terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Projeto visa liberar financiamento de assistência técnica no crédito rural

Texto suspende artigo de resolução do governo segundo o qual esse recurso só pode ser liberado se houver autorização na linha de crédito


dinheiro-nota-cédula-real-valor-moeda (Foto: Pixabay/Joelfotos/Creative Commons)Dinheiro para assistência técnica só pode ser liberado se houver autorização expressa na linha de crédito
Tramita na Câmara dos Deputados um Projeto de Decreto Legislativo (PDC) que libera o uso dos recursos controlados para o financiamento da assistência técnica rural no Brasil. O texto suspende os efeitos de um artigo de resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que permite o uso desse tipo de recurso apenas quando houver autorização expressa na linha de crédito.
O autor da proposta (PDC 1014/2018), deputado Zé Silva (SD-MG), argumenta que os recursos com taxas e condições de contratação definidos pelo governo representam a maior parte do crédito rural no Brasil. Assim, a resolução do CMN praticamente inviabiliza o financiamento da assistência técnica no país.

“Como os recursos controlados do crédito rural respondem pela maior parcela dos valores colocados à disposição do financiamento da atividade agrícola, um grande universo de produtores será prejudicado pela medida. A permanecer a norma vigente, ainda que necessitem dos serviços antes mencionados, milhares de agricultores estarão impedidos de financiá-los”, diz o parlamentar, na justificativa do projeto.
Para Zé Silva, é melhor permitir que essa decisão fique a critério de cada produtor financiar as despesas com assistência técnica. De outro lado, ele acredita que essa permissão de financiamento pode influenciar a decisão das instituições financeiras de conceder ou não o crédito.
O projeto deverá ser analisado pelas Comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Depois, segue para o Plenário da Casa.

Mais fósforo nos solos brasileiros ajuda a manter a fertilidade

 fósforo + e -Brasil adicionou 22,8 milhões de toneladas de fósforo em seus solos nos últimos 50 anos. O estudo foi realizado por pesquisadores da Embrapa Solos (RJ) e de outras instituições brasileiras e revela que quase metade do fósforo (P) aplicado na agricultura em forma de fertilizante inorgânico nos últimos 50 anos continua na terra. Cálculos apontam que um total de 45,7 milhões de toneladas, ou teragramas (Tg), de fósforo foi aplicado no Brasil desde 1960, quando começou a utilização regular desse insumo. Hoje, estima-se que 22,8 Tg desse montante continue fixado no solo.
Esse legado de fósforo na terra, que hoje é avaliado em mais de U$ 40 bilhões, pode ajudar o Brasil a se precaver contra uma possível escassez futura do nutriente ou variações no preço do insumo. Em 2008, por exemplo, o preço da rocha de fosfato aumentou 800% em um período de 18 meses.
O estudo, publicado na Nature Scientific Reports, no artigo Transitions to sustainable management of phosporus in Brazilian Agriculture (Transições para o manejo sustentável de fósforo na agricultura brasileira, tradução livre), chama a atenção para uma questão importante na discussão do excesso de uso do nutriente. O fósforo aplicado sucessivamente em solos brasileiros, principalmente na produção de grãos, desde 1970, aliado a práticas conservacionistas, como o plantio direto, gerou um legado, promovendo o acúmulo de um capital natural. “Nosso solo absorveu esse fósforo. Por isso, precisamos aplicá-lo cada vez em menor quantidade na terra, reduzindo seu uso na adubação”, revela Vinícius Benites, pesquisador da Embrapa Solos e um dos autores do artigo.

Um bom exemplo é que no Brasil é possível fazer dois ou mais cultivos ao ano em uma mesma área, realizando o manejo adequado com aplicação dos princípios fundamentais para uso de fertilizantes, conhecido como o conceito 4C: utilizar a fonte de fertilizante correta, na dose correta, no momento correto e no local correto. “Se o utilizarmos com sabedoria, teremos reservas de fósforo por muitas décadas. Ademais, tenho convicção de que serão estabelecidas formas eficientes de se reciclar esse nutriente. Isso será imperativo no futuro. Resumindo, não devemos confundir as coisas. Precisamos de agricultura forte no Brasil, que necessita de fósforo bem manejado. Isso é perfeitamente possível”, completa o pesquisador. 

