sexta-feira, 23 de março de 2018

UMA LEITURA NECESSÁRIA >> Livro dá visibilidade a Comunidades Tradicionais de Territórios no RN






O Perfil das Comunidades Tradicionais e o acesso às Políticas Públicas nos Territórios Rurais e da Cidadania do Rio Grande do Norte é tema do livro lançado no próximo dia 23, na Cooperativa Cultural da UFRN. Organizado pelos professores Geraldo Barboza e João Bosco Araújo, a obra traz textos de dois autores Quilombolas, Andreia Nazareno, militante ativista, e Cândido Firminiano, historiador, que cursaram Gestão de Cooperativa na Universidade Federal do RN.
“O livro integra uma trilogia de pesquisas realizadas no âmbito do projeto NEDET, uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e UFRN, que mapeou o perfil e as políticas públicas existentes nos territórios do Rio Grande do Norte, das comunidades tradicionais, das mulheres e da juventude”, esclarece o professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN, João Bosco Araújo.
Baseado no trabalho do antropólogo Geraldo Barboza, que há 30 anos pesquisa as comunidades de Ciganos, Terreiros, Pescadores e Quilombolas em diferentes regiões do país (Roraima, Rondônia, Pernambuco, Paraíba, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Norte), o trabalho aponta para questões de intolerância no Estado do Rio Grande do Norte.
Para Geraldo, no que pese a existência de políticas públicas para a área, no Brasil não houve um processo educativo, o que gera dificuldade de operacionalizar a estrutura existente e um mundo de invisibilidade para estas populações.
Serviço
Data: 23 de março
Hora: 11h
Local: Cooperativa Cultura, Centro de Convivência da UFRN
Blog: Almir Medeiros

Fórum da Água derruba mito de que agricultura é “vilã hídrica”

Fatos e mitos que afetam a imagem ambiental da atividade rural foram debatidos no evento, em Brasília; CNA e Embrapa apresentaram dados científicos



agua-irrigação-recursos-hidricos (Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)
Informações falsas que prejudicam a imagem ambiental da atividade agropecuária brasileira estão sendo derrubadas no 8º Fórum Mundial da Água, realizado esta semana em Brasília. Especialistas, pesquisadores e representantes do setor produtivo estão provando que não são verdadeiros os conceitos como os de que a irrigação desperdiça muita água e é responsável pela crise hídrica das cidades ou que a agricultura polui os rios e prejudica a população.
“Às vezes as pessoas exageram em determinados pontos de vista, com algumas crenças. Por exemplo: de que árvores necessariamente produzem água. É bom que se diga que árvore bebe água, como qualquer outra planta. Para poder crescer e gerar biomassa é preciso de água”, disse o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cerrados Jorge Werneck. Ele explicou que é por isso que um eucalipto – de uma floresta plantada – exige tanta água e que o mesmo ocorre com outros tipos de árvores, mesmo de as de florestas. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por sua vez, lançou a cartilha “Fatos e Mitos” para o Fórum da Água esclarecendo conceitos que afetam negativamente a atividade rural.
“Mesmo a floresta tem uma grande dinâmica em si que acaba tirando água do solo e levando para a atmosfera. Essas coisas precisam ser estudadas com calma, com a ciência presente nesse processo”, disse o pesquisador da Embrapa. Werneck é um dos representantes do Brasil no Comitê Diretivo Internacional (CDI), instância decisória máxima das ações do Fórum. Ele participou nesta quarta-feira (21) da sessão “Agricultura e serviços ecossistêmicos: produtores rurais podem salvar rios e ainda lucrar?”.

Questionado pela revista Globo Rural se é possível “salvar rios”, Werneck argumentou, sob o foco científico: “É um pouco demais. É difícil a gente salvar rios, mas você consegue, sim, utilizar os recursos naturais de forma mais adequada para ter o mínimo impacto possível dentro dos rios e possa, assim, compartilhar essa água com mais pessoas e com o meio ambiente”. Ele disse que já existe tecnologia para alcançar esse objetivo, inclusive muitas tecnologias antigas, como o plantio direto. “A crise hídrica pode, inclusive, ter um lado positivo, de aumentar a conscientização sobre o uso racional do solo, da água. Aos poucos o Brasil tem avançado no aumento da sustentabilidade de sua agricultura”, completou.
Jorge Werneck-embrapa-fórum mundial da água (Foto: Ayr Aliski/Editora Globo)
Cada ambiente precisa ser estudado e compreendido em relação às possibilidades de atividades agrícolas e necessidades de preservação, destacou Werneck. “Nem sempre árvore vai ser adequada. Vide o Pampa, que é um ambiente que não tem árvores”, argumentou. “Outro erro é acreditar que tudo que vem de cima é acumulado pelas matas ciliares. Isso também não é verdade, pois há caminhos preferenciais. Não que as matas ciliares não sejam importantes. São superimportantes”, afirmou. O pesquisador apontou que o planejamento do uso do território e da água é fundamental, pois nem todo o uso do solo e da água para agricultura representa impacto significativo aos recursos hídricos. É preciso considerar pontos como aptidão de solos e áreas, escala, capacidade de suporte e legislação, entre outros critérios.
O Brasil tem avançado no aumento da sustentabilidade de sua agricultura
Jorge Werneck
Ao se discutir biodiversidade, destacou o pesquisador da Embrapa, o estudo não pode envolver apenas a água. É preciso haver um estudo integrado do ambiente, do espaço, para garantir produção de água, produção de alimentos, fibras, energia e também a manutenção adequada da qualidade do meio ambiente. Werneck alertou que o Brasil tem, sim, condições de melhorar o uso das áreas já disponíveis para a atividade agropecuária e que a intensificação sustentável é um ponto imprescindível para equilibrar a equação entre a necessidade de conservação e de produção agropecuária. É indispensável, enfim,  avançar a discussão sobre o nexo água-alimento-natureza, destacou o representante da Embrapa, deixando de lado as crenças e com forte aposta na ciência.
Fatos e Mitos
A CNA elaborou uma cartilha que confronta fatos e mitos que envolvem a atividade agropecuária especialmente para o 8º Fórum Mundial da Água. O primeiro mito hídrico citado na publicação é o que “70% da água no Brasil é usada para irrigação”. A cartilha esclarece a legislação brasileira (Lei nº 9433/97) deixa claro que a prioridade é garantir o abastecimento humano e sanar a sede dos animais. A CNA explica, ainda, que é exigida a manutenção de uma vazão mínima para evitar a degradação ambiental. Somente o excedente hídrico pode ser utilizado pela agropecuária.

A CNA informa também que é falsa a informação de que “pivô central gasta muita água”. A entidade explica que a irrigação oferece às plantas a quantidade ajustada e necessária de água, sem desperdício. A Confederação mostra que estão erradas as hipóteses de que a irrigação causa falta d’água nas cidades e que agricultura polui as águas que chegam aos centros urbanos.
“Se a questão é escassez, o produtor rural tem mais soluções do que problemas”, destaca o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Ananias Filho. Ele cita a importância das fazendas na recarga de aquíferos e na formação de estoques de água, que acabam alimentando os cursos d’água. Ananias lembra que a agricultura sofre com a poluição dos rios vinda das cidades – esgoto -, pois as plantações exigem água limpa, de qualidade, para a produção de alimentos.

