A denuncia de prejuízos com o uso da cama de galinha como adubo faz a Adagro reagir afirmando que fiscaliza

A
polêmica sobre o uso da cama-de-galinha como adubo para as plantações
de inhame, no interior de Pernambuco vem provocando reações de
produtores rurais e de autoridades sanitárias do Estado, bem como a
indignação de muitos moradores dos municípios de Gravatá, Cortês, Barra
de Guabiraba, Bonito, Amaraji, Chã Grande e Sairé. Para o produtor e
ex-secretário de Agricultura de Pernambuco, Ricardo Rodrigues, o
problema é sério e prejudica o meio ambiente e as populações de todos
esses municípios do agreste de Pernambuco, porque a proliferação das
moscas dos estábulos é tão grande que provoca prejuízos, inclusive, para
os criadores de gado.
Para mostrar que não está indiferente ao problema, a Adagro apresenta
relatório afirmando que promoveu algumas reuniões, juntamente com
outros órgãos como prefeitura municipal, ministério público e CPRH, para
tentar mitigar o problema do aumento populacional da mosca-de-estábulos
em algumas regiões do nosso Estado, especificamente nos municípios de
Cortês, Barra de Guabiraba, Bonito, Gravatá, Amaraji, Chã Grande e
Sairé.
O instrumento de regulação do controle, diz a Adagro, veio através de
uma portaria que além de tornar obrigatória a fiscalização nas granjas
que produzem e comercializam a “cama de aviário”, também determina que o
transporte deste material deve ser acompanhado obrigatoriamente do
CIS-E, documento emitido pelo RT (responsável técnico) da granja ou
habilitado pelo SVO (serviço veterinário oficial), ou ainda na
impossibilidade de emissão pelo RT, o fiscal estadual agropecuário
poderá emitir.
O CIS-E é um documento federal do Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento, por isso, em setembro deste ano foi solicitado ao
Superintendente Federal de Agricultura no Estado de Pernambuco, que
todos os médicos veterinários habilitados para a emissão de GTA de aves
sejam compulsoriamente habilitados para a emissão do CIS-E em
estabelecimentos avícolas produtores de cama de aviário. Também foi
solicitado que os mesmos sejam alertados sobre o preenchimento da
observação, onde deve ser descrito o tipo de tratamento utilizado capaz
de eliminar a presença de agentes causadores de doenças naqueles
subprodutos. E é o Ministério o órgão responsável pela fiscalização
deste documento.
Outra ação desenvolvida pelos técnicos da Adagro é o registro de
granjas que fornecem esse produto no Estado. Atualmente, 1.529
produtores solicitaram o registro. A Adagro já visitou 282
estabelecimentos e apenas 22 estão registrados, pois 260 apresentaram
algum tipo de inadequação e receberão nova vistoria. Lembrando que só
pode ser visitada uma granja por dia, de acordo com a legislação
federal.
Este ano foram realizadas 13 fiscalizações em propriedades de inhame
com relação a mosca-de-estábulo e foram realizadas barreiras volantes
com acompanhamento da polícia para verificar o trânsito de cama de
aviário na região. Nessas fiscalizações três cargas com cama de aviário
foram rechaçadas e voltaram para a propriedade por inadequação.
Para comprovar a atuação dos fiscais, a Adagro apresentou ao
Ministério Público de Gravatá – 2ª Promotoria de Justiça de Gravatá, um
Relatório de Visita Técnica com o seguinte relatos dos fiscais Eduardo
Pimentel Brum, médico veterinário e Paulo Cefas Lopes de Barros, Fiscal
Estadual Agropecuário:
“A referida visita técnica teve como primeiro destino a Fazenda
Várzea Alegre, de propriedade do Sr Celso Muniz de Araújo, considerando a
instauração do Inquérito Civil nº 004/2017; propriedade esta situada no
Km 38 da PE 085, município de Barra de Guabiraba. No dia 01 de novembro
deste ano a ADAGRO se fez presente na fazenda através do Fiscal
Estadual Agropecuário Eduardo Pimentel Brum, quando foram passadas
instruções de manejo e cedidas seis armadilhas para o controle
populacional da mosca dos estábulos ao Sr João José Firmino de Paula,
gerente da fazenda. O gerente foi orientado quanto à montagem das
armadilhas e coleta de moscas capturadas para posterior análise do
material.
Em entrevista com o gerente no dia 07/12/2017, fomos informados que a
população de moscas dos estábulos diminuiu bastante e que os animais da
propriedade não mais estão sendo espoliados, não só pelos trabalhos
desenvolvidos, mas também devido à sazonalidade, refletindo no ciclo
biológico da mosca. Outro fator relevante é a fase de cultivo do inhame,
quando nessa época não mais se tem excesso de substrato para que a
reprodução da mosca ocorra em desequilíbrio. Sr João nos entregou o
material biológico a ser analisado ciente de que a fase crítica com
relação ao aumento da população da mosca passou.
Em inspeção nas propriedades noticiadas em documento anexo ao Ofício
413/2017- 2ª PJ não foi constatado o manejo incorreto da cama de aviário
e que os agricultores estão usando esterco bovino consorciado com a
cama de aviário, prática que minimiza tal problemática. Os plantadores
de inhame do Caranguejo argumentaram que se a questão da mosca persiste
não se deve ao trabalho deles, pois desde a visita técnica da ADAGRO no
dia 30/11/2016 e após participarem de duas reuniões no Ministério
Público dos municípios de Gravatá e Bonito, tomaram consciência de sua
responsabilidade e passaram a prontamente cobrir a cama de aviário após
seu uso.
Durante a visita técnica, conforme ia sendo percorrido o trajeto foi
observado o comportamento das boiadas nas pastagens e não foram
constatados sinais de superpopulação da mosca dos estábulos. As boiadas
manifestavam comportamento normal, tranqüilo, pastando, bezerros
mamando; nada que se assemelha a quadros de espoliação do gado vistos no
passado”.
Os fiscais finalizam o relatório dizendo que os agricultores foram
novamente conscientizados quanto à importância de um correto manejo das
práticas agrícolas na cultura do inhame, tanto no cultivo como no
transporte e armazenamento e que por isso, não foi necessário fazer uso
da NOTIFICAÇÃO MINISTERIAL para as propriedades visitadas.
A infestação da mosca-dos-estábulos entra, neste período, em fase de
regressão porque os agricultores diminuem o uso da cama de galinha no
campo. Agora, segundo eles, é preciso esperar o próximo ciclo de cultivo
para conferir se houve uma redução do ataque das moscas e se tem
surtido o efeito desejado, as ações que a Adagro, diz estarem sendo
desenvolvidas na região.