Municípios do agronegócio lideram crescimento do PIB

Produto Interno Bruto

Quando isolados os 100 maiores produtores agrícolas, o crescimento médio foi de 9,81% entre 2014 e 2016

 Cem maiores municípios com atividade agropecuária respondem por 7,2% do PIB do país, e por 27,5% do Valor Bruto da Produção (VBP Lavoura)
Cem maiores municípios com atividade agropecuária respondem por 7,2% do PIB do país, e por 27,5% do Valor Bruto da Produção (VBP Lavoura)

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referentes ao PIB (Produto Interno Bruto) Municipal de mais de 5 mil municípios mostram forte crescimento nas principais regiões agrícolas. Levantamento com base no valor nominal do PIB do 2016 revelou que 82% dos municípios brasileiros classificados como os maiores produtores do agro cresceram em média 4,4% ao ano entre 2014 e 2016.
Quando isolados os 100 maiores produtores agrícolas, o crescimento médio foi de 9,81%, no período. Esses municípios respondem por 7,2% do PIB do país, e por 27,5% do Valor Bruto da Produção (VBP Lavouras).
O levantamento de acordo com o coordenador-geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Garcia Gasques, combina as informações do IBGE com as da Produção Agrícola Municipal (PAM), referentes às lavouras permanentes e temporárias em 2017. “Trabalho semelhante a este, foi feito em 2016, quando verificou-se que as regiões produtoras agrícolas cresceram entre 2010 e 2013, o dobro da média do país”, lembrou Gasques.
“Em diversos municípios do Nordeste, o valor da produção agropecuária teve acentuada redução em 2017. Isso ocorreu muito fortemente entre os que integram a região chamada Matopiba, considerada importante área de expansão da fronteira agrícola”, disse Gasques.
“Nos estados da Bahia, Piauí e Maranhão, muito afetados pelas secas ocorridas nos últimos anos, a redução de safras foi muito forte ocasionando redução do valor da produção”, afirmou.

 Previsão de chuvas para este ano ainda não está definida, diz meteorologistas



A incerteza sobre a previsão de chuvas para o primeiro semestre no semiárido nordestino ainda permanece por parte dos meteorologistas. Ainda não existe data prevista para encontro dos meteorologistas sobre as primeiras previsões para este ano que se inicia.



Mesmo com o otimismo pelo meteorologista Luiz Carlos Molion, aposentado pela Universidade Federal de Alagoas (UFA), ao afirmar que, de acordo com o método de previsão por similaridade, 2019 será um ano de inverno favorável na Paraíba e Rio Grande do Norte, outros meteorologistas do Nordeste se mostram cautelosos sobre o assunto.