 

Entenda as principais mudanças do Programa Nacional de Crédito Fundiário



Nesta semana, foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) a resolução que regulamenta as novas condições de financiamento para acesso ao Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), política pública que contribui com o combate à pobreza rural, a sucessão e consolidação da agricultura familiar e a produção de alimentos de forma sustentável. 
As mudanças buscam ampliar o acesso dos agricultores familiares ao Programa e dar mais viabilidade técnica e econômica às áreas adquiridas pelos trabalhadores(as) rurais em todo o país. 
O novo PNCF tem como principais alterações a regionalização e a maior qualificação dos projetos, novas linhas de crédito, ampliação dos perfis de renda e patrimônio, do prazo de financiamento, bem como do teto de R$ 80 mil para R$140 mil. Para entender melhor o que mudou veja a entrevista com a subsecretária da Subsecretaria de Reordenamento Agrário (SRA), Raquel Santori, a seguir: 

O novo modelo do PNCF trouxe novas linhas de crédito e regionalizou o acesso ao Programa. Poderia explicar mais sobre isso?
Teremos agora três linhas de crédito. O PNCF Social, o PNCF Mais e o PNCF Empreendedor.
O PNCF Social é específico para os agricultores familiares que vivem na região Norte e na área de abrangência da Sudene, inscritos no Cad Único, com renda anual de até R$ 20 mil, um patrimônio de até R$ 40 mil. 
O PNCF Mais pode ser acessado por agricultores(as) de todas as regiões, exceto a área de abrangência da Sudene, com renda de até R$40 mil e o patrimônio pode chegar a R$ 80mil. 
Destacamos para estas duas linhas, quando a compra for entre herdeiros, o patrimônio pode chegar a R$100 mil.
Teremos também o PNCF Empreendedor, que é uma grande novidade no programa. Essa será uma linha de risco bancário, para famílias de todo o Brasil, com renda de até R$ 216 mil e patrimônio de até R$500 mil.  
Quais são as novas condições de financiamento?
Para o PNCF Social, a taxa é de 0,5% a.a., para o PNCF Mais 2,5% a.a. e para o PNCF Empreendedor terá uma taxa de 5,5% a.a..O prazo de pagamento passou de 20 para 25 anos, com carência de até 36 meses, condições válidas para as três linhas. E a concessão de bônus de adimplência para o PNCF Social de 40% e 20% para o PNCF Mais. 
Houve alguma mudança na forma de operacionalização do Programa? 
Queremos acompanhar todo o processo e dar agilidade às contratações. Para isso, foram criadas Unidades Gestoras do Crédito Fundiário nas Delegacias Federais do Desenvolvimento Agrário (DFDAs), que irão atuar em parceria com as Unidades Técnicas Estaduais (UTEs), ampliando a capacidade de solução dos possíveis gargalos, responsáveis, muitas vezes, pela morosidade na tramitação das propostas. As Delegacias irão participar do processo.
O que o agricultor que estiver interessado em adquirir uma terra precisa fazer? 
Ele deve procurar as entidades parceiras, credenciadas pela SRA para atuar na Fase 1, como os movimentos sociais, ONGs, empresas de Ater e prefeituras que irão capacitar esses agricultores e auxiliá-los com a elaboração da proposta. 
Uma vez pronta, a proposta será encaminhada ao Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável que irá analisar a elegibilidade e emitir parecer sobre o imóvel e a proposta de financiamento. Saiba mais sobre como acessar o PNCF aqui. 
Houve mudanças nos documentos para acessar o programa? O que o agricultor precisa ter?
O trabalhador precisa apresentar documentos que comprovem a elegibilidade para acesso ao programa, como o tempo de experiência de 05 anos na atividade rural e a apuração da renda. A lista completa dos documentos está disponível no site da Sead. Para obter mais informações, os interessados podem entrar em contato com os sindicatos, Conselho Municipal e prefeitura.
Além das novas condições para o crédito, que outros benefícios o novo modelo traz para o agricultor?
Nesse novo PNCF, fica assegurado o valor destinado à Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para as linhas PNCF Social e Mais, de R$ 7.5 mil, por família, divididos em até cinco anos.
Outra novidade, é obrigatoriedade de apresentação de um pré-projeto de Pronaf A já no ato de contratação das linhas PNCF Social e PNCF Mais, de maneira a garantir, aos agricultores(as), condições mínimas de geração de renda e capacidade de pagamento. 
Qual a sua expectativa com tantas mudanças?
Sempre positiva, afinal, se levarmos em conta os programas de crédito que o antecederam, este ano o PNCF completará 20 anos. Uma jornada marcada por acertos e erros, que tem proporcionado a realização do sonho de milhares de trabalhadores(as) rurais brasileiros(as), que viram no Programa a oportunidade de se tornar dono da própria terra e dela tirar o sustento de sua família.
Mas é importante destacar que as caraterísticas dos beneficiários mudaram ao longo desses anos e o valor das terras também. Por essa razão, as adequações no Programa são necessárias para atender o atual público e garantir a sustentabilidade dos projetos. 
Uma coisa é certa, o PNCF continuará contribuindo com a sucessão rural, atendendo os jovens em todas as linhas de crédito e dando condições para que o agricultor tenha acesso à terra. 

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário

Assentamento paraibano exporta algodão colorido para a Europa


Produtores de algodão orgânico do assentamento Campos, em Salgado de São Félix (PB)


