivo de identificar o padrão de dispersão do bicudo na paisagem agrícola, tanto em áreas de plantio quanto em áreas de vegetação no entorno.
Os resultados trazem dados como preferência por alimentos alternativos ao algodão, períodos de dormência e reprodução e rotas de entrada e saída da praga em campo. "Neste momento, precisamos ter acesso a dados de fazendas com populações maiores de bicudo, para saber se a infestação pela praga está ligada à vegetação ou ao manejo", explicou o pesquisador Edison Sujii.
"É preciso trabalhar com a população de bicudo na entressafra e concentrar o controle das áreas que estão favorecendo a permanência do inseto-praga", complementou a pesquisadora Carmen Pires.
Ecologia química é alternativa para combate ao bicudo
Os produtores de algodão da Bahia também conheceram as pesquisas na área de ecologia química realizadas no Laboratório de Semioquímicos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. A pesquisadora Maria Carolina Blassioli de Moraes apresentou as pesquisas realizadas com os semioquímicos, que são substâncias produzidas por insetos e plantas que agem no comportamento dos insetos.
O foco foi o estudo dos chamados feromônios de agregação, que permitem que os insetos sejam atraídos uns pelos outros ao descobrirem uma nova fonte de alimento. No caso do bicudo-do-algodoreiro, os pesquisadores descobriram que o feromônio perdia a eficiência quando o algodoeiro chegava ao estágio reprodutivo, mas que a mistura do feromônio de agregação com alguns voláteis do algodoeiro conseguia aumentar a captura de insetos em armadilhas. "A próxima etapa é sintetizar esses compostos em larga escala para oferecer esta alternativa aos produtores", explicou a pesquisadora Carolina Blassioli, ressaltando que a Embrapa já está em negociação com uma empresa interessada na produção dos compostos. Após essa etapa, será possível criar armadilhas mais eficientes para a captura do bicudo.
Os pesquisadores da Embrapa também já identificaram os compostos químicos que repelem o bicudo, para os quais estão sendo feitos testes de confirmação de eficácia.
Nos últimos anos, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Embrapa duas patentes de tecnologias que vão ajudar os produtores brasileiros a se livrar de insetos-praga: uma contra o percevejo-do-colmo do arroz (em 2016) e outra contra os percevejos da soja (2013). Ambos os métodos utilizam semioquímicos para eliminar as pragas, dispensando o uso de defensivos químicos.
Pastilhas com fungos prometem eliminar o bicudo
No Laboratório de Micologia de Invertebrados, os pesquisadores Marcos Faria e Rogério Lopes apresentaram alguns fungos que podem ser usados no controle biológico do bicudo-do-algodoeiro.
A coleção da Embrapa conta com aproximadamente 1.300 isolados de fungos, que são utilizados para estudos básicos e aplicados. Segundo Marcos Faria, existem mais de 30 empresas no mundo produzindo fungos para controlar de diversas pragas agrícolas.
No caso específico do bicudo, o pesquisador explicou que o Metarhizium anisopliae tem se mostrado bastante eficaz, mas ressaltou que ainda é preciso desenvolver formas de produzi-lo em larga escala com baixos custos.
Uma das propostas apresentadas pelos pesquisadores para tornar o uso de fungos contra insetos-praga economicamente viável é a produção de pastilhas biodegradáveis, os chamados "pellets", para o bicudo-do-algodoeiro. A pastilha seria uma mistura de feromônio para atrair o adulto do bicudo e fungos específicos que, em contato com o inseto, causariam a sua morte. "O inseto se contamina, volta para o campo e contamina outros indivíduos da mesma espécie", explicou Rogério.
O pesquisador disse que já foi feita a seleção de isolados de fungos virulentos ao bicudo. As próximas etapas da pesquisa são selecionar as doses de feromônios que devem ser inseridas nos pellets, o material para incorporação do fungo, realizar estudos com os pellets formulados e bicudos em casas de vegetação e finalizar a pesquisa com os testes em campo.
"Quando o produto estiver pronto, vamos definir qual será a melhor estratégia de utilização nas lavouras e incorporá-la aos programas de manejo já adotados pelos agricultores", finalizou Rogério.
Plataforma de insetos da Embrapa guarda exemplares de bicudo para pesquisa
A parte final da visita dos produtores de algodão foi a visita à Plataforma de Criação de Insetos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, onde são guardados cerca de três mil lagartas e 2.400 insetos utilizados em pesquisas.
A plataforma guarda cinco tipos de percevejo e ainda exemplares de Spodoptera frugiperda (Lagarta do cartucho), Anticarsia germmatalis (Lagarta-da-soja), Aedes aegypti (Mosquito da dengue), Culex (Pernilongo) e Anthonomus grandis (Bicudo-do-algodoeiro).
Os técnicos Isabella Grisi e Hélio Santos explicaram que os insetos são recolhidos no campo, colocados em quarentena e só então trazidos para a plataforma, onde se reproduzem e são alimentados com dieta artificial. "A cada dois anos, buscamos novos insetos no campo para melhorar a genética da população", contou Isabella.
Projeto apresentado pela Embrapa prevê resultados num período entre três e cinco anos
A Embrapa apresentará à Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA), a pedido da própria associação, proposta intitulada "Desenvolvimento e validação de estratégias inovadoras de controle do bicudo-do-algodoeiro". Os produtores de algodão deverão investir cerca de R$ 3 milhões no projeto, e, como contrapartida, a Embrapa alocará o dobro desse valor, ou seja, R$ 6 milhões.
A proposta está estruturada em oito linhas de ação que serão desenvolvidas de forma paralela ao longo dos três primeiros anos e uma ação (drone + sensor de voláteis para detecção do bicudo no campo) cujo produto será gerado entre em até cinco anos.
Os resultados esperados incluem novas tecnologias de controle do bicudo, que poderão ser aplicadas isoladamente ou de forma integrada. São elas: Monitoramento inteligente; Pastilha para o bicudo; Cápsula protetora de fungos; Estudos de ecologia populacional e dispersão da praga e plantas hospedeiras; Entendimento da flutuação populacional do bicudo; Avaliação da resistência de inseticidas; e Produção comercial de parasitoide.
O projeto será coordenador pelo pesquisador da Embrapa Algodão José Ednilson Miranda em cooperação com pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Embrapa Informática Agropecuária, Embrapa Agrossilvipastoril, Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Cerrados. Também são parceiras do projeto duas empresas de produção de fungos e parasitoides do Brasil (BUG e Isca) e três instituições americanas (Clemson University, USDA e Texas A&M).
"Eliminar o bicudo é o grande desafio do setor agrário brasileiro. Por isso, os produtores precisam botar a mão do bolso e investir em pesquisas que pensem em todas as possibilidades de controle para reduzir a população do bicudo a níveis aceitáveis", afirmou o presidente da Fundação Bahia, Ademar Antônio Marçal. "O investimento em pesquisa é o começo de todas as nossas necessidades", disse.
Segundo Marçal, atualmente os produtores de algodão chegam a fazer até 40 aplicações de inseticida por safra para conter o bicudo. Cerca de R$ 1.000 são gastos por hectare para fazer a aplicação do produto, sem contar o custo de aplicação. O Chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral, ressaltou que tanto o apoio financeiro quanto o institucional são muito importantes para que a Embrapa continue levando seus resultados aos produtores.