Embrapa coordena missão à Índia para cooperação técnica sobre bubalinos

Ronaldo Rosa - A aquisição de sêmen de búfalos indianos é uma das metas do tratado de cooperação técnica.
A aquisição de sêmen de búfalos indianos é uma das metas do tratado de cooperação técnica.
Representantes e especialistas em pecuária bubalina, sob liderança da Embrapa Amazônia Oriental, iniciam nesta terça-feira (8), em Nova Delhi, capital da Índia, missão diplomática para fins de tratados de cooperação técnica para o manejo e melhoramento da pecuária bubalina no estado do Pará. A missão é coordenada pelo pesquisador José Ribamar Marques e pretende formalizar o intercâmbio de tecnologias e permuta de sêmen entre os países.
O grupo é formado por Embrapa, Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Aquicultura e Pecuária (Sedap), e setor produtivo, representado pela Federação de Agricultura do Pará (Faepa) e uma consultoria privada. A viagem terá duração de duas semanas e prevê reuniões com o ministério da agricultura daquele país, além de outras representações governamentais e de pesquisa ligadas ao setor agropecuário.
De acordo com o pesquisador Ribamar Marques, a missão vinha sendo construída entre Embrapa, Governo do Estado do Pará e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) desde o ano passado. Ele lembra que o momento é propício, pois se dá na sequência das comemorações dos 70 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Índia, marcados em 2018.
A missão tem agenda cheia e começa nesta terça-feira, com reunião com o embaixador do Brasil na Índia, seguida de encontros com representantes dos ministérios e secretarias ligadas ao agronegócio daquele país. O grupo se reúne ainda, nos próximos dias, com Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola (Icar). Visitas a fazendas criadoras de búfalos também integram a programação da comitiva.
No Pará, estado que possui o maior rebanho bubalino do país, a Embrapa coordena o Programa de Melhoramento Genético de Búfalos com Inovação para o Estado do Pará (Promebull). Entre as diretrizes do programa estão as boas práticas de manejo animal, manejo alimentar e nutricional, manejo sanitário e melhoramento genético. Para o pesquisador da Embrapa, o intercâmbio pode propiciar o um salto de qualidade nas pesquisas e no melhoramento genético da pecuária bubalina paraense, pois visa entre outras ações, a importação de sêmen de bubalinos indianos, para a garantia de material genético superior nas ações do projeto. “Após a seleção de animais de qualidade superior nos rebanhos paraenses, serão utilizadas biotécnicas de inseminação artificial em tempo fixo (IAFT) e fertilização in vitro (FIV) para garantir uma linhagem de animais melhorados geneticamente”, explicou Marques. Ele lembra que ainda que os primeiros búfalos domésticos que chegaram ao país vieram da Índia e tiveram como porta de entrada o arquipélago do Marajó, onde se concentram as pesquisas e o maior rebanho do Pará.
Sobre o Promebull: o Programa de Melhoramento Genético de Búfalos com Inovação para o Estado do Pará (Promebull) é realizado em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), e Secretaria de Estado do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) tendo como meta a melhoria de índices econômicos de emprego e a renda para a pecuária bubalina leiteira para a agricultura familiar, por meio do melhoramento genético de boas praticas de manejo, alimentação e sanidade.

Embrapa 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Reunião trata de ações para a gestão das águas dos reservatórios do RN


O diretor-presidente do Igarn, Caramuru Paiva, com a Governadora Fátima Bezerra.

O diretor-presidente do Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn), Caramuru Paiva, esteve reunido com a Governadora Fátima Bezerra, na tarde desta sexta-feira (4), para tratar da execução política estadual de recursos hídricos do Governo do RN, objetivando assegurar água em quantidade e qualidade necessárias ao abastecimento das cidades potiguares.
O Igarn é responsável por executar as ações de gestão dos recursos hídricos do Estado. Entre as atividades realizadas pelo Instituto estão o monitoramento quantitativo e o qualitativo das águas dos mananciais, assim como regularização e fiscalização do uso da água. O Igarn realiza ainda ações de interiorização e educação em recursos hídricos visando conscientizar sobre o uso da água.
Devido ao longo período de estiagem que teve uma duração de seis anos e, após um ano de inverno dentro do normal, as reservas hídricas estaduais atuais correspondem a 960,580 milhões m³, em termos percentuais, 21,77% da capacidade total de armazenamento total dos corpos hídricos superficiais estaduais monitorados, o que torna necessária a adoção de ações que visem a manutenção da maior quantidade de água até que a nova quadra invernosa tenha início visando garantir a segurança hídrica do Estado.  
O diretor-presidente do Igarn ressaltou que o órgão continuará intensificando ações de gestão que prolonguem as reservas hídricas estaduais. “O Igarn continuará mantendo uma atenção redobrada até que o novo período de inverno se confirme e os reservatórios possam receber nova recarga, visando garantir quantidade e qualidade de água, necessárias ao abastecimento das populações e para as atividades produtivas”, disse Caramuru Paiva após a reunião.     