Agricultores do assentamento Campos, no município de Salgado de São Félix, no Agreste paraibano, viram na retomada da cultura do algodão, que até a década de 1980 era a principal atividade da região, a chance de conquistar novos mercados e uma nova fonte de renda.
Desde 2015, o algodão produzido no assentamento, que é cultivado de forma manual e orgânica e já nasce colorido, é exportado para a Europa, onde é transformado em artigos de cama, mesa e banho e em peças de vestuário. A expectativa para este ano é de que a produção das 35 famílias que trabalham com a cultura no assentamento chegue a aproximadamente 60 toneladas de plumas de algodão nas cores verde e rubi.
Na última sexta-feira (16), as famílias do assentamento, a cerca de 95 quilômetros de João Pessoa, receberam, pela primeira vez, a visita do embaixador regional para a América Latina da Textile Exchange, Sílvio Moraes. A organização não-governamental que ele representa atua no fortalecimento da cultura do algodão orgânico para a indústria têxtil por meio da construção de elos entre produtores e compradores.
Revitalização
A revitalização da cultura do algodão no assentamento Campos começou há três anos com o agricultor João Lourenço, de 52 anos. Sua família, assim como as outras do projeto, era posseira da antiga Fazenda Campos, onde existia uma plantação de algodão branco até a década de 1980, quando a praga do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) provocou o declínio da cultura no Semiárido nordestino, que já foi a maior área de produção algodoeira do país.
Foi com o objetivo de aumentar a renda da família que João Lourenço procurou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater/PB)-Gestão Unificada, que forneceu as sementes de algodão orgânico das variedades BRS Rubi e BRS Verde. As variedades de algodão colorido são fruto de mais de 20 anos de melhoramento genético convencional, cruzando-se plantas de algodão entre si, conduzido pela Emprapa Algodão. As pesquisas resultaram em cinco variedades com tonalidades que vão do verde-claro aos marrons claro, escuro e avermelhado.
Em cerca de três anos, o sucesso da experiência iniciada pela família de João Lourenço conquistou outras famílias do assentamento Campos. Atualmente, o grupo de produtores reúne 35 famílias. Cada uma delas possui um lote com uma média de 20 hectares e vai plantar um ou dois hectares de algodão consorciado. “No começo, o povo aqui achava que eu era louco. Eles me perguntavam onde eu iria vender o algodão”, revelou João Lourenço.
Venda para os EUA
As primeiras plumas de algodão colhidas pela família de João Lourenço foram comercializadas ainda em 2015 para os Estados Unidos com o apoio da Emater/PB-Gestão Unificada. No mesmo ano, o coordenador do Projeto Brasil da Organic Cotton Colours, Diógenes Fernandes, visitou o assentamento e começou a organizar um grupo de agricultores para aumentar a produção de algodão.
Desde 2016, toda a produção de algodão colorido orgânico do assentamento é vendida à Organic Cotton Colours, uma empresa sediada na região da Catalunha, na Espanha, que trabalha com algodão orgânico há mais de 25 anos e comercializa o algodão colorido produzido no assentamento Campos no mercado europeu.
De acordo com a Embrapa Algodão, sediada em Campina Grande, a Paraíba já chegou a produzir cerca de 700 mil toneladas de algodão por ano. A cultura sofreu forte declínio a partir da década de 1980 devido à praga do bicudo, ao elevado endividamento dos produtores rurais, que perderam safras por questões climáticas, e à concorrência com outros países produtores.
Fonte de renda
Em 2017, os agricultores do assentamento Campos receberam R$ 9 por quilo de pluma. Os agricultores também lucraram com a venda das sementes de algodão, comercializadas por R$ 1,50 o quilo.
Para João Lourenço, o plantio de algodão consorciado com outras culturas garante produção diversificada e renda extra. “Vale muito a pena porque é mais um reforço na nossa renda, pra gente comprar roupas, calçados. Se a gente estivesse plantando só milho e feijão não tinha como”, disse. “É ótimo o plantio de forma consorciada porque primeiro colhemos o feijão, depois o milho e, por último, o algodão”, explicou o agricultor assentado.
O técnico em agroecologia Moisés Batista de Oliveira, 32 anos, também vive com a família na área do projeto. Ele não havia trabalhado com algodão até 2016, quando plantou dois hectares após o sucesso da experiência iniciada por João Lourenço, que hoje representa o grupo produtor de algodão do assentamento. Moisés viu no algodão uma forma de incrementar a renda da família, que produz ainda milho e feijão-verde. “O algodão orgânico é vantagem para o agricultor familiar porque a gente já tem comprador certo e também aprende mais sobre a agroecologia”, afirmou o agricultor.
Certificação
A Organic Cotton Colours está orientando os produtores do assentamento Campos para, até o final do ano, obter a certificação orgânica participativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o algodão produzido pelas famílias da comunidade.
Segundo Diógenes Fernandes, a Organic Cotton Colours possui uma demanda de pelo menos outras 40 toneladas de algodão branco, verde e rubi. Atualmente, a empresa também trabalha com o algodão produzido por grandes produtores da Turquia. Mas, ele explicou que o objetivo da Organic Cotton Colours é adquirir todo o seu algodão do Brasil e assim valorizar a agricultura familiar.
Produção sustentável
O plantio de algodão no Assentamento Campos é feito em consórcio com outras culturas, como milho, feijão e gergelim, mantendo uma proporção de 50% do campo plantado com algodão, que não recebe agrotóxicos e nem insumos químicos. A produção é de, em média, uma tonelada de algodão por hectare. A diversificação garante o equilíbrio ambiental, o melhor aproveitamento da terra e a diversidade de alimentos – umas das principais características da agricultura familiar.
Para combater pragas e doenças nas plantas, os agricultores assentados utilizam defensivos naturais produzidos à base de angico e de Nim (Azadirachta indica) – que, segundo a Embrapa, é uma árvore de múltiplo uso pertencente à família das meliáceas com origem provável na Índia e em Mianmar.
O algodão produzido é beneficiado em uma miniusina de processamento de algodão com o uso de uma descaroçadeira com capacidade para beneficiar até duas toneladas de algodão por dia. A máquina separa a semente da fibra e foi instalada pela Embrapa em uma miniusina que funciona desde 2001 em outro assentamento paraibano produtor de algodão orgânico colorido, o projeto Margarida Maria Alves, em Juarez Távora, também na região do Agreste paraibano.
O transporte do algodão do Assentamento Campos para a miniusina do Assentamento Margarida Maria Alves é feito pela Organic Cotton Colours, que também é responsável pela sacaria, pelo beneficiamento e pelo pagamento dos impostos.
Replantio
As plumas de algodão são transformadas em tecidos usados na confecção de roupas, toalhas e lençóis. Os agricultores ficam com todas as sementes do cultivo para replantar ou para alimentar os animais. Cada família tem seu próprio banco de sementes.
Além de não usar agrotóxicos, que contaminam o solo e as águas, a cultura do algodão orgânico colorido contribui ainda com a redução da quantidade de resíduos industriais resultantes do tingimento dos tecidos fabricados a partir do algodão, gerando uma economia de água no processo industrial de acabamento da malha e reduzindo a agressão ao meio ambiente e o risco de alergias.
De acordo com Sílvio Moraes, apenas 0,1% do algodão brasileiro é produzido de forma orgânica. “Embora as plantações de algodão convencional representem apenas 4% da produção agrícola mundial, elas são responsáveis pelo consumo de cerca de 25% da produção de agrotóxicos do mundo”, afirmou.
Ele disse ainda que, atualmente, a região do Cerrado brasileiro é a maior produtora de algodão no Brasil. O algodão produzido no Centro-Oeste é, segundo ele, cultivado por grandes produtores, que utilizam agrotóxicos em larga escala para manter as plantações livres das pragas.
“Nosso grande desafio é aumentar o número de produtores orgânicos. Daí o grande potencial dos assentamentos da reforma agrária, onde os agricultores já estão reunidos em grupos”, afirmou Sílvio Moraes.
Visitantes do exterior
A produção de algodão orgânico colorido do assentamento Campos e de outras áreas da reforma agrária na Paraíba, como o projeto Margarida Maria Alves, em Juarez Távora, também na região do Agreste, vem chamando a atenção de entidades do Brasil e do exterior. A maior parte dos visitantes chega à comunidade através da Organic Cotton Colours.
“O nosso objetivo é fortalecer a agricultura familiar e a agroecologia. Por isso, cada família só planta no máximo dois hectares de algodão. Queremos manter a diversidade da agricultura familiar”, afirmou Diógenes Fernandes.
Em 2016, o assentamento Campos recebeu a visita de 40 empresários do Peru. Também já recebeu visitas de pessoas de outros estados brasileiros, como a Bahia, e de países como a Holanda e o Japão.
“Desde quando as plantas começam a crescer até a colheita, que acontece a partir de agosto, quase todo dia tem gente aqui, querendo conhecer os campos de algodão”, contou João Lourenço.
A Fazenda Campos foi transformada em área de reforma agrária 1998 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária na Paraíba (Incra). O assentamento possui aproximadamente 3.571 hectares, onde vivem e produzem 130 famílias de agricultores, que se dedicam principalmente, além do plantio do algodão, ao plantio de feijão, milho, fava, batata-doce e macaxeira, ao cultivo de hortaliças e à criação de animais de pequeno porte, como cabras e galinhas.