Mapa publica revisão do Regulamento Técnico do Algodão em Pluma

Um dos objetivos da medida é adequar parâmetros de tipificação do produto aos requisitos de qualidade nacional e internacional
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou no Diário Oficial da União desta sexta-feira (15) a Instrução nº 24, de 14 de julho de 2016, que estabelece o Regulamento Técnico do Algodão em Pluma. O texto define o padrão oficial de classificação do algodão em pluma, com os requisitos de identidade e qualidade, a amostragem, o modo de apresentação e a marcação ou rotulagem.
De acordo com o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), Fábio Florêncio Fernandes, a revisão do Regulamento Técnico do Algodão em Pluma foi pedida ao Mapa pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) há mais de três anos e exigiu a realização de vários testes
A medida, destaca Fernandes, tem três objetivos: adequar os parâmetros de tipificação do algodão em pluma aos requisitos de qualidade adotados pelos mercados nacional e internacional; ampliar as formas de amostragem do produto e de manuseio das amostras; e incluir os procedimentos operacionais e roteiro de classificação, bem como os diagramas de cor para o algodão americano e as especificações de fibras utilizadas pela indústria têxtil.
MAPA

Congresso Nacional de Milho e Sorgo destacará Tecnologias que ajudam a enfrentar os períodos de seca

congresso de milho e sorgoO XXXI Congresso Nacional de Milho e Sorgo, vai acontecer de 25 a 29 de setembro de 2016, em Bento Gonçalves-RS. Um dos tema para debates durante o encontro, é a restrição hídrica e formas de mitigação que podem ser adotadas pelos produtores. O congresso é promovido pela Associação Brasileira de Milho e Sorgo (ABMS) e terá como tema “Milho e Sorgo: inovações, mercados e segurança alimentar”, com ênfase nas discussões sobre os impactos das novas tecnologias geradas pelas instituições de pesquisa pública e privada e seus desdobramentos nas áreas de ensino, pesquisa e extensão sobre as culturas de milho e sorgo no Brasil.
Entre os anos de 2014 e 2016, a temperatura do oceano ficou acima da normalidade durante 14 meses. Foi o maior tempo de El Niño registrado nos últimos 65 anos. O fenômeno causou grande impacto na distribuição e na quantidade de chuvas no Brasil. Em 2015, houve maior volume de chuvas nas regiões Sul e Sudeste, o que favoreceu o acúmulo de água no solo e a recuperação dos recursos hídricos. Entretanto, as anomalias climáticas provocaram forte estiagem na região do Brasil Central, atingindo principalmente os estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Como consequência, houve grande prejuízo na safrinha de 2016.
Segundo o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Daniel Pereira Guimarães, os estados mais afetados foram Goiás e Mato Grosso, por isso, ele considera que este fato é um indicativo para que os produtores invistam em irrigação. “Hoje, o produtor, muitas vezes, já vende a safra antecipada, antes da colheita, confiando no clima. E quando não chove, há um grande prejuízo. Por isso, os sistemas irrigados apresentam-se como uma das estratégias de mitigação em regiões com déficit hídrico para a produção de grãos”, afirma.
Daniel Pereira ressalta que o uso de tecnologias espaciais, atualmente, permite monitorar as condições do clima em todo o planeta. Desde maio de 2016, já ocorre um longo período de estiagem no Estado do Espírito Santo, em regiões do Jequitinhonha e Norte de Minas Gerais, no Sul da Bahia e Vale do São Francisco até o interior do Estado de Pernambuco.

“Estes locais se encontram em condições climáticas severas, com a temperatura bem maior do que a média esperada para o período. As áreas mais afetadas são as pastagens. Há riscos de aumento das áreas queimadas e redução drástica nos recursos hídricos provenientes das lagoas e rios”, comenta Pereira, acrescentando que “o produtor precisa se preparar para armazenar água, evitar queimadas e, principalmente, fazer a silagem para alimentar o gado”.