Algodão

ALGODÃO/CEPEA: Em 2018, indicador permanece em altos patamares

Cotações do algodão em pluma se mantiveram em patamar elevado em 2018, especialmente no primeiro semestre, de acordo com informações do Cepea
     
As cotações do algodão em pluma se mantiveram em patamar elevado em 2018, especialmente no primeiro semestre, de acordo com informações do Cepea. Esse cenário está atrelado ao baixo estoque doméstico, à paridade de exportação positiva e à paralisação de caminhoneiros em maio.

Além disso, pesquisadores do Cepea informam que o bom desempenho dos embarques da pluma na temporada 2016/17 (que limitou a oferta interna em 2018), os altos preços externos e a valorização do dólar frente ao Real também influenciaram a valorização do algodão durante os primeiros seis meses de 2018. No segundo semestre, por outro lado, os valores recuaram, devido à chegada de alguns lotes da nova temporada (2017/18) e ao fraco desempenho do mercado de derivados brasileiro. No balanço de 2018, o Indicador do algodão em pluma CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, subiu 15,04%, fechando a R$ 3,0657/lp no dia 28 de dezembro. 


BOI/CEPEA: Setor aposta em aquecimento da demanda interna em 2019

Depois de fechar 2018 registrando recorde nas exportações de carne bovina in natura, o setor pecuário nacional aposta
     
Depois de fechar 2018 registrando recorde nas exportações de carne bovina in natura, o setor pecuário nacional aposta, agora, em incremento nas vendas domésticas da proteína em 2019. Segundo pesquisadores do Cepea, o fundamento vem das perspectivas de retomada da economia nacional, que tende a elevar o poder de compra da população.

Ressalta-se, no entanto, que o mercado internacional ainda é forte foco do setor. O Brasil vem se consolidando cada vez mais no contexto internacional – em 2018, o País embarcou o recorde de 1,353 milhão de toneladas de carne in natura, registrando faturamento de US$ 5,6 bilhões –, e isso se deve ao fato de o País conseguir ofertar elevado volume da carne e de qualidade. 


Bolsonaro apoia agronegócio competitivo e integrado, diz Grisa

De acordo com o economista Gustavo Grisa, sócio-diretor da Agência Futuro
     
De acordo com o economista Gustavo Grisa, sócio-diretor da Agência Futuro, o novo governo Bolsonaro significa “maior possibilidade de evolução para um modelo de apoio ao agronegócio competitivo e integrado”. Projetando um “ambiente mais favorável” e “preço das commodities com perspectiva estável”, o especialista pede, porém, atenção a “questões ambientais internacionais que podem gerar retaliações não-tarifárias”.

“O desenvolvimento da bioeconomia é estratégico para o Brasil na próxima década. Nisso se incluem uma nova visão sobre agronegócio sustentável, bioética, agrotech, o posicionamento em termos de regulação nacional e internacional. Esse tema depende de uma boa coordenação entre as lideranças privadas, associativas e setoriais, e uma posição convergente entre Ministérios de Agricultura, Meio Ambiente, Economia, Ciência e Tecnologia no tema, assim como das agências de fomento”, diz relatório da Agência Futuro.
De acordo com a consultoria, a tendência principal é o Brasil “realinhar-se mais fortemente com as grandes economias ocidentais, mas parte desse posicionamento dependerá da gestão sobre eventuais barreiras não-tarifárias, do equilíbrio com posicionamentos multilaterais e a busca de maior inserção global, convergente com a política econômica”.

A Agência Futuro é uma empresa de consultoria e instrutoria focada em inovação pública, economia urbana e responsabilidade empresarial. Atuando desde 2009, a Agência Futuro foi responsável pela formulação de Programas de Governo, iniciativas para inovação, novo foco de gestão e administração pública, gestão empreendedora, inteligência fiscal e a incorporação de tendências internacionais ao ambiente público brasileiro.
Gustavo Grisa é formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com MBA em Negócios Internacionais pela Thunderbird School of Global Management (EUA), com atuação nas áreas de Estratégia, Inteligência e Risco Político e cursos de pós-graduação como o Business and Poverty Leadership Program da Universidade de Cambridge (Inglaterra). Antes da Agência Futuro, desenvolveu carreira executiva nas áreas de economia, inteligência estratégica e relações corporativas na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Brasil Telecom e Vale. 