Assessoria de Comunicação Social do Incra/PB

Nota do Blog: A velha Paraíba, sempre na frente das ações agrícolas no NE brasileiro.
Guardiã das águas, agricultura familiar defende produção de alimentos com sustentabilidade ambiental

O Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, é uma data que nos leva a refletir sobre o uso, consumo e preservação deste bem tão precioso para a sobrevivência dos povos e de toda a biodiversidade no planeta Terra. A Organização das Nações Unidas (ONU) escolhe um tema a cada ano para fomentar o debate nessa data e, em 2018, é “A natureza pela água”, referindo-se ao uso de soluções baseadas no meio ambiente para resolver problemas de gestão dos recursos hídricos.
Segundo a ONU, o objetivo é pensar em estratégias que foquem na gestão de vegetações, solos, mangues, pântanos, rios e lagos, que podem ser utilizados por suas capacidades naturais para o armazenamento e limpeza da água.
Atualmente, 1,8 bilhão de pessoas consomem água de fontes que não são protegidas contra a contaminação por fezes humanas. Mais de 80% das águas residuais geradas por atividades do homem — incluindo o esgoto caseiro — são despejadas no meio ambiente sem ser tratadas ou reutilizadas. Até 2050, a população global terá aumentado em 2 bilhões de indivíduos, e a demanda por água poderá crescer até 30%.
A agricultura patronal, ou seja, o agronegócio é responsável por 70% do consumo de recursos hídricos — a maior parte vai para a irrigação das plantações; e é seguido pela indústria, que responde por 20% da água utilizada em atividades humanas. O uso doméstico representa apenas 10% do consumo total, e a proporção de água potável que é bebida pela população equivale a menos de 1%.
Com as transformações do clima e a manutenção de padrões insustentáveis de produção de commodities por parte do Agronegócio para a exportação, a poluição e a desigualdade na distribuição e acesso vão se agravar, bem como os desastres associados à gestão da água.


É nesse sentido que a agricultura familiar vem aprofundando o debate e a proposição de políticas públicas que visem o uso racional da água na produção de alimentos, com a inserção de novas tecnologias e práticas sustentáveis, como é o exemplo do gotejamento, do aproveitamento das águas das chuvas, a diversificação de culturas como forma de evitar a erosão do solo, entre outras medidas incentivadas pela CONTAG, Federações e Sindicatos e já trabalhadas por milhares de agricultores e agricultoras familiares brasileiros.
Muitas dessas experiências estão sendo apresentadas no Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), realizado de 17 a 22 de março, em Brasília, bem como está sendo aprofundado o debate sobre os impactos com uma possível privatização da água. A CONTAG está com uma grande delegação participando do evento, aproximadamente 300 pessoas de todo as regiões brasileiras.
Infelizmente, não é somente o risco à privatização da água que preocupa os agricultores e agricultoras familiares. Segundo o secretário de Meio Ambiente da FETAEMA, Antonio Sorriso, o avanço do agronegócio e de outros projetos em diversas regiões no Maranhão ameaça a sobrevivência da agricultura familiar com a restrição do acesso à água. “No Maranhão, um dos problemas que enfrentamos é o avanço do Matopiba. Quanto mais avança o projeto do agronegócio, mais dificulta o acesso à água pelos agricultores e agricultoras familiares. Na região de Alto Turi, o problema é gerado pela mineração, pois os garimpos ficam próximos às áreas de assentamento; já na região do Baixo Parnaíba temos o avanço do eucalipto; e na Baixada Maranhense, por motivo de criação de búfalos na região, os lagos e rios estão desaparecendo, sem contar no desmatamento na margem dos rios. Todos esses fatos vem causando transtornos no Maranhão e o FAMA vem como uma esperança sim, pois nos traz grandes diálogos e conhecimento para levarmos para a base para que todos os problemas sejam resolvidos”, relata o dirigente do Maranhão.

Foto: Comunicação FAMA
Vários municípios do Espírito Santo também sofrem com a falta de água em períodos de seca que se repetem ao longo dos anos. O agricultor familiar de Cachoeiro do Itapemirim/ES, Gilmar Araújo, disse o mau uso do solo na sua região acarretou em uma seca severa e em mudanças climáticas que estão impactando cada vez mais. “Em Cachoeiro do Itapemirim tivemos o apoio da prefeitura para o transporte da água até as propriedades e até as casas nas comunidades rurais. O gado ficou praticamente sem água. Estamos pensando em algo mais forte, um projeto maior de recuperação das nascentes. O FAMA é tudo o que a gente esperava. Nós temos que multiplicar esses momentos e dar uma resposta de toda a agricultura familiar do País. Somos formadores de opinião, somos produtores de alimentos saudáveis, com produção limpa. Então, merecemos por parte do governo toda a atenção possível”, destaca o agricultor familiar capixaba.
No entanto, muitos problemas com acesso à água também são causados por crimes ambientais, como é o que vem ocorrendo no Pará com a poluição das suas águas. O caso mais recente aconteceu em Barcarena/PA, em meados de fevereiro desse ano, quando a refinaria da Hydro Alunorte despejou material tóxico em uma região de floresta, contaminando as águas e o solo. A agricultora familiar Fátima Dias vive na região e sente na pele os efeitos desse e de outros crimes ambientais. “O vazamento de rejeitos no rio em Barcarena foi mais um crime ambiental. É porque esse ganhou grande repercussão na mídia. Mas já tivemos 15 vazamentos anteriores também com materiais tóxicos. Então, estamos naquele polo industrial sofrendo. A nossa agricultura familiar da região está praticamente acabando, porque não tem como trabalhar uma terra se o solo está todo contaminado. Nós dependemos da água para tudo. Hoje não vemos solução, pois as indústrias chegaram e se instalaram na região e nós somos tratados como intrusos, mas na verdade somos naturais dessa terra. Além disso, estamos sofrendo com ameaças por parte do grande capital que se instalou na nossa terra e com o grande número de pessoas com câncer, com problemas de pele e outras doenças”, denuncia a agricultora familiar paraense.
Segundo a secretária de Meio Ambiente, o FAMA tornou-se uma junção e a unidade de todos os povos. “Estamos na luta pela água para que ela seja livre, para que seja dos povos, para que seja de todos e de todas, para que a gente possa produzir e continuar alimentando o nosso País de forma sustentável e igualitária para todos. Estamos unindo nesse momento o campo e a cidade para que a gente discuta com responsabilidade a questão da água. A água representa tudo, e a vida principalmente, porque sem água não podemos produzir”, destaca Rose, que completa: “A agricultura familiar não é só protetora do meio ambiente, como é a guardiã das águas também. Se não tivermos água para produzir, não conseguiremos alimentar o nosso País. Não aceitamos a privatização da água. Água é um direito, não mercadoria!”, defende a dirigente da CONTAG.


