Preço de frutas, verduras e legumes dispara na quarentena
Conab aponta que coronavírus alterou dinâmica do mercado e indica tendência de alta para os próximos meses

A conclusão é do relatório mensal Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado nesta quinta-feira (16/4) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O documenta aponta queda no volume de vendas das Ceasas em todo o país, tendência que era observada desde o início do ano. “As variáveis agora colocadas geraram um cenário atípico, o que repercutiu nas cadeias produtivas e, consequentemente, no elo da comercialização”, explica o relatório.
Legumes e verduras

Para os próximos meses, as perspectivas são de alta nos preços diante da previsão de reabertura de parte das feiras livres do país e da reorganização da ida das famílias aos supermercados em um momento de queda na oferta.
“Muitos produtores estão colhendo quantidades menores pelo risco de não conseguirem mercado ou dos preços estarem muito baixos. Há produtores que já estão substituindo suas áreas por novos plantios e/ou por outras hortaliças na expectativa de uma normalização do mercado em curto prazo”, afirma o relatório.
Tomate

“Quando as temperaturas estão elevadas, a maturação acelerada impõe aos produtores que coloquem o produto no mercado, ao passo que baixas temperaturas permitem que segure a colheita e espere melhores oportunidades de ganhos”, cita o relatório.
Mas, na parcial de abril, o preço do tomate já registra queda de 40% no Rio de Janeiro e 30% em Belo Horizonte. Com isso, nos próximos meses, o mercado deve seguir acompanhando as variações de temperatura e oferta durante o final da safra de verão e o início da safra de inverno, o que depende diretamente dos efeitos da pandemia.
Batata

Em Belo Horizonte, o preço médio da batata comercializada na CeasaMinas registrou alta de 29,55% em março, valorização observada também no Rio de Janeiro (18,54%) e em Recife (15,98%). Em São Paulo, a alta foi de 1,49%.
"O que se verifica nos primeiros dias de abril são preços da batata ascendentes na maioria dos mercados, mesmo com a continuação das medidas para a contenção do novo coronavírus, que provoca diminuição de demanda direta nos mercados atacadistas"A Conab destaca a queda na oferta do Paraná como principal fator para a valorização do tubérculo. “A diminuição e/ou o deslocamento da demanda, provocada pelas medidas de contenção da disseminação do novo coronavírus, não foram suficientes para que, em termos de média, os preços sofressem redução”, conclui o documento.
Relatório Prohort, da Conab
Cenoura

Para os próximos dias, as expectativas do mercado se voltam para a colheita da nova safra em Minas Gerais e Goiás e os preços devem voltar a ceder. Em março, a valorização do quilo da cenoura foi de 37,44% em São Paulo, 50% no Rio de Janeiro e de 29,47% em Recife.
Cebola

“Para abril, é prevista a continuidade da alta de preços, pois a produção concentrada no sul do país, tende a ser insuficiente para atender a demanda nacional”, indica a Conab.
Laranja

“Março trouxe consigo alta das cotações na maioria dos entrepostos atacadistas e o aumento da oferta das laranjas precoces da nova safra”, explica o relatório. Para os próximos meses, a Conab indica “normalização da oferta de laranjas tanto para a moagem quanto para o varejo, o que pode contribuir, em um cenário de demanda arrefecida, para a queda de preços”.
Melancia

O relatório também apontou queda na produção devido à entressafra no Centro-Oeste e problemas climáticos em São Paulo, onde a chuva reduziu a produtividade e contribuiu para o surgimento de doenças.
Banana

Segundo a Conab, associada às oscilações da demanda, a situação pode gerar prejuízos ao produtor. Em São Paulo, os preços subiram 3,26% em março. também houve valorização de 17,39% em Recife e de 10,04% no Rio de Janeiro.
Mamão e maçã

A mesma estabilidade é esperada para o mercado de maçã, cuja safra apresenta frutos menores, mas de maior qualidade. Em março, o preço médio da fruta comercializada em São Paulo apresentou queda de 3,26%.
“Essa variedade de maçã, uma vez posta no mercado (atacado e varejo), poderá contribuir em fins de abril e início de maio para a redução de preços. Isso ocorrerá se a oferta não for controlada com a utilização de câmaras frias”, conclui a Conab.
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