Descobertas mais 120 novas espécies de plantas em 2018

Algumas das espécies recém-descobertas já estão em perigo de extinção
     
Um grupo de pesquisadores da Kew Gardens, publicou a sua seleção das 13 espécies mais espetaculares descobertas em 2018 e afirmraram que, ao todo, foram descobertas 120 novas espécies de plantas neste último ano. Além disso, 44 novos tipos de fungos foram descobertos em 2018. 

De acordo com os pesquisadores, foi muito difícil entrar todas esses novos tipos de plantas, sendo que deles só mostrou suas flores depois de chuvas incomuns e intensas e outro vive em árvores em colinas tão íngremes quanto inacessíveis. Foi isso que informou o botânico britânico John Wood, um pesquisador em jardins de Kew e da Universidade de Oxford, que trabalhou por 25 anos com projetos na Bolívia. 

"Ele foi encontrado perto de Vallegrande, o lugar onde Che Guevara foi morto. Eu já estive no mesmo lugar, mas a diferença desta vez é que havia chuvas muito fortes e incomuns e a vegetação cresceu muito. Encontramos duas ou três populações. Mas se você for em qualquer outro momento e não chover, você não o verá”, comenta. 

Isso porque a vegetação muda constantemente e tudo ainda depende das condições climáticas ao longo do ano. A área onde a nova espécie foi encontrada "é muito rica em plantas que não podem ser vistas em nenhum outro lugar. Provavelmente por causa desse habitat extremamente seco e excepcional, existem plantas especializadas que evoluíram e se adaptaram a essas condições”. 

Algumas das espécies recém-descobertas já estão em perigo de extinção. Muitos deles têm benefícios potenciais para a humanidade, como plantas de jardim ou plantas medicinais ou culturas", conclui.

Um método simples de avaliação corporal permite aumentar a taxa de prenhez em vacas

Prenhez - novo métodoO Vetscore é uma ferramenta simples formada por duas réguas articuladas que, ao serem posicionadas sobre a garupa do animal, indicam sua condição corporal. Isso permite identificar com mais precisão animais que necessitam de suplementação. Como resultado, aqueles em condições corporais inferiores são manejados adequadamente aumentando produção de leite e taxas de penhez.
Desenvolvido por especialistas da Embrapa, o Vetscore é único no mercado e ferramenta essencial para produtores obterem informações precisas e com elas selecionarem animais mais adequados em termos de escore de condição corporal, ou seja, de reserva de energia. Com isso se obtém maior ganho em fertilidade e produção de leite.
Pesquisas realizadas pela Embrapa em Rondônia demonstraram que animais com condição nutricional adequada avaliados com a tecnologia Vetscore chegam a obter uma taxa de prenhez 17% maior quando comparada com a taxa média nacional por inseminação artificial por tempo fixo (IATF) que está em 51%. A obtida em vacas selecionadas pelo dispositivo é de 61%.
Segundo o pesquisador da Embrapa Rondônia Luiz Pfeifer, responsável pelo desenvolvimento do dispositivo, mantendo as vacas em lactação com condição corporal adequada, é possível obter maior rentabilidade e eficiência reprodutiva tanto nas vacas de corte como de leite. Daí a importância de os produtores fazerem a avaliação da condição corporal dos animais para a busca da máxima eficiência reprodutiva e produtiva do rebanho. “O Vetscore torna-se valioso para o produtor, que pode, de maneira rápida e precisa, avaliar seus animais e fazer as mudanças de manejo necessárias”, afirma Pfeifer.