FONTE: Assessoria de Comunicação da CONTAG 

Milho: Conab contrata frete pera remover 33,6 mil toneladas para Vendas em Balcão





Imagem: Reprodução
Um novo leilão de frete da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está agendado para o dia 03 do próximo mês, uma terça-feira.

Nesta operação, a empresa estatal espera contratar a remoção de 33,6 mil toneladas de milho para estados de todas as regiões do país.
O produto será destinado ao atendimento do Programa de Vendas em Balcão (ProVB), pelo qual os pequenos criadores podem comprar milho a preço de atacado para uso na ração animal.
A região Nordeste será o principal destino do milho removido, adianta nota publicada pela assessoria de comunicação social da Conab.
No estado do Rio Grande do Norte, são esperadas 13,4 mil toneladas do grão.
Deste total, 12,2 mil toneladas estão armazenadas em Taboporã (MT) e o restante sairá do município de Palmeira do Piauí (PI).
Da cidade piauiense também sairão outras 7 mil toneladas com destino ao Ceará.
Já a Paraíba deverá receber 6,5 mil toneladas de milho removidos de Mato Grosso.
Outras 5 mil toneladas do produto armazenadas em Taboporã terão como destino os estados do Acre (300 t), Espírito Santo (2 mil t) e Rio Grande do Sul (2,7 mil t).
Em Goiás, a remoção de 1,7 mil toneladas de milho é interna.
O produto sairá de Porteirão para as Unidades Armazenadoras da Conab em Goiânia, Palmeira de Goiás e Santa Helena de Goiás.
A expectativa é que, após a contratação, os embarques comecem a partir do dia 16 de abril.
Este é o quarto leilão de frete realizado em 2018 pela Conab.
Nas demais operações contratadas, foram transferidas 61,7 mil toneladas de milho para atendimento ao programa.
Blog: Almir Medeiros

Distribuição de sementes e de palmas fortalece a agricultura e a pecuária do RN



O Governo do RN, por intermédio da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Pesca – SAPE, da EMPARN e da Emater-RN, está realizando a distribuição de 730 toneladas de sementes pelo Programa Banco de Sementes  de raquetes de palma forrageira. A palma está dentro do projeto de Fortalecimento da Pecuária Leiteira do Rio Grande do Norte. Neste mês de março, o governador Robinson Faria, acompanhado do secretário da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme Saldanha, representantes da Emater/RN e do diretor-presidente da EMPARN, Alexandre Wanderley já estiveram com essa ação em vários municípios potiguares, como São Paulo do Potengi, Santo Antônio, Ceará-Mirim, João Câmara e Currais Novos.
Para implementar a ação de distribuição de sementes, o Governo do Estado investiu R$ 9,17 milhões na aquisição das sementes. Serão beneficiados mais de 51 mil agricultores familiares cadastrados no sistema Ceres da Emater-RN, em 157 municípios do RN. Por variedade, serão entregues um total de 233,2 toneladas de feijão; 278,2 toneladas de milho; 188,4 toneladas de sorgo Ponta Negra; e 30 toneladas de arroz. Este ano cada produtor está recebendo cinco quilos de feijão, cinco quilos de milho e outros três de sorgo ponta negra, utilizado como ração para animais. Especificamente nas cidades de Felipe Guerra e Apodi, também serão distribuídas 30 toneladas de arroz, em virtude de associações nesses lugares trabalharem na produção desses grãos.
O Programa Banco de Sementes disponibiliza para o plantio de subsistência e forragem animal, sementes selecionadas de milho, feijão, sorgo Ponta Negra e arroz. As variedades distribuídas são adaptadas às condições do semiárido do nosso Estado, permitindo precocidade e produção com baixo índice pluviométrico. São resultantes de um longo trabalho de pesquisas realizadas há muitos anos pelos pesquisadores da EMPARN e da Embrapa. Em João Câmara, o governador Robinson Faria, falou sobre importância dessas pesquisas realizadas pela EMPARN para a manutenção do homem no campo. “As sementes com desenvolvimento precoce e adaptadas ao clima semiárido, são tecnologias da EMPARN voltadas para o agricultor, o produtor rural o homem do campo. O trabalho da EMPARN também está presente na pesquisa da palma, que vai ajudar o produtor rural a manter seu rebanho bem alimentado, o que aumenta a produção de leite também de carne” destacou o Governador.
Fortalecimento da Pecuária Potiguar
Durante a distribuição de sementes no interior do Estado, o governo também fez a entrega de raquetes de palma forrageira, das variedades Orelha de Elefante Mexicana e Miúda ou Doce. A ação faz parte do projeto de Fortalecimento da Pecuária Leiteira no RN, que desde janeiro de 2018 vem distribuindo essas variedades de palma forrageira ao produtores rurais do RN. Neste projeto, estão sendo investidos um total de R$ 724 mil, por meio do Governo Cidadão, junto ao acordo de empréstimo com o Banco Mundial. O secretário de Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme Saldanha, destaca a importância da palma, para o produtor rural. "A distribuição de palma é que vai auxiliar o produtor na manutenção do rebanho, já que as raquetes são importante fonte de alimentação do rebanho no período de seca”. Ao todo serão distribuídas 2,7 milhões de raquetes de palma dos tipos de Orelha de Elefante Mexicana e Miúda, espécies mais resistentes a praga cochonilha do carmim, selecionadas a partir de pesquisas realizadas pela EMPARN.
EMPARN cultiva cerca de 1,5 milhão de raquetes de palma forrageira nas Estações Experimentais de Apodi e Pedro Avelino
Além das raquetes de palmas adquiridas pelo Governo do RN, por meio do programa Governo Cidadão (2,7 milhões), o Governo do Estado também vai distribuir mais de 1 milhão de raquetes de palmas que estão sendo cultivadas nos campos da EMPARN, totalizando cerca de 5 milhões de mudas que vão chegar aos produtores rurais do RN. Para o diretor-presidente da EMPARN, Alexandre Wanderley, é importante que os produtoresrurais de todas as regiões do Estado tenham acesso a essa cultura. “Com essas palmas que estão nos campos das Estações Experimentais Terras Secas, em Pedro Avelino e na Estação Experimental de Apodi, e mais as que já estão sendo distribuídas desde janeiro, o Governo do Estado vai poder abastecer e repassar as raquetes a todo e qualquer produtor que tem interesse na cultura da palma forrageira, como uma alternativa viável de alimento, com um custo benefício que cabe no orçamento do pequeno produtor rural”.
A EMPARN está cultivando e multiplicando em suas Estações Experimentais de Pedro Avelino e de Apodi mais de 1 milhão de raquetes (mudas) de palmas de variedades resistentes à cochonilha do carmim, praga que já dizimou plantios de palmas em vários estados do Nordeste. Estão sendo cultivadas as variedades Orelha de Elefante Mexicana, Miúda e a IPA Sertânia. Esses plantios fazem parte de um projeto que está em execução há 3 anos, e é financiado pelo antigo MDA, que agora é Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, os pesquisadores da EMPARN avaliam a questão do plantio e manejo correto para o nosso clima e solo, o resultado desses estudos já estão sendo repassados aos técnicos da Emater e aos produtores rurais em dias de campo, organizados pelas regionais da Emater/RN. É o resultado das pesquisas chegando, na prática, ao produtor rural do Rio Grande do Norte.

E-book mostra 45 anos de pesquisa para o uso sustentável da água na agricultura

Maria Clara Guaraldo - Lançamento reúne pesquisadores da Embrapa na Casa Brasil
Lançamento reúne pesquisadores da Embrapa na Casa Brasil
Nesta quinta-feira, 22, Dia Mundial da Água, a Embrapa lançou no 8º Fórum Mundial da Água, que acontece em Brasília até sexta-feira, o e-book Água e Saneamento - Contribuições da Embrapa.
O lançamento foi realizado no Auditório da Casa Brasil, no espaço de exposições, localizado na infraestrutura do Fórum Mundial da Água. Em formato de e-book, a publicação apresenta as contribuições da Embrapa, ao longo de seus 45 anos, para o 6º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável - Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos. Em abril estão previstos o lançamento de outras 17 publicações eletrônicas, onde a Empresa abordará suas contribuições no campo da ciência e das soluções tecnológicas ofertadas à sociedade para cada um dos 17 ODS.
Durante o lançamento, o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, disse que “em 2050, a expectativa é por uma população de 9 bilhões de pessoas. A população exige cada vez mais soluções tecnológicas para a produção de alimentos, inclusive o uso racional da água. E explicou que "o e-book marca parte de um grande esforço que a Embrapa no sentido de agregar a nossa rede de parceiros em torno da agenda dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS – da ONU”.
Dividida em 9 capítulos, escritos por 35 pesquisadores, a obra traz informações sobre como a Embrapa e seus parceiros têm contribuído para a gestão eficiente dos recursos hídricos no território brasileiro. Manejo sustentável, saneamento e governança, qualidade, escassez e uso eficiente dos recursos hídricos, reuso de efluentes domésticos tratados na horticultura, coleta e armazenamento de água de chuva para uso agrícola são alguns dos temas tratados no e-book (em formato epub) que pode ser baixado gratuitamente no Portal Embrapa no seguinte endereço: https://www.embrapa.br/agua-na-agricultura.
Produzir mais com menos
O pesquisador da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck Lima, especialista em hidrologia e um dos coordenadores técnicos da publicação, destacou a importância da obra: “ela permite que a Empresa reúna em um único volume diversos trabalhos no campo da irrigação, da qualidade da água e do saneamento”. Para Werneck, a pesquisa deve contribuir para que se busque o melhor uso da água, produzindo mais com menos e gerando menos impactos para o meio ambiente.
Werneck diz que ainda é um desafio conectar tecnologias verdes em obras cinzas - relacionadas a obras de esgoto sanitário e lodo - e de cimento. "Por isso a importância de apresentar informações e soluções tecnológicas, alinhadas com políticas públicas, como os conteúdos que estão na publicação, destacou". Werneck é atualmente diretor da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa).
Werneck exemplificou destacando as fossas sépticas biodigestoras como solução tecnológica de fácil instalação e baixo custo, que trata o esgoto do vaso sanitário (ou seja, somente a água com urina e fezes humanas) de forma eficiente, além de produzir um efluente que pode ser utilizado no solo como fertilizante.
Sônia Lopes, pesquisadora da Embrapa Solos, Unidade de Execução e Pesquisa de Recife (UEP Recife), destacou que a publicação irá contribuir para todos os níveis da agricultura, desde o agronegócio até a agricultura familiar e em diferentes biomas. "São 45 anos de estudo da Embrapa nesse tema". Especificamente para o Semiárido, onde a pesquisadora tem estudos, são inúmeras tecnologias para o produtor rural que vive em ambientes de escassez de água, entre eles, o Sisteminha Embrapa, a barragem subterrânea, a cisterna, o sistema de irrigação para pequenos agricultores. "Um acervo enorme que está disponível para a sociedade", enfatiza.
IrrigaWeb - O evento também teve a apresentação da estratégia de capacitação online do Sistema IrrigaWeb - capacitação em Uso e Manejo de Irrigação. Composto por 3 módulos, 11 unidades e 580 telas, o sistema se destina a produtores rurais, técnicos e cooperativas que atuam na gestão da irrigação. Os módulos e as videoconferências online tratam, basicamente, de quatro assuntos: Água na Agricultura e Agricultura Irrigada; Água x Disponibilidade x Balanço Hídrico; Requisitos e condições para água pelas culturas e Aplicações de água e produtos na irrigação de cultivos. "Uma nova ferramenta de comunicação capaz de organizar e disseminar informações valiosas para técnicos e produtores rurais", destacou o gerente de Marketing da Embrapa, Rafael Vivian, ao apresentar o IrrigaWeb aos participantes.

Um solarizador barato ajuda a promover a desinfecção natural de solo


desinfecção do soloA nova tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Rondônia que conseguiram baratearam a tecnologia tornando-a viável também a pequenos produtores. O equipamento chamado ‘Solarizador’, é uma alternativa sustentável e de baixo custo para a esterilização de solos para uso como substrato na produção de mudas. Com ele é possível produzir mudas sem nematoides, uma das maiores preocupações dos produtores de todo o País. A técnica já é adotada por países como Estados Unidos, Israel e Holanda.
O equipamento elimina os principais organismos que causam doenças nas plantas e ainda mantém os que são benéficos, que são termotolerantes, e que podem impedir a reinfestação. Tudo isso sem riscos ambientais e para a saúde dos produtores, de fácil produção e manutenção. Essas são as vantagens do equipamento, quando comparado a outros sistemas tradicionais de desinfestação, como autoclaves, fornos à lenha ou aplicação de químicos, que não são tão eficientes e causam danos ao meio ambiente.
O Solarizador é uma adaptação do Coletor Solar, desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente e pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC). A nova proposta, de acordo com o pesquisador da Embrapa Rondônia José Roberto Vieira Júnior, foi desenvolvida em função das dificuldades em se obter parte dos materiais necessários para construção do Coletor Solar. “Buscamos manter a eficiência, com algumas das características originais, mas adaptando o equipamento às condições e disponibilidades de recursos locais”, explica o cientista.
Segundo ele, o custo médio para a produção do Solarizador, com pequenas variações em cada região, fica em torno de 500 reais. “Não conseguimos encontrar tubos de ferro fundido ou aço na espessura original descrita no projeto original do Coletor Solar por menos de 500 reais a peça e o equipamento leva até seis tubos de 150 mm, o que tornaria o equipamento caro demais para construir nas condições locais. Também substituímos o plástico de cima por vidro, uma vez que o primeiro rasgava demais durante uso. Embora a eficiência diminua em relação ao original, ele funcionou muito bem com vidro de 3 milímetros de espessura”, garante Vieira.