Outro método muito utilizado de avaliação do escore corporal é o visual considerado subjetivo e pouco preciso. Esse método exige que o avaliador seja treinado para evitar equívocos no momento da avaliação. “A subjetividade do método visual e o limitado acesso ao corpo do animal (especialmente costelas e garupa) fazem a determinação do ECC uma atividade relativamente difícil de ser realizada em vacas que estão contidas no brete”, explica o pesquisador, complementando que isso demanda tempo extra, que deve ser considerado em propriedades com manejo intensivo e com grande número de animais. “Com o uso da régua, de baixo custo, o próprio produtor pode avaliar e monitorar o rebanho”, afirma o especialista.

Medidas simples podem ajudar a reduzir infestações por moscas-dos-chifres nos rebanhos

Gisele Rosso - Integrar árvores com as pastagens também pode contribuir para reduzir as infestações de mosca-dos-chifres
Integrar árvores com as pastagens também pode contribuir para reduzir as infestações de mosca-dos-chifres
Os pecuaristas devem ficar atentos às causas de estresse nos bovinos. Nesta época do ano, as infestações por parasitas, como as moscas-dos-chifres, são maiores devido às condições climáticas favoráveis – umidade e temperatura alta.
As picadas constantes e doloridas das moscas-dos-chifres provocam irritação no animal, afetando a saúde e o bem-estar. O estresse faz com que o bovino deixe de se alimentar, passando muito tempo tentando se livrar do inseto. As consequências são perda de peso e redução na produção de leite.
Juntamente com carrapatos e infecções por vermes, as moscas-dos-chifres estão entre as principais parasitoses bovinas. A pesquisadora Márcia de Sena Oliveira, da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), dá algumas dicas para o produtor proteger seu rebanho neste período mais crítico.
O controle por meio de inseticidas é complexo. O uso inadequado e frequente desses produtos químicos favorece a seleção de parasitas resistentes. Para evitar o rápido desenvolvimento de resistência, o produtor precisa fazer o controle de forma racional. “A ideia é controlar a infestação e não erradicar a mosca-dos-chifres, mantendo um número razoável desses parasitas no rebanho”, destaca a pesquisadora.
De acordo com ela, há algumas alternativas viáveis para reduzir os problemas com a mosca.
O besouro conhecido rola-bosta é uma boa opção para diminuir a multiplicação do inseto. Ele ataca o bolo fecal, destruindo as larvas das moscas que aí se desenvolvem.
O tratamento dos bovinos de acordo com a sua categoria, ajuda a manter um nível aceitável de infestação, principalmente nos animais mais suscetíveis, como vacas com bezerros ao pé.
Colocar armadilhas pelas pastagens para atrair as moscas que estão no rebanho, é um método bastante eficaz e sem prejuízos para o meio ambiente.
Integrar árvores com as pastagens também pode contribuir para reduzir as infestações.
“Todas essas alternativas devem ser somadas à preocupação constante em manter o rebanho bem nutrido. O gado em boas condições nutricionais não sofre tanto com o parasitismo”, afirma Márcia.

Sistemas integrados x mosca-dos-chifres

Um estudo realizado na Embrapa Pecuária Sudeste entre 2013 e fim de 2015 indicou que a infestação por moscas-dos-chifres em sistemas silvipastoris, em que o plantio de árvores é associado à criação de gado e ao cultivo de forrageiras, é 38% menor, quando comparada às criações em pastagens convencionais.
Segundo Márcia Oliveira, as alterações de microclima e a microfauna associada ao bolo fecal dos bovinos criados nesses sistemas afetam a dinâmica da população das moscas.
Na análise dos dados de contagens de moscas-dos-chifres foram encontradas diferenças significativas comparando-se os dois modelos de produção: sistema silvipastoril e convencional (apenas gado e pastagem). As menores médias de contagens foram observadas na integração da pecuária com as árvores nativas.
Para a pesquisadora, tal fato pode ocorrer devido a maior quantidade e diversidade da microfauna associada aos bolos fecais dos animais criados no sistema com árvores e que atuam como predadores das fases de vida livre desse parasita, contribuindo para o equilíbrio populacional de ectoparasitas, como a mosca-dos-chifres.

Embrapa Pecuária