Na prática, o solo é aquecido por meio da radiação solar, utilizando-se do efeito estufa promovido pelo equipamento. A radiação atravessa uma superfície transparente, convertendo-se em energia calorífica na superfície do solo, que é utilizada principalmente no processo de evaporação da água ali armazenada, gerando vapores de temperaturas a partir de 50ºC. Essa temperatura é suficiente para eliminar a grande maioria dos nematoides, vermes de solo que provocam danos ao sistema radicular das plantas e que, para sobreviver, precisam de temperaturas inferiores a 40ºC.
EMBRAPA

terça-feira, 20 de março de 2018

Agricultura e o planeta água

Por:
     

                                                                                                                                        
Sete bilhões e seiscentos milhões de pessoas disputam recursos naturais, como terras aráveis e água, cada vez mais escassos. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, cerca de 1 bilhão de pessoas  sofrem em estado de miséria. O Brasil não está livre do mapa da fome: o drama atinge 6% da população, isto é, 12 milhões de pessoas.

O tema água, da mesma forma, mobiliza estudiosos, legisladores e gestores públicos.  A partir deste domingo, dia 18, e durante a próxima semana, representantes de dezenas de países estarão em Brasília para o oitavo Fórum Mundial. Suas propostas para mitigar a escassez têm o Brasil como o melhor paradigma do problema: embora o país detenha 12% de toda a água doce do planeta, 80% está na Amazônia, onde residem somente 15% dos brasileiros.
Especialistas estimam que cerca de 70% da água consumida no planeta destina-se à agricultura. Meio ambiente é um dos flancos pelo qual a atividade agrícola é frequentemente questionada. O Fórum Mundial será o plenário oportuno para se rever essa visão pouco consistente.
Hoje reverenciada como a fatia bem-sucedida do PIB brasileiro, poucas décadas atrás a produção agropecuária desconhecia avanços que já aceleravam o agribusiness mundial. Produtividade, por aqui, era palavra pronunciada por poucos agrônomos e acadêmicos.

Compare-se a produtividade da mão-de-obra, em 1975: nos Estados Unidos, 3,6 milhões de trabalhadores geravam alimentos para 200,7 milhões de norte-americanos e excedentes exportáveis da ordem de 13 bilhões de dólares; o Brasil, então com o triplo da mão-de-obra rural – 12 milhões de trabalhadores –, colhia para a população de 100 milhões e as exportações agrícolas mal chegavam a 4 bilhões de dólares.
Eram tempos que os bois ocupavam o pasto por cinco anos; da vagareza do plantio a arado; da tentativa de eliminar a saúva e plantas daninhas à base de enxada – claro, com resultados pífios. O que explicava o país precisar importar alimentos básicos para o consumo, tais como arroz, carne, milho e trigo.
O portentoso desempenho atual demonstra que a agricultura trilhou o caminho, ainda que tardiamente, de nações que galgaram estágio superior em suas economias pelo fator tecnológico. Inclusive na agricultura,  equivocadamente relegada por alguns teóricos a papel secundário no desenvolvimento.

Ademais, a revolução que transformou a lavoura arcaica num dos mais bem-sucedidos agronegócios do mundo o conseguiu, em grande parte, de forma sustentável. À luz da ciência, é o que aponta estudo do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica, GITE, da Embrapa: a agricultura ocupa apenas 8% do território nacional e pastagens 19,7%; 61% de vegetação nativa estão preservados.
A crise hídrica tem gerado novas posturas na população para economizar de água; moradores de Brasília convivem, há um ano, com o racionamento nos lares e no comércio. Por outro lado, a escassez dá margem à pregação preservacionista, pouco científica. Bem-intencionada,  porém equivocada ao incorporar a visão da “natureza intocável”.
Seus ativistas renegam o manejo conservacionista, cuja intervenção na natureza está a serviço das pessoas e da melhoria da qualidade de vida – casos, por exemplo, de uma hidrelétrica, da agropecuária e das indústrias de alimentos.
O uso consciente dos recursos hídricos pelas pessoas e organizações deve ser não apenas incentivado, mas exigido e, de forma tecnicamente sensata, regulado. Mas são impensáveis ideias como declarar a “moratória da água”, já veiculada por certas ONGs.

Portanto, é inequivocamente necessário que os recursos naturais sejam conservados. Não por mero tributo à natureza mas, sobretudo, por serem imprescindíveis às sociedades, às pessoas.

Cientistas desenvolvem cana transgênica resistente a herbicida e a inseto-praga

Cientistas da Embrapa Agroenergia (Brasília, DF) se uniram a uma startup para desenvolver variedades de cana-de-açúcar transgênica para controle biológico da broca-da-cana e facilitar o manejo da cultura com o herbicida glifosato. O projeto “Produção de variedades comerciais de cana-de-açúcar transgênica para aumento da biomassa e da produção de etanol 1G e 2G a partir da transferência de genes que conferem resistência ao herbicida glifosato e a insetos-praga” é uma parceria entre a Embrapa Agroenergia, a startup PangeiaBiotech, Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii ) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Esta parceria, que tem a duração de 4 anos, entre a empresa PangeiaBiotech e Embrapa Agroenergia visa incorporar características de valor agronômico em variedades de importância comercial top de mercado. Depois desse período, os cientistas pretender disponibilizar no mercado um material com essa dupla transgenia.
Para chegar com esse produto totalmente inédito no mercado, selecionamos genes com liberdade de uso, conta Hugo Molinari – pesquisador da Embrapa Agroenergia e líder do projeto. Além disso, os pesquisadores já iniciaram a transformação genética em laboratório com as variedades previamente selecionadas. Também, estão previstos os testes em campo para validar a tecnologia. Após está etapa de validação, parcerias estratégicas com empresas interessadas poderão ser feitas, o que envolve negociações de desregulamentação do evento transgênico para posterior venda destas variedades no mercado.
De acordo com Paulo Cezar De Lucca, sócio fundador da PangeiaBiotech, as características de valor agronômico mencionadas são na verdade genes já comumente usados nas culturas da soja, milho e algodão no Brasil e que agora estamos adaptando para a cana. De Lucca lembra que 100% da cana é convencional, enquanto nas outras culturas cerca de 94% são variedades transgênicas. Diante desse panorama, foi observado um nicho de mercado muito interessante para se trabalhar com cana transgênica do começo ao fim. Ele reforça “Somos uma startup e jamais conseguiríamos fazer isso sozinho”.
Para realizar este projeto a empresa entra com 1/3 em parceria com o SEBRAE, a Embrapii com 1/3 e a Embrapa Agroenergia com o restante. Esse é o fundamento do projeto, que além de disponibilizar recursos para investir nesta iniciativa, está fazendo um elo entre uma startup e a Embrapa, que é a maior empresa de pesquisa em agricultura tropical do mundo”, salienta De Lucca.
Mais informações sobre como fechar parceria com a Embrapa Agroenergia via Embrapii acesse www.embrapa.br/agroenergia/embrapii. Guy de Capdeville, chefe-geral da Embrapa Agroenergia destaca que esse foi o nosso primeiro projeto como unidade Embrapii. Temos a expectativa de que com esse modelo de financiamento de pesquisa tenhamos novas parcerias em prol do setor sucroalcooleiro.
O acordo foi firmado oficialmente, entre as empresas envolvidas, durante Simpósio “Integração da pesquisa pública com cana-de-açúcar no Brasil”. O evento ocorreu nesta quinta-feira (15), no Centro de Convenções de Cana-de-Açúcar do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em Ribeirão Preto (SP) e contou com cerca de 400 participantes.
Na abertura do simpósio, o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Celso Luiz Moretti, destacou a importância da integração entre a pesquisa pública, a privada e os diferentes stakeholders com a cadeia produtiva de cana. O diretor ainda enfatizou a relevância da criação do fundo de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o setor sucroalcooleiro energético. “No atual contexto, a criação deste fundo representa uma iniciativa inovadora para mobilizar e aplicar recursos públicos e privados de forma a dinamizar pesquisas que gerem novos produtos para esse importante setor produtivo”.  Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia e um dos coordenadores do Simpósio destacou: “o Simpósio foi muito estimulante! Tivemos 549 participantes que estavam representando os diversos segmentos do setor sucroenergético. Foi um grande dia de reflexão e também para acreditar que podemos fazer diferente com o apoio do setor e de todos. Isso ficou evidente na fala de cada palestrante e que nos motiva a seguir em frente com a ideia de criar um fundo para dar vazão às pesquisas que o setor necessita para avançar hoje e enfrentar os desafios futuros”.
De acordo com o diretor-presidente da Embrapii, Jorge Guimarães, o setor de sucroenergético possui um papel fundamental na economia brasileira, mas para o país se consolidar como um grande produtor e fornecedor internacional de etanol precisará investir  em melhorias tecnológicas que se adequem as exigências internacionais de produção sustentável, tanto em termos ambientais como sociais.
“Isso envolve a descoberta de novas variedades de cana-de-açúcar, inovações na linha de produções das usinas até a simples expansão da área agrícola. A Embrapii através de suas unidades poderá colaborar no desenvolvimento de novas tecnologias que venham a contribuir com o setor. O projeto que está sendo assinado hoje vai servir de exemplo para que novos desenvolvimentos tecnológicos sejam realizados no modelo Embrapii”, diz.
Danos
O glifosato é o herbicida mais barato do mundo para controle de ervas-daninhas e para cana-de-açúcar o controle destas é muito importante uma vez que compete por nutrientes e absorção de água pela planta nas fases iniciais de desenvolvimento. “Uma maneira fácil de controle é você ter um material com resistência ao herbicida”, salienta Molinari.
Para o agricultor irá facilita o manejo no campo, além de gerar um impacto econômico pela redução dos custos de produção e uma diminuição do uso deste herbicida. Além disso, esse projeto visa utilizar dois genes de resistência combinados que podem ampliar a proteção da cana contra a broca, porque, para quebrar essa proteção será mais difícil tendo dois genes com modos de ação diferentes para o controle desta lagarta. Atualmente, o controle da broca-da-cana é realizado por meio de inseticidas químicos e estima-se que as perdas causadas pela lagarta cheguem a R$ 4,88 bilhões por ano, se considerar a área total cultivada com cana no país. Hoje, temos no mercado a variedade transgênica CTC20Bt desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira - CTC que apresenta resistência a broca-da-cana. No entanto, ainda não está disponível no mercado variedades de cana-de-açúcar combinando dois modos de ação para proteção ampliada contra a broca-da-cana e resistência ao herbicida glifosato.
Sobre a PangeiaBiotech
É uma empresa de biotecnologia incubada na Unicamp especializada na produção de cana transgênica, com know-how de última geração. A sinergia da expertise da PangeiaBiotech e a Embrapa viabilizará em tempo recorde o primeiro teste a campo da cana transgênica de segunda geração. Os ensaios em campo demonstrará a resistência da nova variedade geneticamente modificada, um componente essencial da análise da viabilidade comercial do produto.
Segundo de Lucca, nossa empresa é uma startup, num momento muito oportuno para a criação de empresas de base tecnológica no agronegócio. Nosso modelo de negócio inicial foi baseado nas Plant transformation facilities dos EUA e evoluiu para essas parcerias estratégicas com o setor produtivo, como é o caso da cana transgênica de segunda geração. Nosso próximo passo é a criação de novas características agrícolas, que vai fortalecer nossos laços com as empresas de tecnologia do setor sucroenergético.

O cajueiro que resiste à seca prolongada e produz mais

cajueiro anãoÉ o cajueiro anão, avaliado como sendo mais produtivo, rústico e resistente à seca. A cultivar usada pelos produtores é o clone de cajueiro anão Embrapa 51, variedade predileta dos produtores de Severiano Melo, município do Rio Grande do Norte, na chapada do Apodi, conhecido como terra do caju. O clone apresentou uma produtividade média de cerca de mil quilos de castanha por hectare, em sequeiro, após uma sequência de cinco anos de seca. Em 2017, com chuvas um pouco mais generosas, alguns produtores conseguiram obter mais de 1,5 mil quilos por hectare. Essa produtividade foi alcançada em áreas implantadas há cinco anos e que recebem os tratos culturais recomendados.
“A planta se adaptou e produz muito na região. Mesmo no período muito seco dos últimos cinco anos, os produtores que cuidam bem chegam a mais de mil quilos de castanha por hectare, o que é uma coisa fantástica”, atesta o pesquisador Levi de Moura Barros, líder do Programa de Melhoramento Genético do Cajueiro, que lançou o clone no ano de 1995. De acordo com o pesquisador, o Embrapa 51 apresenta castanha de boa qualidade e pedúnculo que atende bem aos critérios das fábricas de sucos.
Além da resistência à seca, a variedade também tolera bem uma das principais doenças que afeta a espécie, a resinose (Lasiodiplodia theobromae). Outra grande vantagem do clone é que ele produz durante oito meses do ano quase sem interrupções, enquanto as demais variedades oferecem uma safra de apenas quatro meses. Isso ocorre porque, ao contrário de outros cajueiros, ele desenvolve simultaneamente etapas diferentes de evolução dos frutos.

O engenheiro agrônomo e produtor Antônio Tertulino explica que com a produção distribuída ao longo de oito meses, é possível aproveitar também o preço da entressafra. Ele é um dos entusiastas do clone na região. Dos 200 hectares de sua propriedade, 50 são ocupados com a variedade. “Muitos produtores já plantaram, mas nós recomendamos que ocupem no máximo 50% da área, pois o melhor é ter um pouco de cada clone. Pelo menos três clones diferentes para garantir uma maior variabilidade genética no pomar”, explica.